IRB Brasil (IRBR3): lucro líquido contábil de R$ 50,8 milhões no 1T21, alta de 44,9%

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O IRB Brasil RE apurou lucro líquido contábil de R$ 50,8 milhões no primeiro trimestre de 2021, resultado 44,9% superior aos R$ 35,1 milhões verificados em igual período de 2020.

Quando excluídos os efeitos não recorrentes a companhia apresentou lucro líquido recorrente de R$ 80,5 milhões, frente a perdas de R$ 75,2 milhões apuradas em março de 2020.

Apesar da sinalização positiva, os efeitos pontuais do processo de “reunderwriting”, ou seja, da limpeza das carteiras em relação a excesso de riscos e contratos deficitários e de todo o saneamento feito pela nova diretoria ao longo do ano passado, ainda deixou impactos nos números do trimestre.

As despesas administrativas não recorrentes e o pagamento de multa de PIS e Cofins referentes a regularização de impostos após a republicação de demonstrações financeiras de 2018 e 2019 feita em julho do ano passado geraram um custo de R$ 18 milhões. Os negócios descontinuados, por sua vez, também reduziram o lucro recorrente em R$ 11 milhões.

Os prêmios emitidos pelo ressegurador recuaram 3,3% no primeiro trimestre de 2021 ante o mesmo período de 2020, para R$ 1,931 bilhão. O resultado de “underwriting”, ou seja, de subscrição, porém, aumentou 57%, para R$ 74 milhões, na mesma base de comparação.

Houve crescimento de underwriting sobretudo na base de contratos no Brasil, que cresceram 140,3% ante o primeiro trimestre de 2020, enquanto os ganhos no exterior tiveram avanço de 13,1%.

Os resultados do IRB Brasil RE (BOV:IRBR3) referente suas operações do primeiro trimestre de 2021 foram divulgados no dia 13/05/2021. Confira o Press Release completo!

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O CEO interino, Wilson Toneto, ressaltou na coletiva com jornalistas a geração, pelo terceiro trimestre consecutivo, de caixa operacional. “É um dos principais fatores avaliados na nossa atividade, e, se observarmos nos ultimos três trimestres consecutivamente geramos caixa operacional”, apontou.
Segundo o executivo, os R$ 80 milhões de lucro recorrente não consideram os efeitos de eventos como o recebimento de R$ 358 milhões referentes ao acordo com a Eletronorte, recebidos em março.

De acordo com o executivo-chefe financeiro do IRB, Werner Suffert, “no primeiro trimestre de 2020 o resultado teve um efeito positivo não recorrente da venda de participações de shoppings de R$ 110 milhões e agora em 2021 o resultado patrimonial perde relevância daqui para a frente”.

Conforme Toneto, “o caixa é sinalização muito efetiva das medidas que a gente tem tomado e melhora dos processos”. O CEO destacou também os índices de solvência da companhia e o enquadramento regulatório de cobertura de provisões técnicas e liquidez, que tornou possível o encerramento da fiscalização especial da Susep sobre a companhia.

“Nossa solvência é um segundo fator. Em junho de 2020, reapresentamos demonstrações financeiras passadas e nossa solvência ficou muito menor. Mas desde dezembro temos mantido patamares bastante robustos do nível de solvência.”
Segundo o IRB, o índice de solvência total, que leva em conta o patrimônio total da companhia ante os passivos, alcançou patamar positivo de 254%. “Com nosso patrimônio estamos muito acima das exigências legais”, disse.

No caso do enquadramento regulatório, o IRB indicou um superávit no fim de março de R$ 160 milhões em relação ao nível mínimo exigido. “O ponto mais crítico foi junho de 2020, quando tivemos o processo da republicação. Mas saímos de uma falta de liquidez regulatória de R$ 3,3 bilhões para a suficiência em dezembro.”

A melhora do índice combinado, que indica a relação entre os custos como sinistros, comissões e outras despesas administrativas e operacionais, e os prêmios obtidos, também foi ressaltada como um sinal de virada na história recente do IRB pelo CEO interino. “Quando supera os 100% significa que nossos custos estão superiores às receitas e até dezembro de 2020 tínhamos índices combinados superiores a 100%.

Nesse primeiro trimestre de 2021, o índice consistente com a nova posição da companhia foi de 97,6% uma melhora de 3,5 pontos percentuais ante primeiro trimestre de 2020.”

Segundo o executivo, a redução da sinistralidade foi um fator importante na melhora do índice combinado. “Felizmente não sofremos de forma substancial com os efeitos de negócios descontinuados”, afirmou.

“Ajudou a ter uma melhora desse índice combinado.” A sinistralidade recorrente alcançou 69,6% no período.

A vice-presidente de resseguros, Isabel Solano, explicou ainda que “ainda estamos no meio do processo árduo de ‘reunderwiriting’ e nosso foco está na lucratividade do portfólio e menor sinistralidade”. Conforme Isabel, “o mercado de aviação vinha sofrendo bastante com sinistralidade alta e tomamos uma posição mais conservadora e, com isso, a diminuição dessa carteira no número de sinistros é significativa, tanto essa quanto de vida”.

Na visão do CFO, “temos feito um forte trabalho de expurgar contratos deficitários e nosso foco tem sido na lucratividade e não no crescimento do prêmio emitido”. Para Suffert, “a limpeza da carteira trará uma redução da exposição ao risco e uma menor volatilidade”.

 

 

VISÃO DO MERCADO 

Credit Suisse

O Credit Suisse vê os resultados do IRB como negativos para as ações, uma vez que a lucratividade permanece baixa, mesmo ajustando para despesas únicas e o impacto negativo das operações descontinuadas. Os prêmios continuam a ser impactados pela estratégia de “re-underwriting” da empresa.

Contudo, apontam, mais importante do que isso, os resultados foram ajudados pela reversão das provisões “Incurred But Not Reported” (IBNR, uma provisão atuarial feita em bases estatísticas para se prevenir de futuros avisos de sinistros) no segmento de vida, reversão do despesas de provisionamento no segmento internacional, além do impacto positivo no valor de R$ 22,5 milhões de créditos tributários relativos a PIS / Cofins no primeiro trimestre e resultados financeiros acima níveis normalizados. “Retirados esses efeitos, o desempenho de núcleo aponta para um número muito pior”, apontam os analsitas do Credit.

Assim, Marcelo Telles e Alonso Garcia, analistas do Credit, reiteram a sua recomendação underperform (desempenho abaixo da média do mercado) para os ativos IRBR3, com preço-alvo de R$ 7,50, valor 15,5% superior ao de fechamento da véspera.

“A ação continua negociando a um alto múltiplo de 1,85 vez o preço sobre o valor patrimonial, apesar do Retorno sobre o Patrimônio Líquido [ROE] bem abaixo do custo de capital próprio”, apontam.

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