Você sabe analisar o balanço de uma empresa? Vem aprender como é que o Warren Buffett faz

LinkedIn

A temporada de divulgação de balanços é sempre tumultuada: cada dia são 20 ou 30 divulgados, isso quando a data não muda e o investidor precisa se reorganizar para não deixar de conferir os resultados. É claro que nem todo mundo acompanha o desempenho trimestral de todas as empresas listadas na bolsa, mas aqueles que têm várias em carteira precisam dedicar um tempo a isso.

Acontece que essa agitação sempre tem data para acontecer: a cada três meses. E, se você é um daytrade (negocia no mesmo dia), mas não for organizado, perde muito mais do que o momento da divulgação do balanço: perde também dinheiro. Isso porque os resultados das empresas mostrados nos balanços podem influenciar o preço da ação, principalmente se os demonstrativos ficarem muito divergentes das expectativas do mercado. Portanto, embora não seja uma exigência ler balanços, eles certamente vão influenciar seu investimento.

Já para aqueles que preferem ficar bem zen quanto a isso, preferindo comprar ações e reter por um longo período (o chamado investidor de longo prazo, ou ainda trader buy and hold, isto é, aquele que compra e mantém), tudo bem evitar a fadiga nessa fobia de divulgações, mas isso não te isenta de analisar o desempenho das suas empresas em algum momento – aliás, para você é uma exigência, sim, conhecer a fundo suas ações.

Independente do seu estilo de investimento, saiba que não existe almoço grátis.

Não existe almoço grátis

A repetição dessa frase no subtítulo aqui de cima é intencional, é para fixar na mente mesmo. Esse ditado popular vem lá da terra do Tio Sam e se trata de um bar que dava comida grátis para quem comprasse alguma bebida. Supervantajoso, não é mesmo? Imagina poder comer petisco à vontade e ainda encher a cara? Acontece que a comida era tão salgada, mas tão salgada, que… isso mesmo, você entendeu a sacada do negócio: a pessoa precisava comprar muita bebida para saciar a sede.

Assim como o ditado, você pode saborear à vontade os investimentos em empresas sem nem se preocupar com quem ela seja ou seus números. No mercado sempre tem o “ouvi dizer”, a especulação, a tendência. Mas, no final, quem paga a conta é você, e o preço pode ser bem mais salgado do que eles te falaram quando mandaram o convite para participar do happy hour.

Então, antes de seguir a manada de olhos fechados, perceba se vale a pena ir na mesma direção que todos ou pegar um novo caminho. Ainda que você prefira comprar e vender no mesmo dia, saiba que as notícias das empresas também impactam as ações, portanto é inevitável conhecê-las melhor.

Quem é Warren Buffett

Se você está entrando na bolsa agora e aprendendo os primeiros passos, pode ser que não conheça esse nome, mas Warren Buffett com certeza é aquele senhor de porte e experiência que vai te olhar e dizer: “não vá àquele bar da comida grátis, você terá prejuízo. Em vez disso, toma aqui uma Coca-cola” – para entender melhor isso, veja a recomendação sobre o documentário Como ser Warren Buffett!

Ele tem uma frase muito célebre que diz o seguinte: “Por algum motivo, as pessoas se baseiam nos preços, e não nos valores. Preço é o que você paga. Valor é o que você leva”. Pense ele te falando isso quando você pensa se vai ou não ao bar. Parece um puxão para a realidade, não é mesmo? Mas saiba que ele está falando justamente da compra de ações.

Assim como você, Warren Buffett também é um investidor. O senhor de 90 anos completos em 2020 vive sendo citado na Forbes como um dos homens mais ricos do mundo, e isso é proveniente, sobretudo, dos investimentos certeiros de Buffett.

Como faz?

O livro Warren Buffett e a análise de balanços – como identificar empresas com vantagem competitiva de longo prazo por meio de suas demonstrações financeiras foi escrito pela nora de Buffett e por David Clark, um “buffetologista”, palavra que já ficou gravada no mercado como para nomear aquele que estuda a fundo as estratégias utilizadas por Buffett.

Os investimentos do senhor de bochechas rosadas são visam o longo prazo e faz parte de sua estratégia comprar ações subvalorizadas, mas cujas empresas são tão consistentes que os ativos acabam se revertendo, ao longo do tempo, em oportunidades de um lucro antes inimaginável. E como ele faz isso? Analisando balanços, é claro.

