Eneva (ENEV3): lucro líquido de R$ 489,4 milhões no 4T21, queda de 28,7%

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A Eneva registrou lucro líquido de R$ 489,4 milhões no quarto trimestre de 2021, queda de 28,7% em relação a igual período no ano anterior.

A elétrica explica que “a redução foi decorrente do aumento da despesa financeira líquida no 4T21 e da constituição extraordinária de ativo fiscal diferido ocorrida no 4T20 que não se repetiu no 4T21, levando a um aumento nas despesas com impostos no 4T21”.

A receita líquida somou R$ 1,682 bilhão entre outubro e dezembro do ano passado, alta de 37,5% na comparação com igual etapa de 2020.

ebtida – lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização – subiu 39% no período, ante o quarto trimestre do ano anterior, para R$ 842,5 milhões, alcançando o maior valor de Ebitda trimestral já da história da companhia.

O Ebitda ajustado – que exclui o impacto dos poços secos -, foi de R$ 859,7 milhões, uma elevação de 39,9% na mesma base de comparação. A margem Ebitda, excluindo poços secos, alcançou 51,1% no trimestre, alta de 0,9 ponto porcentual (p.p) na base anual.

O resultado reflete a alta do custo variável unitário das usinas a carvão da companhia e da termelétrica a gás Parnaíba I, além da ampliação das margens fixas das usinas, segundo a empresa. O despacho médio das usinas da companhia atingiu 75% no quarto trimestre de 2021, comparado a 91% em igual período do ano anterior.

“O ano passado foi um ano bastante atípico: normalmente a companhia despacha entre 45% e 55% do ano e no ano passado, em função da crise hídrica, ficamos muito mais tempo ligados, superou os 70% do ano com termelétricas ligadas, e como o despacho da companhia tem uma margem positiva, isso afetou diretamente o resultado operacional”, disse.

Além do despacho elevado, beneficiou a elétrica o aumento significativo do Custo Variável Unitário (CVU) das usinas, em particular a Parnaíba I, maior termelétrica da companhia, que possui receita atrelada ao câmbio e ao preço internacional do gás natural, embora tenha custo em reais.

“Como o preço internacional do gás subiu muito e o câmbio também subiu no ano de 2021, isso teve impacto direto no CVU da maior termelétrica que é Parnaíba I e, consequentemente, na rentabilidade da companhia. Então, de fato para o mesmo quilowatt-hora gerado, geramos mais dinheiro porque ele foi melhor remunerado”, contou Habibe.

As despesas operacionais somaram R$ 158,2 milhões no último trimestre do ano passado, uma elevação de 12,6% em relação ao mesmo trimestre de 2020.

O resultado financeiro líquido foi uma despesa de R$ 152,2 milhões no quarto trimestre de 2021, um aumento de 105% sobre as perdas financeiras do quarto trimestre de 2020.

Segundo a Eneva, a variação negativa no período decorreu, principalmente, do aumento nas despesas com juros sobre debêntures, devido à elevação do CDI acumulado do 4T21 comparado ao acumulado 4T20; impacto negativo da desvalorização do real frente ao dólar nas operações de compra de carvão e em pagamentos de contratos indexados à moeda estrangeira; e impacto referente à mudança de tratamento contábil acerca da marcação a mercado dos contratos futuros de comercialização de energia, que passaram a ser classificados como operacionais a partir de 2021.

A dívida líquida da companhia ficou em R$ 6,2 bilhões no final de dezembro de 2021, crescimento de 18,8% em relação ao mesmo período de 2020.

O indicador de alavancagem financeira, medido pela dívida líquida/Ebitda ajustado, ficou em 2,8 vezes em dezembro/21, queda de 0,5 vez em relação ao mesmo período de 2020.

Por outro lado, os investimentos somaram R$ 388,3 milhões no quarto trimestre de 2021, um recuo de 38,4% sobre o montante investido no quarto trimestre de 2020.

