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Crise na Europa 2012

Por JL Torres

CRONOLOGIA DA CRISE

28 de Dezembro de 2012

Crise na Europa: Crescimento da França revisado para baixo, enquanto que taxa de desemprego cresce

Os últimos dados divulgados sobre a economia francesa foram decepcionantes: a economia da segunda potência da zona do euro praticamente não cresceu no terceiro trimestre de 2012, enquanto que a taxa de desemprego aumentou para o maior nível dos últimos quinze anos.

O PIB francês no terceiro trimestre cresceu parcos 0,1%, abaixo da primeira estimativa de 0,2% feita pelo mercado. O resultado denota no fracasso francês em tentar fazer sua economia crescer nos últimos 12 meses. A fraca performance pode ser medida pela queda nas importações em -0,5% e pela queda nos investimentos (-0,6%), sugerindo que as empresas francesas desacelararam desde a posse do atual presidente François Hollande.

Os dados sobre o PIB foram divulgados após outro resultado desaleentador: a taxa de desemprego cresceu pelo décimo-nono mês consecutivo. São 29.300 novos desempregados no país, elevando a taxa para 10,3% da população (3.13 milhões de pessoas). Apesar da taxa de desemprego francesa ainda estar bem abaixo da média da zona do euro, esta é bem pior do que o registrado nas outras potências européias (Alemanha e Reino Unido) e Estados Unidos.

27 de Dezembro de 2012

Crise na Europa: Governo alemão mantém previsão de crescimento de 1% para 2013

O governo alemão manteve a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 1,0% para 2013, ao contrário do Banco Central da Alemanha que, no início de dezembro, reviu suas metas para baixo, anunciando uma previsão de crescimento de apenas 0,4% no próximo ano. 

O ministro das finanças alemão Wolfgang Schäuble também desmentiu as notícias divulgadas pela imprensa alemã de que teria projetado um plano de austeridade para ser posto em prática após as eleições legislativas que ocorrerão na Alemanha no outono do próximo ano. 

27 de Dezembro de 2012

Crise na Europa: Ministro das finanças da Alemanha afirma que "o pior da crise do euro já passou"

Em entrevista ao jornal alemão Bild, o ministro das finanças da Alemanha Wolfgang Schauble afirmou acreditar que "o pior da crise do euro já ficou para trás".

Afirmando-se "prudentemente otimista com o futuro", Wolfgang Schauble disse que "o governo alemão está ciente de que não pode pedir muito, em termos financeiros, aos outros países da zona do euro e, por isso, aposta agora nas reformas”. 

Questionado sobre o papel da França na recuperação do bloco economico europeu, o ministro alemão afirma estar convencido de que o governo francês "cumprirá suas obrigações". 

“O governo francês sabe muito bem que cada país deve constantemente realizar reformas a fim de permanecer competitivo”, disse Wolfgang Schäuble referindo-se à situação econômica francesa que recentemente foi alvo de duras críticas na Alemanha.

Sobre a Alemanha, Wolfgang Schäuble preve um crescimento conveniente em 2013: “A situação é melhor do que geralmente se pensa porque, entre outras coisas, o comércio com os Estados Unidos e a Ásia vêm se fortalecendo”. 

As declarações otimistas de Wolfgang Schäuble contrapõem-se ao tom reticente da chanceler alemã Angela Merkel que rechaçou recentemente reduzir o sinal de alerta sobre os efeitos da crise na zona do euro.

26 de Dezembro de 2012

Crise na Europa: FMI pede que Alemanha diminua o ritmo de seu processo de consolidação orçamentária

Em entrevista ao periódico alemão "Die Zeit", a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) Christine Lagarde apelou ao governo alemão que abrande o seu processo de consolidação orçamentária como forma de compensar suas consequências sobre os cortes orçamentários nos países do sul da Europa.

Chistine Lagarde afirmou que todos os países da União Européia (UE) têm que cumprir o seu papel, o que para alguns significa continuar efetuando ajustese reformas e, no caso específico da Alemanha, não tentar alcançar tão rapidamente o déficit zero.

Segundo argumenta a diretora-geral do FMI, o governo alemão poderia permitir-se  avançar mais devagar do que outros na consolidação  orçamentária. Tal medida minimizaria os efeitos negativos sobre o crescimento nos vários países em crise. Recentemente, o governo da chanceler Angela Merkel aprovou a prévia do orçamento para 2013. O orçamento não prevê um novo endividamento e antecipa em três anos o objetivo de atingir o déficit zero nas contas do Estado. Para isto contribuiu, em grande medida, o aumento das receitas fiscais,devido ao crescimento da população empregada, e a diminuição dos custos de financiamento. 

25 de Dezembro de 2012

Crise na Europa: Portugal prestes a fazer uma liquidação de suas empresas estatais

O governo português pretende privatizar grande parte de suas empresas estatais, incluindo neste pacote a emissora de televisão RTP, a empresa aérea TAP e a operadora de aeroportos ANA.

Tais vendas alinham-se à vontade dos credores portugueses que vêm pressionando o governo nos últimos vinte meses para gerar caixa e cortar despesas. A Comissão Européia, o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) já haviam solicitado que Portugal vendesse, ao menos, € 5 bilhões em ativos de empresas estatais, como parte do acordo do palno de resgate de € 78 bilhões recebidos por Portugal em maio de 2011.

Com tais medidas, o governo português liderado pelo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho tem esperança de convencer os credores e os líderes europeus a reduzirem as taxas de juros sobre os empréstimos realizados em 2011, arrefecendo o deficit orçamentário do país. Neste ano, a divida de Portugal deve atingir 120% de seu PIB, Atualmente, Portugal paga juros de 3,6% sobre os empréstimos realizados junto à Troika - o conjunto Comissão Européia, Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI)

A economia portuguesa encolheu 3% ao longo de 2012, sendo que o PIB de Portugal já encolheu quase 6% desde o início da crise de crédito em 2007. Uma série de manifestações em setembro obrigaram o governo a rever seus planos de aumentar a contribuição previdenciária e de seguridade social. Para compensar, o governo introduziu um forte aumento na taxa de imposto de renda, aumentando a arrecadação média em cerca de 3%.

21 de Dezembro de 2012

Crise na Europa: Mario Monti, primeiro-ministro da Itália, renuncia

Nesta sexta-feira, 21 de Dezembro de 2012, o tecnocrata Mario Monti finalmente anunciou sua renúncia ao cargo de primeiro-ministro italiano. Mario Monti já havia comunicado sua decisão ao presidente da Itália algumas semanas atrás.

Mario Monti permaneceu no cargo durante treze meses e impôs ao país da bota um severo plano de recuperação econômica. Mario Monti decidiu renunciar logo após perder o apoio do parlamento italiano às suas medidas dolorosamente austeras. Mario Monti aumentou os impostos, reduziu drasticamente os gastos públicos, conseguiu aprovar uma nova legislação anti-corrupção e reformou o sistema de pensão italiano, recuperando a confiança do mercado financeiro na salvação das finanças italianas.

Novas eleições estão previstas para 24 de Fevereiro. O novo pleito promete ser bastante caótico, uma vez que contará com a participação do ex-primeiro-minstro Silvio Berlusconi, do líder do partido de centro-esquerda Pier Luigi Bersani e, potencialmente, do próprio Mario Monti.

Monti anunciará até o próximo domingo se participará ou não do pleito. Uma eventual candidatura de Mario Monti tornaria a disputa eleitoral totalmente imprevisível. Atualmente, tanto Berlusconi quanto Bersani detém 30% das intenções de voto.

19 de Dezembro de 2012

Crise na Europa: Grécia mais aliviada após elevação de rating por agência de risco e avaliação positiva de autoridades europeias

O aumento da nota da dívida da Grécia pela agência de risco Standard & Poor's no último dia 18 gerou alívio no governo grego, que continua sofrendo com constantes protestos e greves provocados pela incessante depressão econômica que vem assolando o país nos últimos seis anos e pela perspectiva de novas medidas de austeridade exigidas pelos credores do país.

A decisão da agência qualificadora de risco "cria um sentimento de confiança", declarou o ministro de finanças grego Yanis Sturnaras ao parlamento nesta quarta-feira. "Trata-se de uma recompensa, um primeiro passo para o reconhecimento dos esforços e sacrifícios do povo grego", afirmou.

Além do aumento da nota creditícia da Grécia, o Banco Central Europeu (BCE) decidiu voltar a aceitar dívida grega como garantia para novos empréstimos, o que facilitará o financiamento dos bancos do país. "Todos os instrumentos de dívida negociáveis, emitidos ou garantidos pelo governo grego, e que cumpram os critérios de idoneidade, constituirão de novo garantia admissível para as operações de crédito do Eurosistema", confirmou o documento emitido pelo BCE. A autoridade monetária européia explicou também que aplicará uma "redução especial" aos títulos de dívida gregos que se usem como garantia.

A entidade liderada por Mario Draghi decidiu aceitar novamente os títulos de dívida gregos como garantia em operações de refinanciamento da entidade monetária, devido à avaliação positiva feita pela troika (Comissão Européia, BCE e FMI) no que diz respeito aos progressos realizados pela Grécia. O BCE salientou ainda "o amplo leque de medidas que o governo grego já implementou nas áreas da consolidação orçamental, das reformas estruturais, da privatização e da estabilização do setor financeiro". No dia 20 de Julho, o BCE havia parado temporariamente de aceitar os títulos da dívida grega como garantia.

19 de Dezembro de 2012

Crise na Europa: Governo espanhol decidiu - pelo menos por enquanto - não solicitar resgate econômico disponibilizado pelo Banco Central Europeu e União Europeia

Durante debate no plenário do congresso espanhol, o líder do governo Mariano Rayol confirmou que não pretende aderir ao programa de ajustamento completo no quadro de novos mecanismos do Banco Central Europeu (BCE) e União Europeia (UE). O programa proposto pelas autoridades europeias prevê a compra ilimitada da dívida dos países mais afetados pela crise do euro, impondo porém fortes condições de ajustamento dos países.

No entanto, Mariano Rayol não descartou a possibilidade de aderir ao plano de resgage completo no futuro: "Tomamos a decisão de não pedir o resgate por enquanto, mas o fato não termos pedido agora não significa que, no futuro, não o peçamos. Se existe um mecanismo que Mario Draghi colocou à disposição de todos os países, por que hei-de renunciar a ele", argumentou o líder do governo espanhol.

O programa de ajustamento completo foi especialmente desenhado para que Espanha e Itália, países do euro que são considerados grandes demais para quebrar, possam a ele recorrer. Contudo, ao apresentar o programa em Setembro, o BCE avisou que a adesão a tal programa seria obrigatoriamente atrelada a uma "rigorosa e efetiva condicionalidade".

18 de Dezembro de 2012

Segundo o ministro de comércio da China, o investimento direto estrangeiro no país totalizou em Novembro € 6.292 milhões, 5,4% menos que o mesmo mês de 2011. Além de manter uma tendência de queda desde o início de 2012, a queda é muito mais pronunciada do que a registrada em Outubro, quando o total de investimentos diretos foi 0,24% menor que o mesmo mês de 2011.

Em 2012, o investimento direto estrangeiro caiu em dez dos últimos onze meses. Apenas em Maio houve registro de uma leve alta de 0,05% frente ao mesmo mês de 2011. 

Até ao final de Novembro, a China tinha captado € 75.921 milhões em investimentos externos, menos 3,6% do que no mesmo período do último ano.

O governo chinês atribui o investimento reduzido à crise da dívida europeia, à subida dos custos laborais e à baixa procura interna no país. 

O investimento oriundo dos Estados Unidos subiu 6,3% - o equivalente a 2.208 milhões de euros. Enquanto que os invesrimentos oriundos da União Europeia reduziram-se para € 4.410 milhões (-2,90%).

17 de Dezembro de 2012

Crise na Europa: Standard & Poor’s melhora o rating da Grécia

A agência de risco Standart & Poor's anunciopu nesta segunda-feira a primeira melhoria de rating na periferia europeia desde o início da crise do euro: a elevação do rating da Grécia em seis níveis, para B- - quatro níveís abaixo da situação de Portugal (BB). Ambos os países ainda estão sem grau de investimento, mas a Grécia não só abandona o nível de "incumprimento seletivo" como fica com outlook estável, e com uma dinâmica positiva, enquanto Portugal mantém o outlook negativo e a tendência para a queda.

Segunda a agência de risco, "o forte compromisso dos estados-membros da zona euro em preservarem a Grécia como membro, além do compromisso do governo grego em relação a um ajustamento orçamental e estrutural, apesar dos desafios económicos e políticos que se colocam, permitem uma melhor reestruturação da dívida pública grega e a relativa estabilização política do país".

A declaração da agência expõem uma mudança de tom em relação às declarações anteriores, falando menos da situação econômica e das perspectivas de crescimento e mais dos efeitos práticos da reestruturação da dívida, acreditando que o país está em condições de honrá-la.

16 de Dezembro de 2012

Crise na Europa: Economia italiana deverá retomar crescimento a partir do segundo semestre de 2013

Em entrevista ao periódico italiano La Stampa, o presidente do banco central italiano Ignazio Visco afirmou que a recuperação econômica da Itália deverá ter início no terceiro ou quarto trimestre de 2012.

"A nossa análise sugere que existe uma probabilidade superior a 50% de que a retomada econômica ocorra no terceiro ou quarto trimestre de 2013. Houve uma redução significativa das tensões nos mercados de dívida para a Itália nos últimos meses devido ao regresso dos investidores estrangeiros e dos bancos italianos aos leilões de dívida, o que permitiu ao governo vender dívida de longo prazo", afirmou o líder da instituição.

Questionado sobre a possível utilização dos recursos disponibilizados pelo Banco Central Europeu (BCE), Ignazio Visco afirmou que "as condições atuais estão menos tensas", mas alertou que "a incerteza política e econômica é um fardo" e que "a única maneira de não desperdiçar os frutos da austeridade é reduzir os efeitos negativos que as reformas têm tido em certos setores".

16 de Dezembro de 2012

Crise na Europa: Prévia do relatório econômico de Berlim indica que progresso econômico nos países mais afetados pela crise ainda está muito lento

O periódico semanal alemão Der Spiegel divulgou a prévia do relatório econômico de Berlim que deverá ser aprovado em Janeiro de 2013. Segundo o relatório, o governo alemão continua insatisfeito com os progressos apresentados pelos países mais afetados pela crise do euro.

O relatório indica que, de fato, houve uma mudança de rumo positiva para a crise na zona do euro e que países como Portugal, Grécia, Espanha e Irlanda - seriamente afetados pela crise da dívida do euro - encontraram o "caminho correto". Entretanto, com exceção da Irlanda, a "competitividade destes países melhora ainda muito lentamente". Apesar dos quatro países terem conseguido reduzir custos com salários (um dos principais indicadores de competitividade), a geração de novos empregos na região ainda têm deixado muito a desejar.

O esboço do relatório também destaca o aumento das exportações em Portugal, Espanha e Irlanda. Porém, o arrefecimento da atividade interna na Grécia ainda é motivo de grande preocupação em Berlim.

14 de Dezembro de 2012

Crise na Europa: Índice PMI indica que recessão na zona do euro foi menor em Dezembro

Segundo a empresa de serviços de informações financeiras Markit Economics, responsável pela aferição do índice PMI (Purchasing Managers Index), a atividade do setor privado na zona do euro contraiu-se menos intensamente em Dezembro do que em Novembro de 2012, especialmente em relação às atividades relacionadas à prestação de serviços.

Em Dezembro, o índice PMI na zona do euro atingiu 47,3 pontos - seu valor mais elevado nos últimos nove meses. Especificamente na Alemanha, a produção aumentou pela primeira vez nos últimos oito meses (50,5 em Dezembro contra 49,2 em Novembro). Tal melhora, entretanto, ainda é muito modesta, pois refere-se principalmente ao setor de serviços. A produção industrial alemã ainda apresenta queda. Na França - segunda economia da zona do euro - a produção caiu pelo décimo mês consecutivo, entretanto, em um rítmo mais lento desde Agosto (PMI de 45,0 em Dezembro contra 44,3 em Novemvro).

O panorâma é o mesmo no resto da zona do euro: a produção continua caindo em Dezembro, porém em um rítmo menos acelerado desde Outubro, quando a aceleração da retração atingiu seu nível máximo. O PMI na zona do euro apresentou em Dezembro seu grau de retração mais baixo desde Março de 2012.

14 de Dezembro de 2012

Crise na Europa: Chanceler alemã Angela Merkel faz novo alerta sobre o estado atual da crise na região

A chanceler alemã Angela Merkel voltou a manifestar sua preocupação com o atual clima de otimismo apresentado por seus pares nos últimos dias. Em entrevista após dois dias de intensas reuniões pelo comitê mensal sobre a crise do euro, que reuniu as principais autoridades da região, Merkel voltou a alertar sobre a necessidade da manutenção do curso economico e das medidas fiscais.

"Não há bala de prata capaz de solucionar magicamente os estragos gerados pela crise", voltou a afrimar a chanceler alemã. Citando os fracos indicadores economicos da região, que demonstram que a zona do euro continua em recessão e a taxa de desemprego ainda em crescimento, Angela Merkel alerta que as reformas - principalmente fiscais - devem continuar.

13 de Dezembro de 2012

Crise na Europa: Taxa de desemprego em alta, taxa de juros e investimento estagnados

Segundo relatório trimestral elaborado pela consultoria Ernst & Young, o desemprego na zona do euro deverá alcançar a marca de 20 milhões de pessoas em 2013. "É esperado que o desemprego seja mais alto e difícil de combater nas economias europeias periféricas, com previsões de desemprego de 28% para a Grécia, 26% para Espanha e quase 17% para Portugal”, afirma o relatório.

As taxas de juros até 2017 deverão manter-se no patamar atual, em torno de 0,75%, e o investimento na região tmbém estará estagnado pelo menos até 2014. Apesar das dúvidas em relação à não saída da Grécia da Zona Euro serem agora menores, tendo baixado de 15% para 5%, as perspectivas de crescimento para a região deverão continuar sombrias até que “as dúvidas em relação à coesão da Zona Euro estejam dissipadas”, diz o relatório. Sobre os juros, "o preço do dinheiro na zona do euro baixou para o mínimo histórico de 0,75% em julho deste ano e o Banco Central Europeu (BCE) não descarta novos cortes no próximo ano". 

Com o passar de mais um ano agitado, a zona do euro chegará a 2013 um pouco mais optimista, mas com muitos obstáculos por ultrapassar. Em 2013 não se vislumbram melhorias no PIB do bloco econômico, sendo que a região só voltará a crescer entre 2014 e 2016.

Entretanto, existem sinais encorajadores de que as políticas que vêm sendo adotadas pelos governos da zona do euro estão cada vez mais direcionadas para um crescimento econômico. “Os mercados parecem estar hoje mais convictos sobre a sobrevivência da zona do euro do que no inicio do verão. Contudo, as taxas de crescimento na regiãõ vão continuar divididas, com os países das economias principais superando os países periféricos que se encontram em dificuldades, e com esses últimos lutando para crescer nos próximos anos”.

