Copasa (CSMG3) 1T20: Lucro líquido de R$ 160,8 milhões; Queda de 14%

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A Copasa – Companhia de Saneamento de Minas Gerais – reportou lucro líquido de R$ 160,8 milhões de reais no primeiro trimestre (1T20), recuo de 14% em comparação com igual período do ano anterior. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi de R$ 475 milhões de reais, apresentando crescimento de 7,3% no comparativo com o 1t19.

O EBTIDA ajustado foi de R$ 458,2 milhões. A margem Ebitda, por outro lado, recuou 0,3 ponto percentual, para 38,1%. Em termos ajustados, a margem se manteve estável em 39,7% na comparação anual.

A empresa de Saneamento, com valor de mercado hoje de 5,9 bilhões, é negociada na B3 através do papel: (BOV:CSMG3) e divulgou o resultado no dia 30 de abril de 2020.

A despesa financeira líquida da empresa entre os meses de janeiro de março de 2020 foi de R$ 92,4 milhões por conta, um aumento de 127,9% ante os R$ 41,3 milhões observados no ano anterior. “Vale mencionar que a dívida da companhia em dólar, em 31 de março, era de US$ 25,6 milhões (equivalente a R$ 133,4 milhões) e em euro era de 44,7 milhões de euros (equivalente a R$ 256 milhões)”, diz trecho do relatório com resultados da empresa.

A receita operacional líquida da Copasa atingiu R$ 1,3 bilhão entre janeiro e março. A receita com serviços de água crescendo 8,2%, para R$ 776 milhões, e a receita com serviços de esgoto avançando 12%, para R$ 442 milhões.

As economias (unidades atendidas) de água cresceram 1,5%, enquanto com serviço de esgoto avançaram 1,8%. O volume distribuído de água subiu 1%. A Copasa citou o reposicionamento tarifário médio de 8,38%, aplicado para consumos registrados a partir de agosto, como um dos fatores que influenciaram a receita no período.

A dívida líquida somou R$2,67 bilhões neste primeiro trimestre contra R$3,08 bilhões do mesmo período do ano passado.

Já o índice de alavancagem, medido pela relação Dívida Líquida/EBITDA dos últimos 12 meses, alcançou 1,5x em relação aos 2,0 de março de 2019.

+ Confira o calendário de divulgação de resultados do 1T20 das empresas listadas na Bolsa de Valores.

A teleconferência está agendada para o dia 15 de maio de 2020, às 15h. Clique aqui para participar do Webcast.

Como foi o desempenho das ações

Em 2020, o papel oscilou entre a mínima de R$ 31,72 e R$ 72,30 na máxima. Até o momento, a empresa desvalorizou 30,40%.
Nos últimos 5 anos, o papel teve um preço médio de R$ 45,78 e atingiu a mínima de R$ 19,11 e a máxima de R$ 74,52.
Desconsiderando amortizações, a empresa pagou R$ 0,94 em proventos no valor bruto dos proventos com DATA COM entre 29/04/2019 e 29/04/2020 com Dividend Yield de 1,95%.

A visão do mercado

XP investimentos

A Xp investimentos diz que o resultado do 1T20 veio em linha com as estimativas.

“Continuamos a enxergar um cenário complexo para a concretização de uma eventual privatização da companhia nos ambientes federal e estadual. Soma-se a isso o fato da companhia ter aprovado para 2020 uma distribuição de proventos em 2020 de apenas 25% do lucro, o que é abaixo do potencial previsto no estatuto da companhia e de sua capacidade de remuneração a acionistas devido ao baixo endividamento da companhia” destacou Gabriel Fonseca, analista da XP.

A XP mantém recomendação neutra com preço-alvo de R$ 53 por ação ao final de 2020.

Itaú BBA

O banco Itaú BBA avaliou como “mais fortes que o esperado” os resultados do 1º trimestre da Copasa – Companhia de Saneamento de Minas Gerais.

“A Copasa mostrou uma forte geração de caixa de R$ 165 milhões. O Ebitda ajustado foi de R$ 505 milhões, 9,8% superior ao 1º trimestre do ano passado e acima das nossas projeções”, comentou o BBA.

O banco comentou que a Copasa obteve melhores resultados porque passou a cobrar tarifa de coleta de esgoto em cinco municípios mineiros, com 56 mil domicílios e estabelecimentos comerciais que passaram a ser atendidos, após obras feitas no ano passado. O BBA notou, como aspecto negativo, que a Copasa tem 11% da sua dívida bruta em moeda estrangeira e sem hedge. O BBA observou que a Copasa irá deliberar até 17 de junho o montante de dividendos a ser pago aos acionistas, por causa do impacto da crise da Covid-19.

O Itaú BBA mantém recomendação Market Perform com preço-alvo de R$ 64,00.

Credit Suisse

O banco Credit Suisse avaliou os resultados da Copasa como “piores que o esperado”. Segundo o CS, houve queda nos volumes e o lucro sofreu com os resultados financeiros mais fracos.

“A Copasa não interrompeu o abastecimento de água dos clientes com contas em atraso em março e abril, por causa da epidemia do coronavírus”, avalia o banco.

O banco prevê que isso pode afetar os resultados posteriores da estatal mineira.

Eleven Financial

A Eleven Financial considerou o resultado do 1T20 fraco em função das fortes chuvas que reduziram o volume comercializado e do impacto da desvalorização cambial na dívida da empresa.

“Os números da Covid-19 não ficaram visíveis nos resultados da empresa no 1T20. Em nossa opinião o setor de saneamento poderá ser beneficiado com o retorno da votação no Congresso do marco regulatório, uma vez que é um setor gerador de empregos” destaca Renato Pinto, analista da Research.

A Eleven mantém a recomendação de compra com preço-alvo em R$ 65,00, com a perspectiva de recuperação dos fundamentos do setor em 2021.

BB Investimentos

O BB Investimentos mostra preocupação com os números defasados do 1T20 e com a receita que a Copasa teve em Abril, desempenhando abaixo do esperado.

“Até que tenhamos maior visibilidade quanto à dinâmica da inadimplência, que é altamente dependente da duração e intensidade da crise, optamos pela redução do preço-alvo apenas com alteração das premissas de custo médio ponderado de capital, questão distintas daquelas desenhadas há 6 meses atrás, e derivam mais diretamente da deterioração das condições macroeconômicas e de mercado do que da companhia em si” avalia Rafael Reis e Rafael Dias, do banco BB Investimentos.

O BB Investimentos mantém recomendação Market Perform mas reduz preço-alvo para R$ 65,00.

Quem é a Copasa

A Copasa – Companhia de Saneamento de Minas Gerais – é uma empresa de economia mista. Sua principal atividade é a prestação de serviços em abastecimento de água, esgotamento sanitário e resíduos sólidos.

A companhia faz parte do novo mercado e apresenta 100% de Tag Along com Free Float de 49,68% no papel CSMG3.

Em 2006, a companhia realizou sua Oferta Inicial de Ações (Initial Public Offering – IPO), ingressando no Novo Mercado da BM&FBOVESPA, segmento diferenciado que exige maior transparência e regras mais rígidas de governança corporativa.

Em abril de 2008, foi realizada uma oferta secundária de ações em que o acionista Município de Belo Horizonte alienou a totalidade de suas ações, e o acionista Estado de Minas Gerais vendeu parte de suas ações, sem perder o controle acionário da Empresa.

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