JBS (JBSS3) 2T20: Lucro líquido de R$ 3,4 bilhões

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A JBS registrou lucro líquido de R$ 3,4 bilhões no 2º trimestre, crescimento anual de 54,8%. Com isso, a empresa chegou ao seu menor patamar do índice de endividamento. A alta foi impulsionada pelo bom momento no mercado dos Estados Unidos e pelas exportações para a China.

Os resultados da JBS (BOV:JBSS3) referente a suas operações do segundo trimestre de 2020, foram divulgados no dia 13/08/2020.
Ebitda – lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização – dobrou no período analisado, chegando a R$ 10,5 bilhões.
→ A JBS possui valor de mercado de R$ 61,8 bilhões. Confira a Análise completa da empresa com informações exclusivas.
Em 1 período de tantas mudanças, mostramos mais uma vez ao mercado nossa grande capacidade de adaptação, e nossa capacidade de desempenhar as estratégias e objetivos traçados“, disse o CEO da JBS, Gilberto Tomazoni, no comunicado que acompanha o relatório. “O sólido time de gestão, nosso robusto balanço e alta liquidez nos colocam em situação privilegiada para executar nossa estratégia de crescimento“, completou.

Com o bom resultado, a JBS pretende retomar a estratégia de gestão de dívidas e, assim, reduzir os gastos com juros. A medida foi paralisada em março, diante das incertezas causadas pela pandemia do novo coronavírus.

A JBS espera diminuir as despesas financeiras em 100 milhões de dólares neste ano, afirmou a maior processadora de carnes do mundo em teleconferência com analistas após forte resultado no segundo trimestre.

O diretor financeiro da companhia, Guilherme Cavalcanti, disse que, hipoteticamente, se a JBS trocasse toda a sua dívida por um bônus de 10 anos, poderia reduzir outros 100 milhões de dólares em despesas financeiras em razão dos ratings positivos de crédito.

No segundo trimestre, a alavancagem da JBS caiu para 1,75 vezes em dólar, o menor de sua história.

Listar ações nos EUA

A JBS retomou o processo para listar as ações das operações internacionais do grupo em uma bolsa nos Estados Unidos, disse hoje o CEO global da companhia, Gilberto Tomazoni, em teleconferência com analistas. Apesar disso, a listagem não deverá ocorrer em 2020.

O executivo lembrou que, com a início da pandemia, a listagem nos EUA ficou em segundo plano. No entanto, a melhora do cenário permitiu que as diversas medidas para realizar a listagem de ações fossem reiniciadas.

“Estamos voltando a tratar da listagem, sim. Não temos um prazo pra que ela ocorra, mas dados os passos necessários, o processo precisa ser executado”, afirmou Tomazoni. Ele acrescentou que, “seguramente”, a operação não ocorrerá neste ano.

Aos analistas, Tomazoni ressaltou que a operação pretendida pela JBS é apenas uma listagem, sem a oferta de novas ações nos Estados Unidos. “Não faz sentido fazer IPO com o caixa que a companhia tem”, disse ele, em alusão ao montante expressivo de recursos no caixa da companhia — mais de US$ 3 bilhões.

A listagem de ações nos EUA é encarada pela JBS como um passo fundamental para obter uma avaliação melhor sobre o negócio, com múltiplos (relação entre valor de firma e Ebitda) mais próximos de concorrentes globais como a Tyson Foods.

Com ações nos EUA, a companhia também poderia conseguir menores custos de crédito e acesso a uma base mais diversificada de investidores.

A JBS não divulgou o modelo para a listagem de ações, mas a expectativa é que as operações internacionais e a também a Seara façam parte da companhia que será listada nos Estados Unidos.

Teleconferência

Em teleconferência com analistas na manhã desta sexta-feira, o CEO global do grupo, Gilberto Tomazoni, disse que a JBS tem uma “história de aquisições” e está “sempre avaliando” novas possibilidades.

No entanto, ressaltou, isso não ocorrerá de qualquer forma. “É fundamental que as aquisições sejam feitas pelo preço certo. Não é porque tem caixa robusto que vai fazer aquisições a qualquer custo”, afirmou.

Nesse sentido, ele citou o anúncio feito no início desta semana. A Plumrose, negócio de alimentos processados da JBS nos Estados Unidos, comunicou ao mercado os planos de investir cerca de US$ 200 milhões em uma nova fábrica.