A consultoria prevê um ambiente difícil, tanto para empresários como para políticos, com um fraco crescimento e uma elevadíssima taxa de desemprego em 2013, em especial na Grécia, Espanha e Portugal.

13 de Dezembro de 2012

Crise da Europa: Queda da taxa de desemprego no Reino Unido é acompanhada de menores salários e queda da qualidade de vida da população

A ONS, sigla em inglês para Escritório Nacional de Estatísticas, divulgou alguns dados sobre o índice de desemprego no Reino Unido no último trimestre. Segundo a agência, a taxa de desemprego diminuiiu atingindo atualmente 7,8% ou 2,51 milhões de britâncos. Foi a maior queda na taa de desemprego em mais de uma década. 

Além disso, a quantidade de empregados também bateu recorde: subiu em 40 mil pessoas com relação ao trimestre anterior, chegando a 29,6 milhões ou 71,2% dos britânicos economicamente ativos. O nível é quase 500 mil a mais que no mesmo período de 2011 e o maior desde o começo das medições, em 1971. Comparado a outubro, em novembro três mil pessoas a menos pediram benefícios de desemprego. O desemprego entre jovens é o menor em três anos e meio.

Boa notícia? Nem tanto, pois a renda média do trabalhador britânco (excluindo bônus) cresceu apenas 1,7% durante o ano, um ponto percentual abaixo da inflação. A ONS também revelou que o número de pessoas trabalhando menos horas do que gostariam aumentou em mais de um milhão desde 2008, o que sugere que mais pessoas estão sobrevivendo com menos renda do que o desejado.

Isso significa que existe uma incrível flexibilidade de salários na região, ou seja, trabalhadores ansiosos não têm escolha a não ser aceitar aumentos irrisórios de renda para assim continuarem no emprego. O fenômeno ocorre pelo fato de o setor privado ter crescido em 65 mil empregos, atingindo um recorde de 23,9 milhões, ao passo que o setor público caiu em 24 mil, chegando ao menor nível desde 2002, com 5,7 milhões de empregados. Uma vez ajustados pela inflação, os salários, atualmente, valem 15% a menos do que estariam valendo caso a crise não tivesse existido.

Considerando o baixo valor relativo da libra esterlina no mercado internacional, gerando importações mais caras, e o lento crescimento econômico do país, indicando queda na produtividade, os britânicos terão que se acostumar a um estilo de vida de menor qualidade comparado ao período pré-crise.

13 de Dezembro de 2012

Crise na Europa: Aprovado acordo que torna o Banco Central Europeu responsável pela supervisão de duzentas instituições bancárias

Ministros da zona do euro selaram esta manhã um acordo para tornar o Banco Central Europeu (BCE), responsável pela supervisão de 200 instuições financeiras da zona do euro, dando um importante passo em direção a uma futura união bancária.

O papel supervisor do BCE iniciar-se-á a partir de início de 2014, mas um dos principais objetivos da reforma - a permissão para utilização dos € 500 bilhões do fundo de resgate comum a ser injetado diretamente nos bancos - permanecerá fora de questão, até pelo menos o final de 2014.

Se Michel Barnier, comissário da União Europeia (UE) e responsável pela proposta, saudou um "acordo histórico", fornecendo "um elemento fundamental para a estabilidade financeira na Europa", Wolfgang Schäuble, o ministro alemão das finanças foi menos triunfante: "mais uma vez, criamos expectativas que não podemos cumprir e isso é muito perigoso". "Nós devemos ser modestos ", concluiu o ministro alemão, reduzindo as expectativas de alguns países de que o supervisor bancário levaria a uma maior partilha de riscos políticos.

Segundo o acordo, o BCE terá responsabilidade direta sobre os bancos com ativos de mais de € 30 bilhões, o que representa mais de um quinto da produção nacional de um estado. Essa definição exclui a maior parte do setor bancário da Alemanha, que permanecerá sob a supervisão de autoridades nacionais alemães. Cada país da zona euro terá pelo menos três bancos supervisionados por Frankfurt. Aparentemente, o BCE vai manter o poder de intervir em qualquer banco e entregar instruções aos supervisores nacionais. 

12 de Dezembro de 2012

Crise na Europa: Ministros da zona do euro reúnem-se para tentar acelerar processo de união bancária

Ministros europeus reuniram-se mais uma vez para tentar acelerar o acordo para criação de um órgão supervisor único para os bancos de toda a zona do euro. A criação deste órgão permitiria a recapitalização direta das instituições financeiras nos países mais afetados pela crise da dívida europeia, sem que tal aporte se transformasse em dívida pública.

Espanha, Itália e França defendem a criação imediata do orgão fiscalizador único, pois permitira o repasse de recursos diretamente para os bancos afetados sem aumentar a dívida pública dos países já em dificuldade. É o caso da Espanha que está prestes a receber a injeção de € 39,46 bilhões para financiar o resgate aos bancos recém nacionalizados e ao chamado "banco podre". À princípio, tais recursos serão injetados pelo Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) ao fundo público espanhol de ajuda aos bancos, aumentando a dívida pública do país em 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

Por outro lado, países como Alemanha, Suécia e Reino Unido posicionaram-se contra a criação imediata do órgão supervisor único para os bancos, alegando precisarem de mais tempo para resolver problemas técnicos. Um outro ponto de divergência reside no total de instituições financeiras passíveis de serem supervisionadas e, eventualmente, contempladas com um aporte financeiro direto pelo orgão supervisor. França, Itália e Espanha defendem um sistema que abranja todos os bancos europeus, ou seja, mais de seis mil instituições. Já a Alemanha defende que apenas os grandes bancos sejam supervisionados.

Jose Manuel Barroso, presidente da Comissão Europeia (CE) classificou a criação do mecanismo de supervisão única como "o passo mais importante para integrar e completar a união monetária na região".

11 de Dezembro de 2012

Crise na Europa: Chanceler alemã Angela Merkel afirma que ainda não é o momento de abaixar o alerta sobre a crise do euro

Também em Oslo para a entrega do Prêmio Nobel da Paz à União Européia, a chanceler alemã Angela Merkel, em entrevista ao canal televiso RTL, afirmou "ainda não poder abaixar completamente o sinal de alerta sobre a crise da dívida européia". Considerando-se "prudentemente otimista", Angela Merkel também salientou que o bloco europeu "ainda não recuperou sua competitividade" e voltou a afirmar que "as reformas devem prosseguir em todos os países que compõem o bloco".

"Julgo que a comunidade internacional compreendeu que iremos defender o euro. Não penso que tenhamos encontrado definitivamente a cooperação que necessitamos entre todos os países do grupo, mas estamos no bom caminho. Nestes últimos dois anos e meio mostramos ao mundo que podemos conseguir, mas ainda estamos no meio do processo", afirmou a chanceler alemã.

As declarações da chanceler alemã Angela Merkel ocorreram logo após à entrevista concedida pelo presidente francês François Hollande, que afirmou que a crise do euro já tinha side ultrapassada.

11 de Dezembro de 2012

Crise na Europa: Presidente francês François Hollande afirma que a crise na zona do euro já passou

O presidente francês François Hollande afirmou durante entrevista em Oslo que a crise na zona do euro "já ficou para trás" e realçou todos os esforços que já foram realizados para "resolver os problemas do bloco".

"A crise da zona do euro, já disse isto, ficou para trás. Fornecemos à Grécia os fundos que esperava, liberamos a ajuda ao setor bancário na Espanha e, na Itália, apesar de toda incerteza política, estou certo que os italianos conseguirão dar a resposta adequada", afirmou François Hollande aos jornalistas.

"Assim, o que temos que fazer agora ja não é mais sairmos da crise da zona do euro, pois isto já está feito", acrescentou o presidente francês após a cerimônia de entrega do Prêmio Nobel da Paz à União Européia (UE).

10 de Dezembro de 2012

Crise na Europa: Bolsas de Valores da Europa em forte queda após o anúncio da renúncia de Mario Monti

As principais bolsas de valores da Europa operaram em forte queda após o anúncio da saída prematura de Mario Monti do cargo de primeiro-ministro italiano no último sábado.

O FTSE MIB, principal índice da bolsa de valores de Milão chegou a cair mais de 3% durante o pregão desta segunda-feira, fechando em queda de -2,20%. Outros índices europeus importantes, como o PSI20 de Portugal, o IBEX35 da Espanha e o Iseq 20 da Irlanda - países fortemente afetados pela Crise do Euro - também sofreram forte desvalorização, fechando no vermelho.

As bolsas de valores do Reino Unido, da França e da Alemanha, apesar de terem passado a maior parte do dia também no vermelho, acabaram fechando com leve valorização: 0,17% (DAX), 0,18% (CAC 40) e 0,12% (FTSE 100).

O spread entre os títulos do governo italiano de 10 anos e seus equivalentes alemães de menor risco - principal medida de confiança dos investidores - subiu em relação à última sexta-feira, refletindo uma forte preocupação do mercado financeiro com relação à incerteza política que assolou-se na Itália na última semana.

08 de Dezembro de 2012

Crise na Europa: Mario Monti, primeiro-ministro italiano, anuncia que pretende renunciar

Neste sábado, 08 de Dezembro de 2012, o primeiro-ministro italiano Mario Monti declarou ao presidente Giorgio Napolitano que pretende apresentar sua renúncia logo após a aprovação da lei do orçamento para 2013.

Mario Monti considera não ser possível continuar o seu mandato sem o apoio do parlamento italiano. O governo do atual primeiro-ministro perdeu o apoio do partido de Silvio Berlusconi - antecessor de Mario Monti no cargo e líder do partido de centro-direita PDL - e, consequentemente, a maioria dos votos do parlamento.

Tão logo a lei do orçamento seja aprovada, Mario Monti confirmou encaminhar imediatamente sua renúncia. O anúncio do primeiro-ministro foi divulgado após uma reunião de mais de uma hora com o presidente italiano, que tem o poder de dissolver o parlamento.

08 de Dezembro de 2012

Crise na Europa: Silvio Berlusconi anuncia que se candidatará ao cargo de primeiro-ministro italiano nas próximas eleições

Durante um treino do Milan, clube do qual é presidente, o ex-premiê italiano Silvio Berlusconi anunciou que vai tentar retornar ao cargo nas próximas eleições em Março do próximo ano.

Silvio Berlusconi apelou para o "senso de responsabilidade" ao justificar a tentativa de retornar ao poder, além de afirmar que "entrará para ganhar".

A possibilidade de uma nova candidatura de Silvio Berlusconi era crescente, desde que o seu partido, o PDL, retirou o apoio ao atual primeiro-ministro italiano Mario Monti, provocando uma nova crise política na Itália.

06 de Dezembro de 2012

Crise na Europa: Mario Monti, primeiro-ministro italiano, perde o apoio da maioria do parlamento

Durante sessão do parlamento da Itália, que votava moção de confiança ao primeiro-ministro Mario Monti, membros do Partido da Liberdade (PDL) - partido de centro-direita liderado pelo ex-premiê italiano Silvio Berlusconi, abandonaram o Senado.

A retirada do partido foi um gesto simbólico que, apesar de não ameaçar diretamente a sobrevivência do governo tecnocrata de Mario Monti, indica que o atual primeiro-ministro não possui mais o apoio da maioria no Parlamento.

03 de Outubro de 2012

Crise na Europa: Segundo o FMI, a crise pode durar uma década

Segundo o economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Oliver Blanchard, o período de recuperação da economia mundial após a crise financeira originada em 2008 pode durar ao menos uma década.

Divagando sobre suas preocupações quanto a persistente crise na zona do euro e as dívidas de Estados Unidos e Japão, Oliver Blanchard afirmou: “seguramente, o período de crise durará pelo menos uma década desde o seu início em 2008 até o momento no qual a economia mundial volte a apresentar uma forma decente.

Ao afirmar que o “Japão vem enfrentando um dificílimo processo de ajuste fiscal”, o economista-chefe do FMI disse que não há o menor risco de hiperinflação na Europa, apesar de que “um pequeno aumento da inflação na Alemanha seria tão necessário quanto desejável”.

Por fim, Oliver Blanchard afirmou que a desaceleração da economia chinesa – que teve um rápido crescimento nos últimos anos – exercerá um forte papel no atraso do processo de recuperação econômica dos países ocidentais e do Japão.

02 de Outubro de 2012

Crise na Europa: Cresce o temor sobre a taxa de desemprego na Espanha

Com 24,63% de sua população ativa desempregada, a Espanha presenciou uma nova queda generalizada (-0,40%) das ações negociadas nas bolsas de valores europeias, nesta Terça-Feira, em função de uma nova desvalorização do euro (-1,29%) frente ao dólar americano.

Ao contrário do que foi amplamente divulgado pela imprensa, o Primeiro-Ministro espanhol Mariano Rajoy não pretende, pelo menos por enquanto, solicitar o pacote de resgate disponibilizado pelo Banco Central Europeu (BCE) e demais autoridades financeiras. Entretanto, Rajoy ainda luta para obter o apoio das 17 regiões administrativas espanholas para o seu novo programa de austeridade financeira.

A própria Chanceler alemã Angela Merkel já havia manifestado apoio ao governo espanhol em sua intenção de postergar ao máximo a solicitação de uma nova ajuda financeira para se tentar debelar a crise de dívida atual.

01 de Outubro de 2012

Crise na Europa: Novos dados bastante sombrios

Não faltaram notícias ruins vindas da Europa nesta manhã!

A Espanha parece estar à beira de receber mais um downgrade da agência de risco Moody’s, enquanto que os canais de televisão da Grécia afirmam que a economia do país pode contrair 3,80% em 2013 – uma previsão muito pior do que a divulgada pela Comissão Europeia anteriormente.

Outros dados catastróficos demonstram que o número de desempregados na Europa já ultrapassa a barreira de 25 milhões de pessoas – com 18 milhões residindo nos países da zona do euro mais afetados pela crise. A taxa de jovens sem emprego na Espanha e na Grécia é particularmente alta: respectivamente 52,90% e 55,40%, de acordo com a Eurostat.

Já os dados sobre o aquecimento da economia europeia continuam em forte baixa. O PMI médio na Europa caiu para 42,70% em Setembro, contra 46,00% em Agosto – o nível mais baixo desde Abril de 2009.

27 de Setembro de 2012

Crise na Europa: Previsão de orçamento da Espanha para 2013 afeta os mercados

As principais bolsas de valores da Europa fecharam em forte baixa ontem – o FTSE 100 perdeu mais de £ 23,2 bilhões e as bolsas dos países europeus em maior dificuldade, como Espanha e Grécia, fecharam com baixas acima de 3%.

O motivo? Os pesados protestos e manifestações populares que vêm ocorrendo na Grécia e em Portugal, e o medo de que este movimento se espalhe também pela Espanha, uma vez que o governo espanhol está para anunciar novas reformas orçamentárias já para 2013.

As medidas de austeridade exigidas pela União Europeia (UE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para que os países possam receber a ajuda financeira necessária – a fim de arrefecer os efeitos de suas crises de dívida – não vêm sendo muito populares entre os cidadãos dos países mais afetados.

A Espanha deve anunciar hoje medidas de austeridade adicionais no valor de £ 31,0 bilhões sobre seu orçamento de 2013. O governo espanhol espera convencer de vez os investidores mais céticos sobre o seu real comprometimento em colocar as finanças da nação de volta aos trilhos.

Provavelmente, as novas medidas incluirão a criação de um novo órgão de supervisão fiscal (recomendado por Bruxelas), algumas restrições dobre a idade mínima de aposentadoria dos espanhóis e a criação de novos impostos sobre as emissões e ofertas de ações.

26 de Setembro de 2012

Crise na Europa: Cotação do petróleo desaba, Grécia em greve

Depois de uma breve bonança, as más notícias voltaram com toda a força.

Um dólar mais forte e um euro mais fraco viram a cotação do Petróleo Brent cair mais de US$ 1,00 durante os pregões desta manhã na Europa e na Ásia. Provavelmente um reflexo da nota emitida pelo Banco da Espanha afirmando que o Produto Interno Bruto (PIB) do país encolheu significativamente neste terceiro trimestre.

A Grécia também voltou aos holofotes nesta manhã em virtude do grande caos causado pelas greves generalizadas dos sistemas de transporte e saúde em todo o país.

Comentários de Charles Plosser, executivo do FED (Banco Central dos Estados Unidos), também trouxeram pânico aos mercados ontem à noite. Plosser afirmou categoricamente que o QE3 dificilmente conseguirá impulsionar o crescimento econômico do país. Enquanto isso, o executivo do BCE (Banco Central Europeu), Joerg Asmussen, disse a uma publicação alemã que o banco não desempenhará qualquer papel no plano de reestruturação da dívida grega, aumentando o forte receio do mercado de que a Grécia continuará queimando todo o dinheiro obtido através de seu plano de resgate até, finalmente, decretar falência.

20 de Setembro de 2012

Crise na Europa: A recessão está de volta aos principais países do mundo

Os leilões dos títulos públicos espanhóis ocorreram de uma forma melhor que o mercado esperava, uma vez que os bonds do país não sofreram uma grande alta em seus juros. Isso significa que o governo espanhol possui mais tempo para decidir se deve ou não solicitar a ajuda oferecida pelo Banco Central Europeu (BCE).

No entanto, as principais bolsas de valores do mundo não vêm reagindo muito bem esta manhã. A fraca performance é resultado da divulgação de novos dados sobre a economia chinesa que indicam mais um mês de contração.

Enquanto isso, a crise financeira europeia continua dando sinais de que está longe de seu fim. O último PMI (índice que afere o nível de atividade industrial) referente à zona do euro caiu para 45,9 pontos – o menor nível dos últimos 39 meses. Este último PMI indica que a zona do euro está definitivamente de volta à recessão.

19 de Setembro de 2012

Crise na Europa: O Japão resolve seguir o exemplo do FED e a Espanha volta aos holofotes

Uma notícia inesperada acabou pegando os mercados de surpresa durante o último pregão: o Japão resolveu seguir o exemplo do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco Central dos Estados Unidos, o Federal Reserve (FED), e injetar novas medidas de estímulo à sua economia. As bolsas de valores norte-americanas reagiram positivamente à divulgação da notícia no final do pregão de ontem, e as bolsas europeias abriram em alta esta manhã.

O Banco Central do Japão anunciou que tais medidas de estímulo visam ampliar seu programa de recompra de títulos públicos.

Já o governo espanhol ainda não deu sinais de que vai solicitar oficialmente o pacote de resgato oferecido pelo BCE. Enquanto isso, a maior parte da opinião pública mostra-se a favor da solicitação do resgate como um meio para controlar a especulação sobre as taxas de juros que incidem sobre os bonds espanhóis e como forma de estabilizar os mercados.

O resultado dos próximos leilões de títulos públicos espanhóis demonstrarão com mais clareza o quão realmente preocupados estão os investidores sobre a demora do governo espanhol em solicitar o resgate.

