Itaú Unibanco entra no oceano de possibilidades dos ativos digitais

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Ao colocar de pé uma criadora de representações digitais de ativos reais, os chamados tokens, o Itaú Unibanco começa a entrar no oceano de possibilidades dos ativos digitais. Por enquanto, será um mergulho parcial: a negociação dos ativos terá restrições diante da opção do banco de não utilizar uma estrutura pública de blockchain. A expectativa é de lançar os investimentos via token em larga escala até o final deste ano.

Anunciada nesta quinta-feira, a Itaú Digital Assets vai emitir security tokens, que são representações digitais de ativos financeiros reais. No último dia 4, fez a primeira emissão, de R$ 360 mil, lastreada em recebíveis de risco sacado. Nessa operação, as empresas antecipam recebíveis a fornecedores, financiadas pelo Itaú.

O banco não revelou a empresa envolvida nem a taxa dos tokens, que foram vendidos a funcionários. A operação terá como foco os clientes de varejo, para levar a eles ativos que hoje não conseguem adquirir. “As regulamentações que a gente segue vão ajudar a trazer mais estabilidade, baixar o custo para os emissores e permitir a entrada de novos investidores”, disse Vanessa Fernandes, chefe global do projeto.

Com 16 anos de Itaú (BOV:ITUB3) (BOV:ITUB4), Fernandes comandará a vertical direto de Nova York, onde já atua. Ela comanda uma equipe de 35 pessoas, que deve aumentar em breve, e aproveita a estrutura do banco, que tem quase 15 mil funcionários em tecnologia.

A Digital Assets nasceu na área de tecnologias emergentes do Itaú. Segundo a executiva, foi preciso explicar aos executivos do conglomerado a ideia e também as diferenças entre as classes de ativos digitais antes de colocar o projeto em movimento.

“Todos eles são construídos a partir de blockchain. A diferença é que o token expressa um ativo físico, enquanto a criptomoeda é lastreada em ‘nada’. É o que chamamos de ativo financeiro não tangível”, afirma Roberto Kanter, economista e professor em MBAs da Fundação Getulio Vargas. Para ele, os tokens abrem novas possibilidades de intermediação financeira para os bancos.

Renato Hallgren, analista do BB Investimentos que acompanha o segmento cripto, afirma que a tokenizadora do Itaú tem a ver com uma visão de longo prazo em relação à adoção da tecnologia blockchain. “A utilização pode trazer eficiência, maior segurança e menor número de intermediários nos diversos processos operacionais das instituições financeiras”, aponta.

Corrida

O projeto não envolve criptomoedas, cuja negociação o banco ainda não oferece, ao contrário de competidores como Nubank e Mercado Pago. O PicPay, por sua vez, anunciou que criará uma exchange e um criptoativo próprio com preço atrelado ao real.

Já o BTG Pactual criou em setembro do ano passado a corretora cripto Mynt, que está pré-operacional. André Portilho, que comanda a área de ativos digitais do banco, disse nesta semana que o projeto está em “processo de lançamento”, mas não falou em datas. O serviço começa a rodar neste trimestre, de acordo com o banco. O site está no ar e recebe inscrições para uma lista de espera.

Antes disso, em 2020, o BTG lançou o token ReitBZ, que representa cotas de um fundo de ativos imobiliários recuperados. O produto foi estruturado nas Ilhas Cayman e, por questão regulatória, não foi distribuído no mercado brasileiro. A emissão inicial foi de US$ 15 milhões.

Na tokenização, a holding 2TM, dona do Mercado Bitcoin, já atua com a emissão de debêntures em forma de ativos digitais. Além disso, há nomes conhecidos, como a Liqi, investida do Itaú, e a Vórtx QR, que é parceira do conglomerado em uma emissão de debêntures que foi tokenizada.

Plataforma fechada

O Itaú está utilizando a rede hyperledger besu, que é permissionada, ou seja, não é de acesso público. Foi uma opção pela segurança, de acordo com Fernandes. Isso significa que ao contrário de grande parte dos tokens conhecidos, os do Itaú serão negociados somente na plataforma do banco, ao menos a princípio.

“No futuro, o que a gente gostaria é que nossos tokens estivessem em outras plataformas também”, disse ela. Uma das apostas do banco é de que outros bancos se sentirão estimulados a entrar no jogo, e de que isso será um negócio: o Itaú criará um serviço de estruturação de plataformas de token, com custódia própria.

Rodrigo Pimenta, CEO da Hubchain, que desenha soluções de blockchain para o setor financeiro, afirma que há vantagens para o Itaú em adotar uma rede privada para entrar nesse universo. “É um bom caminho para que se exercite dentro de casa com uma tecnologia que, na minha opinião, será utilizada para registros daqui a mil anos”, diz ele, que criou a Hubchain em 2013 após sair do Itaú, em que trabalhou por mais de uma década.

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