A Braskem iniciará nesta segunda-feira, 5 de abril, a paralisação de parte de sua operação no Polo Petroquímico do Grande ABC (SP), para realizar a manutenção das unidades de Químicos e Polietilenos (Q3 CK, Q3 IN e PE7). A companhia informa que a medida estava sendo planejada há cerca de dois anos e que investirá mais de R$ 430 milhões em cerca de 40 projetos de melhorias e manutenção do complexo.

A Braskem diz que nesse período modernizará o sistema elétrico que atende à central petroquímica Q 3 CK. O projeto prevê a troca de turbinas à base de vapor por motores elétricos de alto rendimento, suportados por uma nova unidade de cogeração de energia alimentada por gás residual do processo de produção petroquímica. Segundo a empresa, essa mudança estrutural permitirá que o processo produtivo da fábrica se torne energeticamente mais eficiente, com redução no consumo de energia estimada ao equivalente gasto por uma cidade com um milhão de habitantes.

“Com a cogeração combinada de energia elétrica e gás, vamos consumir menos energia e emitir ainda menos gases de efeito estufa. A estimativa é uma redução de 11,4% no consumo de água e de 6,3% nas emissões de CO2 na unidade, o que reforça nosso compromisso de nos tornarmos uma empresa carbono neutro até 2050”, explica Alberto Amano, responsável por projetos da regional São Paulo.

A Braskem afirma que para não causar impactos no fornecimento de produtos, planejou o aumento de seu estoque.

A Braskem (BOV:BRKM3) (BOV:BRKM5) e (BOV:BRKM6) pretende divulgar os resultados do 1T21 no dia 05 de maio.
VISÃO DO MERCADO
Santander

A empresa terá um pacote de boas notícias pela frente, o que sustenta uma visão mais otimista da petroquímica, segundo os analistas Audi Cristão e Rodrigo Almeida.

“Acreditamos que as ações da Braskem devem continuar a ser sustentadas por uma combinação de sólida demanda se traduzindo em fortes spreads para polietileno (PE), polipropileno (PP) e policloreto de vinila (PVC), cujos preços subiram mais rápido que a nafta, além de avanços positivos nas frentes de Alagoas e México”, destacam.

Em comparação aos seus concorrentes globais, a Braskem negocia com um desconto de 45%, de acordo com os analistas.

“A demanda brasileira por polietileno, polipropileno e policloreto de vinila tem sido impressionante nos últimos meses, a nosso ver, impulsionado pela atividade imobiliária e também pela saúde”, apontam.

Os analistas afirmam que a Braskem caminha para colocar um ponto final nos episódios de Alagoas e México.

“Acreditamos que enquanto a Braskem estiver perto de encerrar as discussões em relação a Alagoas, alguns assuntos permanecem em discussão, entre eles as conversas com a mineradora nacionais e agência para o enchimento dos poços de sal”, argumentam.

“Esperamos uma mudança no contrato de fornecimento de etano da Braskem no México, embora o momento não seja ainda claro e as alterações no contrato dependem da aprovação dos credores do projeto”, apontam.

 Santander tem recomendação de compra e eleva preço-alvo de R$ 40,78 para R$ 47,00…

Provisões de Alagoas e variação cambial geram prejuízo líquido de R$ 6,69 bilhões em 2020, alta de 139%

A petroquímica Braskem registrou prejuízo líquido de R$ 6,69 bilhões, avanço de 139% sobre o prejuízo líquido de R$ 2,79 bilhões em 2019. Segundo a empresa, a perda no ano foi em função, principalmente, das provisões referentes ao evento geológico de Alagoas no montante de R$ 6,9 bilhões e do impacto da variação cambial no resultado financeiro dada a depreciação do real frente ao dólar sobre a exposição líquida no montante de US$ 3,4 bilhões.

A receita líquida no ano todo foi de R$ 58,5 bilhões, alta de 12% sobre 2019.

Para o ano todo de 2020, houve prejuízo operacional de R$ 9,68 bilhões, o dobro do prejuízo de 2019.

O resultado operacional recorrente da companhia somou R$ 10,975 bilhões, incremento de 85% na comparação com 2019.

(Informações do Estadão)