Carteira recomendada x Recomendação de ativos: você sabe a diferença?

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A carteira é recomendada e a recomendação é de ativos: no fim, tudo é recomendação. Mas qual a diferença entre um e outro?

Se você já está investindo há um tempo, talvez já tenha até internalizado essa diferença, mas vale a pena entender a fundo para saber por que olhar um e não olhar o outro, ou por que ficar atento aos dois tipos de relatórios. Agora, se você ainda não sabe a diferença entre carteira recomendada e recomendação de ativos, vamos lá entender!

Começando do começo

Vamos começar falando sobre a carteira recomendada. Ela surgiu com a intenção de tornar a vida dos clientes investidores ainda mais fácil: pense você iniciante, entrando há pouco na bolsa de valores e sem conhecer muito bem as empresas, o que significam os balanços e qual o impacto de notícias políticas, econômicas, sociais e operacionais sobre o desempenho da companhia na qual está depositando seu dinheiro. Sem um norte, um direcionador, é bem possível cometer muitos erros (e perder muito no meio desse caminho) ou, pior, achar que bolsa de valores não é para você e acabar desistindo de investir.

Pois bem, as corretoras – mas não somente, porque analistas independentes e os assessores de investimentos também podem criar portfólios de ações e recomendar aos clientes – vão de encontro com essa necessidade por uma informação mais consistente, sem precisar que o cliente passe suas 24 horas do dia em frente ao computador tentando entender tudo sobre tudo o que move o mercado e, claro, por que ter ou não determinadas ações em carteira. Ao mesmo tempo, quando falamos em renda variável, tudo é realmente variável, portanto as carteiras recomendadas trazem diversas ações, de muitos setores, para que o risco do investimento seja mitigado.

Dessa forma, a corretora entrega aos clientes um conjunto de papéis que, dentro de um tempo determinado, possuem um grande potencial de valorização, com o respaldo de que seus analistas já fizeram esse pente fino do mercado e encontraram as melhores oportunidades de investimentos. Normalmente, os relatórios trazem uma justificativa da escolha dos papéis, mostrando o que fez com que os analistas indicassem justamente aquelas ações que se encontram na carteira recomendada.

Quem explica melhor esse conceito é Paloma Brum, analista da Toro Investimentos: “O objetivo da carteira recomendada de investimentos é fazer com que o patrimônio do investidor, como um todo, se valorize ao longo do tempo. Isso porque a carteira recomendada leva em consideração que, em determinados cenários, alguns papéis que a compõem podem vir a performar melhor ou pior. Mesmo que o investimento em um ativo específico não tenha um bom resultado, outros ativos que apresentem melhor desempenho podem mais do que compensar e, assim, ajudar a proteger o patrimônio investido. O importante é que o saldo líquido, do desempenho dos ativos em conjunto, seja positivo e, então, apresente valorização no decorrer da duração do investimento na carteira”.

Cabe ao cliente, é claro, analisar se deseja ou não seguir a recomendação, com base na sua estratégia de investimentos. Mas isso significa que a carteira recomendada não pode ser personalizada para a estratégia de cada investidor? Pelo contrário. Não existe apenas um tipo de carteira recomendada, mas vários.

Os tipos de carteiras recomendadas

Existem carteiras recomendadas compostas apenas de ações Small Caps, por exemplo, que são provenientes de companhias menores do que as gigantes da bolsa, as chamadas Blue Chips. As Small, ao contrário das Blue, possuem valor de mercado baixo (algumas análises consideram Small as companhias com valor de mercado abaixo de R$ 2 bilhões) e menor liquidez das ações na bolsa, ou seja, seus papéis são menos negociados diariamente. Apesar disso, são empresas muitas vezes líderes de seus segmentos de atuação, muito sólidas e com bons fundamentos.

Nesse caso, existe uma carteira recomendada totalmente voltada para essas companhias, assim como existem carteiras de dividendos, para quem tem uma estratégia de longo prazo e que deseja rentabilizar com os proventos distribuídos pelas empresas ao deter suas ações. Por lei, toda companhia listada na bolsa precisa distribuir no mínimo 25% do seu lucro aos acionistas, só que algumas companhias são melhores pagadoras de dividendos do que outras, e aí a carteira recomendada voltada para isso faz grande diferença. Além de rentabilizar com a valorização das ações, o investidor também ganha com os dividendos.

