Sextou! 10 fatos que marcaram a semana: Petrobras no paredão, Ministros da Saúde também, IPOs brigando na prova do líder, agora tem criptos na B3 e muito mais!

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No acumulado da semana, o índice brasileiro Ibovespa perdeu 1,36%. Porém, no mês de abril registra um avanço de 1,94%. A semana foi marcada pelos investidores bem atentos ao cenário doméstico, com foco em discussões políticas e novas informações relacionadas à CPI da Pandemia, que iniciou seu plano de trabalho já com convocações importantes para dar início às investigações. Também foi aguardado o pronunciamento de dirigentes do FED, o Banco Central dos EUA, sobre as taxas de juros no país, que vieram em linha com as expectativas de manutenção dos números.

Tanto no cenário externo quanto no interno os resultados de balanços foram ainda grandes drivers do desempenho de diversas empresas. Somam-se a isso informações pontuais sobre companhias, como é o caso de Hering, além de IPOs subindo alto na estreia e dados dos setores impactando diversas empresas ao mesmo tempo.

Vamos ver com mais detalhes como ficou a agitação do mercado nos últimos dias? Acompanhe a retrospectiva a seguir.

1. CPI da Pandemia já tem plano inicial de trabalho e convocações para prestar depoimentos

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI da Pandemia, definiu o plano de trabalho que vai nortear a largada da comissão, criada para investigar ações e omissões do governo federal no enfrentamento da Covid-19, bem como o uso de verbas federais em estados e municípios.

O documento apresentado pelo senador define seis frentes de trabalho e a apuração partindo de depoimentos, análise de documentos e requerimentos de informação. Renan delimita que as oitivas comecem com o objetivo de traçar um panorama, ouvindo responsáveis pelo Ministério da Saúde e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ao longo da crise.

Serão ouvidos na largada o atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e seus três antecessores no governo Bolsonaro, Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich e Eduardo Pazuello. Da parte da Anvisa, o diretor-presidente da agência, Antonio Barra Torres.

O plano de trabalho de Renan Calheiros traça seis vertentes para serem investigadas:

  1. Ações de enfrentamento à pandemia, incluindo distanciamento social, testes, respiradores e vacinas. A respeito dos imunizantes, cita, especificamente, as negociações sobre Coronavac e Pfizer.
  2. Assistência Farmacêutica (Insumos), incluindo produção de remédios sem eficácia comprovada, kit intubação, oxigênio medicinal e remédios eficazes.
  3. Estruturas de Combate à Crise, atribuição de responsabilidades e competências.
  4. Colapso da saúde no Estado do Amazonas, incluindo falta de oxigênio e disseminação da variante P1 pelo Brasil.
  5. Ações de prevenção e atenção à saúde indígena.
  6. Emprego de recursos federais, incluídos os critérios para repasse de recursos a estados e municípios, contratos assinados pelo Ministério da Saúde e benefícios como o auxílio emergencial. (Com informações da CNN e da Agência Senado)

=> Veja também: Primeira remessa com 1 milhão de vacinas da Pfizer chegou ao Brasil nesta semana, e vem mais por aí. 

=> Senado aprova quebra de patentes de vacinas contra covid-19. 

2. Dos confins das discussões, eis que ressurge o debate sobre PIS/Cofins e o ICMS – Impostos em pauta nesta semana

O Supremo Tribunal Federal (STF) vai realizar na próxima semana julgamento que pode resultar em perdas de mais de R$ 258 bilhões aos cofres da União e que tem gerado apreensão por parte da equipe econômica do governo. E, por outro lado, pode causar perdas bilionárias para empresas, inclusive listadas na Bolsa de Valores.

A Corte decidiu em março de 2017 que o ICMS, por não se caracterizar como receita ou faturamento – a base de incidência do PIS e da Cofins –, deveria ser excluído do cálculo das contribuições. Isso provocou uma redução dos valores a pagar ao governo federal e gerou também um acúmulo de créditos fiscais decorrentes do que as empresas pagaram a mais no passado.