Falando bem a verdade, Buffett é aquele tipo de pessoa bem barganhadora, sabe? Um estilo meio mão de vaca, sovina, conhece alguém assim? De acordo com a nora de Buffett: “Quando começou a praticar o investimento em valor nos idos da década de 1930, ele se concentrava em achar empresas que estivessem sendo negociadas a menos da metade do valor que elas tinham em caixa. Ele chamava isso de ‘comprar um dólar por 50 centavos’”.

Só para ter ideia disso na prática, “em 1973, Buffett investiu US$ 11 milhões na The Washington Post Company, um jornal com uma vantagem competitiva durável, e até hoje permanece fiel a esse investimento. Em 2008, 35 anos depois, o seu valor cresceu até atingir estratosférico US$ 1,4 bilhão. Nada mal em investir US$ 11 milhões e ganhar US$ 1,4 bilhão! E a melhor parte é que, por nunca ter vendido uma única ação, Buffett ainda não pagou um tostão sequer de imposto sobre seu lucro”.

O senhor barganhador barganha até para não pagar imposto, ponto para ele. E conhecer como ele faz para encontrar patinhos feios que se tornam cisnes é ponto para você.

Os balanços

É pela análise das demonstrações financeiras que Buffett encontra empresas consistentes. Essas análises são divididas em três:

  1. Demonstração do resultado do exercício: revela o lucro da empresa em determinado período, como é o caso dos balanços trimestrais e anuais.
  2. Balanço patrimonial: nas palavras de Buffett, isso “nos informa quanto dinheiro a empresa tem no banco, suas contas a receber, seus estoques, suas propriedades, o que chamamos de seu ativo; e quanto ela deve, o que conhecemos como passivo. Ao subtrair o passivo do ativo obtemos o patrimônio líquido da companhia, ou seja, o valor que seus sócios possuem investido nela”.
  3. Demonstração de fluxo de caixa: revela quanto entrou e quanto saiu de dinheiro da empresa. “Essa demonstração serve para monitorar quanto dinheiro a companhia está gastando em melhorias dos ativos fixos. Também monitora as vendas e as recompras de títulos e ações. Uma empresa geralmente emite uma demonstração de fluxo de caixa junto de suas outras demonstrações financeiras”.

“Alguns homens leem a Playboy. Eu leio relatórios anuais”  Warren Buffett

O livro dedica um capítulo inteiro para falar de cada componente que aparece em um balanço. Isso mesmo, um capítulo para cada indicador: um para falar só sobre receita; um totalmente dedicado a explicar o Ebitda, outro que fala apenas sobre despesas e por aí vai.

Para não dar spoiler, separamos alguns títulos desses capítulos que com certeza vão te fazer querer ler o livro e, quem sabe, entrar para o clube de “buffetologistas”:

  • Capítulo 8 – “Custo dos bens vendidos: para Buffett, quanto mais baixo melhor”;
  • Capítulo 9 – “Lucro bruto/margem de lucro bruto: números essenciais para Buffett em sua busca por investimento de longo prazo”;
  • Capítulo 10 – “Despesas operacionais: sob o olhar atento de Buffett”;
  • Capítulo 18 – “Lucro líquido: o que Buffett está procurando”;
  • Capítulo 28 – “Ativo imobilizado: para Buffett, não tê-lo pode ser uma boa coisa”;
  • Capítulo 36 – “Dívida de curto prazo: como isso pode acabar com uma instituição financeira”;
  • Capítulo 48 – “A demonstração de fluxo de caixa: aonde Buffett vai para achar o dinheiro”.

Observando os detalhes que passam despercebidos por muitos investidores, Buffett consegue visualizar se a empresa, dentro de sua perspectiva atual, tem tudo para se valorizar no longo prazo. Segundo ele: “Procuro empresas cuja situação dali a 10 ou 15 anos eu acho que posso prever. Veja o caso da goma de mascar fabricada pela Wrigley. Acredito que a internet não vai mudar a maneira como as pessoas mascam chiclete”.

Aproveite as dicas do livro para fazer diferente e deixar de pensar que balanço é coisa apenas de Contador ou que é um bicho de sete cabeças. Seja você o Buffett da vez. Boa leitura!

BUFFETT, Mary; CLARK, David. Warren Buffett e a análise de balanços – como identificar empresas com vantagem competitiva de longo prazo por meio de suas demonstrações financeiras. Rio de Janeiro: Sextante, 2010. 160 p.

 

 

 

 

Deixe um comentário