O resultado da operação de bovinos da JBS nos Estados Unidos pesou sobre o desempenho da companhia brasileira no quarto trimestre de 2023. A empresa viu seu lucro líquido cair 96,5% em relação ao mesmo período de 2022, para R$ 82,6 milhões.

Apesar do resultado ruim na última linha do balanço, a JBS registrou melhoras operacionais. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) cresceu 11,6% entre outubro e dezembro do ano passado, para R$ 5,1 bilhões.

As vendas também cresceram no quarto trimestre. A receita líquida da JBS aumentou 3,7% no último trimestre do ano passado e chegou a R$ 96,34 bilhões. Desse total, 76% da receita foi gerada a partir de vendas nos mercados domésticos onde a companhia atua, e 24% com exportações.

“Apesar da manutenção dos efeitos negativos do ciclo do boi nos Estados Unidos, as medidas de gestão operacional adotadas no ano passado e a melhoria do cenário no médio prazo nos permitem entrar em 2024 no caminho da recuperação dos resultados”, disse Gilberto Tomazoni, CEO da JBS, em mensagem aos investidores que acompanhou a divulgação dos resultados.

O executivo reconheceu que tanto a Seara quanto a JBS Beef North America tiveram uma performance abaixo do potencial. Segundo Tomazoni, os problemas já foram identificados e ações foram tomadas para corrigir as falhas.

Ainda que pontos sensíveis tenham sido identificados e corrigidos, no acumulado de 2023 como um todo a JBS registrou prejuízo líquido pouco acima de R$ 1 bilhão, ante lucro de R$ 15,4 bilhões em 2022.

O Ebitda anual caiu pela metade. No acumulado de 12 meses, a JBS apresentou um resultado de R$ 17,14 bilhões, o que representou um recuo de 50% em comparação a 2022. Já a receita teve leve queda de 2,9%, para R$ 363,8 bilhões.

Praticamente todas as unidades de negócios da JBS encerraram 2023 com resultados operacionais piores que em 2022. O Ebitda da operação de bovinos nos Estados Unidos recuou 94,7%, para R$ 563,5 milhões. Já a Seara registrou queda de 60,8%, para R$ 1,8 bilhão.

Mesmo a operação de bovinos do Brasil, que vive o ciclo de baixa dos preços do boi gordo, viu seu Ebitda recuar. A queda anual foi de 3,2%, para R$ 2,33 bilhões. A controlada americana Pilgrims, que se recuperou no quarto trimestre, teve uma queda anual em seu Ebitda, para R$ 7,6 bilhões.

Os resultados da JBS (BOV:JBSS3) referente suas operações do quarto trimestre de 2023 foram divulgados no dia 26/03/2024.

Teleconferência

A administração da JBS indicou ontem os nomes dos irmãos Wesley e Joesley Batista para ocuparem os dois novos assentos criados no conselho de administração da companhia. O chamado ocorreu no mesmo dia em que a companhia reportou seus piores resultados desde a listagem na bolsa, em 2007.

Filhos do fundador, José Batista Sobrinho, os empresários foram os grandes responsáveis pelo crescimento e pelo processo de internacionalização na primeira década pós-IPO. Contudo, se afastaram do dia a dia na esteira de uma delação de Joesley, no âmbito da Operação Lava Jato, que sacudiu o governo do presidente Michel Temer.

“A presença [de Wesley e Joesley Batista] no conselho vai enriquecer as discussões estratégicas no board”, disse o CEO da JBS, Gilberto Tomazoni, durante telconferência com analistas na manhã desta quarta-feira

Em todo o ano passado, a JBS registrou prejuízo líquido de pouco mais de R$ 1 bilhão, ante lucro de R$ 15,4 bilhões em 2022. Foi a primeira vez em 12 anos que a companhia fechou um ano no vermelho. O último prejuízo havia sido em 2011, quando o resultado ficou negativo em R$ 75,7 milhões.

Pelo segundo ano consecutivo, a companhia viu seu lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) recuar. Em 2023, o Ebitda caiu pela metade (50,4%), para R$ 17,14 bilhões, o pior patamar dos últimos cinco anos. Em 2022, o indicador já havia caído 24,3% em comparação ao ano anterior.

A grande pedra no sapato da JBS em 2023 foi a operação americana de bovinos. A vertical registrou um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 563,5 milhões, o pior resultado dos últimos sete anos.

O desempenho é consequência do atual ciclo de produção de bovinos nos Estados Unidos. A retenção de matrizes para produção de bezerros enxugou a oferta de animais para abate, elevando os preços em uma velocidade muito maior do que a capacidade de repasse ao consumidor.

Diante do quadro inflacionário nos Estados Unidos, os consumidores americanos têm vivido um pouco da realidade comum no Brasil. “Os preços da carne [bovina] mais altos têm levado a demanda para o porco e o frango. Na carne bovina, temos visto uma procura por cortes com preços menores”, disse Wesley Batista Filho, presidente da JBS USA.