Consolidado 2021

No consolidado do ano, o Ebitda da companhia também alcançou valor recorde de R$ 2,2 bilhões, alta de 37,6%, sendo que o indicador ajustado, excluindo poços secos, chegou a R$ 2,256 bilhões, 39,5% maior. A margem Ebitda ex poços secos recuou 5,8 p.p., para 49,9%

O lucro líquido atingiu R$ 1,173 bilhão, o que corresponde a um aumento de 16,4% frente o exercício anterior. Já a Receita operacional líquida cresceu 58%, para R$ 5,124 bilhões.

Ao longo de 2021, a companhia investiu R$ 1,747 bilhão, valor muito próximo do montante que a companhia possuía de caixa e equivalentes ao final do ano (R$ 1,7 bilhão).

A alavancagem, medida pela relação dívida líquida por Ebitda, era de 2,8 vezes, abaixo das 3,0 vezes do trimestre anterior e das 3,3 vezes do encerramento de 2020. A dívida líquida da companhia era de R$ 6,2 bilhões ao final de dezembro, uma alta de 18,8% na base anual.

“Foi um ano surpreendente, não somente em termos de resultado operacional, que foi o melhor, mas em possibilidades de crescimento também”, disse Habibe.

Dentre os sinais positivos de perspectivas futuras, o executivo citou o bom desempenho da campanha exploratória ao longo de 2021, com a certificação de 6,9 bilhões de metros cúbicos de gás de novas reservas, o que permitirá à companhia estender a vida útil de suas usinas ou implantar novas termelétricas. Ele lembrou também do anúncio da compra da Focus Energia, garantindo à companhia acesso a projetos solares de grande porte. E destacou, ainda, a viabilização da termelétrica Azulão I, após vencer leilão de capacidade realizado em dezembro, permitindo que a companhia replique na bacia do Amazonas o modelo “R2W” pelo qual ficou conhecida e que desenvolve na bacia do Parnaíba, que consiste na exploração da atividade de gás no local desde o reservatório até a geração de energia elétrica.

“Isso anima bastante as perspectivas desta companhia em termos de crescimento. Não é só falar – antigamente a gente tinha planos, falava, mostrava -, mas agora está se tornando realidade”, disse.

Os resultados da Eneva (BOV:ENEV3) referentes suas operações do quarto trimestre de 2021 foram divulgados no dia 22/03/2022. Confira o Press Release completo!

Teleconferência

Marcelo Habibe, CFO da Eneva, em apresentação a analistas de mercado do balanço do 4T21 e 2021 nesta terça (22), disse que houve melhoria do cenário hidrológico e também redução no consumo de energia doméstica, impactando no PLD (preço de liquidação de diferenças) médio do quarto trimestre do ano passado e diminuindo necessidade de despacho térmico no período.

A queda do PLD no 4T21 chegou a mais de 60% em relação ao mesmo período de 2020. Mesmo com menor do PLD, o Operador Nacional do sistema (ONS) manteve as térmicas ligadas no quarto trimestre do ano passado para garantir a recuperação dos reservatórios. Cita-se que o PLD é um valor calculado diariamente pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e referência nas negociações no mercado livre de energia.

A empresa, que tem atuação na geração por termelétrica, prevê menor despacho térmico para 2022, pelo menos no primeiro semestre.

O CFO explicou que o cenário atual aponta para baixo despacho térmico devido os reservatórios do Subsistema Norte terem 98% de EARM (energia armazenada), e a geração hidrelétrica no Subsistema Norte apresentarem duas vezes mais capacidade em relação ao mesmo período dos anos anteriores, atendendo assim integralmente a demanda.

Mas, no segundo semestre desse ano, de acordo com a companhia, o quadro poderá ser diferente, com redução sazonal das chuvas no Norte, abrindo espaço para geração termelétrica, especialmente térmicas com menor CVU (custo variável unitário), para consumo local ou exportação para outros submercados.

