A Semana em 5 minutos – Leitura rápida para entender: Impeachment Trump e Bolsonaro, Vacina Brasileira, CSNA3, GGBR3, LAME3 e muito mais (04/01 a 08/01)

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A gente sabe que não tem como falar de Brasil sem primeiro tratar de ambiente externo.

O que mais marcou a semana até agora (sexta-feira) foi a manifestação realizada nos EUA por apoiadores de Donald Trump. Desde a perda da eleição o atual presidente vem tentando derrubar esse resultado nos tribunais, mas sem efeito.

Para a última quarta-feira, 06 de janeiro, estava marcada a contagem dos votos de cada Estado, a acontecer no Congresso, o Capitólio norte-americano. Considerada apenas uma formalidade protocolar, não mudaria em nada o resultado das eleições. Entretanto, os republicanos apoiadores de Trump já haviam dito que contestariam também essa etapa. E foi o que aconteceu.

=> Joe Biden democrata, Donald Trump republicano. Você sabe o que isso significa? 

Vamos entrar de cabeça nessa história norte-americana

Donald Trump pressionou seu vice para que nessa contagem dos votos ele recusasse a vitória de Joe Biden. Entretanto, Mike Pence se defendeu afirmando que isso seria inconstitucional, portanto seguiria com seu dever.

Trump, arrasado, mas ainda confiante de que poderia mudar o rumo dessa história, realizou um comício horas antes da sessão do Congresso e também em seu Twitter se voltou para seus apoiadores da sociedade civil, incitando as pessoas a se rebelarem contra essa oficialização da vitória de Biden.

No Congresso, a sessão começou. Existe todo um cerco policial do lado de fora. Tudo seguro. Só que não. Nem mesmo toda a força policial reforçada foi suficiente para conter uma imensa invasão de manifestantes, que entraram no prédio e obrigaram a paralisação da sessão. Ao todo quatro pessoas morreram.

A Prefeita de Washington decretou toque de recolher a partir das 18 horas, porém cerca de 50 pessoas foram presas por terem violado esse comando.

A sessão no Congresso norte-americano só foi retomada à noite, depois de a polícia conter todo o agito. Os parlamentares certificaram, oficialmente, Biden como o novo presidente dos Estados Unidos.

Trump afirmou que, embora não concorde com o resultado, a transição de poder ocorrerá de maneira pacífica em 20 de janeiro, quando Biden tomar seu lugar.

Nisso tudo, o que restou foi que Trump foi banido do Facebook e do Instagram até o fim do seu mandato, que pode até mesmo terminar ainda bem antes do que dia 20. Isso porque democratas da Câmara dos EUA estão discutindo um pedido a ser enviado ao vice-presidente Mike Pence, a fim de que seja invocada a 25° emenda da Constituição e assim haja um impeachment de Trump.

Essa 25° emenda trata da transferência de poder do presidente em casos como a morte dele, renúncia do cargo, destituição ou ainda por motivos que provem sua impossibilidade de seguir com seus deveres. Nesses casos, pode-se passar o poder ao vice-presidente.

No mesmo dia da manifestação, também houve o resultado do segundo turno da votação no Estado da Geórgia, em que democratas e republicanos se enfrentavam. Porém, a vitória ficou para o time Biden, com o partido detendo o controle do Senado dos EUA.

Com essa informação, Nasdaq apresentou forte queda, uma vez que possui diversas empresas de tecnologia sendo negociadas e os democratas tendem a instaurar medidas mais duras para todo o setor. Na contramão, Dow Jones e S&P 500 subiram com os investidores otimistas e à espera de novas medidas do próximo governo.

O dólar também subiu, registrando nesta quinta-feira, 7 de janeiro, uma alta de 1,82%, maior valorização dos últimos três meses. No Brasil, o sentimento otimista também fez a Bolsa bater os tão sonhados 120 mil pontos.

Já do lado da Europa…

A preocupação com os novos casos de coronavírus continuam na mira dos investidores, com diversos países parcial ou totalmente isolados para conter a propagação. É o caso do Reino Unido, Alemanha e Itália.

Sobre o Reino Unido especificamente, o país enfrenta o pior período pandêmico, apesar de o processo de vacinação da população já estar bem acelerado. Na semana passada, inclusive, houve mais uma aprovação de vacina a ser usada no país, dessa vez a de Oxford, que, junto da Pfizer (já sendo usada), pode garantir a imunização da população total do Reino Unido.

Enquanto isso, no Brasil…

Por aqui, na quinta-feira, 07 de janeiro, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, veio a público informar que a vacina feita em parceria com a empresa chinesa Sinovac atingiu um nível de eficácia excelente e até o fim de hoje, dia 08, deve dar por terminado um processo de solicitação à Anvisa para que a vacina seja liberada para uso emergencial. Espera-se que em até 10 dias haja essa liberação formalizada.

