Marfrig (MRFG3): lucro líquido de R$ 1,675 bilhão, alta de 148,7%

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A Marfrig Global Foods encerrou o terceiro trimestre de 2021 com lucro líquido de R$ 1,675 bilhão, alta de 148,7% ante o registro de R$ 674 milhões em igual período do ano passado.

A receita líquida foi recorde e aumentou 40,4% no período de julho a setembro, de R$ 16,83 bilhões em 2020 para R$ 23,63 bilhões em 2021. Desse total, a América do Sul respondeu por R$ 6,909 bilhões (+44,1%) e a América do Norte com R$ 12,729 bilhões (+38,9%).

A companhia obteve recorde de receita líquida, mesmo em um cenário mais desafiador, apresentando um crescimento de mais de 5% no volume de vendas quando comparado ao mesmo período de 2020.

ebitda – lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização – foi de R$ 4,658 bilhões, avanço de 117,1% ante o 3TRI20. O Ebtida ajustado avançou 115,6%, de R$ 2,196 bilhões no mesmo trimestre do ano passado para R$ 4,734 bilhões este ano. Além disso, a margem do Ebitda ficou em 20%, ante 13% um ano antes.

A dívida líquida caiu 19,9%, de RS 17,14 bilhões para RS 13,73 bilhões no período. O custo médio da dívida diminuiu de 5,89% ao ano no terceiro trimestre de 2020 para 5,46% ao ano em igual trimestre deste ano, e o prazo de pagamento da dívida foi alongado de 4,15 anos para 4,97 anos.

O fluxo de caixa operacional da companhia foi positivo em R$ 4,721 bilhões. Após o pagamento de juros e de capex de investimentos, o fluxo de caixa livre ficou em R$ 3,770 bilhões de reais. A Marfrig informou, ainda, que realizou pagamentos de dividendos intermediários, de forma antecipada, no valor de R$ 958,4 milhões, um dividend yeld de 7%.

A operação América do Norte, capitaneada pela National Beef, foi, novamente, protagonista dos resultados da empresa. O segmento foi beneficiado pela oferta abundante de gado e forte demanda por carne bovina, em meio à recuperação do food service, da permanência dos estímulos financeiros do governo federal e da sazonalidade do período. A unidade registrou receita líquida recorde de R$ 16,7 bilhões (US$ 3,2 bilhões) no terceiro trimestre, avanço de 38,9% em relação a igual período do ano passado.

No período de julho a setembro, o volume total comercializado pela unidade de negócio foi de 516 mil toneladas, aumento de 0,6% na comparação interanual. Do total, 441 mil toneladas foram destinadas ao mercado interno dos EUA, enquanto 75 mil toneladas foram para exportação.

Já a Operação América do Sul, que engloba Brasil, Argentina, Uruguai e Chile, ainda enfrenta desafios. A receita líquida da unidade subiu 44,1%, de R$ 4,793 bilhões no terceiro trimestre de 2020 para R$ 6,909 bilhões no mesmo período deste ano.

“A performance é recorde para a operação e é explicada pelo aumento de 36,8% no preço médio total de vendas”, justificou a companhia, em nota enviada à imprensa.

O volume de vendas cresceu 5,4%, de 370 mil toneladas para 390 mil toneladas. Do total, 241 mil toneladas ficaram no mercado doméstico, enquanto as outras 149 mil toneladas foram exportadas. No período, as exportações cresceram 8,3%. “As exportações representaram 62% da receita da operação. Aproximadamente 64% do total das receitas de exportação foram destinadas à China e a Hong Kong”, afirmou a Marfrig.

O lucro bruto da operação somou R$ 571 milhões, 21,4% a menos do que os R$ 727 milhões reportados no terceiro trimestre do ano passado.

 América do Norte

O crescimento da demanda na América do Norte é justificado pela reabertura da economia americana, devido ao avanço no processo de vacinação contra COVID-19, à recomposição dos estoques da cadeia de food-service, ao cenário econômico ainda impulsionado pelos estímulos financeiros do governo federal e pela sazonalidade do período.

América do Sul

O CEO da Operação América do Sul da Marfrig, Miguel Gularte, disse que a companhia tem conseguido cumprir os contratos de exportação que haviam sido fechados entre Brasil e China por meio de embarques saindo das unidades na Argentina e Uruguai, visto que a venda da carne bovina brasileira segue suspensa pelos chineses devido a dois casos atípicos da doença “mal da vaca louca”.

“Estamos esperando a resposta das autoridades (sobre o embargo)… Na Operação América do Sul, até mesmo no caso da Ásia, temos uma situação que permanece sobre controle”, disse.

Ele disse que, enquanto isso, a companhia tem se beneficiado também de investimentos recentes no segmento de produtos industrializados, cujo consumo interno pode ter incremento até o quarto trimestre.

Gularte ressaltou também que a Marfrig já conta com seis unidades brasileiras habilitadas para exportar aos Estados Unidos, e até o fim do ano a expectativa é que mais duas sejam aprovadas para embarcar carne bovina ao país.

Na América do Sul, a Marfrig registrou receita líquida de 6,9 bilhões de reais no terceiro trimestre, um crescimento de 44,1% na comparação anual. Já o Ebitda ajustado da operação caiu 40,5%, para 301 milhões de reais.

Os resultados da Marfrig (BOV:MRFG3) referentes suas operações do terceiro trimestre de 2021 foram divulgados no dia 27/10/2021. Confira o Press Release completo!

VISÃO DO MERCADO

Ativa Investimentos 

A Marfrig divulgou fortes resultados referentes ao 3T21, acima das nossas expectativas, impulsionados pelas operações da América do Norte.

