Monitor do PIB FGV aponta crescimento de 0,7% na atividade econômica em janeiro

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O Monitor do PIB-FGV aponta, na análise da série dessazonalizada, crescimento de 0,7%, na atividade econômica em janeiro, em comparação a dezembro e de 0,2% no trimestre móvel findo em janeiro, em comparação ao findo em outubro. Na comparação interanual a economia também apresentou crescimento de 1,2% tanto em janeiro quanto no trimestre móvel findo em janeiro.

“A economia inicia 2020 com resultado positivo em janeiro (1,1% na taxa acumulada em 12 meses) na comparação com dezembro evidenciando a continuidade da lenta e medíocre retomada que vinha tendo desde 2017, quando iniciou-se o período expansivo após a recessão iniciada em 2014. No entanto, mesmo o fraco crescimento econômico deste trimestre móvel findo em janeiro, que foi impulsionado tanto pelo consumo quanto pelo investimento, não se sustentará ao longo do ano frente aos desafios econômicos e sociais que estarão sendo sentidos a partir de março, com a chegada da Pandemia do COVID-19.” afirma Claudio Considera, coordenador do Monitor do PIB-FGV.
A economia cresceu 0,7% em janeiro, na comparação com dezembro, e 1,2%, na comparação com janeiro de 2019. Tanto na comparação ajustada sazonalmente, quanto na interanual, houve crescimento das três grandes atividades econômicas (agropecuária, indústria e serviços). Pela ótica da demanda, o único componente a apresentar retração nas duas bases de comparação foi a exportação.

ANÁLISE DESAGREGADA DOS COMPONENTES DA DEMANDA

A análise gráfica desagregada dos componentes da demanda foi feita usando a série trimestral interanual por apresentar menor volatilidade do que as taxas mensais e aquelas ajustadas sazonalmente permitindo melhor compreensão da trajetória de seus componentes.

Consumo das famílias

O consumo das famílias cresceu 1,4% no trimestre móvel findo em janeiro, em comparação ao mesmo trimestre do ano anterior. Destaca-se, neste resultado, que o consumo de produtos não duráveis (que representa cerca de 30% do consumo das famílias) passou a contribuir negativamente (-0,1 p.p.) para o total do consumo após ter contribuído positivamente em torno de 0,4 p.p., na segunda metade de 2019. Seu recuo de 0,2% no trimestre móvel é o principal responsável pela desaceleração observada no consumo das famílias; ele é explicado principalmente pela desaceleração do consumo de produtos de origem interna, notadamente por produtos de hipermercados.

Formação bruta de capital fixo (FBCF)

A FBCF retraiu 1,2% no trimestre móvel findo em janeiro, em comparação ao mesmo trimestre do ano anterior; esta é a segunda queda consecutiva dos investimentos com retrações nos componentes de máquinas e equipamentos e da construção. A retração de máquinas e equipamentos é, em grande parte, explicada pelos segmentos de tratores e de equipamentos de transporte em geral.

Exportação

A exportação apresentou queda de 8,8% no trimestre móvel findo em janeiro, em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. Essa é a maior retração, nesta comparação, desde o quarto trimestre de 2014. A exportação está em queda desde o trimestre móvel findo em julho e, no trimestre findo em janeiro, destacam-se as retrações significativas dos bens de capital, produtos agropecuários e bens intermediários. Apenas a exportação dos bens de consumo apresentou crescimento neste trimestre.

Importação

A importação retraiu 2,0% no trimestre móvel findo em janeiro, comparativamente ao mesmo trimestre do ano anterior. Houve retração nas importações de bens de capital e de serviços. Houve ainda desaceleração da importação de bens intermediários, que embora tenha crescido no trimestre (2,8%) está entre as taxas menores que as apresentadas em 2019. Estes três componentes foram os principais responsáveis pela retração das importações. Esse cenário, de certa forma, é similar ao que aconteceu no quarto trimestre de 2019 apenas com uma queda mais acentuada das importações.

MONITOR DO PIB-FGV EM VALORES

Em termos monetários, o PIB em valores correntes foi de aproximadamente 615 bilhões, 121 milhões de Reais em janeiro de 2020.

TAXA DE INVESTIMENTO

Destaca em duas linhas as médias das taxas de investimento: a de cima mostra a média das taxas de investimento mensais desde janeiro de 2000 (18,0%); a de baixo, a média das taxas de investimento mensais desde 2015 (15,7%). Observa-se que a taxa de investimento no mês de janeiro foi de 15,2%, na série a valores correntes. Apesar de estar um pouco acima da taxa de investimento mensal média desde janeiro de 2015, este resultado encontra-se abaixo da taxa de investimento mensal média desde janeiro de 2000.

APÊNDICE – NOTA EXPLICATIVA

O Monitor do PIB-FGV estima mensalmente o PIB brasileiro em volume e em valor. O objetivo de sua criação foi prover a sociedade de um indicador mensal do PIB, tendo como base a mesma metodologia das Contas Nacionais do IBGE. Sua série inicia-se em 2000 e incorpora todas as informações disponíveis das Contas Nacionais (Tabelas de Recursos e Usos, até 2017, último ano de divulgação) bem como as informações das Contas Nacionais Trimestrais, até o último trimestre divulgado (quarto trimestre de 2019).

O indicador é ajustado as Contas Nacionais Trimestrais sempre que há mudanças metodológicas e a cada trimestre divulgado. Ou seja, nos trimestres calendários, as médias trimestrais dos índices de volume do Monitor do PIB-FGV serão iguais aos indicadores trimestrais, sem ajuste sazonal, das Contas Nacionais Trimestrais. Nos trimestres calendário, são utilizados os mesmos modelos do IBGE para calcular todas as séries desagregadas com ajuste sazonal, tanto pela ótica da oferta, como da demanda. Para o ajuste sazonal mensal é utilizado o modelo mensal do IBC-Br, do Banco Central; para os trimestres móveis utiliza-se uma média desses ajustes mensais.

Assim, as estimativas do Monitor do PIB-FGV antecedem os resultados das Contas Nacionais Trimestrais nos meses em que este é divulgado. E, nos meses em que não há divulgação, o Monitor representa uma excelente antecipação para as tendências do PIB e seus componentes.

O Monitor do PIB-FGV compõe-se de um relatório descrevendo os principais resultados com ilustrações gráficas e de uma tabela Excel com informações de volume, em valores correntes, e a preços de 1995 das 12 atividades econômicas que agrupadas formam os 3 setores de atividade (agropecuária, indústria e serviços). Apresenta, ainda, o Valor Adicionado a preços básicos, os impostos sobre os produtos e o PIB e também os componentes do PIB pela ótica da demanda. Outro ponto a ser destacado é que o Monitor torna disponíveis desagregações que não são divulgadas pelo IBGE, mas que são relevantes para um melhor entendimento da absorção doméstica e da demanda externa. As desagregações disponibilizadas pelo Monitor são:

Consumo das Famílias: bens de consumo duráveis, semiduráveis, não duráveis e serviços. Adicionalmente eles são classificados em nacionais e importados;

Formação Bruta de Capital Fixo: em máquinas e equipamentos, construção e outros. Para máquinas e equipamentos e outros, há a desagregação entre nacionais e importados;

Exportações e Importações: em produtos agropecuários, produtos da extrativa mineral, produtos industrializados de consumo (duráveis, semiduráveis e não duráveis), produtos industrializados de uso intermediário, bens de capitais e serviços.

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