JBS (JBSS3): lucro líquido de R$ 4,6 bilhões em 2020, queda de 24,2%; No 4T20, lucro dispara 65%

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Em 2020, o lucro líquido da JBS totalizou R$ 4,6 bilhões, o que significa uma redução de 24,2% em relação aos R$ 6 bilhões do ano anterior. Essa queda, porém, reflete o prejuízo não caixa do primeiro trimestre, quando a alta do dólar pesou sobre o valor das dívidas em moeda estrangeira. Não fosse isso, o resultado da companhia brasileira de carnes teria ficado perto dos R$ 10 bilhões.

Os resultados da JBS (BOV:JBSS3) referentes suas operações do quarto trimestre de 2020 foram divulgados no dia 24/03/2021. Confira o Press Release completo!

⇒ Confira a agenda completa da divulgação dos resultados do 4T20 e referente ao ano de 2020. Confira a cobertura completa de todos os balanços referente ao ano de 2020 das empresas negociadas na B3.

No acumulado de 2020, o Ebitda ajustado totalizou R$ 29,5 bilhões, um incremento de 48,7%. Assim, a margem Ebitda caiu 0,7 ponto no trimestre, para 9,9%, mas aumentou 1,2 ponto no ano, para 10,9%.

Em 2020, a receita líquida aumentou 32,1%, ultrapassando R$ 270 bilhões pela primeira vez.

A JBS encerrou 2020 com R$19,7 bilhões em caixa. Adicionalmente, a JBS USA possui US$2,0 bilhões disponíveis em linhas de crédito rotativas e garantidas, equivalentes a R$10,2 bilhões ao câmbio de fechamento do trimestre, o que confere à JBS uma disponibilidade total de R$29,9 bilhões, mais de seis vezes superior a sua dívida de curto prazo.

A dívida líquida em reais aumentou de R$43,0 bilhões para R$46,2 bilhões em 2020, devido à desvalorização do Real, com a alavancagem reduzindo de 2,16x para 1,56x no período. Em dólares, a dívida líquida reduziu em US$1,8 bilhão, de US$10,7 bilhões em 2019 para US$8,9 bilhões em 2020 e a alavancagem reduziu de 2,13x para 1,58x neste mesmo período.

4T20

A JBS encerrou o quarto trimestre de 2020 com lucro líquido de R$ 4,019 bilhões, ou R$ 1,53 por ação, 65,0% maior do que o lucro de R$ 2,435 bilhões verificado em igual período de 2019.

Turbinada pelo dólar valorizado – cerca de 80% do caixa da companhia é gerado nos EUA -, a JBS registrou uma receita líquida de R$ 76 bilhões no quarto trimestre, incremento de 33,1% na comparação anual.

Já o Ebtida ajustado – lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização – foi de R$ 7,034 bilhões, alta de 24,1% ante o quarto trimestre do ano passado, com margem de 9,2%.

A dívida líquida da companhia somou R$ 46,227 bilhões, 7,5% superior ao reportado em igual trimestre de 2019, de R$ 42,994 bilhões, em virtude da desvalorização do real frente ao dólar. Em dólares, a dívida líquida diminuiu de US$ 10,666 bilhões para US$ 8,895 bilhões. Já a alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, ficou em 1,56 vez em reais e 1,58 vez em dólares no quarto trimestre, contra 2,16 vezes e 2,13 vezes, respectivamente.

Em comunicado, a JBS informou também ter gerado R$ 6,8 bilhões em caixa nas atividades operacionais, crescimento de 34,5% na comparação com o quarto trimestre de 2019. O fluxo de caixa livre, por sua vez, foi de R$ 3,8 bilhões, 18,6% maior na mesma base comparativa.

Unidades de negócio

A JBS Brasil registrou de outubro a dezembro uma receita 39,9% maior na comparação anual, de R$ 13,396 bilhões, fruto de um crescimento de 38,8% no preço médio, com volumes praticamente estáveis, mesmo com a queda de 5,6% no número de animais processados no período, segundo a empresa. Nesse segmento, o mercado doméstico teve alta de 46,3% na receita líquida, que chegou a R$ 7,6 bilhões. “Esse crescimento resulta, principalmente, do desempenho do negócio de carne bovina, Friboi, que registrou aumento tanto no volume de carne bovina in natura quanto no preço de venda, de 15% e 30%, respectivamente.” Já no mercado externo, a receita foi 32,4% maior na mesma base comparativa, de R$ 5,8 bilhões.

Segundo a empresa, as vendas de carne bovina in natura, que corresponderam a 84% das vendas do negócio no mercado externo, tiveram crescimento tanto em volume quanto em preços, com destaque para China e Hong Kong, cuja receita de vendas cresceu cerca de 60% no período.