18 de Setembro de 2012

Crise na Europa: Espanha resiste em solicitar pacote de resgate fazendo as bolsas de valores caírem

As bolsas de valores europeias vêm performando em ligeira baixa uma vez que o rali provocado pelo anúncio da aprovação das novas medidas de estímulo do Banco Central Europeu (BCE) começa a arrefecer-se e, a Espanha passa a demonstrar uma certa resistência em solicitar o pacote de resgate à sua tão combalida economia. O governo espanhol está receoso sobre os efeitos que uma solicitação formal de resgate financeiro possa provocar nas taxas de juros que incidem sobre seus bonds.

Na prática, os traders do mercado passaram o dia transferindo suas apostas para ativos mais seguros, como os títulos do governo alemão.

Os juros incidentes sobre os títulos da dívida espanhola estão sendo negociados em torno de 6% - o pior nível desde que o BCE anunciou oficialmente o seu plano de compra de títulos de países europeus em dificuldade. O BCE já alertou que apenas participará ativamente do mercado de títulos públicos, comprando os bonds de governos, quando tal medida for solicitada formalmente pelos governos.

A primeira execução do plano de estímulo do Banco Central Europeu deve ocorrer em breve, principalmente se o custo dos títulos públicos da zona do euro continuarem a subir alcançando níveis perigosos. Apesar do forte receio de seus mandatários, a Espanha tem tudo para ser a primeira a fazer tal solicitação.

Em outra notícia sobre o mercado europeu, o índice alemão ZEW caiu para 12,6 pontos em Setembro, abaixo da expectativa do mercado que era de 17,9. Apesar disso, o índice que mede a expectativa econômica subiu pela primeira vez em cinco meses.

09 de Setembro de 2012

O crash da China em 2012: : meias, nozes e o mal emprego do capital

Há meses eu venho argumentando que os peritos em análise econômica estão errados. Os brilhantes analistas da The City e de Wall Street vêm propagandeando que, ao cortar suas taxas de juros e ao investir US$ 99 bilhões em novos projetos de infraestrutura, a China poderá evitar o pouso forçado de sua economia. A economia chinesa poderá realizar um  "pouso suave" antes de voltar a decolar rapidamente no próximo ano. Já mostrei que os experts podem estar redondamente errados e uma queda enorme da economia chinesa já está em andamento. Como eu já observei anteriormente, o seu grau de exposição ao desempenho da economia chinesa deve ser exatamente zero.

Logo adiante explicarei o que meias e nozes têm a ver com a crise na China. Antes, porém, vamos analisar o pacote de estímulo à economia divulgado na semana passada. Durante meses os especialistas têm sugerido que, ao cortar as taxas básicas de juros, a PRC poderia evitar um pouso forçado da economia do país. Isso já tem sido feito e os dados econômicos continuam a piorar. Isso acontece porque o medicamento que vem sendo administrado está errado. A China tem um grave problema estrutural que só tende a piorar: a má alocação de capital.

Podemos dizer que o capital na China vem sendo mal empregado porque o Governo escolhe setores vencedores para alocá-lo, despejando uma quantidade absurda de dinheiro estatal para criar ainda mais capacidade produtiva. Ou porque os bancos emprestam dinheiro a empresas extremamente duvidosas (muitas vezes porque são pressionados pelo próprio Governo). O objetivo de inundar a economia com capital é a supressão do valor da moeda chinesa. Isso mesmo, a moeda chinesa vem sendo artificialmente desvalorizada há tempos para baratear as exportações do país. O grande problema é que os principais mercados consumidores dos produtos chineses vêm passando por grandes dificuldades. O principal mercado dos produtos chineses (a Europa) e os Estados Unidos vêm sofrendo. Resultado: a demanda simplesmente secou.

Consequentemente, a China vem sofrendo com sua supercapacidade, ou seja, excesso de produção. Cortar as taxas básicas de juros e manter a frenética alocação de capital estatal na economia não vão resolver o problema de superprodução. Muito pelo contrário, tais medidas só aumentarão o problema: o caminhão está descendo a ladeira sem freio e ainda tem gente disposta a empurrá-lo com mais força para baixo. Muitas empresas fatalmente irão à falência. Se você torna o dinheiro barato, não necessariamente convencerá as pessoas a comprar ou investir em empresas baratas (mesmo que elas produzam produtos de verdade), mas apenas fornecerá combustível extra para que sejam geradas novas bolhas especulativas que estourarão muito mais espetacularmente no futuro.

E agora nós voltamos às meias – especificamente, a um lugar conhecido como “A Cidade das Meias”, muito próximo à “Cidade das Camisolas”, ao leste da província de Zhejiang. Este local é responsável pela produção de um terço das meias do mundo (se considerarmos que, em média, compramos dois pares de meias novas por ano). Só este ano, 73 empresas produtoras de meias foram à falência, deixando para trás dívidas de centenas de milhões de Yuanes. Será que o pior já ficou para trás? Bem, o artigo que me alertou para a situação dos produtores de meias na China trás uma série de analistas discutindo sobre a eficácia das políticas fiscais e monetárias do Governo para conter a crise. Todos chegam à mesma conclusão que eu já expus aqui. Citarei apenas uma declaração de um dos principais produtores de meias na China, Xu Liele: “As coisas não têm sido tão ruins desde 2003, quando os compradores estrangeiros deram um tempo durante a crise provocada pela epidemia de SARS”. Como é que vocês acham que estímulos fiscais e monetários resolverão uma crise de superprodução e baixa demanda?

Mas é claro que ainda existem alguns setores na economia chinesa que vão de vento em popa. Eu já alertei anteriormente que quando determinada economia está indo para o brejo surgem algumas bolhas especulativas que costumam mascarar a real situação antes de estourarem espetacularmente. Hoje eu alertarei sobre o mercado de nozes. Não, eu não estou de brincadeira. O preço de um par de nozes (sim, aqueles frutos que brotam em árvores do mundo todo, teoricamente, de maneira ilimitada) subiu 1000% na última década depois que milhares de chineses passaram a vê-lo como um investimento, e não algo que você come durante festividades natalinas. Hoje em dia existe toda uma indústria baseada em investir na produção de nozes. Um pouco parecido com a Crise das Tulipas no século XVII, não acham? Aqueles que acreditam que a China terá um pouso suave, provavelmente acreditam que bolhas costumam esvaziar-se ao invés de estourarem. Os eles realmente pensam que investir freneticamente no mercado de nozes faz algum sentido?

03 de Setembro de 2012

Crise na Europa: Décimo terceiro mês consecutivo de contração na zona do euro

A produção industrial da zona do euro caiu pelo décimo terceiro mês consecutivo. Novos números demostram que o Índice de Performance de Produção (PMI, na sigla em inglês) para a zona euro em Agosto (45,1) subiu ligeiramente em relação à Julho (44,0). Qualquer medida do índice PMI abaixo de 50,0 indica redução da produção industrial e, consequentemente, contração do PIB (Produto Interno Bruto).

O índice PMI do Reino Unido subiu de 45,2 em Julho para 49,5 em Agosto. Mesmo ainda indicando contração de sua produção industrial, o desempenho do setor no Reino Unido parece estar sofrendo menos do que o setor industrial na zona do euro.

A contração econômica na zona do euro ocorre mesmo com o PMI da Ásia tendo apresentado um crescimento de 5,0 pontos. Em contrapartida, a China – principal país da região – apresentou uma nova queda em seu setor manufatureiro: PMI de 47,6 pontos em Agosto. 

30 de Agosto de 2012

Crise na Europa: Taxa de desemprego na Alemanha continua aumentando

A taxa de desemprego subiu na Alemanha pelo quinto mês consecutivo, talvez um reflexo do registro de queda no Produto Interno Bruto (PIB) do país pelo segundo trimestre seguido.

A queda de 0,3% do PIB alemão significou um corte de 9.000 postos de trabalho durante o último trimestre. Atualmente, a Alemanha possui um total de 2,9 milhões de pessoas desempregadas – uma taxa de 6,8% de toda a população germânica.

Mesmo aparentando sentir os efeitos provocados pela crise na zona do euro, o cenário econômico na Alemanha é muito melhor que o apresentado por seus vizinhos. A taxa média de desemprego na zona do euro é de 11,2%, enquanto que Espanha e Grécia – os países mais afetados atualmente pela crise – registram taxas de desemprego superiores a 25%.

Os dados sobre o nível de desemprego na Alemanha foram divulgados logo após o encontro entre a Chanceler alemã Angela Merkel e o Primeiro-Ministro italiano Mario Monti, que discutiram sobre futuras medidas para se tentar resolver a crise atual.

29 de Agosto de 2012

Crise na Europa: Mario Monti reúne-se com Angela Merkel em Berlim

O Primeiro-Ministro italiano, Mario Monti, voou para Berlim para encontrar-se com a Chanceler alemã Angela Merkel para debaterem sobre o estágio atual da crise do euro. O encontro ocorrerá antes da nova oferta de títulos da dívida italiana para o mercado.

Espera-se que Mario Monti solicite o apoio do governo alemão ao recente plano do Banco Central Europeu (BCE) de nivelar o custo de empréstimo para Itália e Espanha ao mesmo patamar obtido pela Alemanha.

Antes do encontro, Mario Monti falou à imprensa: “da mesma forma que este desequilíbrio do custo de empréstimo entre as nações da zona do euro é ruim para Itália e Espanha, ele também não é bom para as nações que parecem se beneficiar disso”. Mario Monti também alertou que se o plano do BCE não for adiante, “potencialmente elevará o risco de inflação na Alemanha”.

28 de Agosto de 2012

Crise na Europa: Japão e China estão sofrendo

O governo japonês reduziu ontem sua avaliação sobre a economia doméstica do país – um sinal evidente de que o Japão é o mais novo gigante econômico a sentir os fortes impactos globais gerados pela crise da dívida europeia. Números oficiais também demonstram que a desaceleração econômica da China é mais acentuada do que a esperada pelos analistas.

Enquanto isso, Jörg Asmussen, representante do Banco Central Europeu (BCE), frustrou as expectativas do mercado ao afirmar ontem a noite que o BCE não executará compras automáticas de títulos públicos periféricos que venham atingir um nível crítico de rentabilização.

Já na Espanha, logo após a divulgação de novos dados sobre a previsão do Produto Interno Bruto (PIB), o Vice-Ministro da Economia Fernando Jimenez Latoore alertou que os piores efeitos da recessão que assola o país serão vivenciados mais intensamente ao longo de todo este segundo semestre.

23 de Agosto de 2012

A cotação do ouro dispara e isto é apenas o começo

A cotação do ouro disparou logo após a divulgação da minuta da última reunião realizada pelo Federal Open Market Committee (FOMC) – comitê responsável pelo estabelecimento da política monetária adotada pelo banco central americano, o Federal Reserve (Fed). O documento deixou claro que a adoção de novas medidas monetárias – a tão aguardada QE3 (Quantitative Easing 3) – será inevitável. A onça do ouro fechou cotada a US$ 1672,80. Mesmo assim, especialistas afirmam que ainda não é o momento de entrar vendido no mercado, pois a previsão de um QE4 e onças de ouro cotadas acima de U$$ 2000,00 ainda em 2013 são cenários bem plausíveis.

O comunicado do Fed foi bastante explícito: "Muitos membros (do FOMC) julgaram que novas medidas monetárias serão bastante necessárias muito em breve, a menos que novas informações apontem para um fortalecimento substancial e sustentável do ritmo de recuperação da economia".

A China está rateando, a Europa está uma bagunça e os Estados Unidos não vem crescendo no ritmo necessário. Não podemos esquecer que as tormentas que sopram do leste ainda não pesaram como deveriam sobre a economia americana. Então, considerem que a adoção de novas medidas monetárias ocorreram muito em breve. Aliás, se não fossem pela proximidade das eleições presidenciais americanas, elas já teriam sido adotadas.

Não pense que o QE3 ficará restrita aos Estados Unidos. A China e a zona do euro, além do Reino Unido, também adotarão tais medidas. QE3 será puro e simples: uma corrida para quem consegue desvalorizar sua moeda primeiro. QE3 não será uma maratona ou uma corrida de média distância, será 100 metros rasos, será um sprint. O único ativo que não será degradado é o ouro. Existem correntes que afirmam que o QE3 já está precificado, mas eles falham ao não reconhecer que o novo QE ocorrerá em uma escala global e em uma intensidade até então não sentida pelos mercados.

Pessoalmente, eu não acredito na eficácia do QE de um modo geral. Na minha opinião os políticos equivocaram-se no tratamento para a crise: forneceram mais dívida para pacientes que estavam com overdose de dívida. Mas, uma vez que começaram a adotar estas medidas, agora não tem mais volta. Tudo o que eles podem fazer é aumentar a dose agora. Isso não está descontado nos preços. Mais dívidas vêm aí, e a onça do ouro cotada acima de US$ 2000,00 também.

E vocês sabem qual será o primeiro resultado de tais medidas? Inflação. A desvalorização das moedas como resultado de mais impressão de dinheiro pelos bancos centrais. O pior é que uma vez que este ciclo se inicia, fica bastante difícil contê-lo. Aqueles camaradas que dizem que teremos um pouquinho de inflação soam como aqueles que dizem que uma mulher pode ficar ligeiramente grávida. A vida simplesmente não funciona da maneira como estes gênios do mercado propagandeiam.

23 de Agosto de 2012

Crise na Europa: Todas as atenções estão novamente de volta à Grécia

A minuta da última reunião do Banco Central americano, o Federal Reserve, foi divulgada ontem, confirmando que o governo dos Estados Unidos está preparado para atuar no mercado oferecendo mais estímulos, caso seja necessário.

O índice PMI dos países da zona do euro continuam desapontando o mercado – culpa da crise.

Enquanto isso, o futuro da Grécia será posto mais uma vez em cheque hoje, durante o encontro entre o Primeiro-Ministro grego e a Chanceler alemã. Os gregos solicitarão mais uma vez a extensão das condições de pagamento de sua dívida. Independente do resultado desta reunião, qualquer extensão do prazo de pagamento da dívida grega encontrará sérias dificuldades entre os demais líderes da União Europeia (UE).

21 de Agosto de 2012

O pouso forçado da China – A evidência nas cuecas

Não é a primeira vez que eu faço este alerta: a China terá que fazer um pouso bastante forçado a partir do segundo semestre de 2012. Eu já falei sobre isso tantas vezes em meus artigos anterior que você não poderá dizer que não foi alertado. Mesmo assim, eu lhe explicarei novamente o que está acontecendo na China e, desta vez, tentarei ser breve e claro. Isso é um trocadilho: o assunto deste artigo será cuecas.

Este artigo baseia-se em uma reportagem realizada pela Bloomberg, onde o presidente da maior companhia chinesa do setor de algodão têxtil, a Weigiao Textile Company, admite que o consumo desta matéria-prima cairá 11% este ano.

"A economia chinesa está no início de um inverno rigoroso – neste momento, a China está enfrentando uma situação em que tudo, dos estoques de carvão aos estoques de aço, está se acumulando". Claramente, há também uma montanha crescente de cuecas não vendidas acumulando-se nos estoques também.

Agora, se você é daqueles que acreditam na conversinha dos analistas superespertos de corretoras e bancos de investimento como o Goldman Sachs, deve crer que o corte de dois pontos percentuais na taxa básica de juros, e mais um ou outro estímulo monetário e fiscal, serão capazes de tornar o pouso da China mais suave. Considerando o apetite demonstrado pelos chineses por investimentos especulativos, dificilmente qualquer medida mais ortodoxa vai ajudar a aliviar o impacto do pouso.

Cidades com 1 milhão de habitantes estão comprando apartamentos de luxo para deixa-los sem inquilinos. Se as pessoas não estão conseguindo consumindo mais cuecas, carvão ou eletricidade, por que diabos continuam alimentando bolhas imobiliárias especulativas? As bolhas não desinflam, elas estouram. E é exatamente isso o que vai acontecer no próximo capítulo sobre a China, o Pouso Forçado de 2012/2013.

Da mesma reportagem da Bloomberg, extraio uma outra citação de um expert, que parece estar bem antenado sobre o que está de fato ocorrendo. Tão antenado que nem parece ser um expert financeiro. “A desaceleração chinesa está sendo provocada pelo excesso de produção acumulada durante os últimos anos”, afirmou Lou Zhi, chefe do departamento de negociação da Hunter Capital Ltd, um hedge fund especializado em commodity sediado em Dalian. “A demanda por produtos chineses além-mar dificilmente se recuperarão em tempo de evitar o colapso chinês: a Europa está afundada em sua crise de dívida, os Estados Unidos, apesar de uma breve recuperação, ainda apresentam um crescimento anêmico”.

Bem, isso já diz tudo. A China continua produzindo muito mais do que sua demanda interna e os pedidos externos podem consumir. A demanda europeia está encolhendo. Os Estados Unidos ainda podem crescer um pouco, mas já está em seu limite de consumo. Some a estes fatores um grande número de bolhas internas, que você vai ver o quão difícil não estraçalhar o trem de pouso durante a aterrisagem da economia chinesa. Os chineses podem reduzir sua taxa básica de juros o quanto desejarem (e eles vão reduzir muito mais ainda), mesmo assim, o desastre com a locomotiva será inevitável.

Eu não compartilho a visão de Anthony Bolton de que o pior já passou e que os investidores devem aproveitar para adquirir ativos para suas carteiras de investimento de longo prazo. Com certeza, haverá pontos de entrada muito mais interessantes no próximo ano (ou logo após a difícil aterrisagem chinesa). Lembre-se: estamos a apenas alguns meses do estouro das maiores bolhas que vêm se acumulando na China.

Apenas para lhe dar uma idéia sobre a velocidade com que este colapso está se aproximando. Em Março último, o mesmo presidente da Weigiao previa que a demanda por algodão têxtil aumentaria de 9 milhões de toneladas em 2011, para 9,5 milhões neste ano. Agora, ele prevê que a demanda de 2012 será de apenas 8 milhões de toneladas. Como você pode concluir, as coisas estão se movendo bem rápido no Oriente... e não estão se movendo na direção correta.

17 de Agosto de 2012

Crise na Europa: Finlândia está se preparando para uma ruptura da zona do euro

O Ministro das Relações Exteriores da Finlândia causou uma turbulência ao sugerir que o país nórdico está se preparando para uma possível ruptura da zona do euro.

Seu comentário obrigou o governo finlandês a divulgar uma declaração assegurando que tal afirmação restringia-se apenas à opinião pessoal de seu ministro, e que a Finlândia continua apoiando 100% a moeda única europeia.

Ontem, Angela Merkel anunciou todo seu apoio à estratégia contra a crise do euro adotada pelo Presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi. Angela Merkel ressaltou ainda a necessidade de uma “solução sustentável, de longo prazo”.

Enquanto isso, houveram mais más notícias vindo da Espanha: segundo novos dados revelados pelo Banco da Espanha, o número de empréstimos bancários ruins aumentou, atingindo um novo recorde. Em Junho de 2012, os empréstimos bancários ruins subiram para 9,42% contra 8,95% em Junho de 2011.

Crise na Europa: 16 de Agosto de 2012

Crise na Europa: O escândalo Libor está longe de acabar – pior, ele apenas começou

“Que grande teia emaranhada nós tecemos, quando primariamente a utilizamos para enganar”.