 Assim como previsto, a operação da América do Norte foi o destaque do trimestre, demonstrando forte momentum com a recuperação da economia americana, capacidade de repasse de preços pela empresa e alto patamar do dólar, que levaram a um forte crescimento de receita e ganho de margem.

Esse resultado ocasionou forte geração de caixa, que permitiu à companhia manter a alavancagem controlada. Do lado negativo, as operações da América do Sul foram impactadas negativamente pela alta da arroba bovina, mesmo após realizações recentes, o que afetou as margens, em conjunto com fraca demanda interna.

Acreditamos que o ciclo bovino deverá melhorar sua dinâmica para os frigoríficos brasileiros nos próximos 12 meses, o que tende a melhorar o resultado da operação sul-americana no médio prazo. Fatores a serem monitorados futuramente que deverão impactar as ações da Marfrig incluem a demanda chinesa por carne bovina e a recomposição do rebanho suíno chinês, além de retomada do PIB brasileiro com consequente diminuição da taxa de desemprego.

Ativa tem recomendação neutra com preço-alvo de R$ 22,70.

BB Investimentos 

A Marfrig apresentou um conjunto de resultados fortes no 3T21, com as operações na América do Norte em destaque, conforme o esperado, mas também com boa performance nas operações na América do Sul, principalmente em razão do aumento no volume e no preço médio em dólar das exportações.

Em linha com o observado nos últimos trimestres, a reabertura da economia nos EUA, como consequência do avanço da vacinação contra o Covid-19 e a respectiva desaceleração da pandemia, incentivou a recomposição de estoques de bares e restaurantes em resposta ao aumento do consumo, o que contribuiu para o melhor resultado histórico da National Beef, subsidiária da Marfrig na América do Norte.

Nas operações da América do Sul, o cenário foi mais desafiador, com elevados preços de gado e restrições de exportações – no Brasil, com suspensão de exportações de carne bovina à China desde o início de setembro, após a confirmação dos casos do “mal da vaca louca”, e na Argentina, com indefinições na política de exportações.

As ações da Marfrig acumulam valorização de aproximadamente 83% em 2021, e refletem o cenário favorável do setor, os sólidos resultados apresentados e as boas perspectivas para os próximos trimestres.

BB Investimentos tem recomendação neutra com preço-alvo de R$ 27,20.

Bradesco BBI 

Já o Bradesco BBI mantém recomendação de compra para a ação e preço-alvo de R$ 30,00. Isso porque, o banco vê as ações sendo negociadas com uma valorização atraente de 3,3x EV / Ebitda 2022E, abaixo da média histórica.

Itaú BBA

Em relatório, assinado pelo analista Gustavo trojan, o Itaú BBA destacou que a Marfrig (MRFG3) reportou mais um trimestre recorde na América do Norte, com margens mais uma vez superando as estimativas.

Por outro lado, a operação da América do Sul apresentou margem Ebitda de 4,4%, abaixo da estimativa do banco.

Segundo o banco, margens ainda pressionadas podem ser atribuídas à escassa disponibilidade de gado no Brasil.

Itaú BBA mantém recomendação de compra com preço-alvo de R$ 26,00…

XP Investimentos 

No 3T21, a Marfrig apresentou números recordes em suas operações nos Estados Unidos e na América do Sul. A receita líquida atingiu R$ 23,6bi (+40% A/A e + 8% vs. XPe), com um ligeiro aumento nos volumes, mas preços mais altos em toda as frentes. A margem EBITDA ajustada veio em linha com nossas expectativas de 20,0% (vs. XPe de 20,4%).

O Lucro Líquido de R$ 1,765bi (+149% A/A, mas -40% vs. XPe), entretanto, veio abaixo do esperado, parte pela marcação a mercado das ações da BRF, mas também pela provisão de taxas de juros mais altas para a dívida em moeda local (BRL), embora ambos sem efeito caixa.

A alavancagem caiu para o nível mais baixo da história da Marfrig em 1,10x em BRL (1,07x USD) e, em nossa opinião, tal estrutura tem valor estratégico face a maior inclinação da curva de juros no Brasil.

Apesar dos preços mais altos do gado nos EUA, a demanda permaneceu forte e a resiliência dos preços da carne bovina permitiram mais um trimestre com margens recordes. Grande parte dessa tendência já era esperada, pois o indicador de preço da carne (cut-out) surpreendeu o mercado, enquanto as exportações também foram positivas, embora sejam menos relevantes para a Marfrig. Com um EBITDA ajustado de US$ 857mi (+167% A/A e +7% vs. XPe), a operação dos EUA foi responsável por 95% do EBITDA total, com margem de 26,8%.

Olhando para o futuro, uma vez que não seria sensato prever outro trimestre recorde, esperamos que as margens operacionais se acomodem a níveis mais “normais”, entre 10-15% no 4T21 e 5-10% em 2022.

Apesar dos resultados ainda terem sido impactados pela lenta recuperação da demanda no Brasil juntamente com os preços do gado em alta, a receita ficou em R$ 6,9bi (+44% A/A), 23% acima de nossas estimativas, explicado por um aumento maior do que o estimado em volume e preços.

Esses crescimentos foram impulsionados principalmente pelo Uruguai, cujas exportações estão se beneficiando da atual política de exportação da Argentina e das restrições às exportações do Brasil para a China. Além disso, o alto custo do gado pressionou as margens, o que levou o EBITDA ajustado para R$301 mi (-41% A/A e + 11% XPe).

Olhando para o futuro, esperamos que as pressões de custo diminuam no 4T21 e ao longo de 2022, mas o efeito negativo das restrições da China deve se tornar mais aparente, enquanto a demanda doméstica segue incerta.

* Com informações da ADVFN, RI das empresas, Valor, Infomoney, Estadão, Reuters

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