Mercado Diário: Investidores especulam se realmente é a hora do Copom afrouxar o cinto

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Rio de Janeiro, 03 de Abril de 2014 – A mais recente elevação da taxa selic, para 11,00% ao ano, não causou muitas surpresas ao mercado financeiro. Mas o recado acoplado à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), sim. Ao anunciar a elevação da taxa, os diretores do Banco Central não deixaram dúvida – estão fechados para balanço.

“O Comitê irá monitorar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária”, diz o comunicado. Ou seja, para decidir se vai ou não subir mais os juros, o Copom vai esperar para ver o que nos reservam os próximos 40 dias, até o próximo encontro do comitê.

A retirada do termo “dando continuidade ao ciclo de alta” em seu comunicado surpreendeu o mercado, uma vez que a evolução recente dos preços indica que a inflação está sob forte pressão dos alimentos – efeito das mudanças climáticas que afetaram a produção de grãos e outras categorias. A expectativa para o IPCA de março, que será divulgado na próxima semana, é de alta de 0,85% – quase o dobro dos 0,47% registrados no mesmo mês no ano passado.

A previsão de consenso dos analistas é de que a inflação acumulada em 12 meses ultrapasse o teto da meta – de 6,5% – durante alguns meses no meio do ano. Ora, se esse cenário está contemplado, por que o BC vai parar de apertar o cinto da economia?

 

BCC

 

O Banco Central da China (BCC) reiterou nesta quinta-feira sua promessa de manter uma liquidez apropriada e de melhorar a capacidade do setor financeiro de servir à economia real.

Em comunicado resumindo a reunião de primeiro trimestre de seu cComitê de Política Monetária, o BCC também disse que vai aprofundar as reformas do sistema financeiro avançando com a liberalização da taxa de juros e a reforma da taxa de câmbio do iuan. A instituição também observará de perto os movimentos de fluxos internacionais de capital para afastar os riscos.

 

Pacote chinês

 

Nesta quinta-feira, a China anunciou uma série de medidas de estímulo econômico, que incluem isenções de impostos para as pequenas empresas até o fim de 2016 e ajudas aos bairros urbanos mais pobres.

O governo chinês está respondendo à desaceleração econômica do país com isenções de impostos para as PYMES (pequenas e médias empresas), acelerando os investimentos nas linhas de ferrovias e reconstruindo os subúrbios. O pacote de medidas é pequeno em escala, mas está mais concentrado e inclui reformas sobre financiamento para garantir os fundos, podendo ajudar a China a crescer com suavidade, sem exacerbar os riscos de instabilidade financeira.

O plano também prevê a criação de um fundo para ferrovias, que receberá entre 200 e 300 bilhões de yuanes (32 a 48 bilhões de dólares) a cada ano. Mas o pacote não cita medidas de política econômica, como a redução das reservas obrigatórias dos bancos, um corte da taxas de juros ou medidas para incentivar os créditos bancários.

As autoridades chinesas querem transformar o atual modelo econômico baseado em uma excessiva dependência do investimento, geralmente inútil, e fortalecer a demanda privada para garantir o desenvolvimento sustentável. Desde que se tornou presidente do Partido Comunista em novembro de 2012 e no presidente da segunda maior economia mundial, em março do ano passado, Xi Jinping está promovendo uma campanha de austeridade entre as autoridades e declarou guerra à corrupção.

 

Ventando pra cima

 

Os principais índices de ações asiáticos rondaram as máximas dos últimos quatro meses nesta quinta-feira, conforme dados positivos dos Estados Unidos sustentaram o apetite por risco. Além disso, notícias de que a China está adotando medidas para estimular sua economia impulsionaram o principal índice de ações japonês para o maior valor das últimas três semanas.

Em Tóquio, o índice Nikkei 225 fechou em alta de +0,84%, cotado a 15.072 pontos. Em Hong Kong, o índice Hang Seng subiu +0,09%, para 22.559 pontos. Em Xangai, o índice SSE Composite perdeu -0,74%, cotado a 2.044 pontos. Já em Mumbai, o índice Sensex fechou cotado em 22.509 pontos, com perda diária  de -0,19%.

