As cidades maravilhosas

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Ecologia, carros elétricos e mais: as tendências das cidades no futuro e quem ganha com isso

Vamos viajar para Liubliana?

— Liu o quê?

Essa é a reação de 90% das pessoas – os outros 10% são agentes de viagem, professores de geografia ou participantes de programas do tipo Show do Milhão, que precisam saber de tudo. Mas Liubliana deveria entrar para o roteiro de investidores também.

Vamos começar de novo. Liubliana, capital da Eslovênia…

— Huh…

Pegue a Itália. A leste fica a Eslovênia. Embaixo da Áustria. Achou? Liubliana fica ali, quase no meio do país, um pouco mais a oeste. Tudo bem?

Parece ser uma cidade como tantas outras na Europa. 272 mil habitantes, com seu castelo medieval e uma mistura de arquitetura alpina, francesa e prédios-caixotes dos tempos soviéticos. Depende de quem influenciava – ou entrouxava goela abaixo – durante sua história. Mesmo assim, ela atrai a atenção de urbanistas, legisladores e investidores.

Liubliana tem uma proposta agressiva de ser sustentável e eliminar sua pegada de carbono e seus poluentes já em 2025. A primeira pergunta é como. A segunda, logo em seguida, é como vamos lucrar com isso. Para isso, Liubliana começou cedo, em 2007.

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A Liubliana foi uma das primeiras cidades a implementar projetos que se espalharam pelo mundo: muita ciclovia, centro da cidade fechado a carros particulares, incentivo a transporte elétrico.

Como qualquer mudança radical, aconteceram protestos. Moradores reclamaram que, com o plano, não conseguiriam ir trabalhar, seus negócios perderiam movimento, pense nos velhinhos com dificuldade de andar.

Talvez o argumento mais esdrúxulo tenha sido aquele que dizia que tudo bem, sustentabilidade e tudo mais, porém, sem carros, a cidade iria parecer falsa, afastando turistas que buscam uma experiência autêntica. Tá. Os primeiros registros conhecidos da cidade datam de 1144. Quer autenticidade, vá buscar os cavalos.

Os resultados você conhece. A população se acostumou a andar a pé, alguns bons resultados de qualidade de vida começaram a aparecer, a cidade recebeu o título de Capital Verde da Europa, o respeitado guia de viagens Lonely Planet colocou o país e sua capital entre os cinco melhores destinos para 2022. E todos imitam essas iniciativas em maior ou menor grau.

E todos querem saber para onde a cidade vai agora. Algumas medidas implantadas recentemente:

  • Aquisição de carros elétricos que a população usa e deixa para o próximo se beneficiar. Aqui, muitos têm dúvidas. Uma coisa são 270 mil habitantes, outra coisa são os dois milhões de Paris e outras cidades a caminho de banir carros em certas áreas. Sem mencionar a experiência com bicicletas e patinetes no Brasil e outros locais (inclusive a China, que viu uma falência em massa de empresas de bike sharing).
  • Energia solar em escala. Enquanto muitos competem pela construção do maior parque de energia renovável, Liubliana usa qualquer cantinho e anunciou a construção de um parque solar que deve suprir 7% da energia gasta por seu aeroporto. Não é nada, não é nada, são quase 200 toneladas de gás carbônico a menos na atmosfera. Isso requer que a responsabilidade saia de empresas de energia elétrica, que buscam projetos lucrativos acima de tudo, para o usuário final. Como o caso do aeroporto, que não está no negócio de lucrar com energia, mas tem todo interesse em diminuir suas emissões poluentes. O mesmo acontece com várias empresas brasileiras. E não é de hoje. Desde 2018 a Vivo (VIVT3) afirma que 100% da energia que usa vêm de fontes renováveis. A Minerva (BEEF3) fez o mesmo em junho agora, de 2021, e promete investir para que “toda sua cadeia de produção” siga o mesmo caminho nos próximos anos. Outras, como a Eleva Educação, com 41% do que consome vindo de renováveis, estão chegando lá.

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Alguns países tentam driblar essas dificuldades e começar do zero. Em comum, esses projetos de novas cidades contam com ousadia, muito dinheiro, muitos investidores e um grau variável de sucesso. Vamos ver algumas dessas cidades verdes:

A Linha

O pessoal da Arábia Saudita deve ter ficado com inveja de Brasília e elevou o conceito. Cidade sem esquina é café pequeno, vamos fazer uma cidade sem ruas.

Assim nasceu a ideia de A Linha/The Line, uma cidade às margens do Mar Vermelho, perto da fronteira com a Jordânia. Pelos planos, a cidade terá até um milhão de habitantes, a largura de uma a três quadras, dependendo do setor, e… 170 quilômetros de comprimento. Imagina uma cidade que se estica pelo dobro da distância São Paulo-Santos. Os desenvolvedores planejam a cidade em três níveis. No primeiro ficam moradias, lojas, restaurantes, praias, hospitais e muitos, muitos parques. Aqui, só se andará a pé ou de bicicleta.

No segundo nível, embaixo do primeiro, fica toda a infraestrutura d’A Linha. Água, esgoto, cabos de energia e comunicação, lixo e IT. Principalmente IT. Tudo o que a cidade precisa para funcionar.

