Hering (HGTX3): lucro líquido de R$ 343 milhões em 2020, alta de 59,7% impulsionado por créditos fiscais operacionais

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A Hering registrou lucro líquido atingiu R$ 343 milhões, aumento de 59,7% ante o ano de 2019, impulsionado por créditos fiscais operacionais e aumento no resultado financeiro líquido de R$ 150,7 milhões, em razão das correções monetárias do crédito presumido de ICMS e correção na base de cálculo do PIS e COFINS, além do crédito do imposto de renda e contribuição social.

Os resultados da Hering (BOV:HGTX3) referentes suas operações do quarto trimestre de 2020 foram divulgados no dia 03/03/2021. Confira o Press Release completo!

⇒ Confira a agenda completa da divulgação dos resultados do 4T20 e referente ao ano de 2020. Confira a cobertura completa de todos os balanços referente ao ano de 2020 das empresas negociadas na B3.

No acumulado do ano a receita recuou 30,7%, para R$ 1,07 bilhão.

4T20

A Hering registrou um lucro líquido de R$ 55,6 milhões no 4º trimestre de 2020, redução de 12% se comparado ao mesmo período de 2019.

A companhia atingiu 13,1% de margem líquida, influenciada pela redução do resultado financeiro líquido, principalmente em função da menor taxa de juros além dos custos da dívida contratada no primeiro trimestre do ano. Além, é claro, de seu fraco desempenho operacional.

O Ebitda da varejista apresentou queda de 17% ano a ano, com a margem recuando 3,3 pontos percentuais, para 16,1%, sendo afetado pela fraca venda e por itens não-recorrentes e reversão da provisão.

A receita líquida da Cia Hering ficou estável se comparado ao 4T19, registrando queda de 0,50%. As vendas mesmas lojas registraram alta apenas de 1%.

As vendas em mesmas lojas — unidades abertas há mais de 12 meses — registraram alta de 1%.

A receita de vendas no mercado externo caiu 26,5% entre outubro e dezembro, somando R$ 8,9 milhões. Já a receita bruta no mercado interno avançou 0,7%, para R$ 494,4 milhões, impulsionada pela alta de 11,5% nas vendas da Dzarm. A marca Hering registrou alta de 3,9% em sua receita de vendas, para R$ 464,6 milhões.

A pandemia acabou afetando profundamente o resultado das vendas nas lojas físicas, que caíram 11,6% no trimestre, dado o isolamento social. Enquanto isso, as vendas no canal online subiram 230,6% na mesma base de comparação. Já as vendas para franqueados caíram 2,9%.

A Hering destaca que as vendas na Black Friday cresceram 254% em relação ao mesmo período de 2019. As vendas para o Natal, porém, foram afetadas pela segunda onda da covid-19, com queda de fluxo nas lojas físicas. A companhia também destaca restrição de matérias-primas na retomada de produção, o que gerou atrasos nas entregas.

As vendas no comércio eletrônico da companhia saltaram 230,6%, para R$ 70,7 milhões. Com isso, a participação do canal virtual na receita interna atingiu 14,3% no último período de 2020, enquanto a fatia era de 4,4% no quarto trimestre de 2019.

De acordo com a companhia, o fluxo na plataforma cresceu 91%, enquanto a fatia de novos clientes no site é de 61%. O aplicativo da Hering somou 38 mil downloads no primeiro mês após seu lançamento. Uma das marcas que se beneficiou da expansão digital foi a Hering Intimates, cujas vendas cresceram 4 vezes no on-line.

A companhia afirma que a instabilidade na operação devido ao fechamento de lojas e as restrições de horários e de circulação impactaram a receita bruta, que recuou 29,9% no acumulado do ano e somou R$ 1,3 bilhão.

A geração de caixa no último trimestre foi de R$ 45,8 milhões, enquanto em 2019 o montante havia sido de R$ 60,9 milhões. O caixa líquido ao final do ano somou R$ 265,1 milhões.

Guidance 

Além da apresentação dos números, a empresa anunciou seu guidance de investimento de R$ 131 milhões em 2021, o maior da história, que serão destinados para melhorias em tecnologia, reestruturação de sistemas, plataformas digitais e modernização de parque industrial e logístico.

Teleconferência

O comando da Cia Hering disse em teleconferência com analistas, que fez dois reajustes de preços desde novembro, de 10,4% no total — um aumento “mais equilibrado” do que os concorrentes, afirmou a diretoria financeira. Esse movimento foi necessário por conta da pressão da alta do dólar nos insumos. Ainda reforçou que esse reajuste foi feito apesar de o grupo considerar o risco de uma retração da economia, que tende a afetar vendas do varejo.

“Fizemos ajustes num movimento mais equilibrado que concorrentes. Há esse cenário de potencial recessão e temos que ver se cabe no bolso. Mas vimos como razoável, frente [ao aumento do] mercado”, disse Thiago Hering, diretor de operações.

Ele disse que há uma pressão ainda em vigor por conta da alta de commodities, especialmente em fios têxteis, mas a empresa tem buscado negociar com fornecedores e aumentar produtividade para absorver parte dos custos.

Paralelo a isso, a companhia ainda mencionou problemas recentes na cadeia produtiva que afetou as franquias.

Ocorre que o desempenho das vendas no terceiro trimestre, principalmente da loja ao cliente (“sell-in”), foi impactado por dificuldades no abastecimento de produtos, fruto da retomada ainda gradual na produção terceirizada, e de falta de matérias-primas. Isso gerou atrasos nas entregas e postergação da carteira para o quarto trimestre.

