Bitcoin torna-se mais valioso do que o dólar em Cuba

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A adoção de criptomoedas em Cuba tem crescido de forma consistente desde que o governo local incorporou os ativos digitais à economia da ilha caribenha, a ponto de a cotação do Bitcoin (BTC) e da stablecoin Tether (USDT) terem superado o valor do dólar norte-americano no país.

Relatos de cidadãos cubanos na internet dão conta de que o Bitcoin, o Ethereum (ETH) e outras criptomoedas estão sendo negociadas com ágio em relação ao dólar norte-americano em papel-moeda em transações locais.

Trata-se de um feito inédito na história de Cuba, conforme ressaltou em uma postagem no Twitter o diretor de estratégia da Human Rights Foundation, Alex Gladstein.

Criptomoedas furam embargo dos EUA

Devido às tensões políticas entre os EUA e Cuba, a ilha está isolada do sistema financeiro internacional. Ao mesmo tempo, o país norte-americano tornou-se refúgio de diversos cidadãos cubanos que fugiram do país devido às restrições políticas e econômicas impostas pelo Partido Comunista, que se mantém no poder desde 1959.

Hoje, muitos cubanos dependem de remessas enviadas do exterior por parentes e amigos, mas as instituições financeiras que oferecem o serviço de transferências internacionais impõe o condições desfavoráveis aos usuários, tanto no que diz respeito aos descontos impostos pelas taxas cobradas sobre os valores enviados quanto no tempo necessário para realizar e validar as remessas.

Assim, transferências ponto a ponto através do Bitcoin e de outras criptomoedas, sem intermediários, vêm se tornando cada vez mais comuns para os cubanos. Além de pouparem dinheiro, são praticamente instantâneas e, portanto, duplamente mais eficientes.

Ativos de protecão

A partir da legalização dos criptoativos em setembro deste ano, as criptomoedas também passaram a ser utilizadas como ativos de proteção contra a inflação e a desvalorização da moeda local, papel que até então cabia única e exclusivamente ao dólar norte-americano.

À medida que as criptomoedas foram se popularizando entre os cidadãos cubanos, empresas e comerciantes começaram a aceitá-las como meio de pagamento. Esse impulso adicional à adoção teria sido responsável pela desvalorização do dólar norte-americano em papel-moeda contra os ativos digitais. A mudança de paradigma tem causado supresa aos cidadãos cubanos, conforme relatou Enrique Yecier, um redator e entusiasta das criptomoedas local.

Reclamar que em Cuba um criptodólar ultrapassou o valor de 1 dólar em dinheiro, é como reclamar que o #Bitcoin custa hoje mais de 46 mil dólares quando há um ano custava 23 mil.
Se há alguém fazendo coisas erradas, não é o BTC.

– Enrique Yecier (@ e18gteen)

Pode causar ainda mais surpresa a todos que não cabe nem ao Bitcoin nem à stablecoins a condição de ativo digital mais valioso de Cuba. Segundo relatos de Yecer, é o Tron (TRX) o criptoativo mais valorizado entre a população cubana. A razão, nem mesmo Yecer se arrisca a tentar explicar.

Alguém pode me explicar como diabos #trx é a criptomoeda mais cara de Cuba? As pessoas não se dão conta ou o quê?
1 trx = 0,082 usd
0,082×73 = 5,986 cup
0,082×75 = 6,15 cup
Como eles estão pedindo 6,8, 7 e até 8 cups por trx? Quem paga isso não percebe ou o quê?

– Enrique Yecier (@ e18gteen)

Até pouco tempo, Cuba não era um país relevante em termos de adoção de criptomoedas, levando-se em conta o relatório da Chainalysis de 2021 reportado pelo Cointelegraph Brasil recentemente.

No entanto, a ilha caribenha enfrenta uma situação política e econômica similar à de alguns países em que os ativos digitais são bastante disseminados, casos de Argentina, Ucrânia, Venezuela e Afeganistão: uma economia fechada ou altamente inflacionária, muitas vezes combinada a uma situação política instável.

Por Caio Jobim

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