Houve de fato um grande escândalo bancário no dia de Sir Walter Scott, ou ele apenas estava prevendo o que viria a seguir? Seja qual for a resposta, a afirmação acima proferida por ele está corretíssima. O mundo bancário é uma verdadeira bagunça. Parece que o Barclays tem estado nas manchetes dos jornais com mais frequência nos últimos meses do que os Jogos Olímpicos. Antes do Barclays, era o Royal Bank of Scotland. Até que veio o Standard Chartered com toda sua roupa suja.

As pessoas estão começando a perguntar: "Quando é que estes escândalos bancários terão fim?" A resposta é "Não tão cedo. Especialmente o escândalo da Libor”. Se você acha que os problemas acabaram quando um banco como o Barclays paga £ 290 milhões em multas para equipar o Libor, ou quando o Standard Chartered despeja £ 217.000.000 para lavagem de dinheiro iraniano, pense novamente. Se eles estavam fazendo isso, muito provavelmente outros bancos também estavam.

Martin Wheatley, diretor da Autoridade de Serviços Financeiros continua a supervisionar o andamento do caso Libor. Ele já declarou que o sistema bancário atual não é mais uma "opção viável". Ele deve ter espiado a raposa dentro do galinheiro! É incrível como alguém ainda não tinha enxergado a raposa, pois ela esteva lá todo este tempo.

Agora, os procuradores-gerais dos estados de Nova York e Connecticut emitiram intimações para sete bancos para interrogatório sobre o envolvimento deles na manipulação da taxa Libor. Barclays, Citigroup, Deutsche Bank, HSBC, JP Morgan Chase, RBS, UBS passarão a enfrentar uma ameaça muito real de processo criminal por fraude.

Quanto é 2 mais 2? Esta foi a única pergunta proferida pelo CEO de uma grande fabricante americana para os três candidatos finalistas ao cargo de CFO de sua empresa. Sabe quem ficou com o emprego? Aquele que respondeu “Quanto você quer que seja?”. Após começar a trabalhar, o novo CFO sabia que, no final do dia, a resposta tinha que estar sempre de acordo com o que o homem lá do topo queria. Vocês estão entendendo onde quero chegar?

O escândalo Libor resume-se basicamente a esta matemática conspiratória, baseada no desejo dos banqueiros, de fazer 2 mais 2 ser igual a 6, apenas para fazer com que seus bancos tenham uma aparência mais atrativa. Na melhor das hipóteses, poderíamos considerar esta matemática como nebulosa, mas é muito pior que isso.

Um banco não funciona da maneira como você imagina. Se você acha que bancos são locais onde caixas e gerentes sorridentes estão lá para cumprimentar clientes e ajuda-los com suas transações financeiras, repense seus conceitos. Está é apenas a face pública dos bancos. É nos andares superiores onde as verdadeiras transações acontecem. É lá onde os banqueiros passam o dia inteiro tentando encontrar maneiras de ganhar mais dinheiro sem que os outros descubram que eles estão fazendo isso. Teoricamente, por exemplo, algum guru financeiro astuto poderia ter a brilhante ideia de fornecer crédito e emitir hipotecas para pessoas que não teriam a menor condição de pagar suas prestações mensais regularmente, apenas pela possibilidade de lucrar mais com os juros sobre juros da dívida que se acumularia cada vez mais. Teoricamente, um banco poderia ter metas e até profissionais específicos para propagar essa ideia para aumentar sua rentabilidade.

Em um sentido mais amplo, o escândalo Libor baseia-se nesta matemática hipócrita e nessas ideias gananciosas, porém, estas não ocorrem dentro de um banco, mas entre os bancos. Por uma questão de honra, os bancos basicamente preveem diariamente ao mercado, a taxa de juros que seria cobrada pelo empréstimo diário de dinheiro, ou seja, quanto um banco cobraria do outro pelo uso do dinheiro por um dia. Esta previsão – a taxa libor – é o mecanismo utilizado para garantir a liquidez de um banco e sua capacidade de resistir a um saque maciço de recursos por seus clientes em um momento de crise. A explicação mais simples de como a Libor é calculada seria uma média das taxas de empréstimo divulgadas pelos bancos. Dá pra imaginar que empréstimos de várias partes do mundo são calculados baseados nesta taxa? Dá pra imaginar que um pequena variação de 0,01% nesta taxa pode custar dezenas de milhões em um único dia útil?

Mas e se, em um momento agudo da crise alguns bancos precisassem de um “pequena ajuda” para deixar seus números com uma aparência melhor? Considerando o sistema de cálculo da Libor, a maneira mais fácil de fazer isso seria chamar seus amigos do banco A e do banco B e pedir-lhes para “camuflar” suas previsões para a taxa de hoje. Isso não parece muito certo, não é mesmo? Com certeza algumas pessoas poderiam chamar isso de fraude ou conspiração.

Thomas Reuters, a empresa responsável por coletar e compilar todas as taxas bancárias e divulgar a taxa Libor diariamente, afirmou à Associação dos Banqueiros Ingleses (British Bankers Association, em inglês) em 2008 que havia algo bastante errado. A empresa argumentou que algumas taxas eram absolutamente implausíveis. A empresa também notou que as previsões dos bancos estavam sendo liberadas cada vez mais tarde durante o dia. Apesar de suas alegações, a Associação não fez muito esforço para apurar as observações feitas pela Reuters. Alguém normalmente menciona “Que grande teia emaranhada nós tecemos, quando primariamente a utilizamos para enganar”? Isso é muito mais que um escândalo. Isso é uma bagunça. E está bem longe de terminar. Quando terminar, pode ser que um grande número de pessoas que hoje estejam ganhando bônus escandalosos, estejam atrás das grades.

15 de Agosto de 2012

Crise na Europa: Grécia requisita mais tempo

O governo grego aproveitará a rodada de reuniões junto ao Presidente francês François Hollande e à Chanceler alemã Angela Merkel para solicitar um novo relaxamento nos termos do plano de pagamento das dívidas do país.

De acordo com documentos obtidos pelo jornal Financial Times, o governo da Grécia solicitará que o prazo para pagamento seja estendido em mais dois anos, além de um custo adicional de € 20 bilhões.

Em função da rodada de reuniões junto aos líderes da zona do euro na próxima semana, o Primeiro-Ministro grego Antonis Samaras encontra-se reunido em Atenas com o Primeiro-Ministro de Luxemburgo Jean-Claude Juncker.

Mesmo que os líderes da zona do euro aprovem o novo relaxamento da dívida grega, ainda será necessária a aprovação pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para que os novos termos do acordo sejam implementados.

14 de Agosto de 2012

Crise na Europa: Contração da economia na zona do euro

A economia da zona do euro contraiu 0,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo os dados divulgados sobre o PIB da região esta manhã, apenas durante o segundo trimestre de 2012, a economia do bloco econômico europeu contraiu 0,2%.

De acordo com analistas, os principais vilões da retração econômica europeia são o fraco consumo doméstico entre os países que compõem o bloco (exceto a Alemanha) e a redução dos planos de investimento.

Outra notícia preocupante sobre a crise do euro realça a preocupação do mercado em relação a um suposto novo ajuste legal no Mecanismo de Estabilidade Econômica Europeu (ESM, na sigla em inglês). Uma nova alteração do ESM poderia atrasar sua regulamentação pela suprema corte da Alemanha, inicialmente marcada para o dia 12 de Setembro. Consequentemente, a tão aguardada implementação do ESM poderia ser postergada em diversas semanas, ou mesmo meses.

Enquanto isso, dados divulgados pelo Banco Central da Espanha nesta manhã mostram que o total de empréstimos tomados pelos bancos espanhóis junto ao Banco Central Europeu (BCE) totalizaram € 402 bilhões em Julho – batendo com folga o recorde histórico registrado em Junho de € 365 bilhões.

13 de Agosto de 2012

Crise na Europa: Banco da Inglaterra – “crise sem um final óbvio”

O Presidente do Banco da Inglaterra, Sir Mervyn King, disse que "não há um final óbvio à vista" para a atual crise do euro, o que gera um sério problema para a recuperação do Reino Unido.

Escrevendo para o jornal inglês The Mail neste Domingo, Sir Mervyn argumentou que "se o resto do mundo estivesse crescendo normalmente, o reequilíbrio e a recuperação da nossa economia seria muito mais fácil". Em seguida, completou: "Mas não é. Mesmo a rápida expansão das economias emergentes está diminuindo e os problemas da área do euro continuam."

Na abertura do mercado do Reino Unido nesta Segunda-Feira, o índice FTSE 100 contraiu, caindo 0,4%. Embora tenha caído fortemente na semana passada, as ações do Standard Chartered valorizaram-se 1,5% após as notícias de que o banco entrou em negociação com os órgãos reguladores de Nova York sobre a suposta lavagem de dinheiro para o Irã.

Sir Mervyn citou as Olimpíadas de Londres como um fator de impulso potencial para a economia do Reino Unido. Porém, temperou suas observações dizendo que "em última análise, os jogos não podem alterar a situação económica subjacente que enfrentamos."

10 de Agosto de 2012

Crise na Europa: Dados fracos para a Europa, China

Alguns dados econômicos globais divulgados ontem e esta manhã parecem confirmar que a Europa está chegando cada vez mais perto do abismo financeiro.

O Banco Central Europeu (BCE) reduziu sua taxa de crescimento prevista para o próximo ano de 1,0% para apenas 0,6%. Enquanto isso, o déficit comercial de Junho no Reino Unido foi confirmado como o maior desde que seus registros começaram: £ 4,3 bilhões. Já do outro lado do mundo, dados referentes a empréstimos bancários e às transações comerciais chinesas mostram que o país continua firme em seu modo de desaceleração.

Muitos analistas chineses consideram que algumas ações mais urgentes são necessárias para recolocar a economia do país no rumo certo.

XiaoBo, economista da Securities Huarong em Pequim, disse ao periódico inglês The Guardian que o nível mínimo de reservas a serem mantidas pelos bancos chineses deve ser cortado novamente pelo Banco Central da China. "Espero que haja ao menos mais um corte RRR sobre o nível de reservas mínimo mantidos pelo bancos chineses e que haja mais corte sobre a taxa de juros ainda neste trimestre", disse XiaoBo.

Alistair Thornton e Xianfang Ren, economistas da IHS Global Insight, em Pequim, advertiram: "O atual plano de investimento do governo para estímulo da economia parece totalmente inadequado".

Enquanto isso, um comunicado divulgado pelo ministério da economia da Alemanha esta manhã disse que sua economia agora enfrenta "riscos significativos" devido à crise da zona do euro. "A crise da dívida em certos países da zona do euro está pesando sobre a economia, semeando incerteza e cuidado entre as empresas".

08 de Agosto de 2012

Crise na Europa: Ações globais atingem maior alta dos últimos três meses

Os principais índices mundiais e o euro continuam em seu movimento de alta iniciado logo após o Banco Central Europeu (BCE) decidir começar a intervir no mercado de títulos dos países europeus em dificuldade. O BCE passará a comprar títulos públicos da Espanha e da Itália a partir de Setembro.

O movimento de alta recente dos preços só não está sendo maior por conta do colapso das ações do Banco Standard Chartered. Listado em diversas bolsas de valores mundiais, a instituição pode perder sua licença bancaria logo após o início das investigações de algumas transações suspeitas no valor de US$ 250 bilhões com o Irã.

07 de Agosto de 2012

Crise na Europa: Obama reconhece que a Espanha vem encarando um “difícil desafio”

A Casa Branca afirmou que a Espanha vem encarando um “difícil desafio”. O pronunciamento formal ocorreu logo após o encontro entre o Presidente americano Barak Obama, o Primeiro-Ministro espanhol Mariano Rajoy, o Presidente francês François Hollande e o Primeiro-Ministro italiano Mario Monti.

A declaração da Casa Branca afirma que o Presidente Barak Obama “elogiou as recentes declarações do Presidente do Banco Central Europeu (BCE) e dos demais líderes europeus sobre a necessidade de se fazer o que for necessário para preservar a zona do euro” e “encorajou seus esforços para alcançarem uma ação decisiva”.

Após as declarações, os mercados europeus e o euro responderam positivamente.

06 de Agosto de 2012

Crise na Europa: Divergências entre Itália e Alemanha põem a União Europeia em risco

“O ressentimento italiano em relação à Alemanha vem crescendo, colocando tanto a zona do euro como a União Europeia sob o risco de uma catastrófica ruptura”, é o que alerta o Primeiro-Ministro italiano Mario Monti.

Em entrevista para a revista Der Spiegel, Monti afirma que “o cenário europeu atual já apresenta traços de uma dissolução psicológica”. Quando perguntado sobre a piora do ressentimento dos países mais ao sul do bloco perante os demais países do norte – em especial a Alemanha – Monti disse que o humor das pessoas anda “à flor da pele”.

As pessoas, tanto do sul quanto do norte, carregam “preconceitos recíprocos”, afirmou o Primeiro-Ministro italiano.

A entrevista à revista Der Spiegel ocorreu após uma caracterização bastante ofensiva da Chanceler alemã Angela Merkel feita por um jornal italiano. O jornal estampou em sua primeira página uma foto de Merkel com um dos braços erguido (em posição de juramento) e com a seguinte manchete: “Quarto Reich”

03 de Agosto de 2012

 

Crise na Europa: O antagonismo entre Itália e Alemanha ameaça a UE

O ressentimento italiano em relação a Alemanha está crescendo, colocando a zona do euro, e a União Europeia, sob o risco de uma catastrófica ruptura, afirmou o Primeiro-Ministro Italiano Mario Monti.

Mario Monti declarou à Revista Der Spiegel que as tensões “apresentam traços de uma dissolução psicológica da Europa”. Questionado sobre um eventual aumento do ressentimento do sul da Europa em relação ao bloco do norte europeu – em especial à Alemanha – Monti afirmou que o humor das pessoas anda “bastante alarmante”.

As pessoas do sul e do norte nutrem "certos preconceitos recíprocos", ele

afirmou.

As declarações de Mario Monti ocorrem logo após um jornal italiano divulgar uma foto da Chanceler alemã Angela Merkel com um braço levantado em sua primeira página, sob a manchete: “Quarto Reich”.

03 de Agosto de 2012

Crise na Europa: BCE desaponta o mercado e FMI soa o alarme

Os mercados mundiais caíram bruscamente ontem, logo após o Banco Central Europeu (BCE) desapontar os investidores, que aguardavam pela divulgação de uma solução imediata para conter a crise da dívida europeia.

O Presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, que na semana anterior tinha prometido fazer o que fosse necessário para salvar o euro, disse que o BCE agirá no mercado comprando títulos dos países em dificuldade, no entanto, apenas começará a agir quando o governo da zona euro disponibilizar os seus fundos de resgate para o mesmo fim.

Segundo Mario Draghi, o BCE estaria pronto para iniciar as intervenções a partir de Setembro, dependendo apenas de uma solicitação formal por parte dos países mais afetados. Contudo, os países terão que aceitar determinadas condições e a supervisão do BCE.

O desapontamento do mercado com a falta de ação imediata fez com que o índice FTSE 100 caísse 50,52 pontos logo após a divulgação dos planos do banco central, uma redução de 0,9%. O CAC 40 e o DAX caíram mais de 2,0%, enquanto que o Ibex, principal índice de mercado da Espanha, derreteu 5,0%.

Enquanto isso, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou um novo relatório que examina qual o real impacto das políticas econômicas de países-chaves (Estados Unidos, China, zona do euro, Japão e Reino Unido) sobre a economia global.

A economia da zona do euro pode decrescer cerca de 5,0% caso a crise europeia não seja conduzida devidamente a partir de agora, apontou o relatório do FMI. O impacto da crise sobre as nações mais pobres pode exigir um aumento da necessidade de financiamento acima de US$ 27 bilhões até o fim de 2013.

Além disso, a China pode ser obrigada a frear os seus investimentos para equilibrar sua relação de oferta e demanda, o que atingiria em cheio alguns de seus parceiros comerciais e os preços mundiais. A redução de 1,0% dos investimentos chineses afetaria primariamente os seus fornecedores asiáticos e a Alemanha.

O FMI também alertou que os Estados Unidos devem acabar com o seu tão ameaçador “penhasco fiscal” em 2013, cortando US$ 4 trilhões em juros a expirar e em despesas governamentais automáticas.

Trinta e cinco países, incluindo algumas economias emergentes como Brasil, República Checa, Índia, África do Sul, Turquia, Rússia, Coréia do Sul, Polônia, México e Arábia Saudita foram consultadas para o relatório.

02 de Agosto de 2012

Crise na Europa: Rentabilidade dos títulos da dívida espanhola em alta em função da decisão do BCE

A rentabilidade média dos títulos espanhóis de 10 anos subiu para 6,65% - um aumento de 0,22% em relação à média de rentabilidade registrada em Julho. Também houve uma diminuição da demanda por esses títulos no mercado.

O mercado espera que o Banco Central Europeu (BCE) comece a comprar títulos da dívida da Espanha e da Itália com o intuito de manter suas taxas de rentabilidade em um nível baixo, diminuindo assim, o custo de empréstimo para os países em dificuldade. O BCE prepara-se para fazer o anúncio de seu próximo pacote de medidas esta tarde, logo após a sua reunião mensal.

01 de Agosto de 2012

Crise na Europa: Timothy Geithner – Europa está comprometida em fazer o que for necessário

O Secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, afirmou que a Europa possui os meios e o comprometimento necessários para resolver os contínuos problemas da crise da dívida europeia.

Afirmando que a Europa ainda necessita reduzir suas taxas de juros, Timothy Geithner disse que os líderes europeus “vêm sinalizando que estão preparados para fazer muito mais do que já fizeram” para tentar debelar a crise; entretanto, a implementação de “novas medidas ainda levarão algum tempo”.

Os comentários de Timothy Geithner ocorreram após suas reuniões na Alemanha no início desta semana. Geithner reuniu-se com o Presidente do Banco Central Europeu (BCE) Mario Draghi e com o Ministro das Finanças alemão Wolfgang Schauble.

O mercado aguarda que novas medidas sejam propostas nos Estados Unidos para a formação de uma plano de recuperação em conjunto com os novos esforços realizados na Europa.

31 de Julho de 2012

Crise na Europa: Mercados a espera de reunião-chave do BCE

O mercado está a espera da reunião-chave do Banco Central Europeu (BCE) marcada para esta quinta-feira. Tal expectativa deriva da promessa feita pelo presidente da instituição, Mario Draghi, de fazer "o que for necessário" para salvar o euro.

A gama de opções do BCE varia desde a compra de mais títulos dos países mais afetados pela crise, como os bonds italianos e espanhóis, até o corte de taxas de juros, tornando mais barato o acesso dos bancos – também em crise – ao dinheiro.

O economista-chefe da corretora especializada em câmbio FxPro, Simon Smith, disse ao periódico The Guardian esta manhã, que a moeda única europeia encontra-se "particularmente sensível a qualquer decepção até o final desta semana". A expectativa do mercado exige que o BCE adote medidas mais concretas para manter baixos os custos de empréstimos das nações com problemas, disse Smith.