“Tivemos perda de venda pela dificuldade de abastecimento”, afirmou Fabio Hering, CEO do grupo. São 758 lojas do grupo no país. Segundo a direção, houve um gargalo maior na etapa de produção terceirizada no quarto trimestre.

Com isso, a estratégia de abastecimento foi prejudicada pela falta de certos produtos, fruto de uma retomada ainda gradual do ritmo de fabricação. Isso gerou atraso e postergação nas entregas de mercadoria.

Questionado sobre o efeito nos resultados, o diretor afirmou que os problemas na cadeia levaram a perda de 5 a 6 pontos percentuais em venda no trimestre, mas ressalta que houve postergação da parte não atendida em entregas para o mês de janeiro.

A empresa reforça ainda que neste momento, essa questão de fluxo de matéria-prima não é mais problema, e a preocupação maior é a variação do dólar.

VISÃO DO MERCADO

Bank of America (BofA)

O Bank of America (BofA) afirmou que os resultados da Cia Hering do quarto trimestre foram prejudicados pelas restrições no final do ano nas lojas físicas, a escassez de matéria prima e restrições da cadeia de suprimentos.

O distanciamento social e o prolongamento do trabalho em casa continuaram favorecendo o uso e a venda das roupas casuais da Hering, segundo o banco. “Vemos potencial em categorias como roupas íntimas, roupas de dormir e para atividades físicas”, diz. As melhorias no serviço também devem sustentar uma maior penetração do comércio eletrônico.

O BofA ainda vê dificuldades no curto prazo conforme os municípios impõem novas restrições operacionais em resposta às preocupações com a transmissão da covid-19.

Além disso, os preços do algodão brasileiro também dispararam 35% nos últimos dois meses e 76% na comparação anual, e a demanda por roupas leves pode limitar o repasse de preços.

No médio prazo, a adoção de ferramentas digitais e eficiências de fabricação devem conduzir a uma melhor alavancagem operacional conforme as vendas se recuperam, apoiando maiores investimentos em tecnologia, recursos de gerenciamento e iniciativas estratégicas.

“Mudanças organizacionais, incluindo novas contratações de gestão com experiência em desenvolvimento de marca, cadeia de suprimentos e tecnologia, entre outros, vêm antes de uma transição de liderança antecipada”, aponta o relatório.

O Bofa manteve a recomendação neutra e o preço alvo de R$ 19,50.

Credit Suisse

O Credit Suisse afirmou que os resultados divulgados pela Hering estão em linha com seus números, com alta de 231% no comércio on-line na comparação anual, que agora totaliza 14,3% das vendas domésticas. A margem bruta continua a aumentar.

Credit Suisse mantém recomendação neutra, com preço-alvo em R$ 24,00.

Pensando em investir na CSN?

A Cia. Hering, maior rede de franquias de varejo do Brasil, com mais de 135 anos de história, possuí um modelo de negócios diferenciado, caracterizado por incluir gestão de marcas, produção e gestão de varejo.

→ A Hering é uma companhia brasileira especializada em vestuário. Confira a análise completa da empresa com informações exclusivas.

Governança Corporativa

Em 16 de maio de 2007, a Cia. Hering ingressou no Novo Mercado da B3 e passou a integrar a carteira do Índice de Ações com Governança Corporativa Diferenciada (IGC). A Cia. Hering está comprometida a atingir e manter altos padrões de governança corporativa, e seu Estatuto Social contém todas as cláusulas mínimas exigidas pelo Regulamento do Novo Mercado.

Composição Acionária

NOME DO ACIONISTA QTDE. DE AÇÕES ORDINÁRIAS % DO TOTAL ÚLT. ALTERAÇÃO
Atmos Capital

16.703.535

10,3% 23/09/2019
Inv. e Partic. Inpasa S/A 11.122.345 6,8% 13/04/2020
Ivo Hering 11.768.370 7,2% 29/05/2013
Verde Asset

9.188.874

5,7%

28/02/2020
Velt Partners

8.931.998

5,5%

28/02/2020

Ações em Tesouraria

3.857.581

2,4%
Outros

100.961.234

62,1% 25/09/2020
TOTAL 162.533.937 100%

Desempenho da empresa na B3

No último ano, as ações da Hering oscilaram entre a mínima de R$ 10,51 e a máxima de R$ 23,37. No último pregão antes da divulgação do resultado do 4T20, a empresa fechou em queda de 1,34%, negociada a R$ 14,73.

Confira o histórico da Hering (HGTX3)

Período Abertura Máxima Mínima Preço Médio Vol Médio Variação Variação %
1 Semana 16,11 16,25 14,02 14,98 2.294.340 -1,38 -8,57%
1 Mês 17,85 18,50 14,02 16,39 2.046.772 -3,12 -17,48%
3 Meses 18,20 18,75 14,02 16,89 2.257.736 -3,47 -19,07%
6 Meses 20,87 21,14 14,02 17,63 2.649.900 -6,14 -29,42%
1 Ano 23,01 23,37 10,51 16,19 3.419.102 -8,28 -35,98%
3 Anos 22,54 36,07 10,51 21,31 2.202.127 -7,81 -34,65%
5 Anos 15,00 36,07 10,51 21,40 1.613.642 -0,27 -1,8%
* Com informações da ADVFN, RI das empresas, Valor, Infomoney, Estadão, Reuters

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