BB: Saldo das operações de crédito totalizou R$4,2 trilhões em junho

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Em junho, o crédito ampliado ao setor não financeiro alcançou R$12,5 trilhões (156,6% do PIB), aumentando 1,1% no mês. A variação mensal refletiu crescimentos no mercado doméstico de 0,9% nos empréstimos e financiamentos e de 3,5% nos títulos de dívida. Já a dívida externa declinou 3,2% refletindo a apreciação cambial de 4,4% no mês. Na comparação interanual, o crédito ampliado cresceu 13,9%, resultado principalmente da elevação da carteira de empréstimos do SFN e de títulos públicos.

O crédito ampliado a empresas situou-se em R$4,3 trilhões (53,2% do PIB), com redução de 1,1% no mês. O declínio resultou de comportamentos diversos entre seus componentes: enquanto os empréstimos permaneceram estáveis (0,2%), o estoque de títulos cresceu 3,6% e o da dívida externa diminuiu 4,6%, em função da apreciação cambial. Em 12 meses, a variação de 5,4% refletiu principalmente o aumento de 15,5% na carteira de empréstimos e de 17,5% na de títulos no período.

O crédito ampliado às famílias totalizou R$2,6 trilhões (32,7% do PIB), com crescimento de 1,4% no mês e 16,8% em doze meses, em função do desempenho dos empréstimos e financiamentos.

Operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN)

O saldo das operações de crédito do SFN totalizou R$4,2 trilhões em junho, aumento de 0,9% no mês, com acréscimos de 0,1% na carteira de pessoas jurídicas (saldo de R$1,8 trilhão) e de 1,5% em pessoas físicas (R$2,4 trilhões). Em doze meses, o crescimento da carteira total acelerou de 16,1%, em maio, para 16,3%, em junho, estimulado pelas operações com pessoas físicas (aceleração de 16,5% para 17,5%), superando a evolução das operações com empresas (desaceleração, de 15,6% para 14,8%).

O crédito livre para pessoas jurídicas alcançou R$1,2 trilhão, crescendo 1,0% no mês e 13,9% em doze meses, destacando-se duplicatas e recebíveis, capital de giro com prazo superior a 365 dias e aquisição de veículos. O saldo do crédito livre a pessoas físicas totalizou R$1,3 trilhão, elevações de 1,6% no mês e de 19,3% em doze meses, com crescimento disseminado em modalidades como cartão à vista, crédito consignado, crédito pessoal não consignado, aquisição de veículos e cartão rotativo.

No crédito direcionado, a carteira de pessoas jurídicas totalizou R$665 bilhões em junho, contração de 1,4% no mês e expansão de 16,3% em 12 meses. O saldo com pessoas físicas situou-se em R$1,1 trilhão, com expansões de 1,4% no mês e de 15,3% em 12 meses, sobressaindo-se as carteiras de financiamento imobiliário e de crédito rural.

As concessões totais de crédito somaram R$425,4 bilhões em junho. Na série com ajuste sazonal, houve elevação mensal de 1,6%, com variações de 0,8% para empresas e de 2,7% para famílias. No acumulado do primeiro semestre, comparado ao mesmo período do ano anterior, as concessões dessazonalizadas cresceram 14,5%, refletindo a elevação em pessoas jurídicas, 7,2%, e em pessoas físicas, 22,4%.

O Indicador de Custo do Crédito (ICC), que mede o custo médio de todo o crédito do SFN, situou-se em 17,3% a.a., variação de 0,1 p.p. no mês e de -1,4 p.p. na comparação interanual. No crédito livre não rotativo, o ICC teve comportamento semelhante, de estabilidade no mês (22,7% a.a.) e redução na comparação com igual mês do ano anterior (-1,5 p.p.). O spread geral do ICC situou-se em 12,2 p.p., com variações de 0,1 p.p.  e -1,1 p.p. nas mesmas bases de comparação.

A taxa média de juros das operações contratadas em junho permaneceu estável no mês em 19,9% a.a., com aumento de 0,4 p.p. em doze meses. O spread geral das taxas das concessões alcançou 14,3 p.p., com declínios de 0,2 p.p. e 1,5 p.p., nos mesmos períodos.