O rendimento dos títulos espanhóis de dez anos chegou a cair dois pontos base esta manhã, atingindo 6,66%. Os títulos italianos também tiveram uma boa performance, sendo negociados com taxas de 6,04% - uma queda de um ponto base.

30 de Julho de 2012

Crise na Europa: A zona do euro chegou ao seu “momento decisivo”

O Primeiro-Ministro de Luxemburgo e Presidente do Grupo do Euro, Jean-Claude Juncker, afirmou que o euro chegou ao seu “momento decisivo”, e que seus líderes terão que definir nos próximos dias “quais medidas deverão ser “tomadas”.

Os comentários de Jean-Claude Juncker foram feitos após a promessa de Mario Draghi – Presidente do Banco Central Europeu (BCE) – de fazer tudo o que estiver ao seu alcance, durante o seu mandato, para proteger o euro.

A promessa de Mario Draghi foi abertamente apoiada pela Chanceler Alemã, Angela Merkel, e pelo Primeiro-Ministro italiano, Mario Monti, que afirmou: “Alemanha e Itália farão tudo para proteger a zona do euro”.

Os comentários positivos por parte de alguns líderes da zona do euro antecedem a visita à Europa do Secretário do Tesouro americano Timothy Geithner, e do anúncio oficial da contração de -0,40% do Produto Interno Bruto (PIB) da Espanha.

27 de Julho de 2012

Crise na Europa: Discurso de Mario Draghi faz mercados saltarem

A promessa do Presidente do Banco Central Europeu (BCE) de “fazer o que for necessário” para salvar o euro fez os mercados fecharem com uma entusiasmante valorização ontem.

O Banco Central da Alemanha considera “bastante problemáticas” as medidas do BCE de comprar os títulos da dívida italiana e espanhola, ou de lançar um pacote de resgate flexível de escalonação da dívida, afirma um relatório da agência de notícias Dow Jones.

O Bundesbank também reiterou que se opõe à intenção de prover ao Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira os mesmos poderes atribuídos a um banco.

As notícias oriundas da Alemanha atingiram em cheio o otimismo do mercado provocado pela declaração de Mario Draghi, fazendo com que os juros sobre os títulos espanhóis e italianos voltassem a subir, além de desvalorizar a cotação do euro.

Enquanto isso, novos dados oficiais demonstram que há, atualmente, 5,7 milhões de pessoas sem emprego na Espanha, o que representa 24,6% da população do país.

26 de Julho de 2012

Crise na Europa: Grécia tem 90% de chance de deixar o euro

A Grécia tem 90% de chance de deixar o euro dentro de um prazo de 18 meses, de acordo com um comunicado divulgado hoje pelo Citigroup.

O Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, chegou em Atenas hoje para negociações cruciais sobre como proceder com o pacote de resgate do país. Representantes do Banco Central Europeu (BCE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) também foram deslocados para participar das negociações nesta semana.

De acordo com um levantamento realizado pelo BCE, a população grega continua sacando dinheiro de suas contas bancárias em um ritmo bastante acelerado.

Segundo dados sobre depósitos bancários, o total de depósitos do setor privado grego caiu quase 5,0% no último mês, alcançando um total de € 156 bilhões em Junho. Durante o mês de Maio, a taxa de decréscimo do total de depósitos bancários privados já tinha sido similar.

Os bancos gregos já perderam cerca de 30% de seus depósitos desde o final de 2009.

Enquanto isso, a taxa de rentabilidade sobre os títulos de dez anos da Espanha deu uma trégua, sendo negociada a 7,27%. A rentabilidade negociada sobre os títulos italianos permaneceu inalterada a 6,4%.

25 de Julho de 2012

Crise na Europa: Um alerta desastroso que soa como uma doença contagiosa

Um grupo de gurus econômicos globais, incluindo dois conselheiros do governo alemão fez um alerta terrível sobre a crise da dívida europeia.

“A Europa parece-se com um sonâmbulo em direção a um desastre de proporções incalculáveis... A sensação de uma crise sem fim, onde um dominó cai logo após outro, deve ser revertida”, afirmou o novo relatório publicado pelo Instituto do Novo Pensamento Econômico (INET, na sigla em inglês).

Os políticos europeus devem arcar com custos herdados do "desenho inicialmente falho" da zona euro, bem como consertar os problemas estruturais do próprio bloco econômico, se quiserem ter alguma chance de sair da confusão atual, disse o relatório.

Enquanto isso, a evidência de que a crise europeia já está afetando países de todo o mundo está começando a se revelar.

O Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (EBRD, na sigla em inglês) reduziu sua previsão de crescimento para a Rússia em 2012, de 1,1% para 3,1%. A crise foi chegando à Rússia através de dois canais principais: preços mais baixos das commodities e uma redução geral do apetite pelo risco.

"As repercussões negativas estão atingindo o leste. A Rússia está sendo atingida, particularmente, através de dois canais principais: preços mais baixos das commodities e uma redução geral do apetite pelo risco", disse Piroska Nagy, Diretor do EBRD.

A Tailândia também está começando a sentir os efeitos da crise do euro. As exportações para 15 países europeus caíram de 16,1%, enquanto a exportação para os Estados Unidos aumentaram em 5,0%.

O Ministério do Comércio da Tailândia disse que a crise do euro tem esfriado a importação das encomendas de matéria-prima de diversos países asiáticos além da Tailândia, tais como Japão, Coréia do Sul, Taiwan e outros países do Sul da Ásia.

24 de Julho de 2012

Crise na Europa: Economia da Grécia contrairá 7%, enquanto os problemas da Espanha continuam

Antonis Samaras, novo Primeiro-Ministro da Grécia, classificou como hercúleo os desafios que serão enfrentados pelo governo para tirar o país do “buraco” que se encontra atualmente.

Discursando para o parlamento grego Troika, Antonis Samaras previu que a economia do país encolherá mais de 7,0% este ano. Além disso, o Premier grego afirmou que o país não voltará a crescer pelo menos até 2014. 

Tais dados são muito mais pessimistas que as previsões divulgadas anteriormente pelo Banco Central da Grécia, pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, pela sigla em inglês) e pela Comissão Europeia. Respectivamente, as previsões divulgadas anteriormente para o mercado foram: 5,0% (BC), 5,3% (OCDE) e 4,7% (Comissão Europeia).

Enquanto isso, os investidores parecem bastante arredios com relação à capacidade da Espanha em refinanciar a sua já gigantesca dívida. O mercado teme que um novo refinanciamento venha a exigir novos salvamentos no futuro. Como consequência, o termômetro da crise espanhola – os bonds espanhóis de 10 anos – foram negociados ontem com juros acima de 7,5%, assustando bastante o mercado: O índice FTSE  fechou em baixa de -2,1%, enquanto as bolsas francesas e alemãs caíram -3,0%. 

No entanto, o Ministério da Economia da Espanha afirmou que o país já refinanciou cerca de 70% de suas obrigações até o final de 2012, argumentando que um possível refinanciamento não geraria consequências mais graves em seu planejamento, além de permitir uma “estratégia mais prudente” em leilões futuros.

23 de Julho de 2012

Crise na Europa: Valor do euro atinge nova baixa

O valor do euro caiu novamente hoje, uma vez que os investidores continuam a se preocupar com a economia da Espanha em apuros, apesar das notícias de que o plano de resgate para os bancos espanhóis já tenha sido finalizado.

Acredita-se que há uma grande chance da Espanha vir a precisar de um pacote de resgate completo além do resgate bancário. Esse pacote soberano incluiria as finanças do governo espanhol, uma vez que diversas regiões e instituições estão indo à falência e se virando para Madri em busca de auxílio.

O rendimento sobre os títulos espanhóis de 10 anos bateu um novo recorde desde o início do euro. Os juros sobre a dívida soberana espanhola estão sendo negociados a 7,5%, graças ao medo de que uma das maiores economias europeias vá a falência. A Espanha tem que levantar € 26 bilhões para manter sua dívida de longo prazo flutuando até o final do ano. No entanto, a nação tem sido efetivamente excluída

dos mercados. Devido aos problemas sérios em muitas das suas regiões, pode ser que o valor necessário para cobrir a dívida espanhola seja muito mais elevado.

Com taxa de desemprego de 25% e uma população cada vez mais arredia às medidas de austeridade, o acordo alcançado ontem à tarde para resgatar os bancos espanhóis não foi suficiente para gerar um resultado positivo nos mercados. Em vez disso, as ações despencaram.

Não se esqueçam da observação feita pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) na semana passada, "a viabilidade da união monetária está em jogo".

20 de Julho de 2012

Crise na Europa: Pacote de resgate espanhol aguardando aprovação da UE

O tão esperado pacote de resgate dos bancos espanhóis, no valor de € 100 bilhões, apenas aguarda a ratificação pela União Europeia (UE). A aprovação deve ocorrer ainda hoje.

O acordo foi aprovado pela câmara dos deputados alemã – embora a Chanceler Angela Merkel tenha tido que contar com os votos da oposição mais uma vez.

Os problemas contínuos na zona do euro foram os culpados pelo aumento no número de empréstimos executados pelo governo britânico. No último mês, a Grã-Bretanha tomou emprestado £ 14,4 bilhões - valor maior que o esperado pelo mercado. O valor também é superior ao volume de empréstimo no mesmo período do ano anterior:  £ 13,4 bilhões em Junho de 2011. A dívida líquida no Reino Unido subiu para mais de £ 1 trilhão – valor recorde que equivale a 66,1% do PIB britânico.

Enquanto isso, o preço do milho uma forte alta na última quinta-feira, assim como o valor da soja. O trigo já aumentou 50% nas últimas cinco semanas. Há fortes temores de que a alta das commodities façam com que os valores repassados aos consumidores nas gôndolas dos supermercados disparem na Europa.

19 de Julho de 2012

Crise na Europa: Todos os olhos sobre o (im)possível resgate da Espanha

O futuro do sistema bancário da Espanha vem sendo debatido pelos políticos alemães.

No mês passado, 26 membros da União Social Cristã da Bavária, coalizão partidária de Angela Merkel, votaram contra a proposta de criação do Mecanismo de Estabilização Financeira da União Europeia (ESM, na sigla em inglês) – medida salvamento dos bancos dos países com economias em dificuldades, como a Espanha.

O discurso atual dos alemães, entretanto, sugerem que as medidas de apoio aos bancos podem ser aprovadas: "Não posso descartar a possibilidade de que alguns colegas irão apoiar as medidas, mas minha impressão é que os números (de políticos que não apoiarão) não aumentou”, afirmou Stefan Mueller – um dos membros da coalizão partidária de Angela Merkel

Segundo Stefan Mueller, a rebelião do mês passado foi sobre a questão da responsabilidade, que ele acreditava que já ter sido "esclarecida". O Vice-Ministro das Finanças alemão Steffen Kampeter, reiterou esta manhã que o Estado espanhol continua a ser responsável pelo resgate de dinheiro.

A insistência em manter o governo espanhol fora do “circuito de responsabilidades” é o principal motivo para a desconfiança do investidor, que mantém o custo de empréstimo através dos títulos espanhóis em níveis elevadíssimos.

19 de Julho de 2012

Crise na Europa: Itália aprova definitivamente o pacto fiscal europeu

A Câmara dos Deputados da Itália aprovou definitivamente o pacto fiscal europeu por uma grande maioria (380 votos a favor, 59 contra e 36 abstenções), graças a um acordo entre os principais partidos políticos.

Podemos considerar esta votação como uma vitória do atual governo que desejava a sua aprovação antes das férias de verão, no início de Agosto. Apenas a Liga Norte, partido aliado ao antigo Primeiro-Ministro, Sílvio Berlusconi, votou contra.

Com a votação desta Quinta-Feira e após sua adoção no Senado, no dia 12 de Julho, o pacto fica definitivamente adotado.

O chamado pacto fiscal europeu foi adotado pelos dirigentes da União Europeia (UE) na Cúpula de 30 de Janeiro de 2012 e tem por objetivo reforçar a disciplina comum entre os países da zona do euro após a crise da dívida, com a adoção de “regras de ouro” para equilibrar as contas.

O acordo começará a ser aplicado a partir de Janeiro de 2013 se, até lá, ao menos 12 dos países que compõem a zona do euro o ratificarem.

19 de Julho de 2012

Crise na Europa: Grécia adia decisão final sobre corte de gastos

Os líderes dos três partidos que formam o novo governo grego terão um novo encontro na próxima semana para elaborar o pacote de corte de gastos no valor de € 11,7 bilhões exigidos pelos credores internacionais.

A elaboração do pacote de austeridade deve ser definido antes da visita que os inspetores dos credores internacionais farão à Grécia também na próxima semana. Os cortes nos gastos públicos gregos deverão ocorrer entre 2013 e 2014.

A decisão de convocar uma nova reunião sugere que os três líderes governistas não chegaram a um consenso sobre os controversos cortes durante as negociações realizadas ontem (18 de Julho de 2014, Quarta-Feira). Tudo indica que uma decisão final apenas será alcançada após muita barganha entre os três líderes do governo conservador, uma vez que cada um deles busca evitar ser a favor dos cortes que poderão provocar mais sofrimento aos eleitores gregos.

18 de Julho de 2012

Crise na Europa: Ministro das Finanças da Itália afirma não estar preocupado com a demora para a implementação do ESM

O recém-empossado Ministro das Finanças da Itália, Vittorio Grilli, minimizou nesta quarta-feira as preocupações de que o Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (ESM, na sigla em inglês) não entrará em operação imediatamente devido a demora para sua aprovação em alguns países membros da zona do euro.

A implementação do ESM – um fundo de resgate permanente da União Europeia (UE) – tem sido atrasada por um processo complicado de aprovação nos diversos países que compõem o bloco europeu. Na Alemanha, por exemplo, a Corte Constitucional não decidirá sobre o assunto até Setembro.

“Eu não acredito que existe causa para alarde devido aos atrasos para discussões ou nas diversas cortes europeias”, afirmou Vittorio Grilli a uma comissão parlamentar em Roma. “O fato de o ESM  não entrar em operação a partir de Julho não deve ser uma preocupação porque há o EFSF”, completou ele, referindo-se ao fundo de resgate temporário da UE, o Fundo Europeu de Estabilização Financeira.

18 de Julho de 2012

Crise na Europa: Vittorio Grilli – Atuação da UE “ainda não é satisfatória”

O recém-empossado Ministro das Finanças da Itália, Vittorio Grilli, suplicou por uma ação mais contundente da União Europeia (UE) para que a atual crise na zona do euro seja resolvida. Em reunião com uma comissão parlamentar em Roma, Vittorio Grilli afirmou que as medidas tomadas pela UE “ainda não são satisfatórias”.

“Medidas inadequadas tomadas pela UE, além de mecanismos insuficientes, vem mantendo o mercado continuamente instável”, argumentou Vittorio Grilli.

Entretanto, apesar de reconhecer que a implementação do Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (ESM, na sigla em inglês) e o pacto fiscal estabelecido entre as nações da zona do euro são “duas peças fundamentais” para a resolução da crise europeia, e que estas medidas deveriam “tornar-se plenamente operacionais o mais rápido possível”, Vittorio Grilli reconhece também a existência de algumas barreiras a serem superadas para que o ESM seja aprovado nos diversos países do bloco europeu.

Ciente das complicações inerentes ao seu processo de aprovação em vários países, o Ministro das Finanças da Itália diz não estar preocupado com a demora para a implementação do ESM.

A Itália pretende contribuir com aproximadamente € 14,30 bilhões através para o ESM até 2014, entretanto, com a perpetuação da crise, apenas € 5,73 bilhões deverão ser liberados em 2012 e 2013.

17 de Julho de 2012

Crise na Europa: FMI alerta a Europa que o pior da crise ainda pode estar por vir

O Fundo Monetário Internacional (FMI) vem alertando que o pior da crise europeia ainda pode estar por vir. Mais uma vez, o FMI reduziu a sua previsão sobre o crescimento global. A organização alertou que as taxas de crescimento dos países podem cair ainda mais caso os responsáveis pela política na Europa não ajam com a rapidez necessária, e/ou com força suficiente para estancar a ainda pendente crise de débito da região.

A última estimativa divulgada esta semana prediz que o crescimento global em 2013 será de 3,9% - abaixo da taxa de 4,1% prevista em Abril.

O Reino Unido será a nação que mais sofrerá de acordo com as previsões do fundo, com um crescimento do PIB de apenas 0,2% em 2012. Segundo o FMI, o crescimento previsto para 2013 será de 1,4% – 0,6% abaixo da última previsão.

O FMI também aponta ligeira queda de 0,1% na previsão de crescimento dos Estados Unidos, tanto neste quanto no próximo ano. A nova previsão indica que o PIB americano crescerá 2,0% em 2012 e 2,3% em 2013. Os Estados Unidos já foram alertados em relação às suas políticas de incentivo fiscal e outros projetos que expiram este ano.

A capacidade produtiva dos mercados emergentes – as nações que compõem o BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) – provavelmente também sofrerá uma queda em relação às previsões anteriores divulgadas pelos experts do FMI.

16 de Julho de 2012

Crise na Europa: A crise atinge a Ásia

A crise em curso na Europa tem afetado o desempenho financeiro da Ásia, com o PIB (Produto Interno Bruto) da China caindo para 7,6% e a economia de Cingapura contraindo 1,1% no segundo trimestre de 2012.

A desaceleração da China – o pior resultado do país em três anos – gera forte impacto sobre a economia australiana. Respondendo por mais de 25% do seu mercado de exportação, a desaceleração da China foi responsável pelo crescimento da Austrália abaixo do esperado: 2,2% contra os 3,1% projetado inicialmente pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

Enquanto a economia da região parece estar desacelerando, Juzhong Zhuang, economista-chefe adjunto do Banco de Desenvolvimento com sede em Manila, argumenta que "mais de metade do PIB global ainda vem da Ásia" e que a região “não encara a situação atual como uma recessão”, mas admite “haver riscos".

O desaceleração econômica é vista como um teste de força da economia chinesa e seu crescimento contínuo. Liu Yuanchun, professor da Universidade Renmin, afirma que os novos dados econômicos mostram "mudanças fundamentais em problemas estruturais da China".

12 de Julho de 2012

Crise na Europa: Peugeot corta 8.000 empregos

A fabricante europeia de carros Peugeot Citroen citou a “crise profunda” na zona do euro como a principal culpada pela demissão de 8.000 funcionários e pela queda na demanda por carros.

Depois de sofrerem uma perda de 13% nas vendas referentes ao primeiro semestre de 2012, Phillipe Varin disse que “a profundidade e a persistência da crise” acarretaram em uma reorganização na companhia. Considerando o forte impacto de suas declarações, Varin argumentou: “Estou plenamente consciente da seriedade do anúncio de hoje, bem como do choque e das emoções que aflorarão na empresa”.

O declínio nos resultados do primeiro semestre pertence a uma tendência de longo prazo enfrentada pela Peugeot, uma vez que há uma queda de demanda acumulada de 23% entre 2007 e 2012. Após a reorganização, a companhia espera recuperar o seu fluxo de caixa operacional para retomar o seu equilíbrio financeiro até o final de 2014.

