Copom deve cortar juros hoje; cresce aposta em um corte de 0,5 ponto; dúvida é até onde irá a queda da Selic

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O Comitê de Política Monetária (Copom) conclui hoje sua reunião de dois dias e pode cortar a taxa básica de juros, hoje de 6,5%. A reunião ocorre no mesmo dia da do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed, banco central americano), que divulga sua decisão hoje, mas um pouco mais cedo, no meio da tarde. A do Copom sai às 18 horas.

A expectativa é que tanto o Copom quanto o Fomc cortem os juros básicos. No caso do Fed, a expectativa é de um corte de 0,25 ponto percentual. Já no Brasil, o mercado está dividido entre um corte de 0,25 ponto e 0,50 ponto percentual, o que pode reduzir a taxa para 6,25% ou 6%. Pesquisa feita pela corretora XP Investimentos mostra que a maioria (52%) dos analistas entrevistados esperam um corte maior, de 0,50 ponto. Já 44% esperam uma redução de 0,25 ponto. Outros 4% projetam um corte ainda maior, de 0,75 ponto e apenas 3% acham que o BC vai manter a taxa em 6,5%.

Se essa projeção se confirmar, o juro de 6 por cento ao ano será o menor da história do país em muitos anos.

Foram ouvidos 125 investidores institucionais, entre gestores, economistas e consultores, entre os dias 29 e 30 de julho.

Próximas reuniões

Já para as próximas reuniões, a pesquisa da XP mostra apostas maiores (58%) em um corte de 0,5 ponto em setembro, ante 35% dos que acham que a redução será de 0,25 ponto. Na reunião de outubro, o quadro se inverte, e a maioria (59%) acham que o corte será menor, 0,25 ponto, enquanto 35% acham que o corte vai continuar em 0,5 ponto. Já no fim do ano, a maioria (46%) acha que o Copom dá uma folga e mantém os juros, enquanto 41% acreditam em mais um corte de 0,25 ponto.

Sem corte agora

Entre os que não acreditam em corte está Pablo Stipanicic Spyer, da Mirae Asset. para ele, o mercado está mais otimista do que deveria. “Somente com a reforma da Previdência aprovada o Brasil terá credibilidade fiscal perante outros países para poder cortar juros de maneira sustentável, sem fazer com que a inflação dispare”, afirmou. “Não vejo nenhuma mudança estrutural na economia que viabilize tamanha sensação”, acrescentou.

Onde o Copom vai parar?

Mas o mercado não se divide só sobre a reunião deste mês. Não há consenso também até onde pode ir o ciclo de corte dos juros básicos. Se forem consideradas as maiorias das respostas para cada reunião, o Copom cortaria o juro duas vezes em 0,5 ponto, mais uma vez de 0,25, o que levaria a taxa para 5,25% no fim deste ano.

Mas não é essa a previsão da maioria para o juro no fim deste ano. Na pesquisa da XP, 29% acham que o juro vai fechar 2019 em 5,50% ao ano e 24% apostam em uma taxa ainda mais baixa, 5%. Outros 16% acham que o juro fecha em 5,25% e, 11%, em 5,75%.

Anbima vê juros em 5,25 por cento ao ano

Hoje, o Grupo Consultivo Macroeconômico da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) divulgou nota informando que reduziu a estimativa para a Selic deste ano pela segunda vez consecutiva. Em junho, a avaliação dos economistas era de que os juros deveriam encerrar 2019 em 5,75%. Agora, a projeção é de 5,25%, com início da trajetória de queda já na reunião do Copom que termina hoje, passando dos atuais 6,5% para 6%.

Taxa baixa até 2020

E o juro pode ficar baixo por um bom tempo. A maioria (28%) espera que a taxa feche 2020 em 5,50%. Outros 24% apostam em 5% e 13% veem a Selic em 6%. Chama a atenção uma parcela de 8% dos entrevistados, que apostam em um juro ainda menor, 4,5% ou menos no fim de 2020.

Sobre os fatores que podem influenciar o Copom, a entrevista indicou a agenda de reformas (35% das respostas), seguida da taxa de crescimento (26%) empatada com a inflação baixa (26%). A taxa de juros externa teve 12% das respostas. Já com relação aos principais riscos para a queda dos juros, 36% citaram a guerra comercial entre EUA e China, 22% a política de juros internacional, 17% a agenda de reformas, 12% o crescimento da economia e 10% a inflação.

“Nossa avaliação geral é de que o cenário do país está favorável para a redução da Selic”, diz Fernando Honorato, presidente do grupo. A inflação abaixo da meta e o baixo dinamismo da atividade econômica em um ambiente mais construtivo, principalmente após a aprovação da Reforma da Previdência em primeiro turno, contribuem para que os juros atinjam níveis mais baixos, o que pode permitir o reaquecimento do consumo e dos investimentos.

Projeções de cortes até de 2 pontos até dezembro

Há apostas mais agressivas, porém. A gestora Persevera Asset Management espera que a taxa caia bastante, até 2 pontos percentuais, para ser capaz de provocar algum impacto na economia.

Já o Itaú mantém uma expectativa de que a Selic termine o ano em 5%. No relatório Cockpit do Copom, o Departamento Econômico do banco lembra que as projeções de inflação do Copom no cenário de mercado (que inclui câmbio e taxa de juros de acordo com a pesquisa Focus) devem continuar em 3,6% e 3,9% para 2019 e 2020, respectivamente. No cenário de referência (que considera câmbio e juros constantes), as estimativas devem permanecer em 3,6% em 2019 e recuar para 3,6% para 2020 (ante 3,7%).

Com esses dados, o Itaú diz que a evolução do cenário passou a ser consistente com um início de ciclo mais intenso, com corte de 0,50 p.p. já na reunião desta semana: além da aprovação da reforma da previdência com ampla margem de votos e impacto fiscal maior que o esperado, nas últimas semanas se consolidou a perspectiva de que o banco central americano deve fazer um corte de 0,25 p.p., poucas horas antes da decisão do Copom.

“Olhando mais à frente, esperamos que a queda de 0,50 p.p. da taxa Selic no dia 31 de julho seja seguida por outros dois cortes de mesma magnitude nas reuniões de setembro e outubro, levando a taxa básica de juros ao patamar final de 5% a.a. antes do fim desse ano”, avalia o Itaú.
Um corte de 0,5 ponto nesta reunião também é a aposta da Rosenberg Associados. Segundo a consultoria, a economia doméstica vem decepcionando há tempos, correndo bem abaixo do potencial desde meados de 2015. A inflação corrente, as medidas de tendência inflacionária e as expectativas de inflação (obtidas em sondagens e implícitas nos mercados de títulos públicos) continuam a figurar bem abaixo das metas. Por fim, a incerteza sobre o andamento das reformas, principal justificativa para a cautela recente do Banco Central, diminuiu significativamente com a aprovação da proposta de reforma previdenciária em 1º turno da Câmara dos Deputados, diz a Rosenberg.

“Nessas circunstâncias, avaliamos como plausível que uma redução de 0,5
pontos-base da taxa básica Selic seja promovida na reunião do Copom
agendada de hoje”, diz a consultoria. “No entanto, continuamos a considerar como ligeiramente preponderante o cenário em que o Banco Central inicia o ciclo de afrouxamento monetário com um corte de 0,25 pp.”

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