São Paulo já havia deixado claro que começaria a vacinação a partir do dia 25 de janeiro. Entretanto, o Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, revelou que o país tem recursos financeiros, organizacionais e logísticos para começar a vacinar sua população toda no mesmo mês, simultaneamente e de modo igualitário, e que o calendário nacional de vacinação deve começar até mesmo antes do dia 25.

O ministro garantiu que temos disponíveis 60 milhões de seringas e 354 milhões de doses já asseguradas, entre as quais 254 milhões se referem à vacina da Fiocruz e outras 100 milhões do Instituto Butantan.

Apesar de isso dar ânimo para a população brasileira e, claro, para os investidores, na esfera política tivemos clima desagradável.

No primeiro dia de trabalho do ano, segunda-feira, dia 04, o presidente Jair Bolsonaro disse que “o Brasil está quebrado”. A frase contradiz o que disse o Ministro da Economia, sobre o fato de que o Brasil estaria enfrentando uma retomada econômica em V, ou seja, após uma grande queda haveria uma retomada na mesma proporção.

Economistas revelam que o Brasil não está quebrado, como diz o presidente. As dívidas que o país possui estão sobretudo em moeda nacional, portanto contornáveis. Quanto ao discurso do Ministro, muitos ainda sugerem que a retomada econômica siga uma curva em U, isto é, após a queda haveria um período ainda “lá embaixo” e só então haveria a retomada propriamente dita.

Outra declaração do presidente Jair Bolsonaro também tem levantado muito mais do que debates. Em 28 de dezembro, ele ironizou as agressões sofridas pela ex-presidente Dilma Rousseff, do PT, ocorridas durante o período de ditadura militar. Devido a isso, líderes do PT realizaram um novo pedido de impeachment para a derrubada do atual presidente – de acordo com a Câmara, há pelo menos 59 pedidos como esse contra Bolsonaro.

A justificativa do pedido é que o presidente, com essa declaração, cometeu o crime de responsabilidade, por apologia à tortura. No Brasil, a tortura é considerada pela Justiça um crime hediondo e inafiançável.

O pedido ainda precisa passar por aprovação na Câmara e no Senado, porém existe uma barreira bem grande para que isso aconteça: em 1° de fevereiro ainda ocorrerá votação para as duas casas legislativas. De um lado, há o deputado Baleia Rossi, de outro há o deputado Arthur Lira, apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro. Caso Lira vença, o processo de impeachment pode acabar em pizza.

Depois desse panorama do clima pelo mundo, vamos ver como ficou nosso Ibovespa nesta semana?

Primeiro dia útil do ano nessa segunda-feira e o Ibovespa finalmente bateu os 120 mil pontos, mas não se manteve, encerrando o dia em campo negativo. Até quarta-feira, os investidores realizaram lucros no pregão, de olho no cenário internacional e suas conturbações. Na quinta-feira, porém, o Ibovespa se manteve e fechou a sessão acima dos 120 pontos.

No dia, o otimismo dos investidores foi o grande propulsor do desempenho, gerado pela confirmação do Congresso de que Joe Biden é oficialmente o novo presidente dos EUA e pelo anúncio de que a vacina do Instituto Butantan, em parceria com a empresa chinesa Sinovac, atingiu nível de eficácia excelente.

Nesta sexta-feira, até agora, 13h30, o Ibovespa marca os 123.700 pontos, com alta de 1,07%.

=> Acompanhe o Ibovespa em tempo real (sem atraso algum) aqui. 

As maiores altas na semana ficam para as ações da Gerdau (GGBR3) e para a Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3), com valorização dos papéis em 14% e 13%, respectivamente. Lembrando que a CSN foi a empresa cujas ações mais subiram em todo o ano de 2020.

=> CSN (CSNA3): criada na guerra e para a guerra. Você é aliado ou não? 

O bom desempenho se deve ao impulso do setor em um cenário de retomada e avanço de projetos de infraestrutura e construção civil. Ao mesmo tempo, o preço do minério de ferro tem impulsionado a alta e espera-se que a demanda chinesa continue forte neste ano.

Aproveitando o gancho das commodities, o petróleo teve um registro histórico, chegando a valer US$ 54,90 o barril Brent, preço só alcançado nessa faixa em fevereiro de 2020, antes da pandemia. Isto é, quase um ano depois o petróleo tem apresentado evidências de uma retomada. O que se explica isso também é a informação de queda nos estoques de petróleo dos EUA, somada à decisão da Arábia Saudita em reduzir sua produção. Com menos oferta na praça, o preço tendo a se elevar.

=> Arábia Saudita fará corte de 1 milhão de barris de petróleo. 

=> Estoques de petróleo dos EUA recuam. 

Na ponta oposta dos bons ventos, temos no campo corporativo Lojas Americanas (LAME3) e B2W (BTOW3) caindo 11 e 10%, respectivamente. As duas empresas foram impactadas sobretudo pelo fato de que o Bank of America (BofA) retirou LAME4 da sua carteira de recomendações de empresas da América Latina.

=> Saiba mais sobre as Lojas Americanas (LAME3). 

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