De acordo com Tomazoni, a decisão pelo investimento “greenfield” ocorreu porque as alternativas de aquisições para ampliar o negócio da Plumrose não valiam a pena. Os valores pedidos embutiam múltiplos (relação entre valor de firma e Ebitda) muito altos.

Aos analistas, o CEO da JBS USA, André Nogueira, acrescentou que o crescimento da Plumrose é um dos principais focos da companhia, que pretende avançar em alimentos de marca e valor agregado.

Desde 2017, quando comprou o negócio por US$ 230 milhões, a Plumrose vem crescendo. O faturamento, que era de US$ 500 milhões, deve encerrar este ano acima de US$ 800 milhões, disse Nogueira. Com a nova fábrica, o faturamento pode chegar a US$ 1,2 bilhão.

De acordo com Nogueira, a Plumrose avalia outras possibilidades para a construção de novas fábricas e segue abertas a aquisições que façam sentido econômico.

Resultado 2T20 das principais subsidiárias

SEARA

A receita líquida da Seara totalizou R$6,4 bilhões, um crescimento de 25,8% em relação ao 2T19, resultado de um aumento de 19,8% no preço médio de vendas e de 4,5% no volume vendido.

No mercado interno, a receita líquida foi de R$2,9 bilhões, 9,0% superior ao 2T19, com aumento de 4,2% no volume vendido e de 4,5% no preço médio de venda. A categoria de produtos processados foi novamente o destaque, registrando no período crescimento em volumes e preços médios, de 12,3% e 8,9%, respectivamente.

No mercado externo, a receita líquida da Seara atingiu R$3,5 bilhões no trimestre, um aumento de 42,5% na comparação anual, impulsionada pelo crescimento de 36,1% no preço médio e de 4,7% no volume vendido.

O Ebitda da Seara totalizou R$1,1 bilhão, o que representa um crescimento significativo de 91,6% quando comparado aos R$563,4 milhões do 2T19. A margem Ebitda expandiu de 11,1% no 2T19 para 16,9% no 2T20. Esse desempenho é resultado do aumento do volume de vendas, do melhor mix de mercados, canais e produtos – com destaque para os produtos processados e do contínuo crescimento das vendas das inovações introduzidas desde 2019.

JBS BRASIL (INCLUINDO COUROS E NOVOS NEGÓCIOS)

A receita da JBS Brasil totalizou R$8,7 bilhões, o que corresponde a um aumento de 21,6% em relação ao 2T19, mesmo com uma redução de 14,8% no volume de animais processados em decorrência dos fechamentos temporários de unidades produtivas no início do trimestre.

No mercado doméstico, a receita líquida foi de R$4,3 bilhões, o que corresponde a um aumento de 0,8% quando comparada ao 2T19.

A Friboi continua focada na consolidação da sua posição como principal marca de carne bovina no mercado brasileiro, com o crescimento de suas marcas Maturatta®, Friboi Reserva® e 1953 Friboi® no Brasil.

No mercado externo, que representou 51,1% das vendas da unidade, a receita líquida teve crescimento expressivo de 51,4%, atingindo R$4,5 bilhões, em virtude do aumento no preço médio de venda. Vale ressaltar as exportações de carne bovina para a China, que registraram no período crescimento da receita em dólar de 52,9% quando comparadas ao 2T19.

O Ebitda da JBS Brasil no trimestre foi de R$1,1 bilhão, o que representa um aumento expressivo de 222,8% na comparação anual. A margem Ebitda expandiu de 4,7% no 2T19 para 12,4% no 2T20.

JBS USA BEEF (INCLUINDO AUSTRÁLIA E CANADÁ)

A JBS USA Beef registrou no 2T20 receita líquida de R$30,1 bilhões, o que representa um aumento de 36,1% em relação ao 2T19 e um EBITDA de R$6,2 bilhões, significativamente maior que o 2T19, com margem EBITDA de 20,8%. Tais resultados incluem o impacto da desvalorização de 27,3% do câmbio médio (BRL vs USD), que passou de R$3,92 para R$5,39 no período.

Em US GAAP e US$, a JBS USA Beef reportou receita líquida de US$5,6 bilhões no trimestre, uma ligeira redução de 1,0% comparado ao 2T19, em função de uma diminuição de 18,1% no volume vendido, parcialmente compensada por um aumento de 19,6% no preço médio de venda.

O Ebitda foi de US$1,1 bilhão, com margem Ebitda de 20,4% no período.

