Depois de trimestres bastante desafiadores, as primeiras empresas de educação negociadas na B3 a divulgarem os balanços do primeiro trimestre de 2023 mostraram números encorajadores, levando a uma disparada dos ativos no acumulado da semana.

Após um começo de ano considerado bastante positivo para a Yduqs (BOV:YDUQ3), que fez a ação saltar 23,80% na quarta-feira (10), sessão pós-resultado, com alta que prosseguiu nos pregões seguintes, desta vez a Cogna (BOV:COGN3) que registra fortes ganhos após o 1T23.

Às 13h20 (horário de Brasília) desta sexta-feira (12) as ações COGN3 tinham alta de 8,47%, a R$ 2,56, após subirem até 12,71% na máxima do dia. Na semana, a alta acumulada é de cerca de 22%; já os ativos YDUQ3 disparam 35% no mesmo período.

Na véspera, a Cogna, dona da Kroton, da Saber e da Vasta, informou ter mais do que dobrado o lucro líquido ajustado no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 117,7 milhões, tendo o desempenho da Kroton como principal destaque do período. Assim, a companhia mostra progresso em sua retomada após anunciar reorganização operacional em 2020.

Incluindo amortizações relacionadas a aquisições, a companhia, a dona da Anhanguera registrou lucro líquido de R$ 54,4 milhões, ante prejuízo de R$ 13,1 milhões um ano antes. Projeções de analistas compiladas pela Refinitiv apontavam lucro líquido de R$ 19,4 milhões.

A receita líquida totalizou R$ 1,3 bilhão, alta de 13% ano a ano, com expansão em todas as três unidades de negócios – Kroton (+14,9%), Vasta (+5,8%) e Saber (+30,8%) -, enquanto as despesas corporativas, que incluem com pessoal, geral e administrativas, recuaram 10,3%.

O Itaú BBA aponta que o destaque ficou com a Kroton, cuja base de alunos do segmento de alta presencialidade cresceu 12% em um ano, impulsionado pelo aumento na base de alunos que foi ajudado pela redução da evasão. A base de alunos do segmento de Baixa Presencialidade cresceu 9% em um ano, impulsionada por um aumento de 7,0% na captação, apesar da evasão ter aumentado. A base total de alunos de graduação aumentou 10% em relação ao ano anterior.

No consolidado, a Cogna apresentou uma rentabilidade operacional ajustada de 34,0%, quase estável em relação ao ano anterior e semelhante à nossa estimativa, auxiliada por uma redução de 10% em relação ao ano anterior nas despesas corporativas.

A Genial aponta que os resultados ficaram ligeiramente acima de sua expectativa e do mercado, com destaques para o crescimento nas três unidades de negócio e diluição de despesas.

“A Kroton vem se destacando a cada trimestre e nesse 1T23 reportou seu melhor resultado dos últimos anos. O volume de captação cresceu +4,2% ao ano, impulsionadas pela baixa presencialidade. O crescimento dentro das submodalidades EAD Premium, Semipresencial e 100% online foram mais que suficientes para compensarem a queda do Presencial – resultado da diminuição no número de campi e da racionalização de oferta. Enquanto isso, o ticket apresentado no 1S23 subiu para quase todas modalidades, com exceção do 100% online que ficou flat”, destaca a casa.

Outro destaque positivo dentro da Kroton foi a taxa de evasão. A companhia conseguiu apresentar uma redução da evasão de -110 pontos-base na comparação anual, reflexo da maior participação de medicina e cursos de maior LTV (ou LifeTime Value) e implementação de políticas de rematrículas mais rígidas.

A XP também destaca o fato de a empresa ter conseguido manter o resultado financeiro sob controle mesmo considerando o ambiente de taxas de juros mais altas. Mais uma vez, a Kroton mostrou estar em uma trajetória de recuperação após alguns anos difíceis. No entanto, ainda vê os resultados da Vasta impactando grandes melhorias em uma base consolidada.

Na Vasta especificamente, a receita aumentou 6% na base de comparação anual, para R$ 403 milhões, impulsionada principalmente por um aumento de 10% anual na receita de subscrição (ex. PAR), com o conteúdo suplementar representando 17,2% dessa receita (+1,8 p.p). Contudo, a margem Ebitda ajustada diminuiu 3,6 p.p., para 31,4%, devido à provisão de 100% da receita de um grande cliente e a custos mais altos relacionados à impressão e papel.

A Genial ainda aponta que, apesar de todos os esforços da companhia em liability management (ou gestão de passivos, que têm mostrado bons resultados), o resultado financeiro ainda gera pressão, deixando um resultado financeiro de negativo de R$ 238 milhões em meio ao cenário de alta taxa de juros.

Apesar dos números considerados positivos, analistas seguem com visão cautelosa sobre as ações da Cogna. De 12 casas consultadas pela Refinitiv que cobrem a ação, 8 recomendam manutenção e 4 recomendam venda para os ativos, de olho principalmente no endividamento da companhia, ainda que tenha mostrado maior controle.

A companhia encerrou março com a relação dívida líquida/Ebitda ajustado dos últimos 12 meses em 2,03 vezes, de 2,10 vezes no final do ano passado. E avalia que não precisará captar ou reperfilar sua dívida em 2023.

“Apesar das melhorias no negócio de graduação, maiores despesas financeiras devem continuar pesando sobre a geração de fluxo de caixa ao acionista da Cogna, impedindo uma recuperação em formato de V. Como tal, permanecemos neutros. Lembramos que não pagamos antecipadamente por potenciais incentivos governamentais como um novo programa FIES”, aponta o BTG Pactual.

Nos primeiros três meses de 2023, a Cogna teve uma geração de caixa operacional após investimentos (capex) de R$ 227 milhões, expansão de 27,4% ano a ano. A companhia tem uma perspectiva de crescimento de geração de caixa positiva, reafirmando a projeção de chegar a R$ 1 bilhão em geração de caixa operacional em 2024.

O fluxo de caixa livre, porém, ficou negativo em R$ 625,3 milhões, contra fluxo negativo de R$ 188,9 milhões um ano antes, afetado principalmente pelo volume de dívida amortizado nos primeiros meses de 2023.

O Itaú BBA, assim como o BTG, segue com recomendação “neutra” na ação com um preço-alvo de R$ 3 para o final de 2023. A Genial segue com manutenção e preço-alvo de R$ 2,90. A XP também segue com neutro para o papel, com preço-alvo de R$ 3,10.

Enquanto isso, muitos analistas após o resultado de Yduqs destacaram preferência pela ação, que conta com 8 recomendações de compra e 4 de manutenção. Mas, com o ambiente de concorrência mais racional no setor e expectativa pelos programas do governo, analistas têm se mostrado mais positivos com as companhias no geral, ainda que haja muitos desafios com o cenário macroeconômico complexo e impacto das taxas de juros altas na despesa financeira das empresas.

Informações Infomoney
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