Os investidores asiáticos reagiram positivamente a mais um desempenho recorde em Wall Street, com o índice S&P 500 fechando em uma máxima histórica na quarta-feira em resposta à criação de emprego no setor privado sugerir que a economia está lentamente ganhando fôlego após a desaceleração relacionada a fatores climáticos no início do ano.

A China também agiu pela primeira vez este ano para estabilizar sua economia ao cortar impostos para pequenas empresas na quarta-feira, e ao anunciar planos para acelerar a construção de ferrovias.

Apesar disso, o principal índice de ações do país fechou em baixa. A causa pode ter sido a divulgação de dados positivos sobre o setor de serviços do país em março. Apesar de ser uma boa notícia, há um certo temor de que o governo chinês desista de adotar medidas mais amplas para reforçar o crescimento da economia do país.

 

Tio Sam indica

 

Na agenda do investidor desta quinta-feira, foco total em três indicadores americanos: balança comercial (International Trade), pedidos semanal de seguro-desemprego (Jobless Claims) e atividade do setor de serviços (ISM Non-Mfg Index).

Na europa, os investidores também aguardam pela decisão do Banco Central Europeu (BCE) em relação à política monetária na zona do euro. Nos últimos sete pregões, as principais bolsas de valores da região fecharam em alta na esperança da adoção de um novo pacote de estímulo à economia no bloco econômico.

 

International Trade

 

A balança comercial dos Estados Unidos registrou um déficit de US$ 42,3 bilhões em fevereiro, No início do ano, o déficit tinha sido menor, de US$ 39,3 bilhões.

No segundo mês de 2014, as exportações somaram US$ 190,4 bilhões, enquanto que as importações totalizaram US$ 232,7 bilhões.

 

ISM Non-Mfg Index

 

Segundo o Índice de Gerentes de Compras (PMI) divulgado pela empresa de dados financeiros Markit, o crescimento no setor de serviços dos Estados Unidos acelerou em março, para 55,3, ligeiramente abaixo da preliminar de 55,5 divulgada na semana passada. Em fevereiro, o indicador registrava ante 53,3.

Os empregadores no setor de serviços, que responde por cerca de três quartos do mercado de trabalho dos EUA, continuaram acrescentando funcionários, mas na taxa mais lenta desde março de 2013. O índice final de emprego atingiu 51,8 em março, ante 51,9 em fevereiro. Março é o terceiro mês seguido de desaceleração no subíndice de emprego.

 

Jobless Claims

 

Os pedidos semanais de seguro desemprego aumentaram mais que o previsto na semana que terminou em 29 de marços. Em dados corrigidos de variações sazonais, foram 326 mil, ou seja, 16 mil a mais que os 310 mil registrados na semana anterior. Os analistas previam um aumento menor, de 320 mil solicitações.

 

BCE

 

O Banco Central Europeu (BCE) manteve nesta quinta-feira a taxa básica de juros em 0,25%, nível historicamente baixo, durante a reunião mensal do comitê de política monetária.

A decisão era esperada pelos analistas, apesar da queda da inflação em março, a 0,5%, resultado longe da meta do BCE de 2%.

A instituição com sede em Frankfurt considera que os riscos de deflação são menores e que uma intervenção não é necessária.

 

Vendas no varejo na zona do euro

 

As vendas no varejo na zona do euro subiram mais do que esperado em fevereiro, com destaque para a Alemanha, em um sinal de que a inflação baixa pode estar levando os consumidores a abrir suas carteiras.

Na segunda leitura positiva este ano, as vendas avançaram 0,4 por cento em fevereiro ante o mês anterior, informou nesta quinta-feira a agência de estatísticas Eurostat, ante expectativa de queda de 0,6 por cento em pesquisa da Reuters junto a economistas.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, as vendas em fevereiro subiram 0,8 por cento, como esperado por economistas.

A combinação de desemprego recorde e frágil recuperação da recessão tem deixado potenciais compradores em casa, e autoridades observam de perto se os riscos de deflação estão fazendo com que as famílias adiem as compras para ver se os preços caem mais.