Mas não existem apenas as carteiras recomendadas de Small Caps e dividendos, há também carteiras de renda fixa, de Day Trade, de Fundos Imobiliários, carteiras de estratégias específicas e até mesmo carteira composta de empresas ESG, isto é, aquelas que possuem grande atuação com ações ambientais, sociais e de governança.

Para saber qual a mais adequada ao seu perfil, a analista Paloma Brum dá a dica: “A carteira recomendada é uma forma de traçar uma estratégia e executá-la em busca de retornos e riscos que podem ser mais moderados ou arrojados. Cabe a cada investidor entender o seu próprio apetite a risco para, somente então, decidir em que tipo de carteira(s) realmente deseja investir”.

Qual a metodologia?

Como será que são os bastidores dessas análises para que sejam realizadas as recomendações? Quem nos leva até eles é a analista Paloma Brum, que também coloca a mão na massa na Toro Investimentos para realizar as recomendações. Ela explica que, “caso as recomendações sejam de curto prazo, são feitas utilizando-se ferramentas de análise técnica e gráfica. As recomendações de médio prazo são feitas, muitas vezes, reunindo análise técnica e gráfica com a análise de fundamentos da empresa. Já as recomendações de longo prazo são feitas com base em análise fundamentalista”.

Mas, não apenas isso, além de realizar a análise com base nessas metodologias, também é levado em consideração um parâmetro comparativo. Segundo Paloma: “No caso de uma carteira recomendada, podemos utilizar alguns modelos de montagem de portfólio, na busca de otimizar o retorno da carteira dado certo nível de risco, de modo que ela tenda a superar um benchmark pré-estabelecido, como o Ibovespa, o IDIV (Índice de Dividendos), o SMLL (Índice Small Cap) etc”.

Quanto à periodicidade das recomendações, elas podem ser diárias (como no caso de carteira Day Trade), semanais e mensais. A ADVFN disponibiliza para você todas as maiores carteiras recomendadas do mercado, compiladas e organizadas de um modo único para você poder acompanhar tudo sem perder tempo e ficar muito bem informado. Acompanhe!

Todas as carteiras recomendadas – Por ADVFN Brasil.

Termos específicos das carteiras recomendadas

Normalmente, existem alguns termos específicos encontrados nas carteiras recomendadas, mas comumente estão em português, assim como o relatório completo enviado ao cliente. Essa é uma diferença, por exemplo, em se tratando da recomendação de ativos, cujos termos muitas vezes aparecem em inglês, no caso de alguns relatórios. Na sequência falaremos das recomendações de ativos, então agora vamos ver um pouco da linguagem específica das carteiras recomendadas, revelada pela analista da Toro Investimentos:

  • Compra: quando a corretora envia no relatório uma ação recomendando compra, isso significa que ela está indicando boas perspectivas de retorno para esse ativo.
  • Preço máximo de compra: indica o patamar máximo de preço do ativo até o qual ainda vale investir, tendo em vista uma boa relação risco-retorno.
  • Preço-alvo: indica o objetivo de preço futuro buscado com o investimento em cada ativo da carteira.
  • Encerramento: recomenda o fim do investimento em determinado ativo da carteira e, geralmente, vem acompanhado de uma ou mais novas recomendações que irão substituí-lo.

Recomendação de ativos

Deu para entender bem como funciona uma carteira recomendada, certo? Mesmo sem entender muito sobre as empresas e fatores de macro e microeconomia que incidem sobre elas, tem-se um portfólio completo de papéis que podem performar bem e garantir um retorno positivo no final do período previamente definido na carteira (semanal, mensal).

Já a recomendação de ativos segue uma trajetória um pouco diferente: “serve para que o investidor consiga montar o seu próprio portfólio, sem necessariamente ter uma estratégia bem definida para tanto. Esse tipo de recomendação ajuda o investidor a encontrar boas oportunidades em determinados ativos, sem que haja a necessidade de se planejar a montagem de uma carteira completa”, revela a analista da Toro Investimentos.

Ainda segundo ela, é responsabilidade do próprio investidor monitorar o potencial de retorno e verificar se está disposto a correr certo nível de risco ao investir em cada papel de maneira isolada. “Isso significa que o investidor deve ter o seu manejo de risco de modo a computar perdas e ganhos, tendo em vista aquilo que tolera perder e aquilo que busca ganhar em cada operação e ao longo do tempo”, complementa.

