Suzano (SUZB3): lucro líquido de R$ 182 milhões no 2T22, queda de 98%

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A Suzano, maior produtora mundial de celulose de eucalipto, registrou lucro líquido de R$ 182 milhões no segundo trimestre de 2022 (2T22). Mesmo assim, o lucro é bem menor do que o registrado um ano atrás, de R$ 10,037 bilhões, e no primeiro trimestre de 2022, quando ficou em R$ 10,306 bilhões.

A redução do lucro em relação aos trimestres anteriores foi explicada pela variação negativa no resultado financeiro, por sua vez decorrente do impacto negativo da variação cambial sobre a dívida e da marcação a mercado das operações com derivativos, em oposição aos dois períodos de comparação.

A receita líquida atingiu R$ 11,5 bilhões, crescimento de 17% na comparação de base anual e aumento de 18% ante o primeiro trimestre.

O percentual de 83% de receita foi gerado no mercado externo (contra 81% no 1T22 e 84% no 2T21). “Em relação ao 1T22, o aumento de 18% da receita líquida ocorreu em função do maior volume total de vendas (+11%) e pelo maior preço médio líquido, parcialmente compensado pela valorização do real em relação ao dólar (6%)”, diz o relatório da empresa.

As vendas de celulose da Suzano totalizaram 2.663 mil toneladas, apresentando um aumento de 12% e 5% em relação ao 1T22 e 2T21, respectivamente. Já o preço líquido médio em USD da celulose comercializada pela Suzano foi de US$ 726/t, representando um aumento de 13% frente ao 1T22. No mercado externo, o preço médio líquido realizado pela Companhia ficou em US$ 732/t, um aumento de 15% na mesma base de comparação.

As vendas de papel da Suzano (imprimir e escrever, papel cartão e tissue) no mercado interno totalizaram 231 mil toneladas no 2T22, um crescimento de 6% em comparação ao trimestre anterior e 11% em comparação ao 2T21.

As vendas de papel nos mercados internacionais totalizaram 93 mil toneladas, em linha com o trimestre anterior e 6% maior frente ao 2T21, representando 29% do volume total de vendas no 2T22.

ebitda – lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização – ajustado da Suzano, de abril de junho, foi de R$ 6,3 bilhões, alta de 6% na comparação com igual período do ano passado. Na comparação com o primeiro trimestre de 2022, o crescimento foi de 23%.

A margem do Ebitda ajustado da Suzano no trimestre ficou em 55%, queda de seis pontos porcentuais em relação ao 2T21. Sobre o trimestre anterior, houve avanço de dois pontos.

A geração de caixa operacional, medida pelo ebitda ajustado menos o capex de manutenção (em regime caixa), foi de R$ 5,1 bilhões no 2T22. O aumento da geração de caixa operacional por tonelada de 17% vs. o 1T22 está relacionada ao maior ebitda Ajustado por tonelada. Em relação ao 2T21, a redução de 3% devese ao aumento do capex de manutenção, parcialmente compensada pelo maior ebitda ajustado no período.

As variações cambiais e monetárias reduziram o resultado financeiro da Companhia em R$ 4.460 milhões como consequência da desvalorização de 11% do BRL frente ao USD de fechamento do 1T22 que impactou na parcela de dívida em moeda estrangeira (US$ 11,8 bilhões ao final do 2T22). Esse efeito foi parcialmente compensado pelo resultado positivo da depreciação cambial sobre a posição de caixa em moeda estrangeira da Companhia (76% ao final do 2T22, em linha com a política de dolarização da dívida líquida).

O total da dívida bruta era de R$ 75,2 bilhões, sendo 95% dos vencimentos concentrados no longo prazo e 5% no curto prazo. A dívida em moeda estrangeira representava, no final do trimestre, 82% da dívida total da Companhia. Já o percentual da dívida bruta em moeda estrangeira considerando o efeito do hedge de dívida ficou em 96%.

O aumento da dívida bruta em comparação ao 1T22 foi de 9%, ou R$ 6,4 bilhões em função sobretudo da desvalorização do BRL de fechamento frente ao USD. A Suzano realiza a contratação de dívida em moeda estrangeira como estratégia de hedge natural, uma vez que a geração de caixa operacional líquida é denominada, em sua maior parte, em moeda estrangeira (dólar) devido à sua condição predominantemente exportadora. Essa exposição estrutural permite que a Companhia concilie os pagamentos dos empréstimos e financiamentos em dólar com o fluxo de recebimento das vendas.

Os resultados da Suzano (BOV:SUZB3) referentes suas operações do segundo trimestre de 2022 foram divulgados no dia 28/07/2022. Confira o Press Release completo!

VISÃO DO MERCADO

Bradesco BBI

No geral, analistas do BBI continuam achando que os fundamentos da celulose surpreenderão pelo lado positivo (em relação às expectativas) para o restante deste ano e 2023, enquanto o valuation de SUZB3 parece precificar uma forte deterioração dos fundamentos.

Para BBI, a ação negocia 4,9 vezes o múltiplo de valor da empresa sobre o Ebitda esperado para 2023, o que considera bastante atrativo e, por conta disso, mantém recomendação de compra e o preço-alvo de R$ 80,00 frente a cotação de fechamento de quarta, ou potencial de valorização de 70,8%.

Itaú BBA

Analistas do BBA também comentam que este resultado é “justificado por maiores volumes de vendas e de preços de celulose somados a menores paradas de manutenção, que mais do que compensaram a apreciação do real no período”.

Sobre o perfil de endividamento, a dívida líquida da Suzano subiu para R$ 54,9 bilhões no período (de R$ 49,7 bilhões no primeiro trimestre), “devido ao impacto negativo da depreciação do real no final do período sobre a dívida dolarizada”, explicam analistas do BBA.

Entre outros pontos, BBA ressalta o anúncio de investimentos de R$ 2,5 bilhões para o ano de 2022 (totalizando R$ 16,1 bilhões) e mais um programa de recompra de aproximadamente 20 milhões de ações. Apesar de pequeno, analistas enxergam o anúncio como positivo, pois sugere que a companhia acredita que a aquisição de suas próprias ações nos níveis atuais pode criar valor para o acionista.

Itaú BBA tem recomendação de compra com preço-alvo de R$ 72,00…

* Com informações da ADVFN, RI das empresas, Valor, Infomoney, Estadão, Reuters

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