Mercado Diário: Ibovespa registra a maior alta dos últimos quatro meses

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São Paulo, 15 de Julho de 2013 – Os dados divulgados pela China na madrugada de domingo para segunda-feira vieram em linha com as expectativas dos analistas do mercado financeiro e colaboraram para o otimismo dos investidores.

O Escritório Nacional de Estatísticas da China anunciou que a economia do país asiático cresceu 7,5% no segundo semestre na taxa anualizada, em linha com as estimativas. Analistas de mercado temiam que o número fosse menor, após dados recentes terem mostrado forte queda nas exportações em junho.

Menos temerosos com o risco de menor crescimento da China, investidores foram às compras no Mercado Bovespa e levaram o principal índice de ações da bolsa de valores brasileira à maior alta diária em mais de quatro meses, em dia também marcado pelo exercício das opções.

O Ibovespa registrou alta de 2,65%, fechando cotado a 46.738 pontos. Foi a maior alta desde 6 de março, quando o índice subiu 3,55%.

Apesar da valorização expressiva, o volume financeiro movimentado ao longo do pregão não foi tão expressivo assim. Também não foi notada uma presença relevante de investidores estrangeiros, o que coloca em dúvida se a forte valorização do índice teve sustentação. O volume financeiro total negociado somou R$ 7,495 bilhões. Desse montante, R$ 2,181 bilhões correspondem ao exercício de opções sobre ações. O exercício movimentou R$ 850 milhões em opções de compra e R$ 1,32 bilhão em opções de venda.

As blue chips Petrobras e Vale, as mais importantes do mercado de opções, fecharam em alta:

  • as ações preferenciais da Vale (VALE5) subiram 1,10%, fechando cotadas a R$ 27,36;
  • as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) subiram 0,71%, fechando cotadas a R$ 15,54;
  • as ações ordinárias da Vale (VALE3) subiram 0,47%, fechando cotadas a R$ 29,97;
  • as ações ordinárias da Petrobras (PETR3) subiram 1,93%, fechando cotadas a R$ 14,78.

Algumas ações do setor de siderurgia, um dos maiores exportadores brasileiros para a China, registraram forte valorização:

  • as ações ordinárias da CSN (CSNA3) tiveram valorização de 8,19%, fechando cotadas a R$ 6,08;
  • as ações ordinárias da Usiminas (USIM3) tiveram valorização de 14,64%, fechando cotadas a R$ 7,83;
  • as ações preferenciais da Usiminas (USIM5) tiveram valorização de 15,60%, fechando cotadas a R$ 7,56.

Além dos dados positivos sobre a China, a alta das ações da Usiminas também refletiu a notícia de que o Credit Suisse elevou a indicação do papel de “underperform” (desempenho abaixo da média do mercado) para “outperform” (acima da média), com preço-alvo de R$ 10,00 por ação preferencial. O banco passou a apostar na recuperação gradual da companhia que, após a recente queda de 49% neste ano, passou a apresentar um múltiplo EV/Ebitda de 5,9 para 2014, já com 10% de desconto na comparação com os pares globais. O múltiplo EV/Ebitda mostra a relação entre o valor da empresa e o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização – uma medida simplificada de geração de caixa.

Outro destaque do dia foi a forte valorização das ações da empresa de telecomunicações Oi:

  • as ações ordinárias da Oi (OIBR3) tiveram valorização de 9,89%, fechando cotadas a R$ 4,00;
  • as ações preferenciais da Oi (OIBR4) tiveram valorização de 8,88%, fechando cotadas a R$ 3,67.

Os papéis da Oi reagiram ao acordo fechado na última sexta-feira para a venda da Globenet, operação de cabos submarinos da Oi, ao BTG Pactual Infraestrutura II Fundo de Investimento e Participações. A Oi vai transferir a totalidade de sua participação na Brasil Telecom Cabos Submarinos e suas subsidiárias (que conjuntamente levam o nome de Globenet) por R$ 1,745 bilhão. O valor está sujeito a ajustes previstos em contrato. Os papéis do BTG fecharam em baixa de 0,71%.

Os bancos também terminaram em alta, com destaque para Bradesco ON (5,04%), seguida por Banco do Brasil ON (2,80%), Bradesco PN (2,49%), Itaú PN (1,82%) e Santander Unit (2,08%). Operadores chamaram atenção para o fato de Bradesco PN e Itaú PN voltarem a ser negociados na mesma faixa de preço, em torno de R$ 28,00.

Mas foram as empresas de Eike Batista que lideraram, com folga, os ganhos do dia, corrigindo a maior parte do tombo de sexta-feira, quando os papéis caíram mais de vinte por cento: a OGX ON subiu 18,60%, a R$ 0,51; MMX ON ganhou 17,09%, a R$ 1,37; e LLX ON terminou em alta de 12,12%, cotada a R$ 0,74.

A razão da forte alta das empresas de Eike Batista foi uma notícia divulgada pelo jornal O Estado de São Paulo, informando que o BNDES teria alongado o prazo das dívidas pendentes do grupo EBX. Cotadas a menos de R$ 1,00, a volatilidade das ações do grupo EBX continua muito grande, com os papéis oscilando ao sabor das notícias.

Após o fechamento do mercado, o BNDES divulgou nota negando que tenha concedido vantagens ou tratamento privilegiado nas concessões de financiamento ao grupo EBX, em resposta à matéria do jornal.

Apenas cinco das 71 ações do Ibovespa terminaram o pregão de segunda-feira em baixa. Copel PNB (-1,21%) puxa a lista, acompanhada de Souza Cruz ON (-0,75%) e Brasil Foods ON (-0,39%).

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