As companhias abertas passaram a reconhecer como ativo em seus balanços os créditos tributários oriundos dessa discussão. Se os ministros alterarem o entendimento, as companhias terão que baixar esses créditos ativados com efeitos negativos em seus resultados. “Teria um efeito grave sobre as cotações das ações das companhias que têm esses ativos nos seus balanços. E podemos dizer que elas representam uma boa parte da bolsa brasileira”, revela Eduardo Lucano da Ponte, presidente-executivo da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca).

A Corte analisará se decisão de 2017 que excluiu o ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins deve ter efeito retroativo ou se valerá apenas daqui para frente. O secretário do Tesouro, Bruno Funchal, afirmou nessa quinta-feira que o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) acerca dos efeitos de alcance de decisão de 2017 representa um dos maiores riscos fiscais que a União enfrenta. Segundo o Tesouro, e como dito anteriormente, o impacto pode chegar a R$ 258,3 bilhões, caso seja aplicada desde sempre, com o governo tendo de devolver para as empresas dinheiro já pago com o ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins.

Em coletiva de imprensa virtual para comentar os dados do governo central para o mês de março, Funchal afirmou que a melhor modulação da decisão passa pelo adiamento do impacto da medida de forma a dar tempo para que se discuta uma reforma tributária que possa lidar com esse contencioso. “É um risco fiscal grande, acho que é um dos maiores riscos fiscais que a gente tem, que vai ter uma repercussão muito significativa”, disse Funchal. “A gente não tem espaço para mais perda de receita, e isso vai gerar uma perda de receita. A melhor modulação é jogar o mais para frente possível e discutir reforma tributária que possa lidar com esse contencioso.”

Essa pauta do STF só deverá começar a ser julgada na próxima quarta, quando o Supremo vai decidir se a exclusão do tributo estadual ICMS só valerá a partir da decisão do recurso ou se os contribuintes terão direito a compensações por valores recolhidos no passado. (Com Reuters, Valor e Gazeta do Povo)

3. Ainda sobre impostos, caminhoneiros pedem extensão da isenção do PIS/Cofins do diesel e querem atitudes também da Petrobras

A Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) está pedindo ao governo federal que estenda a isenção do PIS/Cofins sobre o diesel. O pedido foi feito ao ministro da Economia, Paulo Guedes, e encaminhado ao presidente Jair Bolsonaro e ao ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas. A isenção teve duração de dois meses e termina nesta sexta-feira.

Os caminhoneiros também recorreram à Petrobras (PETR3 e PETR4) para apresentar à nova gestão da empresa seus argumentos em defesa das mudanças no cálculo de reajuste do óleo diesel. Num encontro virtual de uma hora e meia, as três principais lideranças da categoria pediram o fim da Política de Paridade de Importação (PPI), que prevê reajustes de preços no Brasil quando a cotação internacional do petróleo e o dólar sobem. Os caminhoneiros não querem mais uma solução fiscal do governo. A reivindicação, agora, é por uma posição favorável do novo presidente da estatal, Joaquim Silva e Luna.

O general do Exército assumiu o comando da Petrobras no último dia 19. Desde então, pouco falou sobre os preços dos combustíveis. O tema é polêmico. Foram, justamente, os recorrentes aumentos do diesel nos primeiros três meses do ano, de mais de 40%, o pivô do embate de Bolsonaro com o ex-presidente da petrolífera, Roberto Castello Branco. Ele foi demitido pelas redes sociais um mês antes do seu sucessor chegar. O presidente da República acusou o executivo, na época, de ser insensível aos apelos dos consumidores, principalmente dos caminhoneiros.

