A Braskem estimou em R$ 3 bilhões, custos e despesas adicionais para a implementação de medidas definidas pela Agência Nacional de Mineração (ANM) para encerramento das atividades de extração de sal em Maceió (AL).  Esse custo é adicional aos R$ 7,9 bilhões já provisionados pela companhia, o que eleva a conta total para R$ 10,9 bilhões.

O fato relevante foi anunciado pela Braskem (BOV:BRKM3) (BOV:BRKM5) e (BOV:BRKM6) nesta quinta-feira (26).

A petroquímica anunciou hoje que recebeu um ofício da Agência Nacional de Mineração (ANM) a respeito das medidas para o encerramento das atividades na capital de Alagoas. A empresa foi acionada depois do afundamento do solo e rachaduras em edificações em bairros na região próxima à da extração de sal.

“Tais custos e despesas adicionais, se confirmados, serão incorridos no longo prazo em razão da complexidade dos aspectos técnicos”, acrescenta a empresa controlada pela Odebrecht e pela Petrobras.

A Braskem pondera que o valor adicional considera as informações preliminares existentes até o momento e que ainda não houve esclarecimentos com a ANM. Isso significa que o desembolso efetivo pode ser “materialmente diferente” dessa estimativa.

Em outubro, a petroquímica anunciou a inclusão de mais 2.000 imóveis no programa de compensação financeira e realocação à população situada nas áreas de risco. A companhia provisionou R$ 5,2 bilhões no balanço para fazer frente ao programa.

Ainda não está claro se a empresa conseguirá reaver ao menos parte dessas despesas. Na divulgação dos resultados do terceiro trimestre, a Braskem informou que está em tratativas com as seguradoras sobre a cobertura das suas apólices de seguro.

O pagamento de eventuais indenizações, porém, dependerá da avaliação de cobertura dos seguros dessas apólices. “Sendo assim, nenhuma indenização foi reconhecida nas demonstrações financeiras”, informou a da Braskem.

No pregão de hoje da B3, as ações da Braskem recuavam 1,84% por volta das 10h30, enquanto o Ibovespa operava em queda de 0,37% no mesmo horário. No ano, os papéis acumulam desvalorização de 21%, contra uma queda de 5% do principal índice da bolsa.

 O prejuízo líquido atribuído aos acionistas é de R$ 1,4 bilhão

A Braskem teve um prejuízo líquido atribuído aos acionistas de R$ 1,413 bilhão no terceiro trimestre de 2020, o que representa uma alta de 59% no comparativo com o mesmo período do ano passado. O resultado se deu devido à provisão adicional de R$ 3,5 bilhões em virtude do problema geológico em Alagoas e do impacto da variação cambial, dada a depreciação do real frente ao dólar sobre a exposição líquida, no montante de US$ 2,679 bilhões.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recorrente somou R$ 3,765 bilhões, uma alta de 129%. A margem Ebtida ficou em 24%, uma alta de 11 pontos percentuais. A receita líquida da petroquímica marcou R$ 15,992 bilhões no período, desempenho 20% superior em relação ao terceiro trimestre de 2019.