Hypera (HYPE3) registra lucro líquido de R$ 201,7 milhões no 3T21, queda de 41,6%

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A Hypera Pharma registrou lucro líquido de R$ 201,7 milhões no terceiro trimestre deste ano, o que representa queda de 41,6% em relação ao mesmo período de 2020. O lucro das operações continuadas cresceu 32,9% e somou R$ 464,7 milhões.

No acumulado do ano, a farmacêutica registrou R$ 977,2 milhões em lucro líquido, com leve recuo de 0,3% na mesma base de comparação. Nos nove primeiros meses de 2021, a companhia registrou lucro líquido de R$ 1,25 bilhão, aumento de 25,6% na comparação anual.

A receita líquida avançou 50% no comparativo trimestral, para R$ 1,63 bilhão. A venda ao consumidor final, o chamado “sell-out”, avançou 13,7%. De acordo com o laboratório farmacêutico, o indicador ficou 1,4 ponto percentual superior à média obtida pelo mercado.

Segundo a Hypera, os produtos de prescrição foi o principal destaque, sendo assim, o desempenho orgânico do sell-out foi superior ao do mercado pelo 4º trimestre consecutivo, e é resultado das iniciativas da Companhia para impulsionar seu crescimento sustentável, com destaque para a aceleração do ritmo de lançamentos nos últimos anos, o aumento da capacidade de produção e os investimentos em suas marcas líderes.

Esse desempenho foi beneficiado pelo crescimento em medicamentos crônicos, segmento em que a Companhia vem reforçando sua participação nos últimos anos com diversos lançamentos relevantes, e pelo aumento do número de prescrições de medicamentos observado ao longo de 2021, que já superou os níveis registrados pré-pandemia de Covid-19, segundo estudo recente do IQVIA.

Ebitda – juros, impostos, depreciação e amortização – foi de R$ 182,5 milhões, recuo de 53% na comparação anual. No critério ajustado (Ebitda de operações continuadas), a empresa atingiu R$ 580,9 milhões, avanço de 47,6%. Em nove meses, o Ebitda registrou alta de 4,7%, somando R$ 1,119 bilhão.

A margem Ebitda da companhia sofreu queda de 0,5 ponto porcentual na comparação com o terceiro trimestre de 2020, para 35,6%. O valor representa perda de 1,3 ponto porcentual no acumulado do ano.

De acordo com o balanço, as despesas de Marketing tiveram novo crescimento de 35,8% ante o terceiro trimestre de 2020, somando R$ 275 milhões. Além disso, as despesas gerais e administrativas apresentaram aumento de 34,1%, atingindo R$ 58,4 milhões.

A companhia encerrou o 3T21 com dívida líquida pós Hedge de R$ 4.326,0 milhões, ante R$ 4.589,1 milhões no encerramento do 2T21, e correspondeu a 2,2x o EBITDA das operações continuadas estipulado no guidance em vigor para o ano de 2021. A diminuição da Dívida Líquida pós Hedge no trimestre é resultado principalmente da geração de caixa livre de R$400,4 milhões no trimestre.

O fluxo de caixa operacional avançou 16,1% e alcançou R$ 539,9 milhões, o que, segundo explicou a Hypera, é um recorde para a companhia.

Ainda de acordo com a farmacêutica, as sinergias operacionais da integração dos portfólios Buscopan e da Takeda contribuiram para o crescimento de 4 pontos percentuais da margem Ebitda das operações continuadas, para 34,9%.

As aquisições também refletiram na margem bruta de 63,9%, mesmo patamar registrado em igual período do ano passado, atenuada pela desvalorização do real e do aumento de descontos.

Os resultados da Hypera (BOV:HYPE3) referentes suas operações do segundo trimestre de 2021 foram divulgados no dia 22/10/2021. Confira o Press Release completo!

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O presidente da companhia, Breno Oliveira, disse que a companhia poderá acelerar os lançamentos de produtos em desenvolvimento de um a três anos, após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que derrubou o artigo 40 da Lei de Patentes, que ampliava a proteção de medicamentos.

Segundo ele, a Hypera tem mapeadas 30 moléculas que devem chegar ao mercado nos próximos anos. “A decisão do STF fez com que os investimentos em pesquisa e desenvolvimento passassem a ser mais produtivos, pois, podemos ter a receita desses produtos mais rapidamente. Com um mercado de R$ 6 bilhões, podemos ter uma receita de até R$ 1 bilhão nesse me

A receita da companhia chegou a R$ 1,63 bilhão. Para o diretor de relações com investidores, Adalmario Couto, esse faturamento foi muito impactado com as vendas dos produtos da Takeda e da família Buscopan, que foram internalizadas no fim de 2020.

“Foi um crescimento expressivo no trimestres com as aquisições da Takeda e do Buscopan. Quando se exclui essas receitas, a alta foi de 19%, isso em razão dos reajustes de preços e crescimento de volume. A nossa margem bruta ficou em linha com o trimestre anterior, 64%”, disse Couto.

