BRF (BRFS3) 3T20: Lucro líquido de R$ 216,8 milhões, queda de 26,3%

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A BRF divulgou lucro líquido de R$ 216,8 milhões, queda de 26,3% na comparação anual. A piora dos resultados da BRF no exterior, reflexo do aumento dos custos de produção e de embargos sauditas que insistem em atrapalhar os negócios, nublou o sólido desempenho da operação no Brasil e reduziu o lucro da empresa dona das marcas Sadia e Perdigão no terceiro trimestre.
Os resultados da BRF S/A (BOV:BRFS3) referente a suas operações do segundo trimestre de 2020, foram divulgados no dia 09/11/2020.
Ebtida ajustado – lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização – somou R$ 1,3 bilhão, um avanço de 15,3% em relação ao mesmo período de 2019. A margem Ebitda ajustada, no entanto, diminuiu 0,3 ponto, de 13,5% para 13,2%.

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→ A BRF S/A surgiu da fusão da Sadia e Perdigão e é uma das maiores empresas de alimentos do mundo com mais de 30 marcas em seu portfólio. A possui R$ 14,5 bilhões de valor de mercado. Confira a Análise completa da empresa com informações exclusivas.
A receita líquida cresceu 17,5%, para R$ 9,9 bilhões, já que a empresa conseguiu aumentar o preço médio dos produtos vendidos. A BRF também disse que conseguiu aumentar em 0,7% os volumes de alimentos industrializados e carnes vendidos no trimestre, para 1,1 milhão de toneladas.

A BRF, maior exportadora mundial de frango, obteve mais da metade de suas vendas do Brasil, onde a receita líquida cresceu quase 21%.

Internacionalmente, a receita líquida cresceu 13,5%, mas ajustes na produção em meio à pandemia da Covid-19 continuaram impactando as operações.

Outras informações do balanço

A empresa salientou que o resultado na comparação ano a ano é afetada pela maior geração de créditos tributários no terceiro trimestre de 2019 e pelos gastos associados ao combate dos efeitos da covid-19, de R$ 145 milhões e maiores despesas financeiras líquidas.

Entre os gastos relacionados ao combate do novo coronavírus, a BRF destacou os desembolsos adicionais com pessoal e com prevenção e controle; doações; e logística geral.

Em entrevista ao Valor, o CEO da BRF, Lorival Luz, enfatizou a consistência dos resultados da empresa, que saiu de um período caótico em 2018, com prejuízo bilionário.

“É o sexto trimestre consecutivo em que a companhia entrega resultados sólidos. Isso tem relação com a nossa estratégia, previsível e sem solavancos”, disse. No Brasil, destacou Luz, a BRF chegou a 260 mil clientes no terceiro trimestre, uma evolução quando comparada à crise da companhia, que viu sua base de clientes diminuir para 150 mil nos piores dias.

A BRF destacou a melhora do mix de vendas no Brasil, bem como os reajustes de preços feitos para compensar a forte alta dos grãos – insumos da ração animal. No terceiro trimestre, o preço médio dos produtos vendidos pela empresa no Brasil cresceu 16,8% na comparação anual e 8,9% sobre o segundo trimestre.

Na área financeira, a BRF manteve o índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) estável, em 2,9 vezes.

Porém, os custos mais altos de grãos e outras despesas denominadas em dólares também afetaram a lucratividade de suas exportações, acrescentou a empresa.

VISÃO DO MERCADO
BTG Pactual 
A BRF relatou um bom conjunto de resultados, com margens mais fracas em operações internacionais sendo mais do que compensadas por um ambiente favorável no Brasil.
O Brasil foi, praticamente, o único responsável pelo resultado mais forte. Assim como outras empresas de consumo no Brasil, acreditamos que o mix de vendas da BRF foi beneficiado pelo maior consumo em casa (FPP e margarina), além do aumento de receita possibilitado pelo auxílio financeiro do governo.
A história foi um pouco menos otimista nos negócios internacionais. Não só porque os números ficaram abaixo de nossas estimativas, mas principalmente porque podem oferecer uma dica do que está por vir em termos de direção e magnitude das margens.
Apreciamos os resultados da BRF e a geração de FCF, assim como os investidores. Nosso Neutro permanece até construir uma maior confiança de que poderia superar os desafios da queda dos spreads de aves, juntamente com alguma normalização do ambiente de consumo no Brasil.
BTG Pactual mantém recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 23,00…
Bradesco BBI
O Bradesco BBI afirma que o lucro Ebitda da BRF foi 9% acima do consenso do mercado, e 7% acima de suas estimativas. Os preços aumentaram acima de suas expectativas, compensando a alta nos preços dos grãos.
Bradesco BBI mantém recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 28,00.
Credit Suisse

