Copel (CPLE6): lucro líquido de R$ 3,9 bilhões em 2020, alta de 89,5%

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A Copel registrou em 2020 lucro líquido de R$ 3,9 bilhões, alta de 89,5% sobre o lucro de R$ 2,05 bilhões de 2019.

Os resultados da Copel (BOV:CPLE3) (BOV:CPLE6) referentes suas operações do quarto trimestre de 2020 foram divulgados no dia 17/03/2021. Confira o Press Release completo!

⇒ Confira a agenda completa da divulgação dos resultados do 4T20 e referente ao ano de 2020. Confira a cobertura completa de todos os balanços referente ao ano de 2020 das empresas negociadas na B3.

No ano inteiro de 2020, a receita da companhia foi de R$ 18,6 bilhões, crescimento de 17,4% sobre 2019.

O Ebitda – lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização – alcançou R$ 5,26 bilhões, ganho de 23,8% sobre um ano antes.

4T20

A Companhia Paranaense de Energia – Copel – lucrou R$ 1,12 bilhão no quarto trimestre de 2020,  88,4% acima frente o lucro líquido de R$ 596,5 milhões registrado no mesmo trimestre de 2019.

Desconsiderando os efeitos das operações descontinuadas da Copel Telecom, o o lucro líquido foi de R$ 1,088 bilhão, alta de 65,7%¨sobre o apurado entre outubro e dezembro de 2019.

A receita líquida da empresa no quarto trimestre de 2020 foi de  R$ 5,65 bilhões, 30,8% superior sobre o resultado de um ano antes.

O Ebitda  do trimestre foi de R$ 1,30 bilhão, alta de 26,5% sobre o mesmo trimestre de 2019.

A estatal diz que o resultado é reflexo do crescimento de 82,5% na linha “suprimento de energia elétrica”, decorrente, principalmente, da comercialização dos 564 GWh de energia produzida pela UTE Araucária período e do maior volume de energia vendida em contratos bilaterais pela Copel Mercado Livre.

Além disso, destacam um aumento de 14,7% na linha “disponibilidade da rede elétrica (TUSD/TUST)”, consequência do crescimento de 3,3% no mercado fio da distribuidora e da revisão tarifária periódica e do reajuste tarifário nos contratos de transmissão, e pelo registro líquido de R$ 178,2 milhões em reversões na linha de “provisões e reversões”, parcialmente compensado pelo aumento de 32,5% em “energia comprada para revenda”.

O resultado financeiro ficou negativo em R$ 1,7 milhão, ante R$ 121,2 milhões negativos no mesmo período de 2019. As receitas financeiras totalizaram R$ 256,1 milhões, aumento de 33,6%, com impacto da variação monetária do IGP-DI aplicada sobre o saldo do repasse CRC e crescimento de 53,3% nos acréscimos moratórios sobre faturas de energia. As despesas financeiras totalizaram R$ 257,8 milhões, saldo 17,6% inferior ao registrado no quarto trimestre de 2019, como consequência da menor variação de encargos da dívida, principalmente dos menores juros sobre empréstimos e financiamentos. A geração de caixa operacional foi de R$ 979,4 milhões no trimestre, alta de 16,3% sobre outubro a dezembro de 2019.

Teleconferência

A estatal paranaense Copel espera um impacto positivo de R$ 1,3 bilhão sobre sua geração de caixa medida pelo Ebitda quando registrar em balanço os resultados de um acordo com o governo e reguladores sobre o chamado “risco hidrológico” na operação de suas usinas.

A estimativa foi apresentada nesta quinta-feira pelo presidente da companhia, Daniel Slaviero, em teleconferência com os acionistas sobre os resultados de 2020.

“Tivemos os melhores resultados da história da companhia agora em 2020, e nestes números ainda não estão computados a venda da Copel Telecom e nem o GSF”, disse o CEO, em referência à sigla usada indicar o risco hídrico.

Ele não deu prazo sobre quando valores referentes ao GSF poderão ser computados.

Quanto à Copel Telecom, vendida em um leilão realizado pela empresa em novembro passado, Slaviero disse esperar a conclusão da operação em julho, o que permitirá à Copel embolsar os R$ 2,395 bilhões da oferta do fundo Bordeaux pelo ativo.

Também na teleconferência, o presidente da Copel, Daniel Slaviero, disse que a usina termelétrica Araucária está numa “nova fase”. “Estamos nos preparando para ir aos leilões e às oportunidades que apareceram com a medida provisória 998, inclusive leilões de capacidade”, disse.

A usina teve grande contribuição para o resultado positivo reportado pela estatal paranaense. No período, houve crescimento de 82,5% na linha “suprimento de energia elétrica”, reflexo principalmente da comercialização dos 564 gigawatts-hora (GWh) de energia produzida pela termelétrica.

Nível 2

Slaviero reforçou ainda que a migração da estatal para o Nível 2 da B3 não acontecerá sem a realização e liquidação de uma oferta secundária de ações ou units de titularidade do Estado do Paraná, controlador da companhia.

