São Martinho (SMTO3): Lucro líquido de R$ 272 milhões no terceiro trimestre da safra de 2020 e 2021

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A São Martinho reportou na segunda lucro líquido de R$ 272 milhões no terceiro trimestre da safra de 2020 e 2021, queda de 20,6% frente a R$ 342,9 milhões no mesmo período do ciclo anterior.

Os resultados da São Martinho (BOV:SMTO3) referentes às suas operações do terceiro trimestre de 2020/2021 foram divulgados no dia 08/02/2021. Confira o Press Release complete!

O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) ajustado da empresa foi de R$ 651,6 milhões no mesmo período, avançando 20,3% no comparativo anual. A produção de açúcar avançou 34,1%, para 1,48 milhão de toneladas, e a fabricação de etanol caiu 13,1%, para 1,018 bilhão de litros.

Quanto às fixações, em 31 de dezembro de 2020 a empresa havia fixado preço de açúcar para aproximadamente 332 mil toneladas para o quarto trimestre desta safra, o que representa cerca de 85% da cana própria, a um preço de R$ 1.505 reais por tonelada.

Para a safra 2021/22, as fixações totalizavam cerca de 703 mil toneladas de açúcar, o que representa 61% da cana própria, a um preço de R$ 1.530 reais por tonelada.

E para a temporada de 2022/23, as fixações da São Martinho totalizavam 100 mil toneladas do adoçante, o que significa 9% da cana própria, a um preço de R$ 1.745 reais por tonelada.

A empresa ainda disse que nos nove primeiros meses de 2020/21 foram processados 22,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, uma redução de 0,5% no comparativo anual, em decorrência do clima mais seco observado no período.

Teleconferência

Investimentos de R$ 1,8 bilhão

A São Martinho planeja um pacote de investimentos de mais de R$ 1,8 bilhão para a próxima safra (2021/22), o maior montante já desembolsado pela companhia. Os aportes consideram um aumento dos custos de manutenção de canaviais e indústrias, que deverão absorver R$ 1,3 bilhão, e R$ 535 milhões que serão aplicados em etanol de milho e em cogeração a partir do bagaço de cana. Os detalhes foram apresentados por Felipe Vicchiato, diretor financeiro da companhia, em teleconferência com analistas.

No caso do etanol de milho, serão os primeiros desembolsos para o projeto que foi aprovado recentemente pelo conselho da companhia e recebeu financiamento do BNDES. Cerca de 80% dos investimentos em etanol de milho e em cogeração serão financiados.

A indústria de produção de etanol a partir do milho será construída contígua à Usina Boa Vista, em Quirinópolis (GO), e está orçada, no total, em R$ 640 milhões. Na próxima safra, o investimento no projeto será de R$ 450 milhões.

Questionado sobre o impacto da alta do milho sobre o investimento, Vicchiato afirmou que o projeto vai se manter com margem de mais de 20% enquanto a saca do grão ficar em até R$ 70 em Rio Verde (GO), próximo de onde será a produção.

O executivo explicou que o projeto alcança essa margem porque o investimento é feito em boa parte com financiamento e porque utilizará parte da energia elétrica cogerada na usina Boa Vista, que também receberá investimentos para melhorar a eficiência. O investimento também adota como premissa um preço de petróleo entre US% 45 e US$ 50 o barril — hoje o valor está próximo dos US$ 60.

“O retorno só cai se [o milho em Rio Verde] ficar em R$ 80 a saca por muito tempo”, ressaltou. “Mas, olhando os incentivos [do preço atual] para o produtor, vemos inventivo para ele aumentar a área de milho. Achamos difícil saltar para R$ 80”, acrescentou.

O pacote de investimentos da próxima safra também inclui R$ 85 milhões para o projeto de cogeração na usina de Pradópolis (SP), cuja unidade está sendo ampliada para conseguir entregar a energia arrematada no leilão de 2019 para entrega a partir de 2025. O aporte total previsto no projeto é de R$ 320 milhões e já foi iniciado no ano passado.

O principal destino dos recursos do capex, porém, será mesmo o gasto recorrente de manutenção de canaviais. Os R$ 1,3 bilhão para este fim representam um aumento de 8% ante o capex de manutenção previsto para esta safra e já incorporam uma inflação de 5% a 8% estimada com fertilizantes e agrotóxicos, além de maior custo com mão-de-obra, disse Vicchiato.

