Unidas (LCAM3): lucro líquido de R$ 276,9 milhões no 4T21, alta de 40,5%

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A Unidas registrou lucro líquido de R$ 276,9 milhões no quarto trimestre do ano passado, alta de 40,5% em relação ao mesmo período de 2020. Entre janeiro e dezembro o lucro da companhia somou R$ 1,02 bilhão, recorde histórico e mais que o dobro do lucro apurado no ano anterior.

A locadora de veículos mais que dobrou o lucro líquido em 2021, ao alcançar o resultado recorde de mais de R$1 bilhão, 153% maior que em 2020, refletindo o forte resultado nos segmentos de locação e o bom desempenho da operação de Seminovos.

A receita líquida total da Unidas atingiu R$ 1,51 bilhão no quarto trimestre, queda de 6,5% ante igual intervalo de 2020. Na locação, a receita alcançou R$ 959,9 milhões, avanço de 46,6% sobre igual período do ano anterior. Em seminovos, houve queda de 42,6%, para R$ 553 milhões.

Ebitda – juros, impostos, depreciação e amortização – ajustado cresceu 55%, totalizando R$ 722,5 milhões. Já a margem Ebitda (Ebitda sobre receita líquida) ajustada atingiu 75,3% no período, alta de 4,1 pontos porcentuais frente a margem registrada em 4T20.

O Ebitda do RAC teve um impacto positivo de R$ 84,4 milhões, devido a recuperação de PIS/COFINS na depreciação acelerada dos veículos, o que elevou a sua Margem Ebitda a 62,9%.

Os negócios de locação, de maneira consolidada, avançaram 64,0% e 55,9%, no 4T21 e 2021 respectivamente. Por fim, a Margem Ebitda de Seminovos avançou 11,8 pontos porcentuais e 14,1 pontos porcentuais, no 4T21 e 2021 respectivamente, totalizando uma margem de 22,2% e 19,1% em cada período.

No segmento de terceirização de frotas, a taxa de ocupação ficou estável em 97,8%, enquanto o número de diárias no trimestre foi de 14,2 mil, alta de 23,5%.

Já o segmento de seminovos registrou alta de 35,4% no preço médio de venda dos veículos, em razão do “contínuo aumento de preço” dos carros novos, impulsionando a demanda pelos usados.

O retorno sobre o capital investido (ROIC, na sigla em inglês) foi de 14,3% no quarto trimestre de 2021, aumento de 0,4 pontos porcentuais na comparação com o quarto trimestre de 2020.

A dívida líquida da companhia ficou em R$ 7,1 bilhões no final de dezembro de 2021, crescimento de 113,7% em relação ao mesmo período de 2020.

O indicador de alavancagem financeira, medido pela dívida líquida/Ebitda recorrente, ficou em 2,55 vezes em dezembro/21, elevação de 0,61 vez em relação ao mesmo período de 2020.

Os resultados da Unidas (BOV:LCAM3) referentes suas operações do quarto trimestre de 2021 foram divulgados no dia 21/03/2022. Confira o Press Release completo!

VISÃO DO MERCADO

Ativa

A Unidas apresentou um resultado trimestral abaixo das expectativas em função de uma receita de seminovos mais baixa, mas com margem de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) acima das projeções, diz a Ativa Investimentos, em relatório. Segundo a corretora, as expectativas são de crescimento do setor de locação de automóveis como um todo.

O analista Leo Monteiro escreve que o gargalo na entrega de veículos novos mais uma vez fez com que as locadoras priorizassem sua frota para a operação de aluguel, de modo que o número de veículos vendidos no trimestre caísse 57,6% em base anual, e a receita líquida do segmento apresentasse retração de 42,6% mesmo diante de preços mais atrativos.

Ainda assim, o trimestre teve alguns pontos positivos, com destaque para os recordes em frota, receita de aluguel, Ebitda consolidado e lucro líquido da companhia. A margem Ebitda de 47,8% ficou 3,3 pontos percentuais (p.p.) acima das projeções da Ativa.

Em aluguéis de carros (RAC, na sigla em inglês), destaca-se a alta demanda, que permitiu que a empresa aplicasse tarifas mais altas sem prejudicar o número de diárias, diz o analista. A receita da operação cresceu 50,4% em base anual, para o recorde de R$ 428,1 milhões.

Por fim, em gestão de terceirização de veículos (GTF), a atividade comercial segue aquecida para os próximos trimestres e a empresa segue crescendo diária média e frota de maneira significativa no segmento, com receita líquida recorde de R$ 528,3 milhões, maior valor histórico no trimestre. Por outro lado, houve queda na margem Ebitda do setor. Já o resultado financeiro da Unidas piorou, com alta nas despesas financeiras.

“Acreditamos nos fundamentos da companhia, que é líder no segmento GTF e, mesmo em cenário adverso, seguiu apresentando resultados recordes, comprovando a resliência de seu negócio”, diz o analista. “Vemos a fusão de negócios com a Localiza como transformacional para a empresa.”