Em uma declaração oficial, a Peugeot afirmou que tais medidas foram necessárias “para restaurar a sua competitividade e assegurar o seu futuro”.

11 de Julho de 2012

Crise na Europa: Espanha anuncia um novo corte de despesas e aumento da carga tributária

O Primeiro-Ministro Espanhol Mariano Rajoy anunciou um novo corte no orçamento governamental e um aumento na carga tributária com o objetivo de equilibrar as contas do país. No total, essas medidas representarão um choque de austeridade na economia espanhola equivalente a 6,55 do PIB (Produto Interno Bruno) em menos de três anos.

A principal medida será o aumento do imposto IVA, que passará de 18% a 21%. Tal medida era rejeitada pelo governo, que sucumbiu após forte pressão exercida pela Comissão Europeia e pelo FMI (Fundo Monetário Internacional). Outra medida de impacto será a economia de € 3,5 bilhões através da redução do número de empresas públicas controladas pelo governo e da redução de 30% do quadro de vereadores locais espalhados pelas cidades espanholas.

Tais medidas vão de encontro às metas de redução da dívida pública almejadas pelo governo espanhol – que espera uma economia de € 65 bilhões nos próximos anos –, e às metas exigidas pela zona do euro para liberação do pacote de resgate dos bancos espanhóis em crise.

Durante o anúncio, o Primeiro-Ministro argumentou que “a Espanha está pagando agora pelos excessos cometidos no passado” e que “o governo foi obrigado a adotar tais medidas em função das circunstâncias excecionais que assolam o país atualmente, como por exemplo o nível das taxas de juros acima de 7%”.

A Espanha atualmente é o país com a maior taxa de desemprego da Europa (25,3%). Após dois anos de forte recessão em 2009 e 2010, o país apresentou uma fraca recuperação em 2011 – crescimento equivalente a 0,7% de seu PIB. Mesmo assim, especialistas apontam que a Espanha passará por um novo ciclo de contração econômica nos próximos dois anos. Analistas apontam para uma redução da economia espanhola de -1,6% em 2012 e de -0,8% em 2013.

09 de Julho de 2012

Crise na Europa: Governo Grego garante Voto de Confiança

O recém eleito governo da Grécia recebeu um voto de confiança de seu parlamento para poder implementar um mandato com o objetivo de debelar os problemas financeiros atuais e manter o país na zona do euro.

O governo, agora conduzido por Antonio Samaras – líder do partido de centro-direita Nova Democracia –, obteve uma maioria de 179 dentre 300 votos na Troika.

Em discurso realizado previamente à votação, o Primeiro-Ministro argumentou que “a Troika deve seguir as decisões da coalisão dos três partidos que formam o governo e que visam a execução de reformas e mudanças necessárias para o país”, e que “devemos honrar o acordo financeiro para a permanência do país na zona do euro, pois este foi o veredito do povo grego”.

De acordo com o resultado da votação, o governo grego está autorizado a focar-se em um plano de reformas econômicas e privatizações que assegurem o cumprimento do rigoroso pacote de resgate firmado junto à União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

06 de Julho de 2012

Crise na Europa: Mais dinheiro novo sendo impresso e mais corte na taxa de juros

A maioria dos mercados globais despencaram novamente ontem, apesar de uma nova rodada de esforços por parte de diversos bancos centrais em conter a hemorragia das economias mais expostas à crise na zona do euro.

O Banco da Inglaterra anunciou a injeção de mais £ 50 bilhões na economia do país através da impressão de dinheiro novo, a fim de combater o arroxo das condições de crédito atuais e incrementar a sua claudicante economia que vem sofrendo com os desdobramentos da crise do euro.

Já o Banco Central Europeu (BCE) cortou a sua taxa básica de juros em 0,25 pontos percentuais para 0,75%, e a taxa de remuneração de depósito bancário de 0,25% para zero. Tais medidas podem ser explicadas pela declaração de seu chefe Mario Draghi afirmando que espera por uma nova contração da economia na região: “Indicadores apontam para um novo ciclo de fraco crescimento econômico e aumento de incerteza entre os mercados”, afirmou Draghi.

O Banco Central da China cortou a sua taxa básica de juros pela segunda vez em questão de semanas e a Dinamarca reduziu uma de suas taxas de juros principais para um nível negativo (-0,20%).

Mesmo após todas essas medidas para se tentar incentivar o ritmo econômico, os mercados não reagiram positivamente, provavelmente mais preocupados com a situação que gerou todas essas ações por parte dos bancos centrais ao redor do mundo: o índice Euro Stoxx 50 caiu 1,19%, o CAC40 francês caiu 1,17%, enquanto que o FTSE100 inglês subiu parcos 0,14%.

Em outra notícia sobre a zona do euro, os custos de tomada de empréstimos do governo irlandês caíram ontem. Isto é uma demonstração de recuperação da economia irlandesa, já que o governo vem conseguindo obter dinheiro emprestado a um custo inferior ao obtido pelo governo espanhol, por exemplo. Já na Alemanha, um novo dado sobre a produção industrial do país em Maio apontou um crescimento de 0,60%, apesar do fraco desempenho de seus vizinhos europeus. Para finalizar, mais de 150 economistas alemãs criticaram os planos da Europa de uma união bancaria, através da publicação de uma carta aberta em um jornal alemão.

05 de Julho de 2012

Crise na Europa: Crise bancaria na Espanha ruma para o tribunal

O ex-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) Rodrigo Rato terá que prestar contas aos tribunais espanhóis sob acusações de fraudes relativas ao seu envolvimento com o Bankia – banco espanhol credor de hipotecas.

O Bankia, controlado pelo governo espanhol desde Maio deste ano, é apenas um de dentre inúmeros bancos enfrentando processo judicial. Novacaixagalicia, Banco de Valencia e CatalunyaCaixa são outros bancos que, assim como o Bankia, também vêm sendo controlados pelo Estado e estão listados para venda; mas também estão sendo processados por políticos, acionistas e pela agência de regulação bancaria do próprio governo.

Estritamente relacionado ao Partido Popular – partido do governo espanhol –, e com Rodrigo Rato fortemente ligado ao Primeiro-Ministro Mariano Rajoy, o caso contra o Bankia vem sendo apoiado pelo partido de oposição União, Progresso e Democracia.

O Partido União, Progresso e Democracia alega que Rodrigo Rato, assim como outras figuras proeminentes, são responsáveis por erros contábeis que levaram à divulgação de um lucro contábil de € 309 milhões que mais tarde transformaram-se em uma perda de € 3 bilhões.

04 de Julho de 2012

Crise na Europa: PMI indica desaceleração na economia da Alemanha

Enquanto que membros do FMI (Fundo Monetário Internacional), BCE (Banco Central Europeu) e da Comissão Europeia encontram-se na Grécia para avaliar o sucesso inicial promovido pela liberação de parte do pacote de resgate grego, a divulgação da pesquisa PMI (Purchasing Managers’s Index), conhecido no Brasil como Índice dos Gerentes de Compras – mostra uma forte contração no setor de serviços da Alemanha.

A queda do PMI alemão de 51,80 pontos em Maio para 49,99 em Junho indica que a crise em curso vem exercendo um forte impacto sobre as moedas dos principais países do bloco.

Enquanto a Alemanha apresentou esta forte queda no PMI, o resto da zona do euro aprestou crescimento de 46,70 para 47,10. Dentre os países que apresentaram crescimento, destaque para a França cujo PMI cresceu de 44,60 em Maio para 47,30 em Junho. Mesmo assim, o nível do PMI francês encontra-se baixo em comparação aos níveis divulgados anteriormente.

03 de Julho de 2012

Crise na Europa: Plano de união bancária carece de mais detalhamento

Os plano para a criação de uma união bancaria ampla na União Europeia prevista pelo Banco Central Europeu (BCE) ainda carece de um maior detalhamento sobre como esta medida impedirá a quebra de vínculo entre os bancos e seus respectivos governos, alertou ontem a agência de avaliação de risco Fitch.

Bridget Gandy, managing director da agência Fitch, disse que o plano do BCE “realmente pode reforçar a estabilidade financeira no setor bancário”, ainda que, no presente momento, tal plano ainda careça de detalhes cruciais: “ainda há riscos de que o plano de união bancaria não se viabilize”, afirmou Gandy.

A proposta atual não apenas falha em mencionar qualquer tipo mecanismo de proteção de depósitos, como também não explica como um único regulador poderia governar uma grande variedade de sistemas bancários como a presente entre os países da União Europeia.

Enquanto isso, o medo de que a atual crise europeia esteja afetando a ainda em estágio de recuperação economia dos Estados Unidos voltou a assombrar os mercados ontem, logo após a divulgação de dados sobre a produção industrial do país, que caiu pela primeira vez nos últimos três anos.

O índice Purchasing Managers’ Index (PMI) divulgado pelo Institute for Supply Management, que mede o nível de demanda por produtos industriais caiu significativamente de 53,5 para 49,7 pontos entre Maio e Junho de 2012. Segundo os analistas de mercado, tal queda indica uma forte tendência de deterioração da economia.

02 de Julho de 2012

Crise na Europa: Banco Central Europeu (BCE) – Progresso grego “virtualmente estagnado”

Um dos membros do conselho do Banco Central Europeu (BCE), Jörg Asumussen, alertou que os progressos para resolução da crise financeira grega estão “virtualmente estagnados” durante os últimos três meses desde o último acordo de resgate.

Discursando em uma conferência em Atenas, Asumussen argumentou que “o novo governo grego deve priorizar o restabelecimento do programa de resgate de volta aos trilhos” e que, a segunda eleição geral grega reconduziu o país de volta ao programa de resgate.

Quando perguntado sobre as manifestações na Grécia para garantir melhores condições de resgate, Asumussen afirmou que uma renegociação no momento seria arriscada e colocaria em dúvida as intenções do governo grego em reduzir a dívida nacional de 120% do PIB até 2020.

O parlamento grego Troika definiu para amanha o início das reuniões para discutir meios de se reformar a problemática economia do país sob a liderança do novo primeiro-ministro Antonis Samaras.

29 de Junho de 2012

Crise na Europa: Itália e Espanha vencem queda de braço após 14 horas de negociação e zona do euro aprova acordo que permite socorro direto a bancos em dificuldade

Já era tarde da noite quando a reunião dos líderes da zona do euro em Bruxelas chegou a um impasse: Itália e Espanha vincularam sua aprovação ao pacto de crescimento na Europa à adoção de medidas de urgência para os dois países, atualmente na mira dos mercados devido à crise da dívida.

A causa dos países em dificuldade contava com o apoio da França, entretanto, ainda sofria forte resistência da Alemanha. Após horas de negociação, Itália e Espanha ameaçaram boicotar o pacto que previa a injeção de € 120 bilhões para reativar a economia e o crescimento na região. Ambos desejavam uma solução que, ao mesmo tempo, resolvesse os problemas financeiros dos bancos em dificuldade e não onerasse tanto os governos.

Após 14 horas de reunião, a Alemanha cedeu e o acordo que permite o socorro direto aos bancos dos 17 países do grupo foi firmado. O acordo permitirá que o Mecanismo Europeu de Estabilidade (European Stability Mechanism – ESM) injete dinheiro diretamente nos bancos em dificuldade, sem que seja necessário que os governos dos países afetados façam empréstimos para então repassar os recursos aos seus bancos.

As bolsas de valores europeias subiram fortemente esta manhã, surpresos com a notícia de que a Alemanha havia cedido, uma vez que a Chanceler Angela Merkel era completamente contra ao rompimento do vínculo entre a dívida pública e a bancária.

Para vigorar, a proposta depende do estabelecimento de uma supervisão financeira única para os sistemas bancários da região, que ficaria a cargo do Banco Central Europeu. A decisão pode abrir caminho para a criação de um superministro de finanças europeu, com capacidade de intervir nos orçamentos de cada país e inclusive modifica-los, além de definir tetos de gasto e de dívida.

28 de Junho de 2012

Crise na Europa: Mario Monti solicita cooperação para apoiar as taxas de juros

As nações europeias podem “arder no inferno” caso não haja cooperação mútua para manter as taxas de juros sobre a dívida baixas argumenta o Premier Italiano Mario Monti.

Discursando para o comitê europeu, Monti afirmou que as forças políticas que dizem “deixem a integração europeia, deixem o euro, deixem esta ou aquela grande nação sair” são “um grande desastre para toda União Europeia”.

Dando continuidade à publicação de um plano da Comissão Europeia para resolver a crise através de uma maior cooperação mútua entre os países, assessores franceses do alto escalão afirmaram que o Presidente Francês recém-eleito, François Hollande, está bastante à vontade com a proposta, enquanto que Angela Merkel continua antagônica.

Discursando diante do comitê, a Chanceler Alemã disse que ”supervisão e responsabilidade devem seguir de mãos dadas”. “Só pode haver responsabilidade solidária, quando uma supervisão adequada é garantida”.

27 de Junho de 2012

Crise na Europa: Angela Merkel – Nada de Eurobonds, “enquanto eu viver”

A Chanceler Alemã Angela Merkel vem chamando os Eurobonds de “economicamente errados e contra-produtivos” em uma tentativa de cessar o método proposto para resolução da crise da dívida europeia.

Apoiada por França, Itália e Espanha, a emissão de Eurobondsmutualizaria a dívida europeia entre os países da zona do euro. No entanto, a Alemanha – principal economia da região – propôs a criação de um fundo de resgate permanente, o chamado European Stability Mechanism – ESM (Mecanismo de Estabilidade Europeu), que serviria para prover ajuda financeira aos bancos.

A negativa da Chanceler Alemã ocorreu antes do último comitê da União Europeia, onde o Presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompouy, propôs que a emissão de Eurobonds ocorresse como uma solução de médio prazo para a crise.

26 de Junho de 2012

Ontem, a Chanceler Alemã Angela Merkel rechaçou qualquer possibilidade de compartilhamento da dívida entre todos os países da zona do euro, a chamada solução simples para a crise europeia que a Alemanha classificou como insustentável.

Discursando em Berlim, Merkel afirmou estar preocupada com a reunião do comitê sobre a crise do euro desta semana, que estaria demasiadamente focado em “repartir a dívida”, uma medida popular entre outras nações mas que, aos seus olhos, parecia “economicamente errada” e “contra-produtiva”.

A Alemanha sempre posicionou-se favorável a buscar uma solução para a crise através de reformas e redução do déficit, apesar de alguns ministros em Bruxelas estarem dispostos a discutir esta semana medidas a favor da união bancária e de uma maior integração fiscal entre os países, além da implementação de mecanismos de resgate como os fundos garantidores da dívida e a emissão de eurobonds.

Enquanto isso, a agência de risco Moody’s rebaixou na noite de ontem mais 28 bancos espanhóis. Esta é mais uma péssima notícia tanto para a economia espanhola quanto para o resto da zona do euro, uma vez que a própria Espanha já havia sido rebaixada duas semanas atrás para o nível BAA3.

25 de Junho de 2012

Crise na Europa: George Soros – “A Alemanha deve assumir toda a responsabilidade caso o fundo de resgate do euro for bloqueado”

O mega investidor George Soros afirmou categoricamente que “a Alemanha deve ser responsabilizada por todas as consequências políticas e financeiras” caso a criação do fundo de resgate da zona do euro para comprar e manter as dívidas dos países atingidos seja bloqueada.

Defendendo a criação de um fundo de resgate para redução do endividamento na zona do euro através da emissão de títulos que seriam suportados por todos os países que compõem o bloco econômico europeu, Soros disse que tal plano contaria com o benefício do financiamento barato para os países em maior dificuldade.

Em seu artigo no Financial Times, Soros afirmou que “a posição atual da Alemanha de estabelecer uma união política antes do estabelecimento de uma união fiscal e bancária é tão irreal quanto irracional”.

22 de Junho de 2012

Crise na Europa: Bancos rebaixados pelas agências de risco

Quinze das maiores instituições financeiras mundiais tiveram suas recomendações de investimento rebaixadas no final do dia de ontem pela agência de risco Moody’s, refletindo o alto grau de exposição apresentado por estas instituições frente à crise do euro.

Dentre os bancos afetados encontram-se os britânicos Barclays, HSBC, RBS  e Lloyds, assim como o Credit Suisse. O rebaixamento da instituição suíça foi considerada a mais inesperada, uma vez que a mesma foi o único banco rebaixado em três níveis pela agência.

Com relação aos bancos americanos, foram rebaixados o Bank of America e o Citigroup. As outras instituições foram: Goldman Sachs, Morgan Stanley, JP Morgan Chase, UBS, BNP Paribas, Credit Agricole, Societe Generale, Deutsche Bank e Royal Bank of Canada.

Em Fevereiro, a Moody’s já havia anunciado que uma séria de bancos de investimento teriam suas notas de risco reavaliadas. Assim, o anúncio do rebaixamento dos bancos pela Moody’s já vinha sendo precificado pelos mercados financeiros desde então.

Mesmo assim, o aviso prévio não impediu que o Índice Dow Jones experimentasse o seu segundo pior dia de negociação em 2012. O Índice FTSE100 de Londres iniciou esta manhã em baixa, parte devido ao fechamento do Índice Dow Jones no dia anterior, parte por conta da divulgação de algumas previsões de baixo crescimento da economia mundial.

Outro fato relevante do dia ficou por conta dos rumores de que o Banco Central Europeu (BCE) pode acabar com os ratings de crédito da dívida da zona do euro. O BCE pretende optar por uma definição interna sobre qual seria o valor a ser utilizado como garantia em suas operações de crédito.

Enquanto isso, auditores independentes estimaram que a Espanha ainda precisará de mais € 62 bilhões para sanar o equilíbrio de seu setor bancário e conseguir sobreviver à crise de dívida que assola o país.

21 de Junho de 2012

Crise na Europa: Coalisão grega formada para apoiar o resgate

Uma coalisão governamental com três partidos políticos foi formada na Grécia com o intuito de apoiar o pacote de resgate internacional e manter o país na zona do euro.

O líder do Nova Democracia, partido de centro-direita, Antonis Samaras foi empossado ontem e vai liderar a coalisão partidária também formada pelos partidos socialistas Pasok e Esquerda Democrática.

Embora apoiem amplamente o pacote de resgate firmado meses atrás, o novo governo vem pleiteando melhorar determinados itens do acordo enquanto o país tenta se recuperar dos meses de turbulência econômica e política.

O governo encarará hoje o primeiro desafio de renegociação e implementação do acordo de resgate durante uma reunião com o Ministro das Finanças da zona do euro em Luxemburgo.

Apesar de ainda não ter um gabinete formado, o Primeiro-Ministro Grego já anunciou que o seu Ministro das Finanças será Rapanos Vassilis, oriundo do Banco Nacional da Grécia.

Discursando logo após a formação do novo governo, Samaras declarou que “a Grécia fará tudo o que estiver a seu alcance para superar a crise”.