O executivo disse, ainda, que, para não ter problemas com falta de medicamentos, a companhia modificou a sua política de estoques, principalmente de matéria-primas, após a pandemia. Segundo ele, hoje a Hypera trabalha com um estoque de R$ 1,2 bilhão. No mesmo período de 2020, o estoque era de R$ 900 milhões.

VISÃO DO MERCADO

BB Investimentos 

O resultado referente ao 3T21 da Hypera foi misto, em nossa visão. Se, por um lado, a companhia entregou expressivo crescimento de vendas e ganho de participação de mercado por mais um trimestre, combinado com maior alavancagem operacional e consequente crescimento de EBITDA, por outro, o resultado líquido de operações descontinuadas referente a um acordo com a Ontex sobre o negócio de descartáveis vendido em 2017 maculou a rentabilidade do período.

A companhia vem negociando a 10,7x EV/EBITDA e 14,4 P/L, ante uma média de 2 anos de 12,6x e 15,5x, respectivamente.

Os papéis HYPE3 acumulam queda e 14,1% nos últimos 30 dias até sexta (22), reflexo da divulgação do fato relevante sobre o acordo firmado com a Ontex e que contempla a obrigação da Hypera em pagar o valor de R$ 500 milhões.

Considerando que o acordo foi firmado por um valor bastante superior ao provisionado anteriormente pela companhia (R$ 100 milhões), entendemos que o movimento do papel reflete o descontentamento dos investidores com os impactos de curto prazo na rentabilidade e no fluxo de caixa da companhia.

Contudo, apesar do efeito negativo na rentabilidade do trimestre e no processo de desalavancagem, que será um pouco mais lento do que o originalmente estimado, consideramos que a Hypera segue com um modelo de negócios bastante robusto, com evoluções significativas em seu planejamento estratégico para alavancar vendas e rentabilidade ao longo dos próximos anos, além da sua capacidade em arcar com o pagamento decorrente do acordo sem impactar os investimentos previstos orginalmente.

BB Investimentos mantém recomendação de compra e preço-alvo de R$ 45,00.

BTG Pactual 

Os resultados foram sólidos conforme o esperado e, excluindo o contrato da Ontex, vemos aHypera prontapara atingir seu guidance anual: R$ 5,9 bilhões em receita líquida (alta de 44% a/a, beneficiada pela incorporação do Buscopan e da Takeda), EBITDA de R$ 2 bilhões e lucro líquido de R$ 1,55 bilhão.

Embora reconheçamos que a margem bruta de longo prazo deve ser estruturalmente inferior à média histórica da HYPE devido a um efeito mix (maior participação de genéricos e vendas de OTC), as aquisições do Buscopan e Buscofem, o OTC da Takeda e portfólio de medicamentos prescritos, bem como 12 marcas da Sanofi permanecem o alicerce de nossa postura positiva em relação ao nome.

Negociando a 10,4x P/L 22E, a Hypera é uma opção para investidores que buscam exposição a mais resiliência no setor de consumo e varejo no curto prazo em meio a uma perspectiva mais volátil para ações de crescimento.

BTG Pactual tem recomendação de compra com preço-alvo de R$ 45,00…

Credit Suisse

Em relatório, assinado pelos analistas William Barranjard e Mauricio Cepeda, o Credit Suisse escreveu que a Hypera (HYPE3) continuou sua trajetória de forte crescimento de sell-out no terceiro trimestre de 2021, juntamente com novas melhorias nos recebíveis, seguindo as tendências de maior eficácia comercial dos trimestres anteriores, mas a rentabilidade do trimestre foi impactada pela redução da margem bruta.

Credit Suisse mantém recomendação de compra com preço-alvo de R$ 40,00…

Itaú BBA

O Itaú BBA também destacou o achatamento da margem bruta ano a ano, uma vez que a pressão do câmbio e maiores descontos promocionais foram compensados pela continuação das sinergias capturadas com a integração da Takeda e do Buscopan.

Além disso, banco afirmou que os números reportados pela Hypera vieram em linha com as estimativas, tanto nas métricas de receita quanto nas de lucratividade, mostrando um crescimento orgânico saudável e a continuação das sinergias da integração da Takeda e do Buscopan.

XP Investimentos

A XP destaca que o lucro recorrente ficou  76% acima das estimativas da casa, impulsionado principalmente por (i) um forte aumento na receita causado pelo crescimento orgânico e pelas aquisições dos portfolios da Buscopan e Takeda, juntamente com (ii) uma diluição de todos os itens de SG&A.

A empresa teve que desembolsar R$ 500 milhões na disputa relativa ao desinvestimento da Ontex, com impacto de R$ 400 milhões no resultado (R$ 263 milhões líquidos de impostos). “Apesar do evento não recorrente, consideramos os resultados positivos, pois a empresa está conseguindo crescer acima do mercado enquanto mantém custos e despesas sob controle”, aponta.

* Com informações da ADVFN, RI das empresas, Valor, Infomoney, Estadão, Reuters

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