Além de ser uma importante base de apoio do governo, a categoria tem sempre na manga o trunfo de poder parar o País, como fez na greve histórica de maio de 2018. O movimento de paralisação de estradas e atrasos na entrega de produtos de primeira necessidade à população levou o então presidente da Petrobras, Pedro Parente, a pedir demissão do cargo. O governo de Michel Temer deu uma solução momentânea ao problema, instituindo um subsídio ao preço do diesel. Mas, já no primeiro ano de gestão de Bolsonaro, as reivindicações voltaram à tona e perduram até hoje.

Nesta sexta-feira termina o prazo de isenção fiscal sobre o combustível. A expectativa dos caminhoneiros é de que o preço volte a subir em seguida, em proporções ainda maiores, já que Estados aumentaram o ICMS nos dois últimos meses em que os tributos PIS e Cofins estavam zerados. Com isso, o preço do diesel até subiu em março e abril – 0,5%, segundo cálculo do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), a partir de dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Ao marcar a conversa, a intenção do grupo era, num primeiro momento, apresentar seus argumentos ao corpo técnico da empresa, antes de Silva e Luna anunciar qualquer decisão sobre a política de preços dos combustíveis em sua gestão. Mas ainda aguardam, para os próximos dias, uma conversa diretamente com o general.

Os caminhoneiros acreditam que, por ser um militar, o novo presidente da Petrobras pode ter uma visão mais nacionalista da empresa, menos alinhada com os interesses do mercado financeiro e dos investidores estrangeiros do setor. Na prática, defendem a adoção de preços internos lastreados pelos custos de produção em real, e não em dólar. Reivindicam também a suspensão das privatizações. A pauta é a mesma da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), uma entidade de trabalhadores da estatal, também de cunho nacionalista.

=> Veja ainda: IPCA-15 (prévia da inflação no Brasil) desacelera em abril, impulsionado pela pressão dos preços no combustível 

4. Hering (HGTX3) soma ao Grupo Soma (SOMA3) e lidera as maiores valorizações das ações na semana

Depois de a Hering ter negado uma proposta de negociação com a Arezzo na última semana, dessa vez foi diferente com o Grupo Soma (SOMA3). Ele e a Hering (HGTX3) chegaram a um acordo para combinar seus negócios, uma transação que une a marca de vestuário mais democrática do Brasil à ambição do Soma de se tornar a principal “house of brands” brasileira. Com isso, HGTX3 teve alta acumulada nos cinco dias de mais de 22%, sendo a empresa destaque do Ibovespa.

Mas vamos entender melhor a negociação que deu origem a esse bom desempenho. O Soma está pagando R$ 5,1 bilhões pela Hering, sendo R$ 1,5 bilhão em dinheiro e R$ 3,6 bilhões em ações. Os acionistas da Hering ficarão com 34% da companhia combinada. Fabio Hering terá um assento no conselho e seu filho Thiago, que se tornaria CEO na próxima assembleia, continuará liderando a marca.

A fusão marca uma renovação do mercado de capitais brasileiro, retirando da Bolsa uma companhia de 140 anos – cuja fundação precede a própria República e que atravessou todos os altos e baixos do País – e aumentando o protagonismo do Soma, que fez sua IPO há menos de um ano e agora se consolida como um grupo do luxo ao básico.

O racional estratégico do Soma tem diversos pilares, começando por aumentar a percepção de valor da marca Hering, que hoje não vive todo seu potencial. O Soma pretende colocar a expertise em estamparia da marca Farm a serviço da Hering, aumentando a variedade e o apelo dos produtos sem aumentar o preço médio. Por meio de collabs e coleções-cápsula – parte do dia a dia da Farm –, a Hering terá produtos que hoje não constam em seu portfólio.

As sinergias industriais também são relevantes. O Soma vê o parque industrial da Hering como um diferencial competitivo para diversas linhas de produto, permitindo ganhos em custo e em lead time – em outras palavras, tornando as coleções mais rápidas e responsivas. Uma terceira frente é a digitalização da Hering. O Soma acha que pode ajudar a aumentar brutalmente a venda digital captada pela companhia, fazendo mais com menos. Enquanto a Hering pretende investir R$ 130 milhões em tecnologia este ano, o Soma vai investir menos de R$ 40 milhões e tem uma venda digital mais robusta.

