Viveo suspende IPO e retomará processo quando condições melhorarem

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A Viveo, distribuidora de materiais e medicamentos hospitalares, não vai levar adiante sua oferta pública inicial de ações (IPO), segundo o Valor. O preço das ações na oferta deveria ser fechado nesta quarta-feira (14), mas a empresa precisaria dar um desconto para seguir com a operação. Em vez desse caminho, optou por suspender a oferta para retomá-la num momento de melhores condições de mercado.

A decisão foi tomada em uma reunião do conselho de administração na noite de terça-feira (13), de acordo com fontes ouvidas pelo jornal. A oferta é coordenada por J.P. Morgan, Itaú BBA, BTG Pactual, Bradesco BBI, Bank of America e Safra.

A avaliação foi a de que a empresa teve um resultado positivo no primeiro trimestre do ano e poderá apresentar esse resultado ao mercado numa nova janela para as ofertas.

A Viveo (BOV:VVEO3) tem atualmente uma “situação confortável de caixa” e não precisaria dos recursos agora, acrescentou a fonte.

A Viveo pretendia levantar perto de R$ 2 bilhões em uma oferta primária e secundária. A empresa tem entre os acionistas as famílias Mafra e Bueno, esta última criadora da Amil e dona da Dasa.

Tanto os Mafra quanto os Bueno venderiam ações na oferta. Inicialmente a operação da Viveo seria fechada dia 8, foi adiada para dia 12 por conta da antecipação dos feriados na pandemia e depois para dia 14 , quando informou que teve de alterar informações da seção de “fatores de risco” do prospecto de sua por exigência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

As mudanças estão relacionadas ao fato de a Viveo oferecer a seus administradores um programa de remuneração baseado em “phantom shares”. Nesse tipo de plano, o pagamento costuma ser feito em dinheiro, e não com a entrega de ações. No caso da Viveo, no entanto, por decisão de seu conselho de administração, a empresa vai honrar o pagamento do prêmio, que é atrelado a um evento de liquidez, como o IPO, também com a entrega de ações da companhia.

A empresa faria um aumento de capital na mesma data de precificação do IPO para honrar o plano.

A CVM pediu que a empresa acrescentasse ao prospecto que interesses dos administradores e executivos da companhia podem ficar excessivamente vinculados à cotação das ações, uma vez que participam do programa de “phantom shares” e podem participar de novos planos de remuneração baseado em ações que vierem a ser aprovados.

O novo prospecto também deixa claro que, por conta do IPO, o prêmio devido aos beneficiários do plano de “phantom shares” se tornará devido e será reconhecido como despesa no resultado, o que poderá ter um impacto negativo nos números deste exercício social.

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