Marfrig: Marcos Molina é acusado pela CVM de ter se beneficiado de informações privilegiadas em negociações na B3

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Fundador e presidente do conselho de administração do frigorífico Marfrig, Marcos Molina é acusado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de ter se beneficiado de informações privilegiadas para tirar vantagem em negociações na B3 (BOV:B3SA3), em 2018. O órgão regulador do mercado financeiro concluiu que o empresário vendeu ações ordinárias da Marfrig (BOV:MRFG3) antes de anunciar a aquisição do controle da National Beef.

Molina nega a acusação, mas apresentou, na última sexta-feira, uma proposta à CVM para assinar um termo de compromisso e encerrar o processo aberto em março do ano passado. A proposta, agora, é analisada pela Procuradoria Federal Especializada, da comissão.

A Marfrig é uma das maiores empresas de proteína bovina do mundo e líder global na produção de hambúrgueres. Criada em 2000, atua em mais de 100 países e emprega cerca de 30 mil pessoas.

A conclusão da Superintendência de Processos Sancionadores (SPS) do órgão regulador foi de que o executivo operou no mercado financeiro enquanto ainda negociava a compra da National Beef com a Leucadia (atual Jefferies Group), segundo o jornal Valor Econômico. O Broadcast não teve acesso ao processo.

Administradores são proibidos de negociar ações das empresas onde atuam durante processos de negociação relevantes, que podem mexer com os papéis da companhia. Isso porque esse administrador possui informações privilegiadas em relação a quem está comprando ou vendendo as ações. A compra do controle da National Beef pela Marfrig é uma negociação relevante e, por isso, foi alvo de processo da CVM.

A aquisição foi comunicada ao mercado financeiro em 10 de abril de 2018. Logo no dia seguinte, os papéis do frigorífico subiram 18,8% no pregão e se mantiveram valorizados por um período.

A Marfrig, por intermédio de sua assessoria de imprensa, respondeu que as operações de venda de ações por Molina aconteceram num período em que o diálogo com a Leucadia não era constante e, por isso, não era possível prever a conclusão do negócio.

“Em um primeiro momento, a Marfrig propôs uma troca de ativos, opção rejeitada pela Leucadia em dezembro de 2017. Após a recusa da Leucadia, os contatos entre as duas empresas foram encerrados e só retornaram no início de março de 2018. Nesse intervalo, a Leucadia fez contatos com outros interessados na compra da National Beef”, afirmou a empresa.

O frigorífico argumenta ainda que, até a aprovação de um empréstimo-ponte pelo Rabobank NY, em 8 de março de 2018, não havia nenhuma chance de aquisição de participação da National Beef pela Marfrig. A compra só poderia acontecer após a aprovação desse empréstimo, segundo a empresa.

“Marcos Molina dos Santos cumpriu seus deveres fiduciários para com a Marfrig ao não realizar operações com ações MRFG3 no período entre 6 de março de 2018 e 9 de abril de 2018, quando o Fato Relevante a respeito da operação foi publicado. Portanto, não houve qualquer operação irregular”, acrescentou o frigorífico em nota.

VISÃO DO MERCADO

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Para o analista Luis Sales, apesar das acusações por parte da CVM, que poderá, no curto prazo, causar uma possível turbulência nos papeis da Marfrig, o efeito não deve ser duradouro, tampouco afetar os fundamentos da empresa.

Lucro líquido de R$ 279 milhões no primeiro trimestre, revertendo prejuízo

A processadora de alimentos Marfrig registrou lucro líquido de R$ 279,0 milhões no primeiro trimestre deste ano, ante prejuízo de 137,0 milhões no mesmo período do ano passado, alta de 416%.

A companhia atribuiu o resultado à sua diversificação geográfica, estratégia de crescimento em produtos industrializados e de maior valor agregado e à execução assertiva do plano de eficiência operacional nas unidades da América do Sul, em meio aos diferentes estágios da pandemia nas regiões em que atua.

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