O Soma tem ainda uma série de produtos digitais plug and play que poderão ser usados na Hering. O principal objetivo: permitir a integração completa dos estoques das quase 800 lojas e quase 8 mil multimarcas que trabalham com a Hering, aumentando a disponibilidade de produtos na rede independentemente de onde estejam os estoques. Outra derivada do digital: a oferta de serviços financeiros. O CRM da Hering tem uma base de 8 milhões de clientes ativos, comparado a 1,2 milhão no Soma. A companhia vê oportunidade de gerar valor com wallets, cartão de crédito e a venda de outros serviços financeiros.

Finalmente, a aquisição expande significativamente o mercado endereçável do Soma – e em dois sentidos: a companhia entra no casual e no básico, até agora white spaces em seu portfólio, e passa a operar um price point mais baixo. O tíquete médio da Farm (a marca mais acessível do grupo) na época da IPO era de R$ 290, enquanto o da Hering é ao redor de R$ 150.

A transação vem 11 dias depois que a Hering deu publicidade a uma oferta não solicitada que recebeu da Arezzo&Co, que avaliava a companhia em cerca de R$ 3,2 bilhões ou R$ 20 por ação. A divulgação daquela oferta colocou a Hering na vitrine e acelerou a aproximação entre o CEO do Soma, Roberto Jatahy, e Fabio Hering. Porém, as duas companhias já se falam informalmente pelo menos desde 2015, quando a Hering estudou comprar a Farm e a Animale, e Jatahy pensou numa fusão como forma de fazer uma IPO reversa do Soma.

A Hering é a mais recente transação de um modelo associativo que está dando resultados para o Soma, expandindo seu portfólio com uma série de M&As que tem conseguido preservar a identidade e a alma das marcas. Lá atrás, na transação que deu origem ao grupo, a Animale se associou à Farm quando esta não estava em seu melhor momento. Hoje, a Farm é a grande estrela do portfólio (maior que a própria Animale), em boa parte porque o Soma foi capaz de manter os fundadores empoderados e alinhados.

Fazendo jus ao nome do grupo, Jatahy também não teve medo de diluir sua participação no grupo. Com a transação de hoje, ele passará a deter pouco mais de 10% do capital da companhia combinada (contra 16,2% antes do deal).

Na visão do gerente de pesquisa da Ativa Investimentos, Pedro Serra, a junção das operações das duas companhias irá permitir um alcance de sinergias operacionais, que deve alavancar a margem bruta, bem como maior eficiência em despesas e investimentos. “Olhando para a Hering, a difusão da cultura do Grupo Soma pode ajudar a acelerar o ‘turnaround’ da Hering, que é uma gigante da moda e que nos últimos anos não estava conseguindo virar a chave da sua operação”, avalia.

Para os analistas do BTG Pactual, considerando que este é um nicho completamente novo para o Grupo Soma, que costuma trabalhar em segmento de luxo acessível, o negócio com a Hering é uma surpresa. A aquisição também implicaria em maior risco de execução, especialmente considerando o fraco desempenho operacional da Hering nos últimos anos e, agora, com a Hering respondendo por 47% das receitas da empresa combinada.

“No entanto, a principal força da proposta de valor do Grupo Soma é sua experiência na gestão de diferentes marcas, o que não apenas mitiga o risco de concentrar receitas em uma única marca, mas também abre caminho para novas aquisições de marcas. Além de um balanço mais forte, sinergias da cadeia de suprimentos, incentivos fiscais e uma plataforma omni, o grupo Soma oferece às marcas adquiridas um banco de dados mais rico dos padrões dos consumidores”, acrescentam.