Ativa mantém recomendação de compra com preço-alvo a R$ 29,40…

Bradesco BBI

Analistas do Bradesco BBI destacaram que o Ebitda de R$ 638 milhões ficou em linha com as projeções do banco e 9% abaixo do consenso de mercado. A receita líquida também veio em linha com a estimativa do BBI, mas 11% abaixo do consenso. A gestão de frota teve faturamento recorde, impulsionado por volumes maiores e preços mais altos de aluguel. Os volumes de rent-a-car também aumentaram, juntamente com uma diária média de R$ 92,80; e a receita líquida de Seminovos caiu -43% devido ao menor volume de -58% A/A, embora parcialmente compensado pelo aumento de +35% A/A dos preços médios dos carros vendidos.

Bradesco BBI mantém recomendação de compra com preço-alvo de R$ 28,00…

BTG Pactual

Os resultados da Unidas do quarto trimestre de 2021 vieram em geral dentro do consenso, impulsionados por créditos fiscais, avalia o BTG Pactual, em relatório, destacando a forte margem do setor de seminovos.

Os analistas Lucas Marquiori, Fernana Recchia e Alien Gil escrevem que a receita foi de R$ 1,5 bilhão, queda de 7% em base anual e em linha com as previsões do BTG, com fortes vendas nos setores de aluguel de carros e de gestão de terceirização de veículos, com maiores volumes e altas de tarifas.

Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) atingiu R$ 722 milhões, alta de 55% em base anual e 10% acima das projeções, na medida em que os números relatados foram impulsionados pela maior depreciação fiscal em alguns veículos de aluguéis (RAC) e o reconhecimento dos correspondentes créditos tributários de PIS/Cofins. Excluindo esse impacto, o Ebitda estimado é de R$ 638 milhões, em linha com as previsões, dizem os analistas.

Eles destacam ainda que margem Ebitda da divisão de seminovos atingiu 22%, ante 10% no quarto trimestre de 2020. As vendas de seminovos caíram 43% em base anual, para R$ 553 milhões, devido a menos carros vendidos, enquanto o preço médio de venda disparou, afirmam os analistas. Já a alavancagem da Unidas cresceu na comparação trimestral, acrescentam.

“Olhando para o futuro, continuamos a ver atualizações sobre a combinação de negócios com a Localiza como principal acionador de negociações para a ação”, concluem os analistas.

BTG Pactual mantém recomendação de compra com preço-alvo de R$ 36,00…

Citi

Mesmo com números operacionais positivos, com Ebitda e lucro líquido recordes, o Citi diz que a Unidas teve um quarto trimestre misto, com queima de caixa em R$ 1,4 bilhão no ano de 2021. O Ebitda recorrente de R$ 722 milhões foi 5% além do que esperava o banco americano.

Os analistas Stephen Trent, Brian Roberts e Filipe Nielsen escrevem que a falta de geração de caixa da empresa no longo prazo é um ponto a se prestar atenção, uma vez que não se sabe se ela vai continuar mantendo o bom momento operacional.

“Isso nos leva a pensar a razão de a empresa ter limitado o seu potencial de valor de mercado ao decidir se unir com sua principal rival”, ponderam. Eles destacam que o lucro por ação de R$ 0,54 foi pouco abaixo dos R$ 0,57 estimados.

Citi tem recomendação neutra com preço-alvo em R$ 27,00…

Credit Suisse

Os resultados da Unidas no quarto trimestre de 2021 foram robustos, mas vieram levemente abaixo das estimativas, na medida em que foram apoiados por créditos fiscais, avalia o Credit Suisse, em relatório.

Os analistas Regis Cardoso, Henrique Simões e Alejandro Zamacona escrevem que o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) consolidado de R$ 723 milhões ficou 3% abaixo das estimativas do Credit Suisse, devido a um menor número de carros vendidos no trimestre.

Já o Ebitda dos negócios de aluguel de R$ 600 milhões superou as estimativas em 8%, mas os resultados foram ajudados por estudos técnicos que reduziram a vida útil dos carros de aluguéis (RAC) utilizados para fins fiscais de 60 para 24 meses, gerando PIS/COFINS extra, que o Credit Suisse só incorporou nas estimativas a partir do segundo trimestre de 2022, dizem os analistas. Excluirmos esse efeito, o Ebitda dos negócios de aluguel teria sido de R$ 515 milhões, 7% abaixo do previsto.

O Ebitda da gestão de frota, por sua vez, foi 6% inferior à previsão, apesar das diárias e tarifas 1% superiores, devido a uma margem Ebitda inferior, diz o analista. “No futuro, esperamos ganhos fiscais extra recorrentes de R$ 30 milhões por trimestre, contra os R$ 85 milhões no quarto trimestre de 2021”, dizem os analistas.

Segundo eles, houve forte crescimento da frota, auxiliado pela redução do número de carros vendidos, levando a uma redução no Ebitda de seminovos, embora com uma forte margem de 22,2%, em linha com as estimativas. Já a depreciação por carro foi menor do que a prevista, dizem os analistas, o que pode ser explicada por um melhor mercado de seminovos, como exemplificado pelo maior preço médio de venda neste trimestre.

Credit Suisse mantém recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 33,00…

* Com informações da ADVFN, RI das empresas, Valor, Infomoney, Estadão, Reuters

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