O trimestre foi marcado pela significativa volatilidade entre oferta e demanda, devido ao impacto da COVID-19 na indústria de proteína animal, notadamente na América do Norte. Durante o trimestre, a prioridade número um da Companhia foi proteger a saúde e a segurança dos seus colaboradores, bem como a segurança de seus familiares e comunidades locais.

Nos Estados Unidos e no Canadá, o volume de carne bovina produzido caiu em função das medidas de segurança aprimoradas e dos protocolos implementados pela Companhia. Tais iniciativas, incluindo a remoção das populações vulneráveis com salários e benefícios integrais – representando cerca de 10% da força de trabalho da Companhia, a redução na velocidade das linhas de abate para permitir um maior distanciamento físico entre os colaboradores, instalação de barreiras físicas no chão de fábrica, bem como reorganização de turnos e paradas, além de outras medidas de segurança, aumentaram a habilidade da Companhia em prevenir a potencial propagação do COVID-19 entre seus colaboradores.

Adicionalmente, a JBS USA foi a primeira entre as maiores processadoras a fechar temporariamente uma fábrica de grande porte de forma a contribuir no combate à transmissão do vírus na comunidade.

Durante o mês de abril, a Companhia fechou temporariamente três unidades de produção de carne bovina, reduzindo ainda mais sua capacidade produtiva. Por outro lado, a demanda por carne bovina permaneceu aquecida, criando um desbalanceamento momentâneo entre oferta e a demanda, impactando o preço da carne.

No início de abril, a JBS USA Beef concluiu a aquisição da Empire Packing nos EUA, anunciada no final do ano passado para fortalecer a presença da Companhia no segmento de case ready. Essa aquisição adicionou quatro unidades produtivas às duas existentes, elevando a JBS USA como um dos três principais operadores de case ready no país.

Também vale ressaltar que durante o 2T20, as exportações de carne bovina da JBS USA Beef a partir da América do Norte caíram em volume, dada a priorização da venda de seus produtos no mercado doméstico. Já as operações na Austrália tiveram menor impacto da COVID-19 no 2T20.

O volume de bovinos processados cresceu em relação ao trimestre anterior, apesar da continuidade do cenário desafiador de disponibilidade de gado. A operação de produtos processados da Primo Foods continua focada na diversificação de seu portfólio com lançamentos de produtos inovadores, principalmente nos segmentos de snacking e comidas prontas. Apenas nessa primeira metade de 2020, a Primo Foods lançou com grande sucesso na Austrália e Nova Zelândia 15 novos produtos sob as marcas Primo, Smokeman Brothers e Stackers.

JBS USA PORK

Considerando os resultados em IFRS e reais, no 2T20 a JBS USA Pork registrou uma receita líquida de R$8,5 bilhões, o que representa um aumento de 39,8% em relação ao 2T19 e um Ebitda de R$1,1 bilhão, com margem de 12,4%. Tais resultados incluem o impacto da desvalorização de 27,3% do câmbio médio (BRL vs USD), que passou de R$3,92 para R$5,39 no período.

Em US GAAP e US$, a JBS USA Pork reportou receita líquida de US$1,6 bilhão, um aumento de 1,7% em relação ao 2T19, consequência do crescimento de 1,2% no preço médio e uma redução de 0,9% no volume vendido no período. O Ebitda totalizou US$167 milhões no 2T20, com margem de 10,5%.

Num trimestre marcado pelo impacto sem precedentes da COVID-19, a unidade de suínos da JBS USA confirmou a resiliência do seu modelo de negócio, firmado na excelência operacional advinda da atitude de dono de seus colaboradores, no estreito relacionamento com seus fornecedores e no compromisso do fornecimento de carne suína de alta qualidade para seus clientes.

Similarmente ao negócio de carne bovina, a JBS USA Pork também aprimoraram as medidas de segurança e protocolos em todas as suas unidades nos EUA. Essas iniciativas, incluindo a remoção de populações vulneráveis com salário integral e redução da velocidade das linhas de forma a permitir o maior distanciamento físico, instalação de barreiras no chão de fábrica e reorganização de turnos e paradas, entre outras medidas de segurança, aumentaram a habilidade da Companhia de prevenir a potencial propagação do Covid-19 entre seus colaboradores.

O foco na segurança de seus colaboradores, bem como a parceria com as comunidades locais foram de vital importância para assegurar a continuidade da produção de carne suína, minimizando os efeitos negativos de uma redução mais acentuada do abate.

