Conselho da Petrobras se reúne hoje para decidir se Caio Paes de Andrade assume ou não a presidência da estatal.

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O Conselho de Administração da Petrobras se reúne no fim da manhã de hoje para decidir se Caio Paes de Andrade, indicado pelo governo, assume ou não a presidência da estatal.

Para isso é necessária maioria simples (seis votos) a favor da indicação no colegiado hoje formado por 10 membros, após a saída do ex-presidente José Mauro Coelho, que também tinha uma cadeira no conselho. A reunião deve começar às 11h e entrar pela tarde, disseram fontes familiarizadas.

Tendência é de aprovação

A tendência, é que Paes de Andrade seja confirmado conselheiro e presidente executivo ainda hoje. Na última sexta-feira, 24, ele foi aprovado pelo Comitê de Elegibilidade (Celeg) da companhia, formado por dois conselheiros de administração e dois membros externos. Por três votos a um, o órgão de caráter consultivo decidiu que Paes de Andrade preenche os requisitos de formação acadêmica e experiência profissional previstos na legislação e pela governança da Petrobras (BOV:PETR3) (BOV:PETR4) para assumir o comando da empresa.

Mas esse diagnóstico é rejeitado por pelo menos dois dos 10 membros do conselho: Francisco Petros, eleito por acionistas minoritários, e Rosangela Buzanelli, eleita pelos empregados da Petrobras.

Petros, que preside o Celeg, votou contra a indicação, como mostrou a ata da reunião de sexta. Ele tende, portanto, a confirmar essa posição hoje na votação do conselho. Buzanelli, por sua vez, tem criticado publicamente a indicação de Paes de Andrade que, afirma, não preenche os requisitos mínimos para o cargo, como formação afeita a óleo e gás e experiência como executivo em empresas do setor ou de porte semelhante ao da Petrobras. No Celeg, a maioria dos julgadores acolheram o argumento de que a legislação relativiza as exigências ao usar o termo “preferencialmente”.

Um voto

Restariam, portanto, oito votos a serem disputados pelo governo, que tem cinco representantes no Conselho. Se todos eles votarem a favor de Paes de Andrade, conforme o esperado, o governo precisará de apenas mais um voto positivo entre os três restantes, todos de conselheiros eleitos por acionistas minoritários. São eles o economista Marcelo Mesquita, o advogado Marcelo Gasparino e o empresário Juca Abdalla, dono do Banco Clássico. A articulação do governo, portanto, deve mirar ao menos um desses três conselheiros, cujo teor dos votos é desconhecido.

Um conselheiro representante da União disse ao Broadcast, sob a condição de anonimato, estar confiante de que o governo terá seis votos para eleger Paes de Andrade presidente. Ele definiu a conta como “conservadora e prudente”. O conselheiro defende que Paes de Andrade tem capacidade gerencial evidenciada por experiências como a implantação da plataforma de governo Gov.br, que digitalizou trâmites do governo federal.

Se eleito, Paes de Andrade será o quinto presidente da Petrobras no governo Jair Bolsonaro, em sucessão novamente marcada pela queda de braço entre o governo e a diretoria da petroleira sobre a alta nos preços dos combustíveis em refinarias da Petrobras, hoje alinhados ao mercado internacional.

Currículo

Paes de Andrade é formado em Comunicação Social pela Universidade Paulista e tem cursos de pós-graduação em administração pelas americanas Harvard University e Duke University. Com passagens por empresas de tecnologia da informação, ele migrou para a administração pública em 2019, quando assumiu a presidência do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). Em agosto de 2020, ele assumiu o cargo de secretário especial de desburocratização do Ministério da Economia. Paes de Andrade também é membro do Conselho de Administração da Embrapa e da Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), estatal que administra o óleo da União em campos produtores do pré-sal. Aí reside seu único contato mais claro com o setor de óleo e gás.

Informações Broadcast

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