Safra mais Açucareira 

A São Martinho deve maximizar sua produção de açúcar na próxima safra (2021/22), que começará em abril, e inclusive fez pequenos aportes para ampliar a capacidade de produção da commodity em 50 mil toneladas já para o próximo ciclo.

Na safra atual, 47% da cana processada na companhia foi destinada à produção de açúcar, o que já foi um mix fortemente açucareiro. A produção de açúcar alcançou 1,483 milhão de toneladas, um aumento de 34,1%.

O preço médio do açúcar desde o início da safra, em abril passado, até janeiro deste ano está 28% acima do valor correspondente do etanol, o que incentiva a empresa a dar prioridade ao alimento, disse.

Outra vantagem do açúcar é a possibilidade de realizar a fixação antecipada dos preços das próximas safras, acrescentou. As vendas de açúcar da safra atual, que termina em março, já estão praticamente todas fixadas dentro do que corresponde à cana própria, de 85% do total, a um preço médio de R$ 1.496 a tonelada.

Segundo Vicchiato, a São Martinho espera encerrar este trimestre avançando na fixação do açúcar da safra seguinte para até 300 mil toneladas. Esse hedge só não avançou mais por causa das incertezas sobre a quebra da próxima safra, disse.

VISÃO DO MERCADO

Morgan Stanley

O Morgan Stanley comentou os resultados da São Martinho no terceiro trimestre da safra de 2020/2021. O banco avalia que o tempo seco resultou em uma moagem 2% abaixo da guidance, mas a concentração maior de açúcar na cana permitiu produzir 2% a mais de açúcar do que o esperado. O Morgan Stanley afirma que o clima seco pode afetar o crescimento da cana em 2022, mas boas chuvas desde dezembro podem compensar pelo começo fraco.

O Ebitda de R$ 652 milhões ficou 8% acima de sua expectativa, impulsionado por volumes de etanol mais fortes e as vendas de R$ 27 milhões em créditos de carbono, que compensam pelos volumes de açúcar.

O banco destaca que, para o próximo trimestre, 85% das vendas de cana esperadas já estão vendidas. O Morgan Stanley afirma que a São Martinho é uma das melhores empresas para comprar para faturar com o ciclo do açúcar. Mas mantém avaliação em equal weight (expectativa de valorização dentro da média do mercado) por avaliar que há outras empresas com preços mais atrativos, como a Adecoagro, que avalia como overweight. Para a São Martinho, mantém preço-alvo de R$ 30, frente a R$ 33,6 negociados na segunda.

BB-BI

BB-BI diz que 3T da safra 2020 e 2021 foi muito favorável para São Martinho e que o mercado ainda não precificou altas do açúcar e Petróleo.

O banco acredita que São Martinho continuará apresentando bons resultados. Outro ponto positivo é o preço fixo em parte da produção.

BB-BI mantém recomendação neutra, com preço-alvo-alvo de R$ 28,00.

Pensando em investir na São Martinho?

A São Martinho está entre os maiores grupos sucroenergéticos do Brasil, com capacidade aproximada de moagem de 24 milhões de toneladas de cana. A empresa possui R$ 11,6 bilhões em valor de mercado. Confira a análise completa da empresa com informações exclusivas.

Período Abe Máx. Mín. Preço Méd. Vol Méd. Var %
1 Semana 30,50 34,19 29,95 31,68 2.149.540 3,04 9,97%
1 Mês 31,80 34,19 29,21 31,19 1.443.542 1,74 5,47%
3 Meses 24,45 34,19 24,06 28,76 1.297.422 9,09 37,18%
6 Meses 22,86 34,19 21,05 25,71 1.306.825 10,68 46,72%
1 Ano 26,03 34,19 11,36 22,48 1.556.378 7,51 28,85%
3 Anos 18,55 34,19 11,36 20,80 1.106.047 14,99 80,81%
5 Anos 16,1402 34,19 11,36 20,05 881.558 17,40 107,8%

* Com informações da ADVFN, RI das empresas, Valor, Infomoney, Estadão, Reuters

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