Operacionalmente, o negócio entregou bons resultados nos EUA. Ainda que a margem tenha caído em função dos seca na Austrália – os resultados do país estão abrigados na divisão JBS USA Beef -, as margens seguem acima das médias históricas.

No quarto trimestre, o Ebitda da divisão ficou estável, em US$ 503,4 milhões (quase R$ 2,8 bilhões). A margem do negócio chegou a 9% no quarto trimestre, queda de 0,4 ponto. Em 2020, no entanto, a margem Ebitda da JBS USA Beef teve um incremento de 2,2%, atingindo 11%.

O maior crescimento no Ebitda ajustado foi da Pilgrim’s Pride, com alta de 53,5%, seguido pela Seara, com avanço de 50,8%, e pela JBS Brasil, que teve aumento de 41,2%. O Ebtida ajustado da JBS USA Beef teve crescimento de 6,6%, enquanto o da JBS USA Pork caiu 4,7% no período.

A marca brasileira Seara teve receita líquida 31,8% maior no trimestre ante igual período do ano anterior, para R$ 7,541 bilhões. A companhia atribui o resultado a um aumento de 5,6% no volume vendido e de 24,9% no preço médio de venda. As vendas no mercado interno, que responderam por 54% da receita da unidade, totalizaram R$ 4,1 bilhões, aumento de 33,2% ante igual período de 2019.

“Mais uma vez, a categoria de produtos preparados se destacou, registrando um crescimento de 13,3% no volume e de 23,2% no preço médio de vendas no período”, disse a JBS em comunicado enviado à imprensa. No mercado externo, a receita líquida da Seara foi de R$ 3,5 bilhões, um crescimento de 30,2% em relação ao quarto trimestre de 2019.

Dividendos

A JBS propôs o pagamento de dividendos de R$ 2,5 bilhões para o ano de 2020.

VISÃO DO MERCADO

Credit Suisse

De acordo com o Credit Suisse, os resultados apresentados foram, mais uma vez, sólidos, impulsionados principalmente pelas operações nos Estados Unidos, com fortes margens de carne bovina e suína (9,0% e 10,2%, respectivamente), enquanto as margens de PPC ficaram abaixo do potencial total de 6,6%. Seara e JBS Brasil (bovinos) apresentaram queda sequencial de margens em função do aumento de custos, mas ainda positiva para a primeira (margem de 14,1%) e em patamar menos atraente para a segunda (margem de 5,1%).

Pensando em investir na JBS?

A JBS é uma companhia que opera no processamento de carne bovina, suína, ovina e de frango. Também atua na produção de alimentos de conveniência e valor agregado. Além disso, comercializa produtos de couro, higiene e limpeza, colágeno, embalagens metálicas, biodiesel, entre outros.

Entre suas unidades de negócios, se destacam a JBS Brasil, a Seara e a JBS USA, todas do ramo de alimentos. Em 2019, possuía mais de 400 unidades. Destas, mais de 230 estavam relacionadas à produção de carnes e produtos de maior valor agregado.

→ A JBS possui valor de mercado de R$ 72,3 bilhões. Confira a Análise completa da empresa com informações exclusivas.

Governança Corporativa

As ações da JBS são negociadas no Novo Mercado da B3.

Composição Acionária

Acionistas Nº de Ações %
Grupo de Controle (J&F Investimentos S.A. e Formosa) 1.134.851.187 43,26%
Ações em Tesouraria 12.848.500 0,49%
Ações em circulação
– BNDES Participações S.A. – BNDESPAR 581.661.101 22,17%
– Outros Minoritários 894.012.858 34,08%
Total das ações em circulação 1.475.673.959 56,25%
TOTAL 2.623.373.646 100,00%

Desempenho da empresa na B3

No último ano, as ações da JBS oscilaram entre a mínima de R$ 18,75 e a máxima de R$ 28,34. No último pregão antes da divulgação do resultado do 4T20, a empresa fechou em alta de 0,18%, negociada a R$ 27,52.

Confira o histórico da JBS (JBSS3)

Período Abertura Máxima Mínima Preço Méd. Vol Médio Variação Variação %
1 Semana 26,56 28,34 26,30 27,33 10.470.960 0,96 3,61%
1 Mês 25,78 28,34 25,60 26,90 13.870.957 1,74 6,75%
3 Meses 24,09 28,34 22,80 25,69 13.966.779 3,43 14,24%
6 Meses 21,67 28,34 19,03 23,30 16.063.522 5,85 27,0%
1 Ano 21,20 28,34 18,75 22,68 17.397.085 6,32 29,81%
3 Anos 9,49 34,25 7,91 20,78 13.310.273 18,03 189,99%
5 Anos 11,12 34,25 5,25 16,82 12.230.941 16,40 147,48%
* Com informações da ADVFN, RI das empresas, Valor, Infomoney, Estadão, Reuters

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