Vários mundos em um só

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Nos Estados Unidos, o bull market segue implacável. Os principais índices das Bolsas americanas sobem 23% (S&P 500), 21% (Nasdaq) e 18% (Dow Jones) no ano. Todos fecharam outubro também no positivo, embalados pela boa temporada de resultados até aqui e pelo “reflation trade”.

Embora figurem entre as maiores empresas do mundo, as big techs seguem surpreendendo pela capacidade de crescimento e rentabilização de capital para o acionista. O ponto de atenção é a cadeia de suprimentos, que está longe de ser um assunto resolvido e pode gerar gargalos nos processos produtivos. Aliás, de acordo com levantamento do Bloomberg, esse tema foi citado mais de 3 mil vezes em teleconferências de resultados de empresas do S&P 500.

De todo modo, a estratégia de crescer agregando novas funcionalidades e aumentando seu mercado de atuação endereçável tem rendido frutos. A Microsoft, por exemplo, aumentou em 22% seu faturamento, impulsionada pela divisão de Cloud, e segue na cola da Apple em busca de se tornar a empresa mais valiosa do globo. Já a Alphabet superou o consenso de mercado e avançou em 41% sua receita, com destaque para o bom desempenho do YouTube.

Já do outro lado da linha do equador, a história é diferente. Depois de alcançar o seu topo histórico em junho deste ano, a Bolsa brasileira fechou outubro abaixo dos 104 mil pontos — uma perda superior a 20% e, portanto, tecnicamente em bear market. No ano, a queda é de 11%. Vale ressaltar que desde 2013 não tínhamos uma sequência de quatro meses com quedas consecutivas do Ibovespa como vimos de julho para cá.

Essa diferença de cenários expõe a importância de se posicionar em vários mundos ao invés de em um só, retirando as amarras do “home bias”. Mais do que isso, não basta ter uma pulverização entre ativos que respondam a um mesmo estímulo – uma carteira com empresas de shopping centers ainda é uma carteira exposta exclusivamente aos riscos associados ao setor.

A estratégia de diversificação de portfólio que mais me agrada é o Santo Graal dos Investimentos de Ray Dalio, que consiste na montagem de uma carteira com diversos ativos descorrelacionados geográfica e setorialmente de modo a aumentar o potencial de retorno do portfólio dado um mesmo nível de risco.

Embora não seja a estratégia mais sexy, é a que, na minha opinião, melhor incorpora a relação de risco e retorno potencial no longo prazo. Em estudo realizado pelo J.P. Morgan, a estratégia de alocação de ativos figurou apenas entre as três melhores em dois dos quinze anos de pesquisa. Contudo, no consolidado, a composição de retorno associado ao risco foi uma das melhores.

Deixe de lado o trading maluco, a procura pela dica quente do vizinho ou a crença de que só é possível investir no Brasil (nossa Bolsa está longe do ranking das maiores do mundo em termos de capitalização). Para a construção de um portfólio vencedor de longo prazo, privilegie a alocação frente a posições individuais, é dali que virá a maior parte de seu retorno.

Forte abraço,
Fernando Ferrer

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