Henrique Esteter, da Guide Investimentos, cita uma série de vantagens na operação: ampliação expressiva do público-alvo endereçável com suas marcas por meio da redução do price-point; base de clientes ativos expandida em quase 6 vezes; enorme possibilidade de ganhos de sinergias por meio de reduções de custos e capacidade de forte implementação e integração da Hering ao mundo digital.

“O Grupo Soma pagou R$ 5,1 bilhões por uma empresa que valia R$ 2,7 bilhões em bolsa há poucos dias. A proposta da Arezzo deixou mais do que evidente que uma elevação na oferta seria necessária. Porém, o Soma, através de uma forte diluição para os acionistas atuais, precisará demonstrar ao mercado que vai conseguir emplacar uma reestruturação forte de digitalização e rentabilidade na Hering para fazer jus a tal valor desembolsado”.

Ao analisar a combinação de negócios entre a Hering e o Grupo Soma, o JP Morgan avalia que a fusão é positiva para a empresa catarinense, mas mista para o grupo que detém marcas como Farm e Animale. Embora a Hering traga uma marca forte, com um amplo mercado potencial, o negócio traz desafios de execução. Além disso, o banco calcula que o Soma vai pagar pela Hering um múltiplo mais caro do que aquele com que é negociado na B3.

Um dos desafios apontados é a virada operacional da Hering, que está em pleno andamento em todas as suas marcas. Outra questão é a alta exposição da Hering às franquias, modelo que o Soma só começou a explorar recentemente. O JP Morgan lembra também que o valor pago pelo Soma é 43% maior do que o atual valor de mercado da Hering e 56% mais alto do que o oferecido pela Arezzo.

Para Bruce Barbosa, da Nord Research, o mercado também entendeu que o preço de aquisição foi “bem elevado”, tanto que está “batendo” nas ações do Grupo Soma. “Quando foi com a Arezzo, as duas ações subiram forte”, lembra, citando o movimento dos papéis, apesar da recusa da Hering pela oferta. “Ou seja, estão pagando um preço de pré-pandemia para uma empresa de varejo que sofreu bastante e que deve continuar sofrendo enquanto não houver vacinação em massa”, observa.

Entretanto, o analista da Nord também aponta que há bastante sinergia na operação. “O negócio é bom, é lucrativo, pois a Hering tem dívida zero há bastante tempo”, enumera. Segundo ele, o maior risco é não conseguir mudar a gestão familiar na Hering e fazer a operação funcionar nas lojas. “Eles não conseguiam se entender com os franqueados e encaixar coleções que trouxessem o cliente para as lojas”, completa Barbosa.

=> Veja também: Por que as ações da Hering dispararam mais de 20% e as do Grupo Soma tombaram 10% após o anúncio de combinação de negócios? 

5. Ainda sobre altas da Bolsa

A CVC (CVCB3) também é uma das empresas que mais tiveram valorização das ações na semana, com CVCB3 avançando 12% no acumulado dos cinco dias. O movimento é impulsionado pelo aumento das passagens aéreas demonstrado pelo IPCA-15, após três quedas consecutivas, o que representa uma possível recuperação da demanda do setor de turismo. (Com BDM)

=> Saiba mais sobre a CVC na matéria especial CVCB3: vale apenas ser turista dessa ação? 

6. Quem também saiu na ponta positiva já de cara na Bolsa foi a Caixa Seguridade (CXSE3)

As ações da Caixa Seguridade (CXSE3) estrearam em alta na quinta-feira na B3, ainda que ficando afastadas das máximas do dia. Os ativos CXSE3 fecharam com ganhos de 3,93%, a R$ 10,05, após chegarem a atingir alta de 6,51%, a R$ 10,30, na máxima do dia.

A empresa realizou sua IPO na Bolsa movimentando R$ 5 bilhões, em uma oferta de ações precificada a R$ 9,67 por papel. O valor ficou dentro da faixa indicativa, que ia de R$ 9,33 a R$ 12,67. Criada em 2015, a Caixa Seguridade é uma subsidiária da Caixa Econômica Federal que atua no segmento de seguros, com serviços nos ramos Habitacional, Prestamista, Vida e Residência.

