Azul (AZUL4) reduz jornada e salário por 18 meses

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A Azul (BOV:AZUL4) fechou acordo coletivo com o Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) para redução de jornada e de salários de pilotos, copilotos e comissários de bordo durante 18 meses, a partir de julho. Em contrapartida, a empresa garante a estabilidade dos empregados nesse período.

É o segundo acordo do tipo fechado pelo sindicato – o primeiro foi firmado com a Gol no dia 4. Acordos coletivos com um período tão longo de estabilidade não têm precedentes no mundo. A SNA ainda negocia com a Latam.

No caso da Azul, os tripulantes terão nos próximos 9 meses uma redução na remuneração fixa de 45%, com diminuição proporcional na jornada. O percentual de redução passa para 35% no segundo trimestre de 2021, para 30% e 25% nos trimestres seguintes.

Os tripulantes da Gol concordaram com redução de 50% na jornada e nos salários por 18 meses. Até setembro de 2021, 412 pilotos e 750 comissários vão trabalhar em meio período. A partir de outubro de 2021, serão 330 pilotos e 600 comissários. A Gol emprega 1.890 pilotos e 3.262 comissários, mas opera com 10% da sua capacidade.

A folha de pagamentos é a segunda maior despesa operacional das aéreas, depois do combustível. No mundo todo, companhias tentam ajustar os gastos com folha à demanda reduzida por causa da pandemia. No primeiro trimestre, os gastos com folha equivaleram a 18% das despesas da Azul (R$ 478,1 milhões) e da Latam (US$ 406,1 milhões) e 28% dos gastos da Gol (R$ 595,2 milhões).

“Estamos casando a remuneração dos tripulantes com o número de voos que temos. Isso vai nos dar flexibilidade. Se a demanda voltar mais rápido, os salários e as jornadas também voltam mais rápido”, afirmou John Rodgerson, presidente da Azul.

A Azul tem capacidade para operar 1 mil voos por dia e emprega 14 mil tripulantes. Mas, em julho, vai operar em torno de 240 voos por dia. “É preciso fazer ajustes com sacrifícios de todos. Meu compromisso é fazer tudo para uma retomada mais rápida possível”, afirmou Rodgerson.

Além da redução de jornada, a Azul abriu um programa de demissões incentivadas, um plano de incentivo a aposentadorias e outro de licenças não remuneradas. A companhia não divulgou meta de funcionários que espera atingir. “Quanto mais gente aderir a esses programas, menor vai ser a redução de salário e de jornada para os tripulantes que continuam trabalhando”, disse Rodgerson.

O executivo acrescentou que a falta de acordo da Latam com o sindicato não interfere na parceria com a Azul para compartilhamento de voos. “O codeshare é para aumentar a conectividade e encher mais os voos. A redução de jornada não interfere em nada”, afirmou.

Ondino Dutra, presidente do SNA, disse que graças aos acordos de redução de jornada e salários fechados e março e neste mês não houve demissões na categoria, formada por cerca de 30 mil profissionais. A única negociação pendente é com a Latam.

De acordo com o sindicato, a Latam propôs aos tripulantes no Brasil redução de salário e de jornada em 50% por 18 meses. Depois desse prazo, o plano é demitir 2,7 mil. Os outros 4,9 mil tripulantes terão redução de 50% no salário, mas com a jornada normal de trabalho.

“O sindicato requereu a mediação do Tribunal Superior do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho para firmar um acordo com a Latam e agora aguarda uma data para a audiência”, afirmou Dutra. Ele acrescentou que espera uma nova proposta por parte da Latam. “Os termos atuais são inaceitáveis”, acrescentou.

A Latam informou em nota que as negociações com o sindicato “seguem acontecendo ativamente”. “O momento é desafiador para toda a indústria no mundo e a empresa está buscando, por intermédio de um novo acordo coletivo de trabalho, formas de minimizar os impactos econômicos e principalmente os sociais causado por esta pandemia sem precedente”, acrescentou a Latam.

Matéria do Valor Econômico

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