Por dentro do portfólio de WARREN BUFFETT – e tem até empresa brasileira

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Warren Buffett é “apenas” o maior investidor de todos os tempos e um dos homens mais ricos do mundo. Ele ganhou o primeiro lugar dos mais endinheirados lá em 2008, porém sempre sendo seguido de perto pelo seu grande amigo Bill Gates, que por vezes o ultrapassou. Claro que, atualmente, a medalha de ouro ficou ainda mais disputada, com nomes como Elon Musk (da Tesla) e Jeff Bezos (fundador da Amazon) surgindo e tomando espaço devido às valorizações expressivas das ações de suas respectivas empresas. Mas, mesmo assim, na lista da Forbes Buffett é o sexto homem mais rico do mundo em 2021, com um patrimônio estimado em US$ 96 bilhões. É a primeira vez que ele não fica no top 5, mas, para nós, mortais, até um sexto lugar assim é invejável, não é mesmo?

É por isso que vale a pena conhecer mais sobre o portfólio desse megainvestidor e tirar algumas lições importantes para nossa realidade mais modesta, porém não menos dedicada a rentabilizar com grandes empresas. Para começar, vamos conhecer um pouco sobre a Berkshire Hathaway, que é a empresa de Buffett e por meio da qual ele fez toda sua fortuna.

O que é a Berkshire Hathaway

Ela é “apenas” a empresa que tem a ação mais cara do mundo! Isso mesmo. Embora Buffett possa não estar no primeiro lugar como o homem mais rico, ao menos as ações da empresa dele rendem uma medalha que vale bem mais do que ouro. Bem mais mesmo. Uma única ação de classe A da companhia custa US$ 425.880,00, conforme a cotação de hoje – mas chegou a custar US$ 150 mil em 2007. O ouro para 2021, segundo estimativas de analistas mais otimistas, fica em US$ 2.300,00. Mas, como diz o próprio Buffett: “preço é o que você paga, valor é o que você leva”, então vamos destrinchar um pouco melhor isso.

Na verdade, apesar de terem um preço salgado no mercado, as ações da Berkshire são do tipo compre uma e leve várias ao mesmo tempo. Isso porque se trata de um conglomerado de empresas. Explicando melhor, a Berkshire é uma holding, ou seja, companhia que detém grande participação acionária em outras empresas, as chamadas subsidiárias. Portanto, a Berkshire não produz um produto próprio no mercado, como no caso do Jeff Bezos e do Elon Musk, por exemplo, e sim apenas gerencia e supervisiona as operações dessas grandes empresas que compõem seu portfólio. E, claro, rentabiliza à medida que elas crescem.

Portanto, investir na Berkshire é o mesmo que investir em companhias bastante sólidas e com alto potencial de retorno ao longo do tempo, afinal é justamente essa a base de investimentos de Buffett, que ficou conhecida no mercado como buy and hold, ou seja, compre e mantenha. Mas isso não quer dizer que não se possa movimentar a carteira às vezes, diminuir ou aumentar participações e até mesmo dar votos de confiança a algumas empresas que ainda são pequenas. O importante, para ele, é a visão de longo prazo. E, quanto a isso, vale dizer que a própria Berkshire é um exemplo de sucesso ao longo do tempo.

Buffett começou a investir na até então empresa têxtil Berkshire na década de 1960, mas quis tecer um futuro um pouco diferente para a companhia, portanto adquiriu o controle dela e alguns anos depois passou apenas a realizar investimentos em diversos setores. Começou investindo em seguros, porém atualmente são dez setores diferentes com grande participação no portfólio dele. Anualmente, a Berkshire entrega uma rentabilidade de mais de 20% para os acionistas – e isso durante os últimos 50 anos.

Então o que de tão bom tem nesse portfólio?

Diversificação e solidez

Até a última atualização feita pela Berkshire, que corresponde a março de 2021 (o primeiro trimestre), ao todo constam 46 empresas na carteira de Buffett, sendo que 41% do portfólio seguem destinados ao setor de tecnologia da informação; 30% às companhias financeiras; 13% a bens de consumo; 4% a serviços; 3% a companhias de saúde e de serviços de comunicação; 2% ao consumo discricionário (bens e serviços não essenciais); 1% às empresas de tecnologia em geral; e alguns poucos “zero vírgula alguma coisa” para energia e materiais.

Só nisso já podemos tirar uma grande lição: ter um portfólio bem diversificado e altamente focado no futuro, que se faz agora com muita tecnologia da informação e com muito dinheiro (esteja ele no bolso ou disponível para empréstimo). Também é possível perceber que, apesar de a Berkshire ser uma empresa com valor de mercado de US$ 650 bilhões, a carteira é pequena, com somente 46 investimentos, o que demonstra que não é preciso ter um amontoado de ativos. Poucos, mas consistentes, valem mais do que muitos, mas para os quais não se consegue concentrar atenção.

