Gustavo Franco: ou Dilma dá mais poder a Levy ou troca equipe

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A presidente Dilma Rousseff precisa definir se mantém o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, dando a ele mais poder para tocar o projeto de ajuste fiscal, ou troca a equipe, sob o risco de a situação do país continuar se agravando, alerta o ex-presidente do Banco Central (BC), Gustavo Franco. Segundo ele, Levy está tentando fazer um bom trabalho, “mas ele já começou com limitações e ou bem se faz uma nova organização ministerial aonde ele tenha mais poder, ou troca-se o time, é uma decisão da presidente, da liderança”, afirmou Franco, após participar de evento que reuniu também os ex-presidentes do BC Armínio Fraga e Henrique Meirelles promovido pelo Instituto Millenium. ”A presidente é a responsável por tudo que nós estamos passando, portanto a ela cabe a ela definir o que fazer”, disse.

Franco considerou uma boa notícia o fato de Levy ter conseguido tirar da proposta de orçamento para o ano que vem a despesa de R$ 20 bilhões para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na Comissão Mista do Congresso ontem. “É uma boa notícia, espero que  indique que ele ganha mais força e consiga realizar sua agenda no melhor de suas possibilidades”, afirmou, acrescentando porém que as medidas implementadas ate agora não são suficientes para reduzir os problemas. “Mas é o que é possível fazer, e Lev  deve ser apoiado para conseguir fazer isso que foi definido”, afirmou. Para Franco, o ideal seria que o ajuste fosse mais profundo, mas dificuldades são conhecidas. “Dentro das limitações nas quais ele trabalha, é positivo que ele consiga fazer isso”, disse.

Franco lembrou que a solução para os problemas do país é conhecida. “Não é um problema técnico, a lista de providências e de medidas é hoje a coisa mais fácil que tem”, disse, citando as listas de medidas sugeridas pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, e pelo PMDB. “O que fazer, todo mundo sabe, o que é preciso é organizar é um esforço político de execução, com prazo e com metas, o país receberia bem, e o mundo político sabe intuir quando país quer uma coisa”.

O ano que vem deve ser difícil tanto em termos de atividade quanto de inflação, espera Franco. “Este ano, a inflação já vai ficar bem acima da meta e no ao que vem é um desafio, vai depender do que vai acontecer na área fiscal”, diz. Uma queda no PIB mais acentuada no ano que vem, de até 3% como prevê o mercado, também é possível, afirma. “Estamos em momento de indefinição muito grande, modificações na política econômica podem fazer as pessoas reverem esse panorama para melhor, mas a ficar prevalecendo o que vemos hoje, a perspectiva não é boa”, diz.

Ele defendeu a venda de ativos para que o governo reduza sua dívida, inclusive a Petrobras. “A União tem desde terrenos a companhia abertas que produzem Petróleo, tem bancos, concessões de todo tipo, estradas, portos, ferrovia, telefonia, não falta patrimônio de valor que pode ser vendido em boas condições”, disse. Ele lembrou que o custo de manter um terreno ou patrimônio que não rende nada é “o mesmo custo da taxa de juros” que incide sobre a dívida pública. “Portanto, cada real diminuído de juros é uma economia muito substancial”, disse. “É o caminho natural, não tem nada de ideológico, a própria Petrobras está fazendo isso, desalavancando, qualquer empresa faz, e ainda bem que temos ativos para vender”, disse.

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