Segundo a companhia, seu objetivo é “consolidar, sob uma única sociedade, todas as atividades da Caixa nos ramos de seguros, capitalização, previdência complementar aberta, consórcios, corretagem e atividades afins, incluindo quaisquer expansões futuras dessas atividades, no Brasil ou no exterior, orgânicas ou não, proporcionando ganhos de escala nessas atividades e em suas operações e obtendo reduções de custos e despesas no segmento de seguridade”.

A empresa tem direito exclusivo até 2050, renovável por períodos sucessivos de 35 anos, de acessar a base de clientes da Caixa e de explorar economicamente a marca, além da rede de agências próprias, de revendedores lotéricos, de correspondentes bancários, do internet banking, de caixas eletrônicos e de outros canais de distribuição. A Caixa Seguridade teve lucro líquido de R$ 1,76 bilhão em 2020, com uma receita de R$ 39,1 bilhões.

7. Boa Safra (SOJA3) também fechou em alta, porém de expressivos 46% em estreia na B3

O primeiro pregão da ação da Boa Safra Sementes (SOJA3) na B3 já foi bastante marcante para a companhia. Os ativos fecharam com ganhos de 46,46%, a R$ 14,50, depois de atingirem uma variação máxima de 54,75% no intraday.

A companhia realizou seu IPO (abertura de capital, na sigla em inglês) nesta semana, com o preço da ação saindo a R$ 9,90 cada, no piso da faixa indicativa, que ia até R$ 12,60. Segundo operadores de mercado, a percepção de que a ação já começou a operar “barata demais” ajuda a explicar o forte desempenho dos ativos da companhia logo na sua estreia. Na avaliação de concorrentes e alguns investidores, o valuation da empresa foi subestimado, levando a um potencial de valorização expressivo para os papéis.

Gustavo Heilberg, gestor da HIX Capital, que ancorou a IPO da companhia e possui 8% do capital da empresa, apontou também que a oferta foi relativamente pequena e teve uma alta ancoragem. “Com isso, quem quis comprar teve que pagar mais pelo que sobrou”, disse o gestor. Para Heilberg, outro atrativo é a escassez de ativos ligados ao agronegócio em negociação na B3. Em sua avaliação, as empresas listadas ou estão mais próximas a setores de infraestrutura, que exigem elevado volume de investimento para continuar crescendo, ou então atuando diretamente na produção agrícola, ou seja, mais expostas às oscilações dos preços das commodities.

A Boa Safra levantou com a IPO R$ 460 milhões. Por ter sido uma oferta primária, o capital não fica com os acionistas, mas sim vai diretamente para o caixa da empresa.

O grupo com sede em Formosa (GO) atua na produção e comercialização de sementes de soja, setor ainda muito pulverizado e com alto potencial de consolidação. As estimativas da empresa indicam que os 10 maiores produtores de sementes de soja do Brasil possuem apenas 25% do mercado, sendo que a Boa Safra detém uma fatia de 6%.

Apesar de não produzir diretamente a soja que será vendida ao mercado, mas abastecer os agricultores com o insumo, o vínculo com o sobe e desce do mercado ainda é bastante grande. Nos últimos 12 meses, os preços da soja acumulam uma valorização de quase 85% na Bolsa de Chicago. Na Bolsa americana, uma saca de soja vale hoje pouco mais de US$ 34.

Os produtores brasileiros estão bastante otimistas com os atuais preços praticados no mercado. Além disso, o dólar acima de R$ 5,00 é outro fator que agrada os agricultores a elevar sua produção na próxima safra, que começa a ser plantada em outubro. Neste momento, o Brasil está em fase final de colheita da maior safra de soja da história. O país deve produzir pouco mais de 135 milhões de toneladas de soja no ciclo 2020/21, um crescimento de 8,6% em comparação à safra passada.

