Aeris Energy (AERI3): Lucro líquido de R$ 113,2 milhões em 2020, puxada pelas vendas de pás para o mercado interno

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A fabricante de pás eólicas Aeris Energy registrou um lucro líquido de R$ 113,2 milhões em 2020, um aumento de 27,6% em relação a 2019.

No acumulado de 2020, o Ebitda somou R$ 229,14 milhões (+54,6%), enquanto o indicador incluindo incentivo fiscal totalizou R$ 243,20 milhões (+45,4%).

Os resultados da Aeris Energy (BOV:AERI3) referente a suas operações do quarto trimestre de 2020 foram divulgados no dia 09/02/2021. Confira o Press Release completo!

A receita líquida de 2020 foi de R$ 2,208 bilhões, crescimento de 164%, puxada pelas vendas de pás para o mercado interno.

4T20

A Aeris Energy registrou lucro líquido de R$ 15,629 milhões no quarto trimestre de 2020, queda de 61,2% em relação ao observado em igual período de 2019.

O Ebitda caiu 33,8% em base anual de comparação com o quarto trimestre de 2019, para R$ 45,475 milhões.

Considerando o incentivo fiscal Sudene, o indicador atingiu R$ 45,4 milhões, 33,8% inferior no comparativo anual.

A receita líquida operacional da Aeris atingiu R$ 749,924 milhões no quarto trimestre, crescendo 166% ante igual período de 2019.

O retorno sobre o capital investido (ROIC) ficou em 20,7% no último trimestre de 2020, uma redução de 8,1 pontos percentuais no comparativo anual. Segundo a empresa, a queda do indicador reflete o aumento de 133% no capital investido médio como preparação para a ampliação de capacidade produtiva, que atenderá a contratos de fornecimento de pás já assinados com clientes para os próximos anos.

Teleconferência

A Aeris Energy deve executar a maior parte dos investimentos restantes em expansão de capacidade produtiva ao longo do primeiro semestre de 2021, afirmou nesta quarta-feira Bruno Lolli, diretor de planejamento e de RI da companhia.

o executivo disse ainda que a expansão fabril ocupa apenas uma parte do terreno onde a planta está instalada, de forma que a companhia pode fazer novas ampliações caso seja necessário.

Lolli comentou ainda que, para 2021, a Aeris espera melhorar a proporção de linhas de produção maduras e não maduras – nas quais a capacidade produtiva plena ainda não foi atingida – em seu portfólio. No quarto trimestre de 2020, as margens da fabricante foram impactadas pela descontinuidade, já prevista, de cinco linhas maduras.

“Estamos em amadurecimento. Em meados de 2021 esperamos iniciar a produção para um novo cliente, o que deve afetar negativamente as margens. Mas o ponto é a dinâmica de margem. Sempre que temos crescimento, as margens são pressionadas para baixo. Esse efeito dura de três a quatro trimestres”, disse.

Perspectivas

A Aeris Energy entende que o mix entre mercado interno e externo nas encomendas não deve sofrer alteração em 2021, disse Lolli.

“Praticamente 70% dos volumes [de 2020] foram direcionados ao mercado nacional, a expectativa é que isso continue. O contrato com a Siemens não deve afetar isso, porque prevê demanda tanto para o mercado local, quanto para exportação”, afirmou.

No mês passado, a fabricante de pás eólicas informou sobre um potencial contrato com a Siemens Gamesa para fornecimento de capacidade equivalente a 3,3 gigawatts (GW) de potência e, em princípio, com prazo de vigência até 2024 e valor total estimado de R$ 2,5 bilhões. “Mantemos os esforços para concluir a assinatura desse contrato”.

Lolli comentou ainda que a Aeris está trabalhando com uma política conservadora para os estoque, de forma a mitigar eventuais riscos de “lockdown” em países afetados pela segunda onda da covid-19. “Esperamos que esses riscos sejam reduzidos ao longo de 2021. Com a entrada do novo cliente, deve subir os níveis de estoque, mas não em valores superiores aos atuais, o que nos permite manter o capital de giro estável no decorrer do ano”.