Para Batista Filho, não existe nada estrutural identificado no mercado. Segundo ele, a operação americana passou tanto por mudanças na área comercial como industrial ao longo de 2023. “A eficiência vem melhorando, mas ainda não está 100%”, disse ao analistas.

VISÃO DO MERCADO

Na sessão pós-resultado do quarto trimestre de 2023 (e também marcada pela reação a outros anúncios), as ações da JBS chegaram a cair até 4,06% (R$ 21,48) na mínima desta quarta-feira (27), amenizaram durante a teleconferência (chegando a ter queda de “apenas” 1,65%, a R$ 22,02), mas registravam baixa de 2,86%, a R$ 21,75, no fim da manhã.

Bradesco BBI

O movimento ocorre após a JBS ter reportado lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) no 4T23 de R$ 5,1 bilhões, alta de 12% em base anual, mas 6% abaixo do consenso, conforme ressalta o Bradesco BBI. A divisão US Beef (Estados Unidos) foi o destaque negativo do trimestre, reportando margem Ebitda negativa de -1,6%, abaixo dos 1,7% do 3T23. A divisão de suínos dos EUA também foi impactada pelas más condições climáticas no país e reportou queda de margem de 1 ponto percentual (pp) em relação ao trimestre anterior. No Brasil, a Seara melhorou a margem para 6,4% (+0,9 pp no trimestre), mas ainda ficou abaixo do consenso de 7,7%, o que também contribuiu para o maior pessimismo pós-resultado.

Em relatório comentando a teleconferência, o BBI destacou que as ações estavam caindo muito por conta do desempenho mais fraco do que o esperado nas divisões US Beef e Seara, mas que a sinalização de que as margens em Seara devem se recuperar em 2024, o que seria positivo para as ações (e ajudou a amenizar as perdas durante a sessão).

“Vemos também o processo de listagem nos EUA, que esperamos ser concluído no final de 2024/1T25, como um fator-chave para a recuperação das ações”, apontam os analistas do BBI. A companhia protocolou na SEC, o xerife do mercado de capitais dos EUA, um novo pedido para realizar a dupla listagem de suas ações nas bolsas de Nova York e na B3. Com a dupla listagem, a JBS espera, entre outras vantagens, “destravar” seu valor de mercado, considerado muito baixo pela direção da empresa diante da envergadura das operações. Ao todo, o BBI mantém recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra), com preço-alvo para 2024 de R$ 30,00.

BTG Pactual

O BTG Pactual também segue com compra e aponta que a JBS continua sendo sua principal escolha no setor de proteínas e apontou, antes da abertura do mercado, que compraria as ações em caso de queda.

“Há alguns esclarecimentos necessários em relação às margens da carne bovina nos EUA, enquanto estamos menos preocupados com a capacidade da Seara de se recuperar em meio à redução dos custos de insumos, ao aumento dos spreads de aves e ao aumento dos volumes. Juntamente com as expectativas de margens acima do normalizado na Austrália, carne suína dos EUA e PPC, acreditamos que a JBS ainda está no caminho certo para cumprir nossa estimativa de Ebitda acima de R$ 25 bilhões para 2024, o que geraria facilmente um yield de fluxo de caixa de dois dígitos”, aponta.

Goldman Sachs

O Goldman Sachs também destacou seguir otimista com a ação. “Continuamos construtivos para o futuro e esperamos que o impulso seja apoiado pela PPC, pela Austrália, pela (divisão) de carne suína dos EUA e pela Seara”, escreveram os analistas.

XP

A XP vê que a JBS apresentou resultados em grande parte em linha com as expectativas, mas também nota fraquezas significativas nas margens de US Beef e Seara, sendo que em US Beef o número indica um ambiente de ciclo mais desafiador do que o previsto. Além disso, o desempenho da Seara ficou atrás de seu par mais próximo. Já em uma nota positiva, a JBS Brasil e Austrália tiveram um desempenho superior, impulsionado pela dinâmica favorável do ciclo do gado, e a geração de caixa foi forte e superou as expectativas. No entanto, esses aspectos positivos são ofuscados pelo fraco desempenho da US Beef e da Seara, destacou o BBI.

Contudo, em teleconferência, a JBS disse esperar que as margens de sua unidade de alimentos processados ​​Seara no Brasil atinjam dois dígitos no início de 2024, citando melhorias operacionais implementadas pela gestão para fortalecer a unidade, conforme apontaram os executivos.

A JBS apontou que a Seara e a divisão de carne bovina dos EUA apresentaram os maiores desafios para a empresa no ano passado, quando registrou prejuízo de cerca de R$ 1 bilhão, em comparação com lucro real de R$ 15,457 bilhões em 2022.

* Com informações da ADVFN, RI das empresas, Valor, Infomoney, Estadão, Reuters
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