MRV (MRVE3): lucro líquido de R$ 137 milhões, alta de 30,9% refletindo boom imobiliário

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A MRV Engenharia registrou lucro líquido de R$ 137 milhões no primeiro trimestre de 2021, 30,9% maior que o visto no mesmo período do ano anterior, refletindo o boom do mercado imobiliário no Brasil com taxas de juros em mínimas recordes, mas a companhia teve maior consumo de caixa porque estocou matéria-prima para se proteger da inflação.

A receita operacional líquida avançou 5,9% na mesma base de comparação, para R$ 1,6 bilhão.

ebitda  – lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização – somou R$ 211 milhões no trimestre, alta de 4,2% ante o mesmo período de 2020.

A companhia também segue empenhada em expandir suas operações em todas as linhas de negócios. No primeiro trimestre, o percentual das vendas que contaram com o financiamento do FGTS, que engloba quase a totalidade das vendas ao programa habitacional Casa Verde Amarela (antigo Minha Casa, Minha Vida), representou 78% do total (R$ 5,8 bilhões) da MRV nos ultimos 12 meses.

A MRV havia anunciado em abril salto de 58% nos lançamentos nos primeiros três meses de 2021, mas queda de 3,2% das vendas no comparativo anual, com atrasos em alguns repasses da Caixa Econômica Federal, item que também pesou na geração de caixa, negativa em R$ 384 milhões, contra um número também deficitário de R$ 328 milhões um ano antes.

Além dos atrasos da Caixa, essa linha do resultado refletiu despesas maiores das unidades em desenvolvimento Urba e AHS, além da decisão da MRV de elevar estoques de matéria prima.

“Dado o atual cenário de inflação de materiais na construção civil, a companhia optou por antecipar a compra e estocar parte da matéria prima necessária para a construção de suas obras, de modo a garantir o preço e evitar interrupções no fornecimento”, afirmou a empresa no relatório.

No período, a geração de caixa da MRV ficou negativa em R$ 384 milhões, explicado por compra antecipada de materiais e pelo pior desempenho dos repasses nos primeiros meses do primeiro trimestre.

Em seu relatório trimestral, a companhia disse que dado o atual cenário de inflação de materiais na construção civil, optou por antecipar a compra e estocar parte da matéria prima necessária para a construção de suas obras, de modo a garantir o preço e evitar interrupções no fornecimento. Com isso, houve um consumo adicional de caixa que impactou na geração do trimestre.

Outro efeito que impactou a geração de caixa negativamente foi o pior desempenho dos repasses nos primeiros meses do 1T21, em especial no mês de janeiro, mas ressaltou que houve normalização em março.

A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida por patrimônio líquido, ficou em 17,72 vezes no trimestre, alta de 37,1%.

“A alavancagem está separada do Brasil e Estados Unidos por que os mercados são diferentes, e ela deve ser diluída ao longo do ano a medida que houver liquidação dos empreendimentos”, finalizou o executivo.

“Em 28 de janeiro foram pagos R$ 100 milhões a título de dividendos extraordinários à conta de lucros do exercício de 2019”, informou a companhia.

Segundo ele, a MRV deve ampliar seus planos para a subsidiária AHS, na esteira do programa do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, de ampliar projetos de infraestrutura e apoio a cidadãos de classe média.

Os resultados da MRV (BOV:MRVE3) referentes suas operações do primeiro trimestre de 2021 foram divulgados no dia 12/05/2021. Confira o Press Release completo!

VISÃO DO MERCADO

Credit Suisse

A MRV reportou resultados neutros no primeiro trimestre, marcado por fortes números operacionais e um financeiro saudável, apesar da contração da margem bruta, segundo o Credit Suisse.

“Embora as operações do segmento de baixa renda estejam em boa forma, a empresa apresentou contração de sua margem bruta de 28,4% para 27,8% no quarto trimestre de 2020 devido ao aumento dos custos e anunciou que este valor deve se manter estável nos próximos trimestres, apesar dos preços estarem ligeiramente ajustados”, diz o relatório.

Em relação às operações fora do programa Casa Verde e Amarela, a AHS entregou um novo empreendimento, que entrou em processo de estabilização e já se encontra à venda. Dito isso, a subsidiária tem um total de U$ 310 milhões em projetos para venda, o que pode resultar em uma forte geração de caixa à frente.

Segundo o banco, embora tenham uma visão positiva sobre a estratégia da MRV de diversificação de suas operações (36% do estoque de terrenos, 42% dos lançamentos dos últimos 12 meses e 22% das vendas dos últimos 12 meses foram fora do segmento econômico), os analistas veem as margens da empresa abaixo de seus pares e sem gatilhos claros para melhorar.

“Por outro lado, há riscos de alta para nossos números nas operações de AHS, o que poderia desbloquear um valor significativo e fortalecer o fluxo de caixa no futuro”, afirmou.

Credit Suisse mantém recomendação neutra com preço-alvo em R$ 21,50…

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