Também presente na teleconferência, o presidente da Aeris, Alexandre Negrão, afirmou que a fabricante continua “muito otimista” com o cenário para o mercado eólico no Brasil, independentemente da retirada de subsídios, como prevê a MP 998/2020, que foi aprovada pelo Congresso e aguarda sanção presencial. “As fontes renováveis são as mais baratas, a eólica está muito bem posicionada, com uma cadeia de suprimento muito sólida para captar esse ganho. Continuamos com a perspectiva de instalação na casa dos 3 a 4 GW por ano para os próximos 10 anos no Brasil”.

Negrão também avaliou que a eleição de Joe Biden nos Estados Unidos traz uma perspectiva favorável para as fontes renováveis a nível global no longo prazo, mas sem impactos na demanda no curto prazo. “Quando vem uma nova política renovável, ela demora para repercutir diretamente na Aeris”.

VISÃO DO MERCADO

Guide Investimentos 

Para a corretora o resultado foi impactado por um aumento dos custos e consequentemente redução na margem bruta.

Segundo o analista Luis Sales, o impacto é Marginalmente Negativo. De fato, os números da companhia não demonstraram melhora em relação ao trimestre anterior, o que acabou frustrando as expectativas do mercado. Em todo caso, avaliamos que o trimestre foi um período de transição para suportar um maior crescimento no de 2021 e não altera a trajetória de crescimento da companhia para os próximos trimestres. Seguimos com visão positiva e recomendação de compra para o papel com preço alvo em R$ 14,50.

XP Investimentos

A XP destaca que a Aeris reportou resultados do quarto trimestre mais fracos do que o esperado, com lucro líquido ajustado (excluindo o impacto de perdas cambiais não recorrentes e sem efeito caixa) 33% e 42% abaixo das estimativas da equipe de análise e estimativas de consenso, respectivamente, com o principal destaque negativo atribuído à contração de margem Ebitda em cerca de 14 pontos percentuais na base anual e cerca de 3 pontos abaixo das expectativas da XP.

“Apesar do forte desempenho de receita (alta de 166% na base anual) confirmando o perfil de alto crescimento da Aeris, destacamos que o lucro líquido foi pressionado por: (i) níveis de eficiência abaixo do ideal, devido a linhas de produção recém-implementadas e a descontinuidade de cinco linhas maduras; e (ii) perdas cambiais não recorrentes (e sem efeito caixa) que afetaram negativamente os resultados financeiros. Apoiada por sólidas expectativas de crescimento à medida que a energia eólica continue ganhando relevância na matriz energética global, reforçamos nossa visão positiva de longo prazo para a Aeris”, avaliam os analistas.

XP Investimentos mantém recomendação de compra e preço alvo de R$15,00 por ação

Pensando em investir na Aeris Energy?

Fundada em 2010, a Aeris estreou no Novo Mercado da B3 em novembro do ano passado, com uma oferta inicial de ações que levantou R$ 1,13 bilhão. Controlada pela família Negrão (61,7%), do ex-dono da farmacêutica Medley, a fabricante de pás eólicas tem como clientes grandes multinacionais, a exemplo de Vesta, GE, Nordex-Acciona e WEG. Suas fábricas estão instaladas em Pecém, no Ceará, um dos principais Estados para a geração eólica no país.

A Aeris Energy está listada no Novo Mercado.

Estrutura Acionária

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Desempenho da empresa na B3

Período Abertura Máxima Mínima Preço Médio Vol Médio Variação Variação %
1 Semana 12,46 12,53 10,80 11,90 4.822.980 -1,50 -12,04%
1 Mês 11,94 13,90 10,80 12,43 7.652.537 -0,98 -8,21%
3 Meses 6,84 13,90 6,54 11,06 4.534.456 4,12 60,23%
6 Meses 5,64 13,90 5,61 10,46 4.777.035 5,32 94,33%
1 Ano 5,64 13,90 5,61 10,46 4.777.035 5,32 94,33%
3 Anos 5,64 13,90 5,61 10,46 4.777.035 5,32 94,33%
5 Anos 5,64 13,90 5,61 10,46 4.777.035 5,32 94,33%

* Com informações da ADVFN, RI das empresas, Valor, Infomoney, Estadão, Reuters

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