Braskem: sem vender companhia, Novonor consegue prazo de 60 dias para dívida de R$ 14 bilhões

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A troca no comando da Braskem, anunciada na manhã de hoje, está longe de ser o único movimento importante que envolve a petroquímica, que está à venda há anos e que começa a entrar em um ciclo de baixa do setor. A Novonor (ex-Odebrecht e em recuperação judicial) negociou mais uma vez a extensão de prazo de pagamento de suas dívidas com os bancos, que somam aproximadamente R$ 14 bilhões. As ações das petroquímica foram dadas como garantia em troca desse empréstimo feito pelas instituições financeiras ao então Grupo Odebrecht, por décadas. Segundo fontes, o prazo concedido pelos credores foi de 60 dias.

Havia expectativa que essa dívida fosse quitada com a venda da Braskem (BOV:BRKM5) este ano, o que não aconteceu, apesar de várias tentativas concretas. Os credores Bradesco, Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Santander e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) bateram o martelo na concessão de mais prazo nesta segunda-feira. As demais condições serão mantidas, já que a dívida é atrelada ao CDI, ou seja, acompanha a Selic.

A venda vem sendo arrastada nos últimos três anos, depois de chegar muito próximo de ser fechada com a multinacional LyondellBasell, em 2019. No início deste ano, uma oferta bilionária de ações em bolsa foi abortada, após os bancos credores perceberem que a operação só iria adiante com as ações vendidas a R$ 40. Recentemente, a gestora norte-americana Apollo apresentou uma proposta que envolveria a compra de toda a Braskem, ou seja, incluindo-se a parte da Petrobras, que é sócia da petroquímica ao lado da Novonor, por R$ 47 a R$ 50 a ação. A holding J&F, que controla a JBS e o banco Original, também informou que pretende entrar na disputa.

Não faltaram também modelos de venda envolvendo somente a parte da Novonor ou o fatiamento da companhia. As melhores janelas de oportunidade estão, no entanto, ficando para trás. O ciclo de alta da indústria petroquímica acabou e a companhia tem registrado perdas em seu resultado, com impacto no valor de suas ações. Apenas este ano, a Braskem perdeu 48,25% de seu valor de mercado.

A mudança de governo também tem causado ceticismo em relação à venda. A proposta da Apollo, que aparentemente teria maior chance de ser aceita por conta do valor, entra no limbo diante da estratégia do governo de Luiz Inácio Lula da Silva para a estatal Petrobras – a ideia é que as vendas de ativos parariam de ser feitas e assim, o negócio não andaria. A oferta da Apollo envolve a fatia da Petrobras, o fechamento de capital da Braskem no Brasil e abertura do capital no exterior.

Troca no comando

Em mais uma indicação das incertezas, a Braskem informou nesta segunda-feira que Roberto Simões, o atual presidente, fica até janeiro. A partir dessa data, deve assumir o indicado pela Novonor, Roberto Bischoff, a ser aprovado pelo Conselho de Administração.

Simões foi nomeado para presidir a Braskem a partir de 2020, vindo da Ocyan, empresa de óleo e gás do grupo Novonor e com experiência em outras empresas da casa. Ele chegou com a missão de concluir a venda da petroquímica e durante os últimos dois anos, desatou problemas graves, como a disputa com o governo mexicano em torno na manutenção da Braskem Idesa naquele país e o incidente ambiental e social em Alagoas.

Segundo fontes, ele tinha a perspectiva de que a venda seria feita num prazo mais curto e, com a postergação do negócio e a entrada da indústria em ciclo de baixa, preferiu sair. Bolsonarista, Simões também não teria boa interlocução junto ao novo governo. Já Bischoff tem um perfil mais técnico. Prata da casa, ele seria mais discreto na condução da venda, num período cíclico mais difícil para a empresa.

De toda a forma, a Braskem informou no começo de novembro, ao divulgar o balanço do terceiro trimestre, que está preparando as informações detalhadas da companhia para fornecer aos interessados na petroquímica.

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