No Sudeste e Centro-Oeste, a hidrologia favorável entre outubro de 2021 e fevereiro de 2022 recuperou níveis de armazenamento, porém a hidrologia de março apresenta sinais de desaceleração e estabilização da armazenagem, informou ainda a Eneva.

Participação em pelo menos 4 leilões de energia no ano

A Eneva informou a analistas de mercado do balanço do 4T21 e 2021, nesta terça (22), que avalia participar pelo menos quatro dos seis leilões programados para o ano na área de geração pela Aneel (Agência Nacional de energia Elétrica).

É que quatro deles, até momento, estão previstos a contratação de energia termelétrica, sendo um de energia nova, dois de reserva de capacidade e um para suprimento de sistemas isolados.

Todos leilões que envolvem térmicas estão previstos de ocorrer no segundo semestre de 2022, mas a companhia ressaltou que aguarda regras para participação dos respectivos leilões.

Braço de energia solar

A Eneva conclui a incorporação da Focus Energia, por cerca de R$ 700 milhões, em 11 de março encerramento, inclusive com o encerramento da negociação das ações da Focus na B3.

O pipeline da Focus é de cerca de 3,9 GWp (gigawatts-pico), incluindo o Complexo Solar Futura 1, já em construção na Bahia. Um dos maiores complexos solares do País, com 870MWp (megawatts-pico) de capacidade, a planta tem início da operação comercial previsto para o 4T22.

Destaca-se ainda que a Focus mantem centrais de geração hidrelétrica em operação em Minas Gerais.

A companhia busca com a Focus combinação de operação, diversificando fontes de energia, criando novas bases de clientes e portfólio de energia renovável.

Projeto Integrado Azulão-Jaguatirica já está operação

A Eneva informou ainda que o Campo de Azulão, no Amazonas, já está 100% operacional nesse trimestre, assim como as duas turbinas a gás da UTE Jaguatirica II, em Roraima. Nesse mês de março, a empresa ainda colocará em funcionamento em Jaguatirica a operação da turbina a vapor da planta para geração de energia, fechando o chamado ciclo combinado da termelétrica.

O projeto Azulão-Jaguatirica, de aproximadamente 1 GW, teve início depois que a Eneva venceu leilão de energia de sistemas isolados de 2019. A Eneva adquiriu o campo de gás natural de Azulão da Petrobras em 2017, que nunca havia entrada em operação. O transporte do GNL (gás natural liquefeito) do campo de Azulão a UTE Jaguatirica é feita por caminhões em um percurso de cerca de 1 mil km.

Alavancagem deve chegar a 4 vezes

A companhia ainda constrói a UTE Parnaíba V, no Maranhão, que tem operação comercial prevista para o 3T22. Com tantos investimentos, a Eneva foi questionada na apresentação com analistas sobre a previsão de alavancagem da empresa na relação dívida líquida-Ebidta.

No final do ano passado, a empresa fechou 2021 com alavancagem 2,8 vezes. Mas a empresa avalia que esse índice pode chegar a 4 vezes. No resultado do ano passado, da relação dívida líquida-Ebidta, ainda não estava incluída a aquisição da Focus Energia, que terá seu custo inserido neste 1T22, já que a compra foi efetivada no último mês desse trimestre.

Como outros destaques da companhia, os analistas apontaram o seu sucesso no leilão de Reserva de Capacidade de
dezembro de 2021, com a venda de lastro do projeto UTE Azulão (295 MW) e também da UTE Parnaíba IV (56 MW), adicionando receita fixa a partir de julho de 2026.

VISÃO DO MERCADO

Ativa Investimentos

A casa de análise explica que o desempenho foi suportado pelo aumento de suas receitas fixas indexadas à inflação e receitas variáveis impactadas pelo aumento nos preços do gás natural e do carvão.

Embora compensadas em parte pelo aumento nos custos variáveis e pelo menor despacho em relação ao 4T20, os números levaram a companhia a apresentar o seu melhor Ebitda trimestral da história. No trimestre, a Ativa Investimentos destaca a relevância do upstream e da geração à carvão para a obtenção do resultado, que acredita que será bem recepcionado pelo mercado.