Falando em concentrar atenção, dentro das apostas certeiras de Buffett existe uma empresa que se destaca: a Apple. Os 40% destinados ao setor de tecnologia da informação são totalmente abocanhados pela empresa da maçã meio comida. Com isso, a Berkshire detém 5,4% de participação na composição acionária total da Apple.

Em segundo lugar, como um dos maiores investimentos da Berkshire, está o Bank of America, que leva 14,4% do portfólio total. Logo vem American Express e Coca-Cola, com 7,9 e 7,8%, respectivamente. Isso tudo garante à Berkshire uma participação de 12% no banco, 18,9% na Amex e de 9,3% na companhia de bebidas. Veja como fica o restante da composição da carteira de investimentos da Berkshire:

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Fonte: CNBC (2021).

Mais uma lição valiosa para se aprender com o portfólio do maior investidor do mundo: balanceamento de carteira. Na tabela anteriormente apresentada, temos a composição atual do portfólio de Buffett, porém ele realizou várias mudanças nos últimos tempos, incluindo até mesmo a queridinha Apple. No fim de 2020, o magnata vendeu mais de US$ 1 bilhão em ações da empresa de eletrônicos. Ainda no ano passado, ele também se desfez de papéis do setor de bancos, como JPMorgan Chase, PNC Financial Services, M&T Bank e alguns da Wells Fargo. Quando questionado sobre a decisão, ele revelou que, em virtude da pandemia, entendeu que seu portfólio estava muito exposto contando com diversos bancos, e preferiu investir em empresas de saúde. Quem nunca?

Em 2020 também a empresa de Buffett reduziu participação em uma companhia brasileira: a Stone, que é listada na Bolsa de Valores norte-americana Nasdaq. E isso depois de o megainvestidor ter as ações desde a IPO da Stone, realizada em 2018, quando ele adquiriu mais de 11% de participação total na empresa. Dessa vez, Buffett reduziu 25% da sua posição na companhia, ficando com apenas 3,4% do capital total dela. E mesmo depois de essa ação ter tido um dos melhores desempenhos em 2020 dentro do portfólio da Berkshire. Mas… longo prazo, gafanhoto. Longo prazo.

Entretanto, para nossa alegria, Buffett não zerou sua posição aqui no Brasil. Isso porque ainda tem a Kraft Heinz, cujo controle é dividido entre a Berskshire e o fundo de investimentos brasileiro 3G Capital. Para a primeira, são 26,6% de participação na empresa, enquanto o fundo fica com 24%. Mas tudo bem, não é bem assim um investimento direto, como ocorre com as outras empresas. É mais uma sociedade mesmo.

Fora isso, então, o que resta de investimento do Oráculo de Omaha (como Buffett também é conhecido) no Brasil? A Nubank.

Isso mesmo. Uma empresa que nem tem capital aberto ainda. Ainda. Afinal, com o aporte feito pela Berkshire, que só pertence ao maior investidor do mundo, é incentivo mais do que suficiente. Foram US$ 500 milhões aportados na fintech brasileira, mas outro US$ 1,5 bilhão já está disponível de outros investidores para a Nubank desenvolver operações, produtos e pensar em uma expansão internacional – incluindo aí uma abertura de capital estilo Stone, em alguma Bolsa de Valores norte-americana.

A companhia ainda não protocolou pedido de abertura de capital por aqui, mas a expectativa do mercado é que ela tenha ações negociadas ainda este ano na Nasdaq, a Bolsa de tecnologia dos EUA.

E se até as brasileiras estão mais pra lá do que pra cá em termos de Bolsa, é possível também investir no mercado internacional por meio dos BDRs (Brazilian Depositary Receipt, ou Certificados de Depósitos de Valores Mobiliários), que nada mais são do que uma maneira de comprar ações estrangeiras por meio da nossa B3. Assim, é possível investir em diversas empresas que compõem a carteira de Buffett, como Apple (negociada sob o ticker AAPL34 na B3), Bank of America (BOAC34), American Express (AXPB34), Coca-Cola (COCA34). Ou, se preferir, pode adquirir tudo junto na BDR da Berkshire Hathaway (BERK34), que tem um valor mais acessível do que a ação negociada diretamente na Bolsa de Nova Iorque, a NYSE.

Independente da sua escolha, mais uma lição de Buffett para a vida é: “regra número 1: nunca perca dinheiro. Regra número 2: nunca se esqueça da regra número 1”. Então, acompanhe o mercado internacional sempre de perto e com a ADVFN. Isso mesmo, temos um monitor fixo com todos os BDRs disponíveis na Bovespa e, o melhor, com as cotações e dados dos papéis fornecidos em tempo real de verdade, sem nada de espera ou delay. Clique aqui e conheça os planos. Todos com Bovespa em tempo real habilitam o monitor de BDRs.

E, para saber mais sobre as empresas internacionais, acesse a página de notícias do Jornal ADVFN feita especialmente para tratar de companhias, balanços, IPOs, recomendações e muito mais do cenário internacional. Clique aqui e confira o conteúdo.

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