No crédito livre, a taxa média de juros das concessões atingiu 28,3% a.a., variando -0,2 p.p. no mês e 0,1 p.p. na comparação interanual. No crédito livre às empresas, a taxa média de juros diminuiu 0,1 p.p. no mês, para 14,5% a.a., com destaque para a redução em financiamento a exportações. Na comparação interanual, observou-se aumento de 1,5 p.p. Para as famílias, a taxa média de juros permaneceu estável no mês em 39,9% a.a. Na comparação interanual, a taxa do crédito livre às famílias declinou 1,5 p.p.

A inadimplência permaneceu estável no mês em 2,3%. Nas operações com recursos livres, a inadimplência atingiu 2,9%, redução de 0,1 p.p., enquanto nas com recursos direcionados, permaneceu estável no mês em 1,4%.

Agregados monetários

A base monetária somou R$422,2 bilhões em junho, crescimento de 4,6% no mês e de 10,6% em doze meses. No mês, ocorreu elevação de 0,8% no papel-moeda emitido e de 23,9% nas reservas bancárias.

Entre os fluxos mensais dos fatores condicionantes da base monetária, apresentaram impactos expansionistas, as operações do Tesouro Nacional (R$55,4 bilhões) e as operações do setor externo (R$5,4 bilhões). Em contrapartida, apresentaram-se contracionistas as operações com títulos públicos federais (R$11,3 bilhões, resultado de colocações líquidas de R$130,8 bilhões no mercado primário e compras líquidas de R$119,5 bilhões no mercado secundário), as operações com derivativos (R$21,7 bilhões), os depósitos de instituições financeiras (R$3,5 bilhões, resultado de recolhimentos de recursos de depósitos de depósitos a prazo – R$1,7 bilhão – e  de depósitos de poupança – R$1,9 bilhão) e as  operações da Linha Temporária Especial de Liquidez e Redesconto (R$ 3,8 bilhões, sendo Redesconto de R$69 milhões).

Os meios de pagamento restritos (M1) alcançaram R$616,6 bilhões no mês, aumento de 5,3%, decorrente do incremento de 1% do papel-moeda em poder do público e de 9,3% dos depósitos à vista. Considerando-se dados dessazonalizados, o M1 avançou 3,0% no mês.

O M2 aumentou 2,4% no mês, totalizando R$4,0 trilhões. O saldo dos depósitos de poupança cresceu 0,8%, somando R$1,0 trilhão, enquanto o dos títulos emitidos por instituições financeiras avançou 2,4%, totalizando R$2,4 trilhões. No mês ocorreram captações líquidas de R$4,6 bilhões nos depósitos de poupança e de R$41,9 bilhões nos a prazo. O M3 avançou 1,5% no mês, totalizando R$8,3 trilhões. O saldo das quotas de fundos do mercado monetário registrou aumento de 0,5%, totalizando R$4,0 trilhões. O M4 registrou variação de 1,5% no mês, totalizando R$8,9 trilhões. Em 12 meses a variação foi de 13,4%.

Revisão nas séries de PIB mensal

Os procedimentos de cálculo do PIB mensal nominal, em reais e em dólar, foram aprimorados, implicando revisão das séries históricas destas variáveis a partir de janeiro de 2003. A Nota Técnica do Banco Central do Brasil nº 52 apresenta os detalhes da atualização metodológica e compara os resultados obtidos nas metodologias nova e antiga.

O impacto da revisão da série do PIB mensal em reais é pequeno. Na última divulgação (em junho, referente aos indicadores de maio), as estimativas para o PIB mensal dos meses de abril e maio eram de R$682,4 bilhões e R$698,8 bilhões, respectivamente. Os novos valores são R$688,6 bilhões (+0,9%) e R$693,5 bilhões (-0,8%), respectivamente. Ressalte-se que as mudanças também decorrem da atualização dos indicadores mensais que balizam o procedimento de cálculo do PIB mensal e têm magnitude similar à de revisões tipicamente observadas com a incorporação de novos dados.

Ressalte-se também que a metodologia apenas mensaliza as estatísticas divulgadas para trimestres-calendário ou anos-calendário. Por isso, as séries revisadas não alteram valores do PIB nominal em dólar nos anos calendário.

(Com informações do Banco do Brasil)

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