20 de Junho de 2012

Crise na Europa: Obama afirma que “não há bala de prata” para a crise do euro

O Presidente Americano Barak Obama disse que os líderes europeus reconheceram a necessidade de uma atuação mais audaciosa e decisiva para resolver a crise da dívida. Discursando para a cúpula do G20, o Presidente afirmou que apesar de “não haver uma bala de prata para resolver a crise de imediato”, “a Europa encontra-se mais perto da integração do que de um eventual rompimento”.

Em um comunicado oficial ao final do encontro da cúpula, o G20 afirmou que “todas as medidas necessárias seriam tomadas”. Os líderes comprometeram-se em manter a estabilidade dentro da zona do euro e trabalhar para apoiar o novo governo grego, que deve ser formado ainda esta semana.

O documento assegura que “os membros da zona do euro do G20 tomarão todas as medidas necessárias para assegurar a integridade e estabilidade da área, melhorando o desempenho dos mercados financeiros e interrompendo o ciclo vicioso entre bancos e soberanos”.

A Chanceler Alemã Angela Merkel disse que a Grécia deve cumprir o plano de resgate já acordado afirmando que “ser óbvio que as reformas acordadas no passado são o caminho correto e que elas, portanto, devem ser implementadas”.

19 de Junho de 2012

Crise na Europa: Cresce a preocupação mundial

As primeiras notícias oriundas do encontro do G20 no México indicam que a preocupação mundial em relação à crise na zona do euro é crescente.

O Presidente da Comissão Europeia Jose Manuel Barroso defendeu veementemente esta manhã o modo como a União Europeia vem conduzindo a crise financeira na região. “Nós não viemos até aqui para receber lições”, disse o líder europeu, além de lembrar aos demais que “tal crise não foi originada na Europa”.

Enquanto isso, a taxa de inflação no Reino Unido caiu 2,8% no último mês, uma queda de 2,5% em relação ao ano passado, afirmou o Office for National Statistics (ONS), o Instituto Britânico de Estatística e Pesquisa equivalente ao IBGE no Brasil.

Analistas preveem uma maior queda da inflação ainda durante este verão.

18 de Junho de 2012

Crise na Europa: Gregos votam a favor do euro

Uma coalisão governamental pró-euro pode ser formada na Grécia após a vitória do partido de centro-direita Nova Democracia na segunda eleição no país em menos de 6 semanas. A formação de um governo pró-euro permite a continuação do diálogo entre a Grécia e o resto da Europa, o que pode culminar na renegociação financeira do pacote de resgate grego.

Clamando por um “governo de salvação”, o líder do partido Nova Democracia Antonis Samaras afirmou que o apoio ao programa de resgate grego permite que a Grécia possa retornar ao “caminho da prosperidade”. O resultado das eleições significa que o Nova Democracia agora possui 128 assentos no Congresso, que somados aos 33 do partido aliado Pasok, fornece ao potencial governo de coalisão 161 dos 300 assentos na Câmara dos Deputados.

O partido Syriza – de oposição à permanência da Grécia na zona do euro – obteve 27,1% dos votos na eleição, garantindo ao partido um total de 72 assentos no Congresso.

Logo após o anúncio oficial do resultado das eleições, o Fundo Monetário Internacional declarou “estar pronto para colaborar com o novo governo” e o Ministro do Exterior da Alemanha Guido Westerwelle indicou que, apesar de “não ser possível gerar maiores alterações no pacote de ajuda grego” e que “a Grécia deveria cumprir com o que foi acordado previamente”, tal resultado poderia gerar uma mudança no eixo do tempo.

15 de Junho de 2012

Todos os olhos estão atualmente voltados para as eleições presidenciais na Grécia que ocorrerão neste final de semana.

Rumores de que os gregos estariam mais a favor da elegerem um governo pró-socorro fizeram com que a bolsa de valores grega valoriza-se 10,0% ontem. A eleição de um governo pró-socorro diminuiria a probabilidade da Grécia ser forçada a abandonar o euro.

A agência de risco Moody’s rebaixou a avaliação de investimento de cinco instituições de crédito francesas – Credit Industriel et Commercial, Credit Mutuel Arkea, Oddo & Cie, Bankque Federative du Credit Mutuel e BPCE – por estarem muito vulneráveis à perda de confiança dos investidores associados com a Europa.

A exposição da Itália à crise vem custando caro: seus títulos de dívida da 3 anos foram negociados a 5,3% durante o leilão de ontem – o nível mais caro desde Dezembro de 2011 –, 1,4% mais caro do que o negociado no último mês.

Enquanto isso, os analistas de investimentos do banco JP Morgan disseram que o plano da zona do euro para impor regulamentos fiscais rigorosos sobre seus estados membros não conseguirão atingir seu objetivo por ser “demasiadamente pouco, demasiadamente tarde”.

14 de Junho de 2012

Os títulos de 10 anos do Governo Espanhol atingiram um novo recorde pelo segundo dia consecutivo. Os juros que incidem sobre estes bonds vêm sendo negociados acima de 7,0% depois que a agência de risco Moody`s rebaixou a nota de crédito espanhola para um patamar apenas acima do nível considerado “lixo”. Os líderes europeus tinham a esperança de que os mercados se acalmassem após o pacote de resgate de € 100 bilhões.

Moody’s argumentou, entretanto, que este resgate aos bancos espanhóis serviriam apenas para aumentar a dívida da Espanha ao invés de reduzí-la. Para piorar, a agência de risco ainda salientou que existe a possibilidade de um novo rebaixamento da nota de crédito da Espanha para o nível “lixo” dentro dos próximos três meses.

Tais notícias sobre o desempenho incessantemente fraco dosbonds espanhóis surgem no dia em que a Itália definiu a oferta de venda de € 4,5 bilhões em títulos do governo.

13 de Junho de 2012

O Chanceler Britânico George Osborne afirmou que a Grécia pode ter que abandonar a zona do euro para salvar esta moeda tão abalada pela crise na região.

Em comentários que podem gerar problemas para a Chanceler Alemã Angela Merkel, o ministro de finanças britânico levantou dúvidas “se a solicitação do governo alemão para que a Grécia abandone o euro não seria apenas uma justificativa pública para o plano de fusões bancárias, emissão de eurobonds e outras medidas pouco populares para se tentar estancar a crise”.

Até o momento, o governo alemão ainda não solicitou a emissão de novos eurobonds.

Discursando para empresários em Londres, o Sr. Osborne afirmou que “ele realmente não sabe se a Grécia realmente precisa deixar o euro para que sejam tomadas as medidas necessárias para a sobrevivência da moeda comum europeia”.

Os comentários do Sr. Osborne vieram logo após os títulos de 10 anos do Governo Espanhol atingissem 6,8%, sua maior taxa desde que a Espanha aderiu ao euro.

12 de Junho de 2012

Após um início animador provocado pelo anúncio da recapitalização dos bancos espanhóis, todos os mercados mundiais caíram rapidamente ao longo desta segunda-feira.

Praticamente todos os mercados fecharam o dia de ontem desvalorizados em relação ao fechamento da última sexta-feira. O preço do petróleo caiu 3,0% devido ao temor de que a crise gere uma menor demanda pela commodity.

A agência de risco Fitch rebaixou a nota dos bancos espanhóis BBVA e Santander na última noite, uma vez que os economistas vêm alertando o mercado de que ainda há a possibilidade de uma eventual ruptura da zona do euro.

O custo de obtenção de empréstimo por parte dos governos italiano e espanhol para pagamento em dez anos aumentou dramaticamente após um curto rali no início da manhã de ontem.

O Chipre deve se tornar a quinta nação da zona do euro a pedir socorro financeiro, conforme anunciou o seu ministro das finanças. A razão seria uma forte exposição de seus bancos à crise na Grécia.

11 de Junho de 2012

As bolsas de valores europeias e asiáticas vêm apresentando forte alta após as notícias do plano de resgate aos bancos espanhóis.

Ao longo da manhã desta segunda-feira, o FTSE100 valorizou-se 1,6%, o DAX alemão 2,2%, o CAC40 francês 2,0% e o índice espanhol IBEX subiu 4,4%. Mais cedo, o índice NIKKEI de Tóquio já fechava em alta de 2,0%, enquanto o mercado mundial de câmbio apresentava valorização do euro em relação ao dólar.

O bom humor das bolsas mundiais foram reflexo do pacote de ajuda de mais de € 100 bilhões anunciado neste final de semana para tentar resgatar o equilíbrio dos bancos espanhóis. Os detalhes finais do pacote de ajuda serão divulgados durante esta semana após o fim da auditoria realizada pelo FMI (Fundo Monetário Internacional).

07 de Junho de 2012

O Primeiro Ministro Britânico David Cameron tem argumentado que a Alemanha “não pode agir sozinha” para tentar resolver a crise na zona do euro.

Cameron afirmou que “a velocidade é essencial” e que “cada dia de estagnação econômica são dias em que oportunidades são perdidas, riquezas são perdidas e empregos podem ser perdidos... assim, é preciso que as economias da zona do euro sejam mantidas em movimento”. Tais declarações ocorreram antes do encontro do Primeiro Ministro com a Chanceler Alemã Angela Merkel.

O encontro ocorre logo após que a Comissão Europeia revelou seus planos para uma “união bancaria” dentro da zona do euro e depois do encontro entre Cameron e o Presidente Americano Barak Obama, que resultou no pedido de um plano imediato para estabilização da crise europeia.

06 de Junho de 2012

Apesar da crescente especulação, o Ministro da Economia da Espanha Luis de Guindos nega que o país precise de resgate de seu setor bancário e afirma que não discutiu qualquer tipo de intervenção sobre os bancos espanhóis. As observações ajudaram a impulsionar a Bolsa de Valores de Madri, que apresentou um crescimento de 3% na manhã desta quarta-feira.

31 de Maio de 2012

Temores pela saúde financeira da Espanha intensificaram-se ainda mais na última noite quando a Comissão Europeia publicou o seu relatório anual “Análise sobre a Saúde das Economias Europeias”. O relatório indicou um grande gap econômico entre os países líderes do bloco e o resto da zona do euro agonizante. Enquanto a Alemanha sinaliza para um crescimento de 0,7% ao longo deste ano, a economia italiana provavelmente contrairá 1,4% em 2012 e a Espanha – em situação crítica – apresentará decréscimo de seu PIB (Produto Interno Bruto) em torno de 1,8%.

Além do cenário de contração, há o medo de que o governo espanhol não tenha fundos suficientes para cobrir o rombo presente nas instituições financeiras espanholas. Lembrando que o Bankia – quarto maior banco da Espanha – já sinalizou ao governo que necessitará de uma “ajuda” bilionária para equilibrar-se novamente.

O Presidente da Comissão Europeia, Jose Manuel Barroso, confirmou que fundos da União Europeia poderão ser utilizados no futuro para socorrer os bancos da região. Mesmo assim, ele avisou também que não há uma solução fácil que possa equalizar a crise atual.

Os mercados refletiram o aumento da preocupação por parte dos investidores, com a manutenção dos valores dos títulos espanhóis de 10 anos sendo negociados a um nível desde antes das medidas de resgate para a crise europeia anunciada no ano passado.

Os bancos britânicos têm emprestado dinheiro tanto para o governo espanhol quanto para o setor privado do país. A Comissão Europeia assinalou que o fraco desempenho da economia europeia atualmente, muito provavelmente irá prejudicar o crescimento da Inglaterra no próximo ano.

30 de Maio de 2012

O Banco Central Europeu rejeitou sumariamente o plano de auxílio proposto pelo Banco Central Espanhol para salvar o Bankia – quarto maior banco espanhol – alegando identificando diversas irregularidades na operação. Todas as Bolsas de Valores Europeias operam em forte baixa, reflexo do medo de repetição na Espanha do estouro de uma bolha imobiliária, tal qual a que ocorreu no Estados Unidos em 2008. Estima-se que as instituições financeiras espanholas detenham um total de € 180 bilhões em ativos imobiliários tóxicos.

Por não ter sido capaz de prever o tamanho da dívida dos bancos espanhóis, o presidente do O Banco Central da Espanha, Miguel Fernández Ordóñes, resolveu adiantar a sua saída do cargo. 

29 de Maio de 2012

Ontem, as principais lideranças político-econômicas britânicas reuniram-se para traçar um plano de ação contra uma eventual ruptura da zona do euro. Participaram da reunião o Primeiro Ministro Britânico David Cameron, o Vice Primeiro Ministro Nick Clegg e o Chanceler George Osborne, assim como o Presidente do Banco da Inglaterra Sir Mervyn King e o Regulador Chefe dos Bancos Britânicos Lorde Adair Turner.

28 de Maio de 2012

A crise do euro transfere toda sua atenção para a Espanha, depois da notícia que investidores vêm considerando que a dívida espanhola atingiu o seu nível mais arriscado desde a introdução do euro. Os juros cobrados pela dívida pública espanhola continuam a bater recordes e atingiram os 5,57% sobre os bonds espanhóis de 10 anos – valor mais alto desde 19 de Abril de 2000.

O Primeiro Ministro Espanhol, Mariano Rajoy, afirmou que, economicamente, o país  vem “domando o touro pelos chifres”, uma vez que a alternativa seria o “colapso das contas espanholas”  e, acabou por reconhecer que a situação encontra-se “extremamente difícil”.

25 de Maio de 2012

O órgão regulador de mercado espanhol suspendeu preventivamente as negociações das ações da instituição de crédito Bankia na Bolsa de Valores de Madri. A suspensão será mantida até que os membros do conselho do banco se reúnam para que se tenha uma definição do montante total a ser injetado na instituição pelo governo.

O Bankia, que é o quarto maior banco espanhol, foi parcialmente nacionalizado duas semanas atrás devido a problemas relacionados com títulos imobiliários podres. As ações de seu principal acionista – o Banco Financiero y de Ahorros (BFA) – também foram suspensas.

O Ministro da Economia Espanhol Luis de Guindos disse no dia 23 de Maio de 2012 que o governo injetaria a princípio € 9 bilhões (US$ 11 bilhões) no Bankia, mas que adicionaria mais caso fosse necessário. As instituições de crédito espanhola estão perigosamente expostas ao possível estouro de uma bolha imobiliária espanhola. O Bankia seria o mais exposto, acumulando um total de € 32 bilhões em ativos tóxicos.

24 de Maio de 2012

O Presidente do Conselho Europeu Herman Van Pompuy  mantém o discurso de que para a Grécia permanecer na zona do euro, esta deve “respeitar os compromissos firmados”. Em seu discurso, Von Rompuy afirmou que “a zona do euro vem demonstrando uma solidariedade considerável” e que a comunidade europeia está “plenamente consciente dos grandes esforços feitos pelos cidadãos gregos”.

24 de Maio de 2012

O Primeiro Ministro Britânico David Cameron posiciona-se fortemente contra a implementação de um amplo imposto sobre transações financeiras para a União Europeia (UE), afirmando que isto “deixaria a Europa menos competitiva” e que ele “lutaria contra tal medida de todas as maneiras”. Depois que os líderes da UE tentaram levantar a questão, Sr. Cameron reafirmou que o Imposto sobre Transações Financeiras é uma péssima ideia – isto afetará os custos trabalhistas e sacrificará muitos e muitos empregos.

24 de Maio de 2012

Durante um discurso em Berlim, O Vice Primeiro Ministro Britânico Nick Clegg afirma que “nenhuma pessoa racional deve defender a saída da Grécia da zona do euro”. Líder do Partido Democrático Liberal Europeu, o Sr. Clegg argumenta que: “... Como europeus, nossa responsabilidade sobre esta crise vem sendo lamentavelmente fragmentada. Nós temos falhado em diversas frentes. O modo como temos tomado decisões vem minando a confiança da população. Toda semana os líderes europeus reúnem-se para uma nova cúpula de debate sobre a crise, na qual uma nova solução temporária é definida.”

23 de Maio de 2012

A líder do FMI (Fundo Monetário Internacional) Christine Lagarde mantém o discurso de que a Grécia deve aumentar o recolhimento de impostos e implementar profundas reformas estruturais. Reconhecendo que a população grega vem realizando um “grande esforço” para adequarem suas finanças, a Sra. Lagarde afirmou que tais medidas foram essenciais para garantir a permanência do país na zona do euro – e que o FMI está preparado para qualquer possível cenário, incluindo um possível calote grego e sua eventual saída da zona do euro.

21 de Maio de 2012

Em discurso claro contra o crescente cenário de apoio aos partidos extremistas nas nações afetadas pela crise, o Vice Primeiro Ministro Britânico Nick Clegg alerta que o colapso da zona do euro seria a “receita ideal para o aumento do extremismo e da xenofobia na região”.

20 de Maio de 2012

Entre a cúpula do G8, o Primeiro Ministro Britânico David Cameron defende que a aproximação das eleições gregas deve ser encarada como um referendo popular sobre a permanência da Grécia na zona do euro. O Presidente Obama argumenta que há um consenso crescente de que a Europa precisa concentrar-se na criação de empregos.

18 de Maio de 2012

À frente da OTAN e das rodadas de negociação do G8, Angela Merkel cobra do Presidente grego a execução de um referendo popular sobre a permanência da Grécia na zona do euro.

15 de Maio de 2012

Hollande toma posse como Presidente e parte imediatamente para Berlim para se reunir com a pró-austeridade Chanceler Angela Merkel.

13 de Maio de 2012

O Presidente da Grécia, Karolos Papoulias, tenta formar uma coalisão governamental. A coalisão e a Grécia ruma para novas eleições.

06 de Maio de 2012

A eleição presidencial grega é marcada pelo grande equilíbrio entre os partidos favoritos. Coincidentemente, todos os partidos favoritos são contra a estratégia de austeridade da União Europeia.

06 de Maio de 2012

O candidato do partido socialista François Hollande vence as eleição presidencial francesa, batendo com autoridade Nicolas Sarkozy – o candidato de centro-direita pró-austeridade e aliado íntimo da Chanceler da Alemanha Angela Merkel.

29 de Fevereiro de 2012

O Banco Central Europeu mantém um segundo leilão, auxiliando 800 bancos da zona do euro com empréstimos a taxas de juros baixíssimas de mais de € 529 bilhões.

21 de Fevereiro de 2012

Finalizado o segundo pacote de resgate. Desta vez o alvo foram os credores privados dos títulos do governo grego, que concordaram com uma redução total de 53,5% sobre o valor dos bonds.

21 de Fevereiro de 2012

Os países da União Europeia concordam em reduzir a dívida grega em 120,5% até 2020, através da redução retroativa das taxas de juros de resgate.

13 de Janeiro de 2012

A agência de risco S&P rebaixa a nota das dívidas da Áustria e da França, assim como diminui – mais ainda – as notas da Espanha e da Itália. O grau de investimento AAA da Alemanha é mantido.

Crise do Euro: Traduzindo os últimos acontecimentos

Um aviso para os investidores que não tiram os olhos do noticiário especializado em busca de uma luz no fim do túnel para guiá-los neste momento de depressão das bolsas de valores e do mercado financeiro em geral: uma nova palavra foi cunhada para resumir o estágio atual de inadimplência na zona do euro e da crise econômica e de austeridade em desenvolvimento na Grécia – Grexit. Em bom português, esta palavra pode ser traduzida como "A Saída da Grécia".