No terceiro nível, ainda mais fundo que o segundo (engenheiros, comentem aí a facilidade de se cavar tanto num litoral), fica o que os sauditas chamam de “A Espinha Dorsal”, uma pista para os (poucos) veículos elétricos da polícia, ambulâncias e um ou outro civil, uma linha de trem com diversas paradas e um metrô de supervelocidade que poderia ir, prometem, de um canto a outro da cidade em 20 minutos.

O objetivo do projeto é que, na superfície, as pessoas andem no máximo 5 minutos até uma entrada para o subsolo, peguem o trem normal até sua parada desejada ou até um terminal do supermetrô, e de lá para qualquer canto da cidade.

Enquanto isso, por aqui os projetos de trem normal seguem a passos lentos. Discute-se detalhes técnicos da linha intercidades, que deve ligar São Paulo a Jundiaí e Campinas. A CCR (CCRO3) é uma das empresas nessa conversa com o governo, o que pode ser uma boa notícia para seus acionistas.

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Forest City, Malásia

A Cidade da Floresta seria um trunfo de sustentabilidade e engenharia. Quatro ilhas artificiais cobertas com espécies nativas, e onde cada telhado de prédio ou teria placas solares, ou cobertura verde. Tudo guiado pelo milenar haikai

Se nem o sapo

Que dirá a raposa

Muda seus atos

Ou, num conceito mais claro, “malandro é malandro e mané é mané”.

Tudo começou quando o conglomerado chinês Belt e Road Initiative procurou o governo malaio com a ideia de construir essa utopia ecológica, citando vantagens e mais vantagens, de como seria um exemplo de…

— Tá, tá, mas por que construir aqui em vez da sua China?

— Nós acreditamos na política de boa vizinhança e admiramos a força do povo malaio. Pense no dinheiro que isso vai gerar.

— Bom, vamos em frente. O que não falta na Malásia é litoral. Podemos sugerir a região do…

— Queremos construir aqui.

— Uh… aí é a fronteira com Singapura.

— (silêncio significativo).

Singapura (desde 1948 o país exige ser grafado com “S”, e não com “C”, então poupe os comentários) ainda conta com uma das mais poderosas economias da região. A Autoridade Monetária de Singapura, a versão deles de um ministério da economia, prevê um crescimento de até 7% no PIB neste 2021 e “melhoras significativas no pós-pandemia”. Enquanto isso, o órgão continua em sua luta para equilibrar a presença de estrangeiros em sua economia. O pequeno Estado precisa dos investimentos, claro, mas a presença de outros países é excessiva. Além disso, mais estrangeiros significa mais gente disputando o pouco espaço disponível. Ninguém quer uma Singapura rica sem emprego e casa para os próprios singapurenses.

Logo o governo malaio percebeu que a cidade proposta pelos chineses seria uma forma de driblar as leis restritivas do país vizinho. Bastaria uma pequena ponte para transformar Forest City numa cidade-dormitório e atrativa para quem quer fazer negócios em Singapura sem a legislação de lá. Ótimo, muito lucrativo, toca construir a primeira das quatro ilhas. Até que os malaios perceberam o problema. Uma combinação de preços altos e algumas ofertas exclusivas fez com que apenas chineses endinheirados pudessem comprar as propriedades da região. Forest City assim transformou-se num enclave chinês que iria beneficiar apenas chineses interessados em Singapura. Um golpe de mestre da terra do panda.

O governo malaio reagiu, baixando uma lei: estrangeiros podem comprar só 10% de Forest City, o resto tem que ser vendido a malaios. Resultado: devoluções de apartamentos, as vendas despencaram e a entrada de recursos no projeto secou. Os responsáveis afirmam que o projeto continua, mas podiam ter contratado Lulu Santos para explicar: “A passo de formiga e sem vontade”.

Fica a grande lição para quem investe em imóveis: sustentabilidade é bom, mas as três coisas mais importantes do setor continuam valendo: o local, o local e o local.

Bitcoin City

Essa é para quem gosta de risco, mas risco mesmo. El Salvador, que já havia se tornado a primeira nação a adotar o Bitcoin como moeda oficial, anunciou agora sua cidade ecológica, que será financiada 100% por títulos calcados em Bitcoin. O governo local está animado com sua sustentabilidade:

— A energia virá de fonte 100% natural. Nada de usinas nucleares que costumam explodir nem de termelétricas que lançam fumaça na atmosfera, nem mesmo barragens que podem romper devastando tudo no caminho.

— E que fonte de energia é essa?

— Um vulcão.

O presidente Nayib Bukele, aquele que se veste como um adolescente, afirmou ainda que a cidade será uma Zona Franca, onde o único imposto cobrado será a versão local do ICMS. Certo, em um mês usando a moeda virtual, seu sobe e desce já permitiu que o país lucrasse e, com esse dinheiro, construísse um hospital para bichinhos de estimação.

Ainda assim, sustentar uma cidade inteira à base de especulação financeira…

O certo é que viveremos de maneira diferente daqui para frente. As empresas que abraçarem essa diferença irão lucrar mais.

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