VANISE ZIMMER (presidente do ElasBank): “a economia inteira é afetada pela exclusão social de gênero em finanças”

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A Doutora Vanise Zimmer é presidente, sócia e fundadora da ElasBank. Mais do que isso, é uma estudiosa das relações sociais de gênero, sobretudo em se tratando do impacto da exclusão de mulheres na área financeira e, consequentemente, na economia em geral.

Como toda mulher que faz mil coisas ao mesmo tempo, ela se dedicou a estudar várias áreas para entender diferentes abordagens do assunto e, hoje, une Psicologia, Finanças, Economia e Inteligência Artificial em um lugar que está sendo cada vez mais procurado por elas: o banco.

Conheça a trajetória de vida e de trabalho dessa mulher que está ajudando muitas mulheres a receberem mais um grande papel na vida: o de investidoras – e de muito sucesso.

 Nos conte um pouco sobre você, sua trajetória

Eu iniciei minha vida profissional há mais de 30 anos na indústria Química, mas logo percebi que estava mais interessada nas Humanidades, na Cultura e na Sociedade. Em 1998, me tornei psicóloga e em 2000 iniciei minha trajetória como pesquisadora das relações sociais de gênero.

Recebi um convite para integrar a primeira Universidade Internacional da Mulher, na Alemanha, a Leibniz Univesität Zu Hannover. Essa foi claramente uma experiência emocionante, que contou com 900 mulheres de 140 países do mundo todo.

Lá comecei a pensar sobre a disparidade de gênero em ocupações tecnológicas no campo das finanças, todas com pouca inserção feminina, e passei a investigar o processo de tomada de decisão em finanças na profissão de analista financeiro, que é majoritariamente exercida por homens.

Percebi que esse gap afeta não só os profissionais, mas também as mulheres de todas as classes sociais. A economia inteira é afetada pela exclusão social de gênero em finanças, pois cria obstáculos intransponíveis que impossibilitam a maioria das mulheres de se inserir no mercado (também profissionalmente), investir e poupar.

Nos fale mais sobre os efeitos nocivos dessa exclusão financeira

Isso prejudica as mulheres de muitas formas diferentes. O mais óbvio, que sempre se cogita, é que, sem poder financeiro, elas precisam conviver com violência doméstica, passar por situações abusivas e destrutivas e assistir seus filhos sofrerem violência ou ter que abandoná-los. Mas também deixam de aprender a serem donas de suas vidas, a poupar para a maternidade, para abrirem a própria empresa, para a aposentadoria, a fazer reserva financeira para financiar suas casas, carros, estudos, ou para uma emergência médica.

Elas também acabam não aprendendo o real valor do dinheiro e como o consumo regado a juros consome seus recursos. Mas, principalmente, se veem limitadas a investir apenas em passivos, como a caderneta de poupança, pois não têm a oportunidade de aprender que podem investir em ativos, que são mais rentáveis e oferecem um retorno maior. Pelo medo e desconhecimento, as mulheres poupam pouco, arriscam menos e não investem no que rende mais.

Atualmente, vemos com mais intensidade a afirmação de igualdade de gêneros, então existir um banco que os diferencia pode ser encarado como uma forma de intensificar ainda mais a diferença?

Falamos em promover igualdade de gênero porque ela não existe. Há uma significativa disparidade de gênero no mercado financeiro, no mercado de trabalho, na economia, na vida em geral. Então, quando falamos em promover a igualdade de gênero, precisamos passar primeiro pelo processo de tornar as relações de gênero equitativas.

O que isso significa quando falamos de finanças? Que precisamos criar produtos de investimento que sejam acessíveis às mulheres de baixa renda, com pouca informação, que sejam seguros e tragam a maior rentabilidade possível. Implica em gerar acesso ao sistema bancário para a maioria das mulheres, que está excluída. Como fazemos isso? Criando facilidade, disponibilidade, agilidade e autonomia. Se as mulheres precisam gastar horas na internet para aprender a investir e se sentirem seguras, não vão fazer isso, vão continuar na exclusão.

Além disso, ainda que nos dediquemos a criar um banco que atenda à demanda das mulheres e que busque sanar o gap de gênero nas finanças e no sistema bancário, nosso banco pode ser usado por qualquer pessoa, de qualquer idade, sexo e região do país.

 Como funciona o banco?

Obviamente, tudo começa com a abertura de uma conta, que é sem custo e a manutenção também. Ao contrário do que se pratica nos grandes bancos, entendemos que aplicar uma política inclusiva de gênero implica em não cobrar pela gestão das contas correntes. A mesma ideia deve ser aplicada à gestão de cartão de crédito. Nós oferecemos cartões sem custo de emissão e de entrega. Além disso, ele é muito bonito 😉, a cara das mulheres brasileiras.

A ElasBank torna o investimento acessível a qualquer mulher, de qualquer classe social. A facilidade e o baixo custo garantem que o banco possa ser utilizado por todas.

 Qual a diferença do ElasBank para qualquer outro banco?

Os players tradicionais querem atender todos de maneira igual. Criaram um carro e querem vendê-lo para todo mundo. Ao longo do tempo, criaram diferenciações, como agência de varejo, de pessoas mais ricas etc. É como ter mesmos carros, mas de diferentes “tamanhos”. Porém, na criação da ElasBank, pensamos diferente: qual o objetivo da mulher? Do que ela precisa? O foco é a mulher e a equidade de gênero, e não a venda de soluções bancárias, como nos bancos tradicionais.

 Quais os produtos e serviços oferecidos pelo banco?

