Urba, empresa de loteamento da MRV se prepara para deslanchar esse ano, com ou sem oferta inicial de ações

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A Urba, empresa de loteamentos residenciais da MRV, está se aprontando para deslanchar neste ano, com ou sem a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês).

Embora a atração de capital na Bolsa tenha sido colocada em compasso de espera, a meta é lançar entre 4 mil e 4,5 mil lotes em 2021, o que representa um crescimento incomparável com 2020, quando foram lançadas apenas 250 unidades.

“Estamos prontos para fazer um ramp up das operações, com crescimento consistente”, afirma a presidente da loteadora, Érika Matsumoto, em entrevista exclusiva.

O ciclo de crescimento que está sendo iniciado agora tem como objetivo atingir o patamar de produção de 15 mil unidades por ano daqui cinco ou seis anos, antecipa a executiva. Fundada há oito anos, a empresa passou esse tempo comprando terrenos, licenciando projetos e estudando o mercado.

Esses passos fazem parte da estratégia da MRV para se tornar a maior “plataforma da habitação” do País, isto é, um grupo capaz de atender todos os consumidores em diferentes ramos do mercado imobiliário.

A construtora MRV, cabeça desse conglomerado, já faz casas e apartamentos para atender os públicos de renda baixa e média. O grupo ainda conta com a Luggo, que ergue prédios residenciais para aluguel, e a AHS, que também atua na produção e locação, só que nos Estados Unidos.

“O setor de loteamentos tem bastante procura dos consumidores, principalmente no interior do País. Mas ainda é um segmento pulverizado, com muitas empresas locais. Então, nos deu ‘um click’ de que faz sentido ser mais uma opção na plataforma de opções da MRV”, diz Matsumoto.

O momento para isso não podia ser melhor. Com a pandemia e a popularização do home office, o mercado imobiliário tem visto uma demanda crescente por moradias distantes das grandes cidades.

Neste ano, a loteadora já lançou 720 unidades em Ribeirão Preto (SP) e tem mais de 1 mil unidades prestes a serem lançadas em Campinas (SP). Com isso, alcançará quase metade da meta de 2021.

Fonte de recursos

A Urba tornou-se uma companhia de capital aberto, mas a decisão de realizar uma oferta de ações foi temporariamente suspensa em meio às volatilidades do mercado e ao excesso de IPOs de empresas do setor de construção – o que levou investidores a exigirem preços menores para comprar os papéis.

“Se entendermos que tem demanda por capital, poderemos seguir com o IPO”, explica Matsumoto, ponderando, entretanto, que não há data para essa tomada de decisão. Caso o IPO se concretize, as metas de lançamento podem ser antecipadas, diz.

Enquanto isso, o crescimento será sustentado pelas vendas das próprias unidades – que têm giro rápido, segundo a executiva – combinado com financiamento bancário e securitização. Em última instância, uma chamada de capital dos sócios poderia ser considerada.

A MRV tem o controle da Urba, com 50,8% de participação. A família Menin é dona de 23,5%, e o empresário José Felipe Diniz, com mais de 30 anos no ramo de loteamentos, possui 17%. O restante está nas mãos de outros investidores e executivos do grupo MRV.

O mapa

A Urba já atua em 19 cidades e cinco Estados. A prioridade zero da sua expansão é o interior de São Paulo, seguido por norte do Paraná, Centro-Oeste e algumas cidades mais prósperas do Nordeste.

“São os locais onde direcionamos a compra dos terrenos nos últimos anos. Nossa atuação será regional, não é como a MRV que está no Brasil todo”, explica a executiva. A MRV está em 160 cidades.

A Urba vende lotes com área média em torno de 125 m² a 200 m² a valores entre R$ 50 mil e R$ 90 mil. Alguns projetos são inteiramente destinados aos consumidores finais, enquanto outros empreendimentos têm metade dos lotes vendidos para a MRV erguer casas.

A sinergia com a holding se dá nas áreas de inteligência de mercado, licenciamento de projetos, análise de crédito e backoffice. Já o comercial e engenharia ficam por conta dos times próprios da Urba.

Matsumoto vai completar em março um ano na presidência da Urba. Antes disso, passou quase 20 anos na Construtora Racional. Ao pesquisar sobre o setor de loteamentos, disse ter ficado impressionada com a margem bruta do setor, acima de 40%, um patamar que costuma ser bem maior que de outros ramos imobiliários. “São margens absurdas”, relata.

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