HSBC rebaixa recomendação de bancos brasileiros de “comprar” para “manter”

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Pressionados pelo encolhimento das carteiras de empréstimos, da taxa de juros básicas mais baixa e dos impostos mais altos, os bancos brasileiros tiveram suas indicações rebaixadas pelo HSBC. Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Banrisul e ABC Brasil tiveram suas recomendações revistas de ”comprar” para “manter”. Os preços-alvo de Itaú e BB também foram rebaixados. O Bradesco, que comprou a operação do HSBC no Brasil, não entra nas avaliações.

Em relatório enviado aos seus clientes, o banco considera que, enquanto há um renovado otimismo sobre mudanças políticas com a gestão do presidente interino Michel Temer, há tendências negativas para o setor, com perspectiva lenta de recuperação.

Para os analistas Carlos Gomez-Lopez e Neha Agarwala, como acontece com os demais países na América Latina, as instituições brasileiras deverão passar por momentos complicados, com os ativos refletindo uma piora da economia local.

Nesse sentido, as principais preocupações apontadas pelo texto vão além do ciclo de crédito e das provisões. São elas: o aprofundamento da crise de crédito somado ao crescimento mais baixo do crédito nominal de 2% para -5%, sem nenhum sinal de reviravolta, uma redução precoce das taxas de juros básicas que poderia reduzir as margens de ganhos com títulos, a eliminação da vantagem fiscal do pagamento de juros sobre capital próprio (JCP) e uma desvalorização de 10% da taxa de câmbio até o fim do ano, com o dólar a R$ 4.

No HSBC, o preço-alvo dos papéis do Itaú passou de R$ 36 para R$ 34, seguido pelo valor justo das ações do BB, de R$ 27 para R$ 19. Banrisul teve seu preço mantido em R$ 10, assim como o ABC Brasil, em R$ 14.

Mesmo com os lucros recordes dos bancos no ano passado, o recente rali de fevereiro a março não foi justificado, isso porque os fundamentos das instituições pioraram no período, na análise do HSBC. Neste cenário mais delicidado, a preferência dos analistas ficou com Itaú, com lucro mais forte e menor sensibilidade aos fatores de risco. Na outra ponta, Banco do Brasil aparece como boa oportunidade de compra com preços mais baixos.

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