IRB Brasil (IRBR3) 3T20: prejuízo líquido fica em R$ 229,8 milhões, 66% menor do que no 2T20

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O IRB Brasil teve um prejuízo líquido de R$ 229,8 milhões no acumulado do terceiro trimestre deste ano, um resultado 66,4% menor do que o prejuízo de R$ 685,1 milhões registrado no trimestre anterior (2T20). Já no 3T19, a perda líquida ficou em R$ 19,7 milhões.

A melhora do desempenho entre os trimestres de 2020 é em virtude da retomada do mercado segurador, que também tem sofrido com os reflexos da pandemia. De acordo com a empresa, excluindo os contratos descontinuados, teria sido apurado um lucro líquido de R$ 149,4 milhões no 3T20. Entretanto, esses negócios descontinuados, conforme o IRB, fazem parte da estratégia da companhia em manter atuação em segmentos que apresentam um melhor desempenho.

Os resultados do IRB Brasil RE (BOV:IRBR3) referentes às suas operações do terceiro trimestre de 2020 foram divulgados no dia 03/11/2020.

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Outras informações do balanço

Ainda no 3T20, os prêmios emitidos somaram R$ 2,976 bilhões, valor 17% acima do 2T20 e 29,5% maior do que o 3T19.

O índice de sinistralidade total, que leva em consideração as despesas com indenizações em relação ao faturamento, também teve um desempenho interessante: saiu de 135,3% no segundo trimestre deste ano para 96,2% no terceiro trimestre. No 3T19 esse índice marcava 90,5%.

Quanto ao resultado financeiro no 3T20, o montante foi de R$ 115,3 milhões, enquanto no 2T20 ficou em R$ 50,2 milhões.

Teleconferência

Com mais de 20 anos de experiência no setor de seguros, Antonio Cassio dos Santos foi nomeado presidente do conselho de administração e CEO do IRB Brasil Resseguros em março deste ano, quando a empresa enfrentava uma crise de credibilidade no mercado.

Um balanço contestado pela gestora Squadra e a falsa veiculação de que a gestora Berkshire Hathaway, do bilionário Warren Buffett, havia comprado uma participação na companhia, explicavam o momento delicado da operação. Que ganhou contornos ainda mais críticos com a descoberta de práticas da gestão anterior, que encobriu sinistros e inflou os resultados da empresa, entre outras questões.

Oito meses depois, o clima no IRB é bem diferente. Santos entende que os principais impactos da crise já foram equacionados e que a empresa conseguiu, nesse intervalo, construir uma base sólida para consolidar o resgate de confiança no mercado.

“Em 2021, estaremos livres da tempestade astral que tivemos nesse ano”, afirmou Santos, em teleconferência com jornalistas na manhã desta quarta-feira, 4 de novembro. “E estaremos mais focados em olhar para frente do que resolver os problemas deixados pelo passado.”

O executivo destacou algumas boas perspectivas no horizonte do IRB. Entre elas, estão os investimentos projetado no País em decorrência do marco legal do saneamento, do programa de reformulação das concessões e o leilão do 5G.

“Nós imaginamos que esses programas trarão não só uma atividade anticíclica, mas também, um grande impacto na infraestrutura do País”, disse Santos. “E, em função da nossa experiência em projetos desse porte, temos uma vantagem competitiva nesse cenário.”

Ao mesmo tempo, no mercado internacional, ele observou a tendência de recuperação de preços no setor de seguros e resseguros, em um contraponto ao cenário observado nos últimos três anos, fruto do acirramento da competição nesse mercado.

Além da expectativa positiva, Santos ressaltou uma série de iniciativas implantadas pela nova gestão da empresa. A lista inclui a reestruturação do Conselho de Administração, com a eleição de sete novos integrantes, a reformulação de toda a diretoria da companhia e a nomeação de novos vice-presidentes, em cargos-chave da operação.

Outra medida envolveu o aumento de capital, no valor de R$ 2 bilhões, em agosto. O processo contou com um aporte de R$ 600 milhões do Bradesco e do Itaú Unibanco, donos de fatias de 15,8% e de 11,5%, respectivamente, na operação.

As estratégias também passaram pela captação de R$ 597 milhões com a emissão de debêntures, em outubro, e uma segunda emissão, anunciada ontem, para levantar até R$ 300 milhões. Com essas e outras ações, o IRB tem hoje R$ 7,4 bilhões em caixa.

Além das emissões de debêntures, o plano da companhia para resolver essa questão inclui frentes como a venda de ativos. “Estamos começando a sair do pântano e hoje já temos números consistentes com um futuro promissor”, disse Santos.

Apesar dessa perspectiva, as ações do IRB Brasil estavam sendo negociadas em queda de 3,9% por volta do meio-dia. No ano, em meio às turbulências vividas pela empresa, os papéis acumulam um recuo de cerca de 84%. Seu valor de mercado está em R$ 7,8 bilhões.

VISÃO DE MERCADO

BTG Pactual

Embora o prejuízo líquido tenha sido 60% maior em comparação com o que tínhamos em nosso modelo, não vemos o 3T necessariamente como uma má notícia para a ação. A tendência parece ser de melhora. Após o aumento de capital de R$ 2,3 bilhões em agosto, a base de capital do IRB está mais forte e a administração está se movendo rapidamente para resolver seus problemas de liquidez também. Mas a visibilidade do novo ROE “recorrente” da IRB permanece baixa e o valuation não oferece um bom risco-retorno a preços atuais.

De acordo com o relatório de resultados, se excluirmos esses negócios descontinuados, a IRB teria gerado um lucro líquido de R$ 149 milhões no 3T, ao invés de um prejuízo líquido de R$ 250 milhões. Isso implicaria em um índice de sinistralidade de 56% contra os 96,2% realmente reportados no 3T.

Provavelmente será um longo caminho, em nossa opinião, para o ROE voltar a pelo menos o custo de capital, mas conforme sinalizado em nossos relatórios mais recentes, a questão agora não é se a IRB sobreviverá, mas quão lucrativo ela pode ser em seu novo formato – que é definitivamente um ponto de partida / discussão muito melhor.

BTG Pactual tem recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 6,00…

Credit Suisse

O Credit ressalta que os números já eram esperados dados os números do mês e que a sustentabilidade da taxa de perda de 56% (versus média histórica de 70%) no negócio recorrente continua sendo a maior dúvida.

 

 

Morgan Stanley

Para os analistas do banco, o ponto positivo do trimestre foi a melhora dos prêmios para grandes riscos e o fato de a gestão sinalizar que vai começar a discutir a possibilidade de retomart o pagamento de dividendos em 2021. Do lado negativo, o Morgan Stanley destaca aumento do custo de aquisição no segmento premium.

Morgan Stanley mantém recomendação overweight, com preço-alvo de R$ 6,17…

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