Segundo o Credit Suisse, os resultados foram robustos, com destaque para o Ebitda ajustado de R$ 1,5 bilhão e margem de 14,7%, com a boa performance da empresa devido a volume e preço mais alto no mercado doméstico, preços mais altos na Ásia e Halal DDP. A parte de Halal DDP e exportações, contudo, ainda estão abaixo do seu potencial.

Para os analistas, a companhia deve se beneficiar de um real mais depreciado nos próximos trimestres e do apoio que tem recebido do auxílio emergencial no consumo de proteína, associado à pandemia até o final de 2020.

“Mesmo assim, ainda estamos cautelosos com o papel dado que o mercado doméstico pode não aguentar o aumento de preço (após fim do corona voucher) por muito tempo além das questões de âmbito internacional. A queda no preço das aves para exportação em dólar, competição mais acirrada com China e exportações mais fracas de peru para o Iraque impedem que fiquemos mais otimistas”, avaliam, também destacando ver uma pressão no preço da ração nos próximos meses.

Eleven Financial

A BRF divulgou um resultado do 3T20 acima das nossas estimativas, que foi positivo no Brasil sendo afetado pela queda de margem no segmento internacional devido à queda dos preços em dólar das exportações e aumento do custo do grão.

Em termos de endividamento, a dívida liquida/EBTIDA da BRF ficou praticamente estável em 2,9x apesar da desvalorização cambial no período, resultado da maior geração de caixa da companhia. Na visão da Eleven, esse nível de alavancagem está bastante confortável e não acarreta nenhum risco de liquidez para a companhia no momento.

No balanço esse resultado com bastante positivo, mostrando que a BRF conseguiu atingir um novo patamar de rentabilidade. A companhia também permanece investindo em inovação e produtos de maior valor agregado, o que a torna ainda mais distante de uma companhia dependente essencialmente dos preços das commodities. Ainda que seja difícil prever os efeitos do fim do auxílio emergencial no consumo de proteínas, acredita-se que 2021 deve ser novamente positivo para a companhia,  com melhor desempenho no mercado doméstico e demanda asiática ainda aquecida.

A Eleven mantém recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 30,00.

Guide Investimentos

Luis Guide, analista de empresa, diz que o Impacto é Positivo. A companhia apresentou queda no lucro justificada pelas despesas com Covid-19. No entanto, mostrou grande avanço do segmento digital, além da receita de vendas, devido a melhora do mix e preços no Brasil e crescimento das operações na Ásia e DDP Halal. A BRF foi influenciada positivamente pelo efeito de desvalorização do câmbio.

Morgan Stanley

O Morgan Stanley classificou os resultados da BRF como “muito sólidos”. O Ebitda bateu a expectativa do banco e a média do mercado, logo “uma reação positiva das ações não surpreenderia” o Morgan Stanley. Mesmo assim, espera um ano de 2021 desafiador, com economia brasileira potencialmente mais lenta, mercado internacional mais fraco e custos altos.

Morgan Stanley mantém recomendação de venda par aBRF, com preço-alvo de R$ 19,00.

XP Investimentos

A XP ressalta ainda que, do lado positivo, vale ressaltar a estratégia da empresa de aumentar a capacidade de armazenamento, manter eficiência operacional e níveis de ocupação ideais, além de usar de insumos alternativos no processo produtivo. “Tal estratégia nos surpreendeu positivamente, permitindo que a empresa alcançasse uma margem bruta de 23,6% no trimestre, 603 pontos base acima da nossa estimativa de 17,5%. Destaque especificamente para o segmento Brasil, que foi uma surpresa positiva sobretudo em função da melhora no mix de produtos”, avalia. Contudo, os analistas também seguem cautela devido ao cenário desafiador para o frango em 2020.

XP mantém recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 30,00.

VISÃO TÉCNICA


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