Movida (MOVI3): lucro líquido de R$ 276,7 milhões no 4T21, crescimento de 99,5%

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A Movida registrou lucro líquido de R$ 276,7 milhões no quarto trimestre de 2021, crescimento de 99,5% na comparação com igual trimestre de 2020. No acumulado do ano, o lucro líquido da empresa foi de R$ 819,4 milhões, alta de 250,8%.

Conforme a empresa, a expansão do lucro veio por conta da estratégia adotada ao longo da pandemia, com destaque, entre outros pontos, para a expansão e renovação da frota.

Em 2021, houve expansão de mais de 50% da frota ante 2020, “um crescimento acima da média do mercado”, o que fez a empresa encerrar o período com 187 mil carros.

Outro ponto em destaque foi a ampliação da tarifa média ao longo do ano, especialmente com Rent-a-Car (RAC), cujo valor de diária média por carro atingiu R$ 118,6 no 4T21, alta de 23,0% sobre o 3T21 e de 40,6% ante o 4T20.

Adicionalmente, a empresa citou como fatores que puxaram o lucro a incorporação com a CS Frotas, gerando sinergias operacionais no segmento do GTF; crescimento do Movida Zero Km, também no GTF, diluindo custos e elevando as margens no curto prazo; e por melhorias operacionais.

A receita líquida somou R$ 1,741 bilhão no 4T21, alta de 75,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Ebitda – juros, impostos, depreciação e amortização – ajustado foi de R$ 776,6 milhões no trimestre, avanço de 154,4% frente ao mesmo período do ano passado. Do valor total, R$ 595,1 milhões vieram apenas de locação. Já a margem Ebitda sobre o valor consolidado foi de 44,6%, aumento de 13 pontos percentuais ante o quarto trimestre de 2020.

A receita líquida de aluguéis (gestão de frotas e aluguel de carros) foi de R$ 931,9 milhões no trimestre, alta de 86,4% na comparação anual. No fechamento de 2021, a receita líquida de aluguéis subiu 66%, para R$ 2,7 bilhões.

No segmento de aluguel de carros (chamado de RAC), principal negócio da empresa, a receita líquida no trimestre foi de R$ 559,2 milhões, alta de 55,8% na comparação anual. No ano, a receita foi de R$ 1,7 bilhões, avanço de 51,5%.

O retorno sobre patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês) foi de 29% no 4T21, alta de 19 p.p. em relação ao 4T20.

No 4T21 o lucro bruto totalizou o montante de R$ 370,3 milhões, com crescimento de 79,1% em comparação com o 4T20.

A margem bruta atingiu 66,2% com variação positiva de 8,6 p.p. na comparação com o 4T20.

As despesas somaram R$ 123,0 milhões no 4T21, com crescimento de R$ 20,3 milhões em relação ao trimestre anterior em função principalmente de despesas com comissão de vendas e taxa de cartão de crédito, incluídas no saldo de gastos com serviços de terceiros.

O resultado financeiro foi uma despesa no montante de R$ 208,1 milhões, representando um crescimento de R$ 171,2 milhões em relação ao 4T20.

O CAPEX líquido no 4T21 foi de R$ 2,1 bilhões, que mostra um contínuo crescimento a cada trimestre. O crescimento de 18,7 mil carros aliado a manutenção das taxas de ocupação em RAC e crescimento do GTF, é resultado da estratégia flexível adotada desde o início da pandemia.

A dívida líquida da locadora encerrou o 4T21 em R$ 6,587 bilhões.

O índice de alavancagem, medido pela relação entre dívida liquida e o Ebitda ajustado foi de 2,9 vezes, uma elevação de 0,2 vez em relação ao 4T20.

Em 22 de dezembro de 2021 o Presidente da Mesa informou que a Administração pretende propor na Assembleia Geral Ordinária (AGO) a se realizar em abril de 2022, a distribuição de dividendos no valor de R$ 307 milhões.

Além disso, o grupo destacou que terminou o ano com um caixa líquido de R$ 5,452 bilhões, o que seria suficiente para cobrir as dívidas da empresa pelos próximos quatro anos. O prazo médio da dívida ao fim do trimestre é de 8,2 anos.