A mídia vem tentando nos passar a ideia de que François Hollande (França), David Cameron (Reino Unido) e Angela Merkel (Alemanha) estão em contato constante com o Presidente Barack Obama, tanto na OTAN quanto nas rodadas de discussão do G8, buscando maneiras de manter a Grécia no euro, mas eu não acredito nas manchetes; a crise do euro já acabou!

Em termos simples, o cronograma atual de eventos mostram que a Grécia pode perfeitamente deixar a zona do euro sem que isso se transforme em um grande desastre.

Inadimplência é fácil de se resolver, assim como a introdução de uma nova moeda – até mesmo nações historicamente quebradas conseguem gerenciar isso.

Espanha, que provavelmente será o próximo país em evidência na zona do euro, de acordo com o atual cronograma, vai socorrer os seus bancos – O Banco Central Europeu vai bombardeá-los com quantos euros forem necessários. A Itália vai chegar perto. A França vai espernear junto. Vai haver inflação. Pode haver alguma austeridade por aí, mas apenas superficialmente. O euro vai cair e continuar caindo.

Entretanto, as últimas notícias sugerem que a crise está no fim.

Em 2011, o cenário era completamente diferente, uma vez que o mecanismo e o acordo firmado sobre o que fazer não estavam funcionando ou não estavam devidamente esclarecidos. Então, a crise era real. A falta de um acordo que pudesse manter os países aglutinados, mantinha todo o sistema em parada cardíaca – até os modelos econômicos conseguiam enxergar isso.

Agora, o plano de tratamento já está estabelecido. Isso significa que a crise não é mais aguda; seus problemas são agora de longo prazo e perfeitamente curáveis.

Crise do Euro: Explicando a estratégia atual do Banco Central Europeu (BCE)

A "operação de refinanciamento de longo prazo" do Banco Central Europeu (BCE) baseia-se em duas coisas.

Primeiramente, isto é um resultado de acordo. Isso significa que a Alemanha terá que digerir alguma inflação. E por que não? A Alemanha vai crescer muito mais sob inflação. Uns poucos pontos de inflação vai desvalorizar o euro e tornar a Alemanha muito mais poderosa. Que grande sacrifício este o da Alemanha pelo benefício da unidade europeia, não é mesmo?

Em segundo lugar, isto é um método de estabilização, estimulação e reflação do euro, de tal maneira que ninguém está se importando com a quebra do sonho dourado monetário de prudência fiscal e orçamentos balanceados. O BCE pode perfeitamente refinanciar estes débitos a longo prazo sempre que julgar necessário e, se a inflação chegar, aí mesmo que será bastante difícil de impedir as nações europeias de saírem de suas dívidas.

Assim, podemos concluir que o euro vai cair e cair, pelo menos até os níveis mais baixos aferidos nos primórdios de implementação da moeda. Isso dificilmente pode ser considerado uma catástrofe financeira.

Se a inflação na Europa puder ser mantida entre 5% e 7%, poderemos considerá-la como parte de uma tendência inflacionaria que os Estados Unidos enfrentarão e, que o Reino Unido já está enfrentando. Talvez a inflação europeia atinja os dois dígitos. Se isso acontecer, então a Europa fingirá ainda estar confusa e colocará toda a culpa no aumento dos preços ao invés da perda do valor de seu dinheiro.

Ninguém se importará muito se as economias europeias estiverem se recuperando gradualmente. Lembrem-se: mudanças graduais não são noticiadas.

Isto é bom para ativos, uma vez que a reflação empurra para cima o valor nominal das coisas ou, ao menos, faz com que pareça que estes valores estejam caindo menos, mesmo que em termos econômicos esteja havendo um derramamento de sangue.

Mesmo que talvez não esteja sendo adicionado uma riqueza real, alguns ativos acabam funcionando como hedge, contra a devastação promovida pela estagflação.

Serviços como corte de cabelo parecem estar ficando bastante caros, enquanto que aqueles brinquedos fantásticos como smatphones e ithings parecem ter subido menos. Isso acaba dando a impressão de que a inflação é menor do que realmente ela é. O preço da maioria das coisas que você realmente precisa sobe bastante, enquanto que os luxos e perfumarias não sobem tanto. A inflação real é mascarada. Este é o truque de mágica esperado pelo BCE.

Crise do Euro: Impacto sobre o Ouro

Ouro, é claro, valoriza-se nas crises. Assim como qualquer outro ativo que envolva custos faturados em moedas mais fortes. A Europa não terá austeridade. Eles tentarão e conseguirão se manter de pé, mas isso não será suficiente para manter-se equilibrado. Entretanto, mesmo esta leve austeridade adquirida será cobrada nas urnas.

As principais moedas do mundo serão reajustadas em uma tentativa desesperada das nações de se livrarem de seus débitos. Então, mais uma vez, os austeros e os poupadores sofrerão, enquanto que os tomadores de empréstimo e os consumistas desenfreados prosperarão em um mundo com taxas de juros baixíssimas e inflação em alta.

Entenda a crise na Europa

A crise na Europa foi causada pela dificuldade de alguns países europeus em pagar as suas dívidas. Cinco dos países da região – Grécia, Portugal, Irlanda, Itália e Espanha – não vêm conseguindo gerar crescimento econômico suficiente para honrar os compromissos firmados junto aos seus credores ao longo das últimas décadas. O risco de inadimplência é real e tem consequências de longo alcance, que se estenderão além das fronteiras da zona do euro.

“A crise da dívida europeia é a crise financeira mais séria desde os anos 1930, se não a mais séria da história”, afirmou o Presidente do Banco da Inglaterra, Mervyn King, em outubro de 2011.

Como começou a crise na Europa?

A economia mundial tem experimentado um crescimento lento desde a crise financeira dos Estados Unidos entre 2008 e 2009. A crise americana expôs as políticas fiscais insustentáveis dos países na Europa e no mundo.

A Grécia, um dos países que não conseguiu realizar reformas fiscais, foi um dos primeiros a sentir o aperto de um crescimento mais fraco. Quando o crescimento diminui, assim como as receitas fiscais, torna os elevados déficits orçamentários insustentáveis. Na verdade, as dívidas da Grécia eram tão grandes que ultrapassaram o tamanho de toda a economia do país. No final de 2009, a única solução que restou para o então recém-empossado primeiro-ministro George Papandreou foi assumir que a Grécia não tinha mais condições de pagar as suas contas.

Os investidores reagiram de imediato, exigindo maiores rentabilidades sobre os títulos da Grécia, o que elevou o custo dos encargos da dívida do país e exigiu uma série de salvamentos pela União Europeia (UE) e Banco Central Europeu (BCE). A partir do episódio grego, o mercado passou a exigir maiores rentabilidades sobre os títulos dos outros países endividados da região, tentando antecipar problemas semelhantes ao que ocorreu na Grécia.

Porque a rentabilidade dos títulos sobe em resposta a este tipo de crise, e quais são as suas implicações?

A razão para o aumento da rentabilidade dos títulos é simples: uma vez que os investidores passam a considerar o investimento em títulos de um país arriscado, começarão a exigir um retorno maior para compensar esse risco. Isso gera um ciclo vicioso: a demanda por maiores rendimentos equivale a custos mais elevados de financiamento para o país em crise, o que leva a uma tensão fiscal ainda maior, levando os investidores a exigir um maior rendimento, e assim por diante. A perda geral de confiança dos investidores geralmente contagia o mercado, fazendo com que os investidores passem também a exigir rentabilidades maiores para a aquisição de títulos de outros países com finanças igualmente abaladas.

O que os governos europeus têm feito em relação à crise?

A União Europeia (UE) vem adotando algumas medidas para tentar controlar a crise, porém, move-se muito lentamente, já que necessita do consentimento de todos os dezessete países que compõem a UE para agir.

As principais medidas adotadas até o momento tem sido a liberação de uma série de pacotes de resgate para tentar equilibrar a economia dos países em maior dificuldade. Na primavera de 2010, a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) desembolsaram € 110 bilhões para a Grécia. Em meados de 2011, a Grécia exigiu um segundo resgate – ainda maior – de cerca de € 157 bilhões. Mesmo assim, a Grécia continuou em sérias dificuldades e, em 9 de março de 2012, o país e seus credores firmaram um acordo para reestruturação da dívida grega, além de planejarem a injeção futura de mais parcelas de fundos de resgate. Irlanda e Portugal também receberam socorro, respectivamente, em novembro de 2010 e maio de 2011.

Em 9 de maio de 2010, para facilitar o fornecimento de empréstimos de emergência aos países em dificuldade financeira, os países-membros da zona do euro criaram o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF, na sigla em inglês).

Entretanto, apesar das ações promovidas pelas autoridades europeias ajudarem a estabilizar os mercados financeiros no curto prazo, elas têm sido amplamente criticadas por apenas “esconderem a sujeira debaixo do tapete”, adiando a adoção de medidas que solucionem definitivamente a crise para o futuro.

O que o Banco Central Europeu têm feito em relação à crise?

O Banco Central Europeu (BCE) também tem tentado ajudar. Em agosto de 2011, o BCE anunciou um plano para comprar títulos do governo, quando necessário, a fim de manter as taxas de juros em um nível aceitável, uma vez que países como Itália e Espanha já não tinham mais como pagar as taxas de rentabilidade.

Em dezembro de 2011, o BCE disponibilizou uma linha de crédito com taxas ultrabaixas no valor de € 489 bilhões à disposição dos bancos em dificuldade na zona do euro. Este programa, denominado Operação de Refinanciamento de Longo Prazo (LTRO, na sigla em inglês), teve como objetivo manter a capacidade dos bancos europeus de conceder empréstimos. Diversas instituições financeiras da zona do euro possuíam dívidas com vencimento em 2012, o que comprometeria as suas reservas para concessão de empréstimos. Uma diminuição na linha de crédito bancário para empresas e indivíduos afetaria o crescimento econômico dos países – já em dificuldade – e agravaria a crise. Assim, o BCE também vem lutando para manter o balanço financeiro dos bancos em equilíbrio, tentando assim, evitar que a crise da dívida europeia se potencialize. Em fevereiro de 2012, o BCE disponibilizou mais recursos para o LTRO.  

Entretanto, há o consenso de que: enquanto os países menores, como a Grécia são economias pequenas o suficiente para serem resgatadas pelo Banco Central Europeu, países como Itália e Espanha são grandes demais para serem salvos.

Porque o calote da dívida é um problema tão sério? Um país não poderia simplesmente esquecer suas dívidas e começar de novo? 

Infelizmente, a solução não é assim tão simples, por uma razão fundamental: os bancos europeus continuam a ser um dos maiores detentores dos títulos (dívidas) dos países da zona do euro, apesar de terem reduzido suas posições ao longo do segundo semestre de 2011. Bancos são obrigados a manter uma certa quantidade de ativos em seus balanços relativos ao montante da dívida que possuem. Se um país resolve simplesmente deixar de pagar sua dívida, o valor de seus títulos vai desabar no mercado. Para os bancos, isso poderá significar uma redução acentuada na quantidade de ativos em seus balanços – e, uma eventual insolvência. Devido à interligação crescente do sistema financeiro mundial, a falência de um banco não acontece isoladamente. Em vez disso, é provável que uma série de falências bancárias seja desencadeada num "efeito dominó".

O melhor exemplo disso foi o que ocorreu no início da crise imobiliária americana, quando uma série de colapsos de instituições financeiras menores levou à falência o Lehman Brothers – um dos maiores bancos do mundo, forçando o governo a resgatar e/ou forçar a aquisição de uma série de outros bancos e instituições. Uma vez que os governos europeus já estão em dificuldade para manterem o equilíbrio de suas próprias contas, há muito menos margem para auxiliarem os seus bancos do que havia para o governo americano naquela ocasião.

Como a crise da dívida europeia afeta os mercados financeiros?

Apesar de todos saberem que o investidor, geralmente, possui “memória curta”, os efeitos gerados pela crise financeira americana sobre as bolsas de valores em 2008 e 2009 ainda permanecem na memória do mercado. Assim, a primeira reação dos investidores a qualquer notícia ruim tem sido: rejeitar qualquer tipo de risco, e comprar os títulos do governo de países financeiramente mais sólidos, mesmo que isso signifique investir em um ativo com rentabilidade zero ou próxima de zero (como os treasuries norte-americanos), ou mesmo, negativa (como os bonds alemães).

De um modo geral, as ações dos bancos europeus – e as bolsas europeias como um todo – vêm tendo um desempenho muito pior do que as suas contrapartes globais durante os momentos em que a crise encontra-se no centro do palco. Os mercados de títulos dos países mais abalados também têm se apresentado mal. Lembre-se: o aumento da taxa de rentabilidade dos títulos significa que a procura no mercado por estes ativos, assim como os seus valores, estão caindo. Isso explica o fato da rentabilidade dos treasuries norte-americanos terem caído para os níveis mais baixos da história quando o governo norte-americano mais precisava de dinheiro para restaurar a saúde de seu sistema financeiro e da economia do país.

Quais são as questões políticas envolvidas na crise europeia?

As implicações políticas da crise são enormes. Nas nações mais afetadas, a tentativa de adoção de medidas mais austeras – como o corte de gastos públicos e o aumento dos impostos para se tentar reduzir a discrepância entre receitas e despesas – levou a protestos públicos na Grécia e na Espanha, além do partido político no poder na Itália e Portugal. Na União Europeia, a crise elevou as tensões entre os países fiscalmente discrepantes, como a Alemanha e a Grécia. A Alemanha vem tentando forçar a Grécia e outros países em dificuldade a reformarem seus orçamentos como condição para a prestação de auxílio.

Depois de um grande debate, a Grécia finalmente concordou em cortar gastos e aumentar os impostos. No entanto, um obstáculo importante tem sido a relutância da Alemanha para concordar com uma solução para toda a região, como a emissão de um título comum a todos os dezessete países da zona do euro – os chamados eurobonds. A adoção de tal medida faria com que a Alemanha tivesse que arcar com uma parcela desfavoravelmente desproporcional da dívida, o que seria um acinte à política de responsabilidade fiscal adotada historicamente pelo país, além da morte política de Angela Merkel, a atual chanceler.

A tensão criou a possibilidade de um ou mais países europeus abandonarem o euro (moeda comum da região). Por um lado, deixar o euro permitiria que um país adotasse uma política própria e independente, ao invés de estar sujeito a uma política comum às demais nações que utilizam a moeda. Por outro lado, seria um evento de magnitude sem precedentes para a economia global e os mercados financeiros. Essa preocupação contribuiu para a fraqueza periódica do valor do euro em relação às principais moedas globais durante o período de crise.

Austeridade fiscal é a resposta para a crise na Europa?

Não necessariamente. A compulsão da Alemanha por austeridade, tentando obrigar os países já em dificuldade a adotarem uma política com impostos mais altos e gastos mais baixos, pode vir a ser problemática. Tal política gera um crescimento mais lento do Produto Interno Bruto (PIB), significando menores receitas fiscais para os governos pagarem suas contas. A perspectiva de diminuição de gastos governamentais acarretou uma série de protestos públicos, e tornou mais difícil para as autoridades adotarem todas as medidas necessárias para se tentar resolver a crise. Além disso, toda a Europa entrou em um período de recessão a partir do final de 2011, em parte devido a estas medidas, e também pela perda geral de confiança entre empresas e investidores.

No entanto, os países mais ricos da Europa têm pouca escolha além de pressionarem as nações mais endividadas a apertarem o cinto, uma vez que eles também estão enfrentando uma forte pressão de seus próprios cidadãos. Os contribuintes em países como a Alemanha e a França se recusam a usar seu dinheiro para financiar o que é visto como um excesso de gastos por parte da Grécia e dos outros países europeus com problemas. Este tipo de desacordo fundamental faz com que seja muito difícil o estabelecimento de um consenso para resolver a crise na Europa.

Qual a relação da crise da dívida europeia e os Estados Unidos?

O sistema financeiro mundial está totalmente interligado atualmente, o que significa que um problema na Grécia ou outro pequeno país europeu, passa a ser um problema para todos nós. A crise da dívida europeia não afeta apenas os mercados financeiros, mas também o orçamento do governo dos Estados Unidos: quarenta por cento do capital do Fundo Monetário Internacional (FMI) vem dos Estados Unidos. Assim, se o FMI for obrigado a emprestar muito dinheiro para as iniciativas de resgate, os contribuintes americanos serão obrigados a pagar a conta. Além disso, a dívida dos Estados Unidos também vem crescendo constantemente – o que significa que os acontecimentos na Grécia e no resto da Europa são um sinal de alerta potencial para as autoridades americanas, particularmente em relação a grande quantidade de juros da dívida que vence no final de cada ano fiscal.

Quais são as perspectivas para a crise na Europa?

A Europa ainda continuará em turbulência durante muito tempo. A saída da Grécia do euro parece inevitável, a ponto de até uma terminologia já ter sido cunhada para o evento: Grexit. Apesar do apertado resultado nas últimas eleições terem sinalizado que uma pequena maioria no país apoia o pacote de resgate oferecido pelas autoridades europeias em contrapartida a um maior compromisso fiscal, a insistência grega em, constantemente, tentar renegociar as condições do resgate minam a confiança e a paciência do investidor. Segundo a Bloomberg News, mais de cinquenta por cento dos investidores consultados preveem a saída de um membro do euro em algum momento de 2012.

A instabilidade política continua a afetar o resto da Europa: o presidente francês, Nicolas Sarkozy, perdeu o poder, em parte, devido a seu apoio a medidas de austeridade, e ao fato da região ter entrado em recessão. Assim como na França, há uma forte tendência em outros países da zona do euro de troca dos partidos políticos que estavam no poder antes e durante o estouro da crise. A Espanha, por sua vez, enfrenta uma taxa de desemprego de vinte e cinco por cento, um sério entrave para o seu crescimento.

Centralmente, os políticos europeus enfrentam uma escolha difícil: manter a união monetária em conjunto, com todos os desafios que isso implica, ou permitir que a Grécia (e, possivelmente, Espanha e/ou a Itália) saiam, um caminho que, fatalmente, levaria o caos ao mercado financeiro. Como resultado, a chance de um novo choque econômico para a região – e para economia mundial como um todo – ainda é uma possibilidade significativa e, provavelmente, vai continuar assim por vários anos.

Europa

EuroStoxx 50

3.226,15
+14,45
+0,45%
Grécia

Athex Composite

962,05
-22,51
-2,29%
Espanha

IBEX 35

10.699,60
+57,1
+0,54%
Itália

FTSE Mib Index

20.009,83
+84,01
+0,42%
Portugal

PSI20

5.337,02
+3,32
+0,06%
Irlanda

Iseq 20

826,67
+6,33
+0,77%
Alemanha

DAX

9.861,21
+75,67
+0,77%
França

CAC 40

4.382,31
+13,87
+0,32%
Reino Unido

FTSE 100

6.731,14
+1,35
+0,02%
Holanda

AEX

423,18
+0,27
+0,06%
Ouro

Ouro

1.200,2
+4,5
+0,38%
Petróleo

Petróleo

73,86
-1,92
-2,53%



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