A casa de análises independente Eleven Financial recomendou a entrada na oferta, destacando que a empresa está bem posicionada no mercado de sementes, que cresce mais do que o da área plantada no Brasil. “Em nossa visão, a qualidade das sementes da companhia, a localização estratégica das suas unidades e o bom relacionamento com os produtores integrados são essenciais para o sucesso e liderança da Boa Safra”, destacou Diana Stuhlberger, analista da Eleven Financial, em relatório.

A Boa Safra é uma produtora de sementes que tem operações nas regiões Centro-Oeste, Sudeste, Norte e Nordeste. A companhia diz oferecer sementes de soja com alta qualidade, levando seus produtos para 70% dos estados produtores da commodity.

Em seu prospecto, a empresa destacou ser líder de mercado em vendas de sementes de soja no Brasil. Citando dados de levantamento um realizado pela própria Boa Safra junto a fornecedores de tecnologia, ela apontou que em 2020 possuía 5,7% de market share. “Acreditamos ter um dos mais completos portfólios de sementes de soja do mercado brasileiro, oferecendo tratamentos com diversos componentes químicos e genéticos adaptados às mais distintas regiões do País”, diz a companhia no documento.

A Boa Safra detém uma carteira inicial para sementes de milho e feijão também, que representou 0,41% da receita líquida da companhia em 2020, além de oferecer tratamentos industriais para maior proteção e vigor às sementes de soja. Em 2020, a receita total da empresa foi de R$ 589 milhões, com um lucro líquido de R$ 70 milhões. Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) foi de R$ 105 milhões. (Com informações da Infomoney)

=> Falando em receita, acompanhe as divulgações dos balanços das empresas referentes ao 1T21. Nesta semana, houve muita companhia com ótimos resultados. 

8. Já na ponta oposta, o setor com as maiores desvalorizações das ações foi o de proteínas

JBS (JBSS3) viu seu papel recuar 13%, enquanto as ações de BRF Foods (BRFS3) tiveram queda de 10% e as da Minerva (BEEF3) perderam 9% no acumulado da semana. A justificativa não fica restrita a uma só. De acordo com analistas, e conforme a BDM, isso é derivado, primeiramente, da baixa nos preços da arroba do boi gordo. Em São Paulo, o valor foi de R$ 315 para R$ 314, enquanto em Goiânia o recuo foi de R$ 297 para R$ 295. Soma-se a isso a queda do dólar, que acaba consequentemente pesando sobre exportadoras, como é o caso dessas empresas. Além disso, o movimento é atribuído à continuidade de realização de lucro após as altas constantes das últimas semanas do setor, o que é bem comum de ocorrer no mercado, registrando uma correção do preço dos papéis.

9. Lojas Americanas (LAME3 e LAME4) e B2W (BTOW3) celebram acordo para combinar suas operações

A Lojas Americanas (LAME 3 e LAME4) e a B2W (BTOW3) celebraram acordo para a combinação operacional das duas empresas, com a cisão parcial dos ativos da Lojas Americanas que serão incorporados pela B2W.

O Comitê Independente formado pela B2W propôs à administração a relação de troca de ações na incorporação. Assim, para cada 1 ação ON ou PN da Lojas Americanas, os acionistas receberiam 0,18 ação da B2W. Com isso, seriam emitidos 339.355.391 novos papéis desta última. Essa proposta ainda terá que ser aprovada pelos acionistas das duas companhias.

Após isso, 100% das operações das duas empresas passarão a ser desenvolvidas pela B2W, e a proposta é que a empresa passe a se chamar Americanas S.A. O custo da cisão parcial das Lojas Americanas, de acordo com o documento de Protocolo e Justificação da operação, será de R$ 98,1 milhões.