Como pretendemos sempre incluir novos serviços, essa resposta precisa ser revista com frequência. Para os primeiros meses de lançamento, incluímos:

  • Serviços de conta, cartão de crédito pré-pago para compras on-line e físicas, saques etc.;
  • Investimentos integrados e planejamento financeiro;
  • Automatização da vida financeira, incluindo contas em outros bancos;
  • Cashback de resultados para entidades que ajudam mulheres na conquista da equidade e, futuramente, outros projetos sociais.

No nosso pipeline para os meses seguintes, já trabalhamos em linhas de créditos com taxas especiais para mulheres.

O que é o serviço de cashback?

Cashback é um termo usado normalmente para representar um serviço de fidelização na compra de produtos. Por exemplo: gastou 50 Reais numa loja, ela te devolve 2 Reais para serem usados em futuras compras. Funciona de maneira simples: por cada Real que a mulher deixar na ElasBank para gerenciar, ela paga uma taxa pequena e pode dedicar uma parcela dessa taxa para uma instituição social. A mulher escolhe entre as instituições aquelas com que mais se identifica. Visamos incluir especialmente instituições que promovem as mulheres no nosso País, em alinhamento com o nosso objetivo da equidade de gênero.

Até um tempo atrás, dentro da família só quem tinha cartão de crédito era o homem. A mulher tinha a fama de “gastadeira”, portanto só usava quando (e o quanto) ele deixava. Como o ElasBank quebra esses paradigmas?

Primeiro, quebra o paradigma porque agora ela tem um cartão de crédito personalizado para ela. Quebra o paradigma porque ela sabe que a empresa que ela está comprando investe em negócios que valorizam outras mulheres. Quebra o paradigma ainda porque o planejamento financeiro que disponibilizamos vai ajudá-la a aprender a controlar suas finanças. Vamos investir em educação financeira, especialmente estimulando que mais e mais mulheres sintam que é fácil e possível investir. Aqui elas se sentirão seguras e amparadas para investir em ativos, e não somente em passivos.

O banco tem alguma carteira recomendada?

Hoje, no Brasil, somos a única plataforma que não trabalha com recomendações padrão. Nossa jornada não visa o produto e muito menos carteiras “pré-definidas”. Na verdade, espero que vejamos nos próximos anos os outros players de investimento saírem dessa abordagem antiquada. Entendo que muitos bancos ainda adotam essa postura porque não têm tecnologia e know-how quantitativo, que é muito escasso no país ainda.

Somos também a primeira casa do Brasil que oferece investimento por temas para pessoas físicas. Acreditamos que a maior parte das mulheres tem uma consciência social elevada e que elas apoiam ou querem apoiar esses temas, então decidimos juntar o rendimento financeiro com o apoio às causas sociais e incluímos essa novidade na gestão automática das carteiras individualizadas.

O que são esses temas de investimentos? O que proporcionam para a cliente?

Os temas de investimento podem ser bem amplos, mas damos prioridade àqueles que se relacionam com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e aos de Inclusão Financeira de Gênero, conforme proposta da ONU Mulheres (a Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e Empoderamento das Mulheres).

Na ElasBank, a cliente tem a opção de escolher diferentes temas de seu agrado e dar pesos a eles, conforme os seus valores e interesses. Pode-se também integrar diversos temas em uma única carteira de investimentos – nossas ferramentas de Inteligência Artificial permitem fazer isso automaticamente, com grande facilidade.

Quando um tema é escolhido, o sistema avalia, seleciona e inclui de maneira automática ações, ETFs, fundos de investimento ou títulos de renda fixa privada na carteira de investimentos da cliente, de tal forma que as empresas que dão foco nos temas escolhidos por ela sejam inclusas, sem prejudicar a performance dos investimentos.

A revisão da carteira individualizada de cada cliente é automática e feita todos os dias. Se a cliente muda a configuração da sua carteira, como alterando os seus objetivos de vida, ou ao incluir um novo tema de investimento, ela recebe sugestões de mudança na composição da carteira.

A transação PIX é muito recente e já está disponível no ElasBank, nos conte mais detalhes

O PIX é algo extremamente importante para a ElasBank, já que permite que as transferências sejam feitas de graça. Também oferecemos o TED e DOC, mas essas operações têm custos – entretanto, comparado com outros bancos, que se enriquecem com taxas abusivas sobre esses serviços, nós os oferecemos sem rentabilidade para o ElasBank.

Além de ser de graça, o PIX tem outra vantagem que é superalinhada com nossa jornada: é instantâneo, ocorrendo 24 horas, todos os dias da semana. Nossa gestão financeira automatizada usa o PIX para alavancar ainda mais a experiência das mulheres. E, para facilitar a usabilidade das clientes, colocamos todos os serviços de transferência em uma única tela de acesso. Rápido e fácil.

Qual o recado que você deixa para as leitoras da ADVFN?

Eu ficaria muito feliz em ver muitas mulheres participando desse movimento. Quanto maior a rede de mulheres investidoras, mais impacto ela consegue gerar na inclusão financeira de gênero. Pessoalmente, me sinto satisfeita em poder dizer que a participação vale não só pelo bem maior de promover a equidade financeira de gênero, criando oportunidades para quem não tem acesso aos investimentos e ao sistema bancário, mas também criando sororidade, ajudando umas às outras, gerando inovações que trarão um enorme benefício social. Todas são bem-vindas e convidadas a ajudar, conforme nosso lema: “Por Elas; Para Elas; de Geração para Geração”.

E que tal começar agora a investir na bolsa de valores? Com o scanner ADVFN, você tem um raio-x ainda mais completo das empresas e, o melhor, com sugestões de compra de acordo com seu perfil de investimentos. É feito sob medida para você! Aproveite e ótimos investimentos!

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