Com a melhora da economia na zona do euro, economistas esperam que os gastos dos consumidores sejam retomados, mas o processo é lento e os níveis recordes de desemprego mal estão caindo.

Alguma ajuda está nas mão da Alemanha, maior economia da zona do euro, onde as vendas no varejo subiram 1,3 por cento em fevereiro. Na França, as vendas subiram 0,4 por cento. Mas muitos países onde o desemprego é elevado, tais como Espanha e Portugal, viram um recuo nas vendas na base mensal.

 

Meu tesouro tesourinho

 

Poucas horas após o Comitê de Política Monetária (Copom) estabelecer a taxa básica de juros da economia brasileira (taxa selic) em 11,00% ao ano, todos os títulos públicos negociados no Tesouro Direto passaram a subir.

Lembrando que o Tesouro Direto permaneceu inoperante entre às 17h de quarta-feira (02 de abril) e às 09h de hoje. Ao reabrir nesta quinta-feira, o Tesouro Nacional passou a atuar na recompra de todos os títulos e na venda dos títulos atualmente ofertados.

A alta do preço dos títulos nesta manhã deve-se ao novo aumento de 0,25% da taxa selic. O mercado estima que esta não será a última elevação da selic em 2014, o que mantém o interesse dos investidores nas Letras Financeiras do Tesouro (indexadas pela taxa básica de juros). Na percepção do mercado, o aumento também não foi suficiente para controlar a escalada de alta da inflação. Isso também mantém o investidor interessado nos títulos indexados pelo IPCA que, não por acaso, foram os que registraram a maior valorização após a reabertura do Tesouro Direto nesta quinta-feira.

 

Down, Nach Oben, Vers Le Haut, Verso L’alto

 

As ações europeias fecharam em alta nesta quinta-feira, após o Banco Central Europeu (BCE) deixar a porta aberta para medidas não convencionais com o objetivo de espantar o fantasma da deflação.

Os investidores reagiram positivamente após declarações do presidente do BCE, Mario Draghi, indicando que o banco central está pronto para agir para promover a inflação, caso necessário.

Em Londres, o índice FTSE 100 fechou em baixa de -0,15%, a 6.649 pontos. Em Frankfurt, o índice DAX 30 subiu +0,06%, para 9.628 pontos. Em Paris, o índice CAC 40 ganhou +0,42%, alcançando à marca de 4.449 pontos. Já em Milão, o índice FTSE MIB teve valorização de +1,38%, para 21.992 pontos.

 

Se afrouxar, eles vão embora

 

O dólar subiu frente às principais moedas mundiais pelo segundo dia consecutivo, com os investidores esperando números melhores do relatório oficial de emprego dos Estados Unidos.

No mercado brasileiro, a alta da divisa americana foi intensificada pela sinalização do Banco Central de que o ciclo de aperto monetário está próximo do fim. O dólar comercial fechou em alta de 0,53%, cotado em R$ 2,2815 para compra e a R$ 2,2825 para venda

 

Realizando

 

O Mercado Bovespa fechou no vermelho o pregão desta quinta-feira, com investidores realizando lucros os acumulados nos últimos dias, após um estupendo rally e surpreendente de alta. Ao longo do dia, o Ibovespa caiu 0,57%, fechando cotado a 51.408 pontos. O giro financeiro do pregão somou 6,9 bilhões de reais.

O índice foi pressionado, principalmente, por ações de bancos e da Petrobras. Mais sensível a juros, o setor de construção também recuou, após o Banco Central elevar a taxa Selic na véspera.

 

Investidores Estrangeiros

 

Os investidores estrangeiros ampliaram ainda mais a liderança no volume negociado no segmento Bovespa (ações e opções), respondendo por 51,59% do total em março, acima dos 50,42% registrados em fevereiro.

Em seguida aparecem os investidores institucionais, com fatia de 29,16% em março, contra 29,09% em fevereiro. A parcela das pessoas físicas também ficou praticamente estável, com 13,75% no mês passado, frente a 13,73% no mês anterior. Já as instituições financeiras perderam terreno, de 5,38% em fevereiro para 4,50% em março, assim como as empresas, cuja fatia no volume negociado caiu de 1,37% para 0,91% no período.