Citi

A Eneva reportou números robusto no quarto trimestre de 2021, com lucro superando as previsões, enquanto os despachos mais fracos do que o previsto foram compensados por custo variável unitário mais altos de usinas, afirma o Citi, em relatório. Segundo o banco, a empresa é uma de suas principais escolhas para o setor.

Os analistas Antonio Junqueira e Guilherme Bosso escrevem que o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da Eneva atingiu R$ 710 milhões, ajustando os números operacionais pelo ganho de reversão de baixa contábil, acima da projeção de R$ 673 milhões do Citi. O lucro líquido também foi mais forte, em R$ 489 milhões, ante os R$ 297 milhões esperados.

Já os números gerais de despacho foram um pouco piores que o previsto, mas compensados por custo unitário variável (CVU) mais alto das usinas, afirmam os analistas. O despacho médio das usinas da companhia atingiu 75% no quarto trimestre de 2021, comparado a 91% em igual período do ano anterior.

“Tivemos receitas unitárias variáveis menores, mas expectativas de despacho mais altas, o que ajudaria não apenas a parte de produção e exploração (upstream) do complexo, mas também as receitas variáveis provenientes da energia elétrica gratuita que as usinas do complexo possuem”, escrevem os analistas.

Por fim, os analistas afirmam que a Eneva tem um bom histórico de alocação de capital, uma cultura corporativa pró-crescimento disciplinada, boas habilidades operacionais, e oportunidades à frente, ainda que não seja possível prever com precisão quando virá a próxima alocação de capital.

Para eles, muitas coisas ainda vão acontecer nos ambientes de gás e do modelo Reservoir-to-wire (R2W), do reservatório para a rede de energia. “Acreditamos que a Eneva tem os pilares adequados para ser um participante fundamental na expansão do setor”, dizem.

Citi mantém recomendação de compra com preço-alvo de R$ 16,00…

Itaú BBA

Itaú BBA comentou que o Ebitda ajustado da elétrica superou a estimativa e apresentou um sólido ganho em bases anuais, apesar da forte base de comparação, auxiliado por um aumento significativo nas receitas variáveis ​​(CVUs).

O banco mantém classificação outperform para Eneva, e preço-alvo de R$ 18,60 frente a cotação de segunda-feira (21) de R$ 13,39, com base nas promissoras oportunidades de crescimento que o Itaú vislumbra para a empresa e seu sólido plano estratégico para os próximos anos.

Itaú BBA mantém recomendação de compra com preço-alvo de R$ 18,60…

Safra

Os resultados da Eneva no quarto trimestre de 2021 foram fortes e acima das expectativas explicados, principalmente, por resultados melhores do que o esperado nos negócios de carvão. Com isso, segundo o Safra, a companhia mira a expansão pelo país.

Os analistas ressaltam que a operadora de gás natural reportou um Ebitda 30% acima das estimativas do banco, a R$ 843 milhões, avanço de 39% na comparação com o quarto trimestre de 2020.

Além disso, a companhia reportou lucro líquido de R$ 489 milhões. Apesar do recuo de quase 30% na base anual, o montante ficou “muito acima” das projeções do Safra e do consenso de mercado, dizem os analistas.

Eles acrescentam que o segmento de carvão registrou fortes resultados, principalmente de Ebitda, impulsionado pelos preços internacionais mais altos, enquanto os estoques foram precificados em níveis mais baixos.

A equipe do banco reforça que a as ações da Eneva são uma boa escolha de longo prazo seguindo com seu plano de expansão em 2022. “Visto que diversas oportunidades de crescimento se apresentam para eles em todas as regiões do Brasil”, comentam.

Safra tem recomendação de compra com preço-alvo de R$ 15,50…

* Com informações da ADVFN, RI das empresas, Valor, Infomoney, Estadão, Reuters

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