⇒ Gestão e Terceirização de Frotas (GTF)

No 4T21 a receita líquida de GTF atingiu R$ 372,7 milhões, alta de 164,3% ou R$ 85,4 milhões em relação ao trimestre anterior e R$ 231,7 milhões em relação ao 4T20. O aumento entre os trimestres citados é decorrente principalmente da incorporação da CS Frotas, em função da contabilização do trimestre integral nos resultados deste 4T21.

Em 2021, a receita líquida totalizou R$ 1,0 bilhão, com crescimento de R$504,2 milhões ou 97,5% frente ao ano anterior, em função principalmente:

  • Da incorporação de mais de 25 mil carros da CS Frotas e contabilização de 5 meses em 2021;
  • Da expansão da frota, que terminou o ano com mais de 90 mil carros, representando um crescimento de mais de 49 mil carros em relação a 2020, em decorrência da adição de 25 mil carros da CS Frotas, do crescimento do Movida Zero Km, e da adição e renovação de contratos corporativos;
  • Aumento de 30,0% do ticket médio mensal na comparação com o 4T20, com repasse dos novos patamares de juros e preços dos veículos para renovação e aumento da frota para novos contratos, conforme já mencionado nos trimestres anteriores.

Ao final de 2021, a receita futura contratada (backlog) totalizou R$1,8 bilhão, montante que assegura um robusto crescimento para os próximos anos.

As diferenças entre a frota média operacional e a frota final de período de 2021 foram maiores do que a série histórica em função da incorporação da CS Frotas, cuja frota foi adicionada a partir do mês de agosto/21 e da adição de carros no final de dezembro/21.

Os custos de GTF totalizaram R$ 156,9milhões no 4T21, um aumento de R$ 37,2milhões em relação ao trimestre anterior e R$ 95,5 milhões na comparação com o 4T20, em função principalmente dos custos da CS Frotas referentes ao trimestre completo com sua incorporação ao segmento.

Parte dos custos foram compensados pelos créditos de PIS/COFINS no montante de R$ 4,1 milhões em dezembro, resultado do estudo técnico contratado pela companhia que gerou um laudo emitido por entidade qualificada reduzindo, para fins fiscais, a vida útil de 48 meses.

⇒ Seminovos

No 4T21 foram vendidos 12.472 carros, com ticket médio de R$ 65,4 mil. A redução no número de carros vendidos em relação ao trimestre anterior ocorreu em decorrência de maior alocação de frota no RAC durante a alta temporada para locação eventual.

A receita líquida alcançou R$ 809,1 milhões, com crescimento de 64,9% em relação ao 4T20. Em 2021 a venda de carros somou 44.799 carros, com ticket médio de R$ 58,6 mil. O número de carros vendidos reduziu 21,1% em relação a 2020 em função principalmente da irregularidade no fornecimento de carros novos ocorrida durante o ano. A receita líquida totalizou R$ 2,6 bilhões, com crescimento de 6,7% em relação ao ano anterior, em decorrência do preço mais elevado (em torno de 35%).

Os resultados da Movida (BOV:MOVI3) referentes suas operações do quarto trimestre de 2021 foram divulgados no dia 22/02/2022. Confira o Press Release completo!

Teleconferência

O presidente da Movida, Renato Franklin, defendeu que o grupo pode ser beneficiado na negociação com montadoras diante dos passos da Localiza para incorporar a Unidas — as duas maiores do país.

“Tenho relacionamento longo com cada executivo (das montadoras). E estruturalmente ninguém quer dependência demais de um ‘player’. A fusão nos ajuda. A eventual fusão acontecendo todos eles (executivos das montadoras) falam que tem de aumentar o volume da Movida. Já foi um volume melhor para 2022. Eles querem que a gente cresça e para ter ambiente.

Por sua vez, o diretor administrativo e financeiro e de relação com investidores da locadora, Edmar Prado Lopes Neto, destacou, durante teleconferência, nesta tarde, para comentar os números de 2021, que a Movida não tem intenção de aumentar o capital da empresa para conseguir fazer frente ao plano de crescimento para os próximos anos.

“Aumento de capital eu estou descartando. Todas as nossas projeções mostram que conseguimos crescer companhia de 25 a 30 mil carros com conforto grande sobre alavancagem”, disse.

