B3 (B3SA3): lucro líquido recorrente de R$ 1,22 bilhão no 2T22, queda de 0,8%

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A B3 reportou lucro líquido recorrente de R$ 1,22 bilhão no segundo trimestre deste ano, queda de 0,8% em comparação ao mesmo intervalo do ano passado e de 1,5% frente ao primeiro trimestre.

O resultado foi afetado por fatores como a queda da receita e o aumento das despesas operacionais. O lucro inclui impactos fiscais não recorrentes, despesas extraordinárias de M&A de R$ 18,5 milhões e amortização de intangível relacionado à incorporação da Cetip de R$ 127 milhões.

A receita líquida apresentou uma queda anual de 7,3%, atingindo R$ 2,2416 bilhões.

Ebitda – lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização – chegou a R$ 1,66 bilhão, o que representa queda de 14% na comparação anual. Em termos recorrentes, a queda foi menor, de 10%. A margem Ebitda recorrente foi de 74,4%, uma queda de 652 bps.

O resultado financeiro ficou negativo em R$15,3 milhões no 2T22.

As receitas financeiras atingiram R$ 450,9 milhões, aumento de 150,7%, explicado pelo aumento na taxa de juros e pelo aumento do caixa principalmente em decorrência da emissão de dívida feita no mercado internacional (bond de USD 700 milhões) em setembro de 2021. Na comparação com o 1T22, a queda de 7,2% nas receitas financeiras é explicada pela menor posição de caixa próprio (principalmente devido à intensificação do Programa de Recompras da Companhia) e de terceiros (a Companhia recebe juros sobre a maior parte deste saldo) no período.

As despesas financeiras, por sua vez, somaram R$ 411,1 milhões, aumento de 228,2%, explicada pelo aumento da taxa de juros (dívidas da Companhia atreladas ao CDI) e por efeitos decorrentes da liquidação antecipada de empréstimo (CCB), que possuía vencimento previsto para 2023.

A receita total da B3 foi de R$ 2,4 bilhões, baixa de 7,1% ante o mesmo período do ano passado, impactada pela queda na receita dos segmentos “Listado” (-10,4%) e “Infraestrutura para financiamento” (-5,3%), explicada pela redução nos financiamentos de veículos com a piora no cenário do setor.

A queda na receita total é explicada, principalmente, pela queda na receita dos segmentos Listado e Infraestrutura para financiamento, apesar do crescimento nos demais segmentos que não foi suficiente para neutralizar essas reduções. Vale notar que as receitas no 2T21 foram impactadas positivamente pela linha de reversão de provisões e recuperação de despesas no valor de R$128,4 milhões, e no 2T22 pela consolidação da Neoway.

As despesas somaram R$ 842,5 milhões, aumento de 12,4%. As despesas foram de R$ 307,3 milhões com pessoal e encargos, aumento de 11,7%, explicado principalmente pela inclusão da Neoway nesta linha de despesas, por novas contratações e pela correção anual (dissídio) do valor dos salários. Excluindo Neoway, a comparação mostra queda de 2,0%. O aumento de despesa foi de 41,4% em processamento de dados, a R$ 127,7 milhões.

O patrimônio líquido no final de jun/22 era de R$ 20,7 bilhões, composto, principalmente, pelo capital social de R$ 12,5 bilhões e pelas reservas de capital de R$ 7,9 bilhões (vs. R$8,3 bilhões em dez/21).

A companhia encerrou o trimestre com ativos totais de R$ 47,4 bilhões, queda de 9,8% frente a dez/21. As linhas de Disponibilidades e Aplicações financeiras (circulante e não-circulante) totalizaram R$ 17,8 bilhões. A posição de caixa inclui R$ 360 milhões em juros sobre o capital próprio; e R$ 413 milhões em dividendos, ambos pagos em jul/22.

Em relação aos passivos, no final do 2T22, a B3 possuía endividamento bruto de R$ 12,8 bilhões (75% de longo prazo e 25% de curto prazo), correspondente a 1,9 vez o Ebitda recorrente dos últimos 12 meses.

A B3 afirma, em seu release de resultados, que o segmento listado foi impacto por um segundo trimestre marcado pela continuidade das preocupações com o cenário macroeconômico global – com elevações nas taxas básicas de juros das principais economias do mundo para conter a escalada inflacionária -, enquanto no Brasil, o Banco Central seguiu com a postura contracionista e elevou a taxa básica de juros (Selic) para 13,25% em junho.

O volume financeiro médio diário negociado (ADTV) em ações atingiu R$ 28,8, bilhões no segundo trimestre do ano, representando uma queda de 13,1% e 7,6% em relação ao mesmo intervalo do ano passado e frente ao primeiro trimestre deste ano, respectivamente.

No segmento de derivativos listados o volume médio diário negociado (ADV) totalizou 4,3 milhões de contratos, em linha com o mesmo intervalo de 2021 e 3,3% abaixo do primeiro trimestre.

Por outro lado, informa a B3, o segmento de Balcão apresentou altas no estoque de instrumentos de renda fixa de 23,5% e 8,4% em relação ao segundo trimestre de 2021 e ao primeiro trimestre, respectivamente, atingindo R$ 4,6 trilhões ao final do trimestre, e de 23,1% e 11,8% nos mesmos respectivos intervalos na emissão desses ativos, que atingiu R$ 4 trilhões no trimestre.

Durante o trimestre foram realizados investimentos de R$29,4 milhões, principalmente para atualizações tecnológicas em todos os segmentos da B3 e para o desenvolvimento de novos produtos. No acumulado do ano, o CAPEX totalizou R$ 64,9 milhões.

O endividamento bruto estava em R$ 12,8 bilhões (75% de longo prazo e 25% de curto prazo), correspondente a 1,9x o Ebitda recorrente dos últimos 12 meses. O patrimônio líquido no final de junho era de R$ 20,7 bilhões, composto, principalmente, pelo capital social de R$ 12,5 bilhões e pelas reservas de capital de R$ 7,9 bilhões (contra R$8,3 bilhões em dezembro de 2021).

Revisão de projeções

A B3 ainda reapresentou suas projeções para 2022 em função dos impactos do cenário econômico nos resultados da companhia, com revisão da projeção de alavancagem financeira para o final do ano de até 1,6 vez para até 1,9 vez a relação entre dívida bruta e Ebitda recorrente dos últimos 12 meses.

Os resultados da B3 (BOV:B3SA3) referentes às suas operações do segundo trimestre de 2022 foram divulgados no dia 12/08/2022. Confira o Press release na íntegra!

* Com informações da ADVFN, RI das empresas, Valor, Infomoney, Estadão, Reuters

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