“A migração está condicionada a isso, e a oferta não acontecerá se não chegar no preço mínimo”, disse, em teleconferência de resultados. No início deste ano, executivos da companhia mencionaram que o “piso” avaliado pelo governo paranaense, na época, seria de cerca de R$ 73 por ação. Essa operação, por sua vez, seria realizada em conjunto com o BNDESPar, que pretende se desfazer de sua fatia de 24% na elétrica. Recentemente, um diretor do banco declarou que a instituição prepara a oferta para o primeiro semestre de 2021.

A ideia do governo paranaense é vender apenas uma parte do excedente do controle da companhia. “A quantidade que o governo pretende vender, não sabemos. Mas há declarações públicas de que não vão vender todo o espaço. Primeiro porque entendem que a ação vai se valorizar com essa oferta. Segundo, porque querem deixar um espaço para eventuais novas ofertas primárias num outro momento”, disse, em teleconferência de resultados.

“Seria muito saudável para a companhia e para os acionistas que ela pudesse migrar para o Nível 2, seria mais um passo na jornada de melhoria de governança”, complementou.

Inadimplência

Os índices de inadimplência na conta de luz da distribuidora da Companhia Paranaense de Energia (Copel) estão “sob controle”, afirmou o diretor financeiro da empresa, Adriano Rudek de Moura. O executivo explicou que, apesar das dificuldades enfrentadas com a pandemia de covid-19, a companhia tem tido pouco problema com recebimentos que superam 30 dias de atraso. “Por enquanto, não temos preocupação com relação a isso”.

Compagas

A Copel mantém a intenção de realizar o desinvestimento na Compagas, distribuidora de gás, em 2021. “Está na nossa agenda, pretendemos realizar isso ainda neste ano, apesar de o cronograma estar ficando um pouco apertado”, observou o presidente da estatal.

Segundo Slaviero, o processo depende da renovação da concessão da distribuidora, e as condições para essa prorrogação ainda precisam ser dadas pelo poder concedente. “Vamos precisar de 180 e 210 dias depois de assinada a renovação da concessão para realizar a oferta, o desinvestimento de 51%.”

O executivo disse ainda que a Copel está acompanhando dois temas que podem influenciar no processo da Compagas. “Primeiro, a aprovação da lei do gás, que dá um impulso para esse mercado. Vão ser necessárias algumas regulamentações, mas entendemos que a lei é positiva para avanços, abertura do mercado e valorização desses ativos. Também tem o desinvestimento da Gaspetro, que tem uma participação relevante na Compagas”, explicou.

Durante a teleconferência, o executivo comentou que a companhia tem uma agenda constante de revisão de portfólio de ativos. Em relação à renovação da concessão da hidrelétrica Foz do Areia, a “joia da coroa” da Copel, ele afirmou que a expectativa era realizá-la em 2021, mas avaliou que o processo deve “escorregar um pouco” devido à repactuação do risco hidrológico (GSF, na sigla em inglês).

As geradoras que aderirem à repactuação terão extensão dos prazos de concessão de suas usinas – no caso de Foz de Areia, a concessão ganharia cerca de um ano, passando a expirar em setembro ou outubro de 2024. “Queremos carregar ao máximo esse ativo. Mas, no mérito, mais tardar em 2023, a melhor saída é vender o controle, porque você evita o risco da licitação e de perder o ativo”, disse o executivo.

Dividendos 

A Copel aprovou uma distribuição total de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) para o exercício de 2020 de R$ 2,5 bilhões, ou 65% do lucro líquido para o exercício de 2020 de acordo com sua Política de Dividendos recentemente revisada.

Em relação aos componentes da distribuição de dividendos, R$ 807,5 milhões em JCP (R$ 0,31 / ação para CPLE6, já ajustado pelo desdobramento recente) como dividendos mínimos pela Lei das S.A. (25% do Lucro Líquido) já foram anunciados em 9 de dezembro de 2020, e as ações negociam ex-JCP desde 29 de dezembro de 2020, com data de pagamento a ser definida.

Além disso, a Copel anunciou uma distribuição adicional de R$ 1,51 bilhão aos acionistas (R$ 1,37 bilhão em dividendos regulares e R$ 134 milhões em JCP), com base nos lucros acumulados em seu balanço.

VISÃO DO MERCADO

XP Investimentos

Embora os números do Ebitda ajustado da Copel – de R$ 982 milhões, tenham ficado relativamente em linha com as estimativas da XP, os analistas avaliam que o mercado reagirá positivamente aos resultados devido ao anúncio de dividendos no trimestre de 8.2% de dividend yield (valor do dividendo sobre o preço da ação).

“Olhando em termos de proventos por ação (para acionistas de CPLE6), a distribuição total é de R$ 0,5787 por ação, implicando em um dividend yield de 8,2% líquido de impostos sobre a parcela do JCP (15% de imposto de renda retido na fonte). A distribuição de dividendos, bem como a data de pagamento ainda não foram aprovadas na próxima Assembleia Geral de Acionistas em abril de 2021”, destaca a XP.

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