Oficial do BoE pede regulamentação urgente de ativos digitais

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Falando sobre criptomoedas na Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication na quarta-feira, o vice-governador para Estabilidade Financeira do Banco da Inglaterra (BoE), Jon Cunliffe, pediu aos reguladores que agissem rapidamente e implementassem medidas para conter os riscos impostos pelo mercado, à medida que mais investidores começassem a se envolver.

Em um discurso, Cunliffe atribuiu a potencial instabilidade financeira associada às criptomoedas à sua volatilidade e falta de apoio. O vice-governador fez referência à crise financeira de 2008 para explicar que os mercados cripto (atualmente com uma capitalização de mercado de cerca de $2,38 trilhões) não exigiam uma participação necessariamente grande no setor financeiro para causar problemas de estabilidade financeira.

“Os riscos de estabilidade financeira atualmente são relativamente limitados, mas podem crescer muito rapidamente se, como espero, esta área continuar a se desenvolver e se expandir no ritmo. O tamanho desses riscos dependerá em grande parte da natureza e da velocidade de resposta das autoridades reguladoras e fiscalizadoras”, explicou.

Cunliffe sugeriu que o uso primário de criptomoedas é em investimentos especulativos devido à imprevisibilidade de seu valor. O executivo do banco também observou que a natureza volátil dos ativos cripto os tornava veículos inadequados para fazer pagamentos, exceto para fins criminais. Em contraste, poucos na comunidade cripto do Reino Unido estão se afastando da criptomoeda, com a maioria realmente pensando em investir mais nela.

“As atitudes em relação a ativos digitais sem garantia, no entanto, parecem estar mudando – no Reino Unido, menos detentores agora dizem que os vêem como uma aposta, e mais os vêem como uma alternativa ou complemento ao investimento convencional. Cerca de metade dos detentores atuais afirmam que irão investir mais “, dizia o discurso.

Cunliffe, que também preside uma unidade interna do CBDC no banco, observou que a ligação entre criptomoedas e instituições financeiras convencionais estava se tornando ainda mais forte, com fundos privados e bancos se tornando mais envolvidos.

No passado, o vice-governador argumentou que o Banco da Inglaterra precisava estabelecer dinheiro digital emitido publicamente para ajudar os cidadãos a atender às demandas diárias da vida. No mês passado, o banco central do Reino Unido confirmou que havia colaborado com terceiros, incluindo PayPal, Monzo, Visa e ConsenSys no caminho para a criação de um CBDC.

Essas últimas opiniões do Banco da Inglaterra somam-se a uma advertência do FMI em 1º de outubro, quando o organismo internacional alertou sobre uma possível instabilidade financeira. No artigo publicado, os autores argumentaram que, além dos riscos de proteção ao consumidor, a criptomoeda também dificultou a execução de políticas fiscais pelos bancos centrais.

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