Lopes Neto destacou que o grupo pretende concluir até o meio do ano um laudo acerca das compensações e créditos de PIS e Cofins dos carros da CS Frotas, que foram incorporados à empresa no fim do ano passado.

“Há laudo sendo elaborado. Vamos passar pela governança da companhia, que envolve comitê tributário, para uma tomada de decisão até metade do ano”, disse o executivo, durante teleconferência pare apresentar os resultados de 2021.

“Da nossa base de carros (cerca de 180 mil), 50% foram comprados de 2020 para trás, então o impacto do aumento de depreciação está ligado à chegada dos carros novos. O pessoal (analistas e mercado) está preocupado (com aumento da depreciação), mas é movimento que vai acontecer com os outros depois de acontecer com a Movida. Nessa altura do campeonato, ninguém tem 50% da frota com menos de um ano. Só a gente”, defendeu.

VISÃO DO MERCADO

Bradesco BBI

Após o resultado, o Bradesco BBI elevou o preço-alvo para a ação MOVI3 de R$ 25 para R$ 27, seguindo com recomendação de compra.

“Nossa visão positiva é baseada nos seguintes pontos: crescimento acelerado da Movida, apesar dos gargalos na produção de veículos no Brasil; Retorno sobre o capital investido (RoIC) atrativo de 15,3%; a ação está sendo negociada a 5,2 vezes o preço sobre o lucro esperado para 2022, resultando em um desconto excessivo de 71% em relação à média brasileira; e um atrativo potencial de valorização de 72%”, avaliam.

Levante Ideias de Investimentos 

A Levante Ideias de Investimentos destaca que a locadora foi beneficiada pela retomada na demanda de locação e pela falta de veículos no mercado devido ao forte impacto da pandemia nas cadeias de suprimento das montadoras, que fez com que a produção de carros ficasse abaixo das necessidades do mercado.

“Além disso, houve uma explosão nos preços de carros novos e seminovos, fazendo com que mais pessoas buscassem o aluguel de carros, fazendo com que a empresa finalizasse o trimestre com ocupação e valor de venda de seminovos muito acima da média”, apontam. Esses pontos favoreceram a elevação dos valores de diária média dos aluguéis de carros, elevando o ticket médio da Movida, que ficou em R$ 118, o que correspondeu a um crescimento de 40% em relação ao 4T20.

A companhia aposta agora no reforço da CS Frotas após combinação de negócios para ganhar mercado. A CS Frotas ficará sob o guarda-chuva da GTF, mas com operação independente. Atualmente, a Movida é a líder de mercado no país no segmento de GTF, com aproximadamente 20% de market share.

“No momento, a compra de veículos no mercado é uma das maiores dores de cabeça para a população, seja por conta dos preços dos automóveis, falta de carros ou o preço da gasolina. Mesmo com o aumento da taxa de juros, que aumenta o custo com financiamento de carros, a companhia tem conseguido surfar nessa onda em que a demanda por carros alugados aumentou muito”, apontam os analistas da casa.

Assim, avaliam, as perspectivas são positivas para a Movida, tanto no curto/médio prazo, pelas condições de mercado
como a demora para a normalização na produção e a inflação de custos, quanto no longo prazo, uma vez que enxergamos uma mudança na mentalidade da população, que cada vez mais está propensa a alugar carros, o chamado CaaS (Car as a Service).

Itaú BBA

O Itaú BBA diz que a Movida apresentou sólidas tendências operacionais no 4T21 tanto em RAC quanto em GTF (este último impulsionado pela incorporação da CS Frotas e Movida Zero Km), além de margens robustas.

O segmento de Seminovos continua se beneficiando dos ventos favoráveis ​​devido ao aumento dos preços dos carros usados.

No entanto, Itaú observa que a maior depreciação e o aumento das taxas de juros ofuscaram parte das sólidas tendências operacionais, resultando em um resultado de R$ 277 milhões (em linha com as expectativas).

Itaú BBA mantém recomendação de compra com preço-alvo de R$ 23,00…

* Com informações da ADVFN, RI das empresas, Valor, Infomoney, Estadão, Reuters

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