A recomendação de ativos nada mais é do que a análise de ações específicas, isoladas, feita geralmente por casas de análise, as chamadas casas de research, mas também por alguns bancos que possuem área de pesquisa e análise de empresas. Com base na análise técnica ou fundamentalista (ou a mescla dos dois), os analistas dessas instituições entregam um panorama de determinada ação que tem um potencial de ganho atrativo.

É como se você fosse comprar uma casa. É preciso saber se vale a pena investir dinheiro justamente ali, naquela localidade, e não em outro lugar. Ou seja, se o risco pode valer a pena. Assim, em vez de sair batendo de porta em porta dos vizinhos para perguntar sobre a região, o corretor imobiliário te entrega um raio-x completo dizendo por que você deve ir morar naquela casa e qual o potencial de valorização dela que você pode esperar.

Como todo e qualquer investimento, é um risco, mas justamente por isso é uma recomendação, um convite para você investir, e não uma promessa de retorno garantido. Pode ser que você não goste do bairro ou que a grama do vizinho seja mais verde, porém fica a seu critério realizar o investimento.

“A escolha entre seguir uma carteira recomendada ou a recomendação de ativos isolados varia de acordo com os objetivos, a disponibilidade de tempo para operar e, em certa medida, o nível de conhecimento de cada investidor. É válido ressaltar que um tipo de investimento não elimina o outro. É comum que investidores sigam carteiras recomendadas, além de buscar oportunidades isoladas em ativos recomendados”, explica Paloma Brum.

Termos em inglês

Como as casas de research e alguns bancos geralmente possuem atuação em diversos países, a língua usada nos relatórios muitas vezes pode ser a inglesa. Além disso, como sabemos, grande parte dos investimentos da nossa bolsa são realizados justamente por estrangeiros, portanto essas análises em inglês são importantes para integrar também esses investidores aos relatórios. Mas isso não é regra. Vários documentos estão em português e seguem a mesma linguagem da carteira recomendada, conforme os termos que abordamos quando falamos delas.

De todo modo, separamos algumas palavras em inglês que são comumente usadas e trazemos seus significados para facilitar sua vida e, claro, aumentar ainda mais seu vocabulário:

  • Benchmark: como Paloma bem explicou anteriormente, quando revelou a metodologia por trás das carteiras recomendadas, esse termo se refere a um indicador que é tido como referência de desempenho – é o caso, por exemplo, do Ibovespa. Assim, as recomendações sempre vão procurar superar a performance desse indicador.
  • Buy: significa comprar. É a recomendação de que, ao entrar naquele ativo, o investidor tem um bom potencial de ganho.
  • Sell: ao contrário de “buy”, significa vender o ativo para realizar o lucro.
  • Stop Gain: conforme a analista da Toro, refere-se ao patamar de preço no qual é recomendado posicionar uma ordem de encerramento da operação, realizando lucro, para que assim haja sucesso com o investimento feito.
  • Stop Loss: ao contrário de “Stop Gain”, segundo Paloma, trata-se do patamar de preço no qual é recomendado posicionar uma ordem de encerramento da operação, assumindo um nível de perda, mas evitando assim prejuízos maiores.
  • Outperform: essa palavra com certeza você já viu muito por aí, e ela realmente salta aos olhos, afinal é uma indicação de que aquele ativo pode apresentar uma performance superior ao índice de referência – acima do Ibovespa, por exemplo.
  • Underperform: ao contrário de “outperform”, o termo se refere ao ativo que tende a demonstrar um resultado inferior ao padrão que está sendo usado.
  • Market perform: em tradução literal seria “performance do mercado”, ou seja, quando o ativo pode performar em linha com o índice de referência.

A ADVFN também tem todas as principais recomendações de ativos para você poder conferir sempre, com as informações totalmente atualizadas e de acordo com as principais casas de análise e bancos de investimentos. Acesse as recomendações de ativos. 

Gostou de saber a diferença entre as duas recomendações? Ainda ficou com alguma dúvida? Queremos saber sua opinião: deixe seu comentário aqui e aproveite para compartilhar o artigo com um amigo, quem sabe ele também ainda não conhece a diferença ou precise saber mais sobre os termos usados e a respeito do que compõe cada uma dessas formas de recomendação.

 

 

 

 

 

 

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