O Citi acredita que os investidores estão precificando um desconto nas ações das Lojas Americanas (ON e PN) após o anúncio da fusão com a B2W, o que explicaria a queda das ações da empresa nos últimos dias. Analistas do banco dizem compreender a hesitação com a complexidade da operação e o desconto habitual de holdings, mas consideram o movimento injusto. Segundo eles, a “companhia claramente está indo no campo certo em termos de governança, combinação operacional, foco em experiência do usuário e expansão de aquisições”.

O Itaú BBA avalia que a operação pode agregar valor e permitir o crescimento para as duas empresas, além de trazer sinergias para as operações, como impostos. “Apesar da estrutura mais sofisticada do que o imaginado, o negócio parece precificar os ativos em uma proporção razoável, com valorização interessante, principalmente para as ações das Lojas Americanas”, revela o banco em relatório.

Já analistas do Banco Safra revelam que “nossa opinião sobre a proposta da B2W Digital para incorporar os ativos operacionais de Lojas Americanas é que os termos propostos são relativamente neutros para ambas as empresas. De acordo com nossas estimativas, a relação de troca de 0,18 LAME3:BTOW3 representa um pequeno prêmio para os acionistas de LAME3 e LAME4 e um pequeno desconto para os acionistas de BTOW3”.

Olhando para o futuro, os analistas veem potencial para criar valor, já que a combinação pode gerar sinergias e eliminar ineficiências. Além disso, também acreditam em um potencial para uma reclassificação no múltiplo combinado de 0,7x EV/GMV, se a empresa melhorar o perfil de sua base de acionistas, atraindo mais investidores de tecnologia.Por outro lado, há os riscos de perder visibilidade sobre o desempenho dos vários segmentos, o que poderia encobrir os custos reais para alavancar o crescimento nas operações de comércio eletrônico e varejo físico.

Por enquanto, os analistas recomendam aos investidores que fiquem com LAME3 (se a liquidez não for um problema) e LAME4 (para aqueles que precisam de posições mais líquidas). No entanto, indicam se atentar para qualquer potencial volatilidade nos preços das ações para monitorar uma potencial arbitragem com a relação de troca.

“Lojas Americanas e B2W atualmente são negociadas a 0,7x e 0,9x 21E EV / GMV, respectivamente, o que é um desconto para os múltiplos de 2,5x da Mercado Livre e 2,2x do Magalu. A nosso ver, parte do desconto decorre da estrutura separada, com dupla classe de ações na Lojas Americanas. No entanto, acreditamos que o fechamento do gap de avaliação para os pares dependerá do desempenho da Universo Americanas, principalmente no crescimento das vendas e na lucratividade”, acreditam.

10. B3 inicia negociação do primeiro ETF atrelado a índice de criptomoedas

As cotas do ETF Hashdex Nasdaq Cryto Index, primeiro ETF referenciado em um índice de criptomoedas no Brasil, começaram a ser negociadas na B3 nesta semana. Com o ticker de negociação HASH11, o produto é também o primeiro ETF da gestora Hashdex, listado na Bolsa do Brasil. No primeiro dia de negociação, o ETF já estava sendo negociado em alta de 6,7%.

O HASH11 oferece ao investidor exposição a uma carteira teórica de criptoativos com o valor inicial de aproximadamente R$ 50,00 a cota. A carteira do ETF é definida pelo Nasdaq Crypto Index e seguirá a mesma dinâmica de negociação dos demais ETFs listados na B3.

Rogério Santana, diretor de Relacionamento com clientes da B3, avalia que esse lançamento representa mais uma opção de diversificação para os investidores. “O ETF oferece a praticidade de investir em uma carteira diversificada de ativos com apenas uma transação. Ou seja, o investidor não precisa se preocupar em ter que comprar ou vender ativos para replicar os resultados do índice de referência”.

Para negociar cotas de ETF, o investidor precisa ter uma conta aberta e ativa em uma corretora brasileira e avaliar se esse é um investimento que corresponde aos seus objetivos de investimento e perfil de risco, para então realizar uma ordem de compra ou venda do ativo.

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