No trimestre, a JBS USA Pork processou 5,5% menos suínos comparado ao mesmo período no ano anterior, taxa expressivamente menor do que o de alguns concorrentes. As exportações de carne suína no 2T20 foram focadas em produtos que normalmente a unidade não encontra mercado nos EUA, como por exemplo, miúdos.

Os volumes de exportação seguiram a mesma tendência da produção de carne suína pela JBS no trimestre. Como parte da estratégia de crescimento da Companhia no segmento de comida preparada nos Estados Unidos, durante o trimestre, a Plumrose iniciou a construção de uma nova unidade produtiva em Moberly – Missouri.

Essa nova planta, com capacidade anual de 11 mil toneladas (24 milhões de libras), irá produzir bacon cozido e pré-cozido e deve entrar em operação em 2021. Adicionalmente, a Plumrose comunicou recentemente seus planos de construir uma nova unidade produtiva de produtos italianos e charcutaria, com um investimento estimado de US$200 milhões.

PILGRIM’S PRIDE CORPORATION – “PPC”

Considerando os resultados em IFRS e reais, a PPC registrou no 2T20 receita líquida de R$15,2 bilhões, o que representa um aumento de 36,6% em relação ao 2T19 e um Ebitda de R$1,1 bilhão, 36,2% menor que no 2T19, com margem de 7,4%. Tais resultados incluem o impacto da desvalorização de 27,3% do câmbio médio (BRL vs. USD), que passou de R$3,92 para R$5,39 no período.

Em US GAAP e US$, a PPC reportou receita líquida de US$2,8 bilhões, estável em relação ao 2T19 e um Ebitda de US$112,2 milhões com margem Ebitda de 4,0%.

Nos EUA, a primeira metade do trimestre foi significativamente desafiadora, até que o relaxamento gradual das restrições de viagens e movimento em função do Covid-19 contribuísse para uma melhoria na demanda, principalmente no canal de food service.

Assim como no primeiro trimestre, o segmento de desossa de aves grandes, que é o mais commoditizado dos segmentos de atuação da PPC, foi volátil e continua desafiador. Em termos operacionais, a PPC continua a melhorar o seu desempenho relativo em todos os seus segmentos de negócios e continua se adaptando de forma ágil às mudanças da demanda nos canais de vendas, ajustando o mix de produção, com o apoio dos clientes chave, além do forte foco em execução dos seus colaboradores, diversidade geográfica da sua plataforma de produção e presença em todas as categorias de tamanhos das aves.

No México, as fracas condições macroeconômicas, que contribuíram para redução nos gastos dos consumidores, aliadas à desvalorização do Peso Mexicano, pressionaram os resultados. Além disso, os preços de mercado ficaram abaixo das expectativas sazonais antes de atingirem níveis perto do normal no final do trimestre.

O aumento da participação de produtos diferenciados, com a forte execução e crescimento em produtos preparados ajudaram a compensar parcialmente as condições mais fracas do mercado.

Na Europa, as unidades apresentaram resultados em linha com o ano anterior, impulsionados pela forte demanda no mercado de varejo. Apesar do impacto significativo do Covid-19 nas operações, o forte desempenho operacional e a melhoria na gestão das despesas gerais e administrativas ajudaram a mitigar este ambiente desafiador. As operações recém adquiridas na Europa também tiveram bom desempenho e continuaram a melhorar seus resultados e gerar Ebitda positivo.

O resultado foi impulsionado pela demanda robusta no varejo que foi parcialmente compensada por uma redução no food service, além do bom desempenho das exportações de carne suína, especialmente para a China, bem como pelas implementações de melhorias operacionais e captura de sinergias.

 Visão de mercado

De acordo com o analista de empresas, Luis Sales, da Guide Investimentos, o Impacto é Positivo. A companhia apresentou resultados acima do consenso do mercado. Destaque para os seus negócios JBS Brasil, JBS USA Beef e JBS USA Pork que tiveram performances bastante positivas. Ainda, a companhia se beneficiou da desvalorização do câmbio no trimestre.

Betina Roxo, da XP Investimentos e analista de Alimentos e Bebidas e Estrategista de ações, a alavancagem em R$ caiu para de 2,8x no 2T19 para 2,1x agora. A empresa segue contando com um balanço forte, com quase R$ 31,3 bilhões em caixa e equivalentes. Tal valor é suficiente para pagar todas as dívidas da JBS até 2025. Reiteramos nossa recomendação de compra para JBS, com preço-alvo de R$ 35.

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