Reunião da Opep: setor de petróleo exigirá US$ 12 trilhões em investimentos até 2045

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Os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e aliados importantes como a Rússia entraram no segundo dia de reunião para decidir se vão aumentar os níveis de produção, diante da estabilização dos preços acima de 40 dólares o barril nas últimas semanas.

Até às 6 horas desta segunda-feira, os membros ainda não haviam se pronunciado diretamente sobre novos cortes, e a perspectiva agora é que estendam as conversas até quinta-feira diante da falta de um acordo.

Muito mais do que a retomada consistente da demanda, os produtores terão grandes desafios para manter sua fatia em um deteriorado mercado pós-pandemia.

A consultoria especializada Wood Mackenzie projeta que os cortes de investimentos das petroleiras somam mais de 20% em 2020 globalmente, o que deve impactar o desenvolvimento de novos campos no médio e longo prazo.

 Por outro lado, a partir do momento em que a Opep+ decidir pela liberação dos níveis de produção, começará uma verdadeira corrida por market share: quem estiver melhor preparado deve ter vantagem.

Marcelo Assis, chefe de pesquisa da consultoria especializada Wood Mackenzie América Latina na área de upstream, afirma que os impactos mais fortes da covid-19 nos investimentos das petroleiras devem ocorrer em 2020, com cortes que somam 20% globalmente. A tendência é que ao longo dos próximos anos haja um restabelecimento dos aportes, principalmente porque a indústria global precisa adicionar cerca de 5 milhões de bpd por ano para compensar a queda natural dos volumes nos campos já existentes.

 “Em 2021, a expectativa é de retomada do consumo e reequilíbrio dos preços com o fechamento de capacidade de produção nos Estados Unidos e em países menos competitivos”, diz Assis.

Segundo o especialista, porém, a recuperação do consumo não veio conforme o esperado neste ano. Anteriormente, havia a expectativa de vacina do coronavírus no final deste ano, porém, isso não está se concretizando. “O cenário se desenha bastante duro para a indústria também em 2021.”

De acordo com a Opep, o petróleo ainda deve ter a maior participação na matriz energética no período, respondendo por 27% do total em 2045. No entanto, o crescimento mais acelerado deve vir do gás natural.

Assis destaca, entretanto, que essa expansão do gás depende da política energética adotada nos Estados Unidos, maior consumidor do mundo. A depender das eleições americanas, o início do declínio do consumo da commodity pode ser antecipado.

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