 

Tio Sam dorme cauteloso

 

Os principais índices de ações dos Estados Unidos caíram nesta quinta-feira, com os investidores cautelosos antes da divulgação do relatório mensal de emprego na sexta-feira.

O índice Dow Jones Industrial Average fechou estável, a 16.572 pontos. O índice  Standard & Poor’s 500 teve desvalorização de -0,11%, a 1.888 pontos. O termômetro de tecnologia Nasdaq Composite caiu -0,91 por cento, para 4.237 pontos.

O Dow Jones chegou a atingir seu nível máximo histórico no intradia.

Os setores de internet e de biotecnologia, que retomaram a tendência de perdas depois de ganhos recentes, foram os maiores responsáveis por derrubar o Nasdaq. Há duas semanas, ações de empresas de biotecnologia sofreram seu pior dia desde 2011.

Investidores também demonstraram hesitação em fazer grandes apostas antes do relatório de emprego de sexta-feira, já que buscam evidências de que a recente fraqueza na economia relacionada a fatores climáticos passou.

 

Nosso petróleo

 

A produção de petróleo no Brasil atingiu 2,09 milhões de barris por dia em fevereiro, uma alta de 3,6% na comparação com os 2,01 milhões de barris/dia produzidos em fevereiro do ano passado e um crescimento de 1,8% em relação aos 2,05 milhões de barris/dia de janeiro deste ano. Os dados constam do Boletim da Produção de Petróleo e Gás Natural, divulgado nesta quinta-feira (3), pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A produção de gás natural no país bateu recorde em fevereiro, atingindo 83,2 milhões de metros cúbicos diários, 8,8% acima dos 76,5 milhões de metros cúbicos/dia de fevereiro do ano passado e 3,6% maior que os 80,4 milhões de metros cúbicos por dia de janeiro deste ano.

No total, a produção de óleo e gás no Brasil, em fevereiro, foi de 2,613 milhões de barris de óleo equivalente (BOE) por dia, um aumento de 4,5% em relação aos 2,499 milhões de BOE/dia de fevereiro do ano passado e uma alta de 2,2% em relação aos 2,558 milhões de BOE por dia produzidos em janeiro.

No pré-sal, a produção brasileira de petróleo foi de 368,8 mil barris por dia, enquanto a produção de gás somou 13,5 milhões de metros cúbicos diários. No total, a produção de óleo e gás no pré-sal foi de 471,9 mil BOE por dia, uma alta de 8,2% em relação a janeiro. A ANP informou que, em fevereiro, a produção no pré-sal é oriunda de 26 poços.

 

Bolha imobiliária

 

O preço médio por metro quadrado dos imóveis anunciados ficou menor em março em Porto Alegre e em Brasília, segundo o FipeZap. Na capital gaúcha, foi a segunda queda mensal consecutiva, de 1,07%. Já em Brasília o recuo foi de 0,07%.

Nas 16 cidades pesquisadas pela Fipe, o preço médio do metro quadrado teve alta de 0,64% – abaixo dos 0,73% da inflação do mês medidos pela prévia do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Nos últimos 12 meses, os preços acumulam alta de 12,9%, considerando as 16 cidades. No ano, a alta acumulada é de 1,99%. Segundo a pesquisa, foi a quarta vez consecutiva em que os preços anunciados dos imóveis no Brasil tiveram desaceleração na variação anual.

Os valores médios do metro quadrado ficaram entre R$ 10.468 (Rio de Janeiro) e R$ 3.919 (Vila Velha). Em São Paulo foi de R$ 7.943 e, na média das 16 cidades, em R$ 7.414.

O Rio de Janeiro continua liderando a alta dos preços, com aumento de 3,35% no primeiro trimestre de 2014. Em São Paulo a alta no ano até o momento é de 2,08%, valor próximo ao da média das 16 cidades, de +1,99%.

 

 

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