Você pode estar perdendo dinheiro e é tudo culpa do Kiko

LinkedIn

Sabemos que é um pouco arriscado dizer que você pode estar perdendo dinheiro, afinal é possível que nem esteja. Se esse for o seu caso, parabéns e continue assim. Porém, se não for, ou se ainda quiser saber como as pessoas andam perdendo dinheiro por aí, é interessante continuar a leitura para entender como o Kiko tem sido um grande vilão quando o assunto são investimentos.

Embora muitas pessoas sempre joguem a culpa pelas suas perdas financeiras em terceiros – como no primo que deu a dica em cima da hora; na internet que teve uma pifada e fez com que o home broker não gerasse naquele exato instante a compra ou venda; no governo, que andou “metendo o dedo” onde não devia e por aí vai –, o fato é que o Kiko não é tão externo assim. Na verdade, ele pode estar mais perto do que você pensa.

Ele aparece quando você lê uma informação sobre a empresa, mas acredita que ela não diz nada, então passa batido pelo seu crivo de notícias relevantes, caindo direto na gaveta do esquecimento. Porém, tempos depois, aquilo que você não deu atenção se torna uma bola de neve tão grande que congela o preço da ação da companhia. Como você a tem em carteira, é inevitável não cair em uma fria junto. Aí já é tarde e o prejuízo tilintou na conta.

Vamos analisar alguns casos para você entender melhor como isso funciona:

  1. Informação: petróleo fecha em queda pelo quinto dia consecutivo

E o Kiko? Kiko tenho a ver com isso?

O Kiko apareceu após a leitura daquela notícia de fim de dia, que aparentemente não diz nada, mas na verdade revela muita coisa. Isso porque, se você tivesse lido a fundo, entenderia que os estoques de petróleo vêm aumentando gradativamente nos EUA, agravados sobretudo pela interrupção das operações de refino que ficaram comprometidas devido às baixas temperaturas pelas quais o país enfrenta. Ou seja, tem muito petróleo parado.

Ainda na leitura tem mais um dado relevante: a sempre presente pandemia que continua assolando também o preço da commodity. Ora, a Europa também parou por quase uma semana as vacinações em virtude de suspeitas sobre efeitos nocivos delas. Soma tudo isso e temos muito petróleo parado, porém pouca perspectiva de demanda, já que, se não há pessoas vacinadas e que podem voltar a fazer a economia funcionar, não existem clientes para as petrolíferas.

Mas você resolveu colocar o Kiko nessa história e não deu atenção. O resultado? As ações das petrolíferas tiveram as maiores quedas. A Petrobras, inclusive, foi obrigada a baixar até mesmo o valor da gasolina para as refinarias, já que tem seguido os preços do mercado internacional. “Ah, mas eu invisto no longo prazo” – você pode pensar. Então, é melhor que no longo prazo o clima melhore nos EUA, que todas as populações sejam vacinadas e as coisas voltem ao “novo normal”. E que não haja mais variantes da doença capazes de levar a novos lockdowns.

Claro que, para saber isso, você não pode chamar o Kiko a cada nova informação divulgada. Ainda que invista no longo prazo, é importante ficar atento a tudo. Veja o caso da Vale, por exemplo. Após várias tragédias com barragens, os custos de reparações e indenizações vêm se alastrando há anos, impactando, é claro, as receitas da empresa e ameaçando a imagem da companhia – inclusive no cenário internacional. Como você sabe, o novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, é muito adepto de empresas verdes e com essa pegada sustentável. E ele só foi eleito porque, é claro, as pessoas apoiam suas ideias, portanto empresas bem posicionadas nesse sentido podem se dar bem.

“Ah, mas estamos falando de uma empresa brasileira. E o Kiko pro que os EUA pensam?”. Sabia que a Vale é a empresa na qual os EUA mais investem entre todas as ADRs brasileiras disponíveis? E se investir em empresas mais responsáveis é uma tendência por lá, isso não demora a chegar por aqui.

=> Saiba o que são ADRs e qual a lista das mais badaladas nos EUA. 

Tem mais um detalhe: Vale e Petrobras não entraram para o grupo de empresas que compõem o primeiro ETF (fundo) ESG do Brasil, o ESGB11, criado pelo BTG Pactual e que lista desde o fim do ano passado as companhias com melhores práticas sociais, ambientais e de governança corporativa – aquelas que os EUA adoram. A metodologia usada para compor esse grupo é a mesma do índice Dow Jones Sustainability Index, dos EUA, que é reconhecida internacionalmente. Vale ficou de fora devido à tragédia de Brumadinho e Petrobras nem precisa dizer, passou bem longe devido aos escândalos de corrupção. Vai continuar chamando o Kiko?

E aí vai mais um caso de que uma informação pode ser uma mudança importante dentro da trajetória de uma empresa:

  1. Informação: IRB Brasil reverte prejuízo em lucro de R$ 17,9 milhões em janeiro de 2021

E o Kiko? Kiko tenho a ver com isso?

Foi apenas um mês de lucro. Foi sim. Mas, se você é esse investidor de longo prazo, isso significa muito. E se é um daytrade ou investidor de curto e médio prazo, também pode ganhar com isso. A IRB é a companhia que você mais ouve falar nos últimos tempos como aquela com o pior desempenho, seja na semana, no mês, no ano. Porém, o imã que puxa a performance do papel da IRB sempre para baixo tem nome e sobrenome: inconsistências nos balanços.

A empresa precisou se reinventar internamente, contratando auditores independentes, criando fiscalização rigorosa e revendo com cuidado seus números para transmitir ao mercado um pouco de confiança depois de um 2020 conturbado, após ser acusada de manipular resultados para esconder fraudes da diretoria. Até os fiéis investidores adeptos do buy and hold (comprar e manter) precisam admitir que pularam fora desse barco, principalmente depois que seu grande guru, Warren Buffett, disse que não comprou IRBR3 nem tem intenção alguma de fazer isso – um boato que soltaram no mercado, de que o famoso investidor estaria de olho na empresa, e justamente na época em que ela foi acusada de divulgar as inconsistências do balanço. É aquilo, sobe no boato e cai no fato.

Para o boato de que até Buffett estaria investindo na companhia muita gente não chamou o Kiko, não é? Se tivessem chamado, não teria saído tanto investidor de IRBR3 a ponto de as ações caírem mais de 85% em 2020 e ficarem sem perspectivas de recuperação em um futuro próximo. Até agora.

Em janeiro de 2021, segundo revelado pela empresa, foi o primeiro mês após tantas quedas que surge uma luz no fim do túnel. Se vai continuar ou não, aí é preciso aguardar, mas, dentro da trajetória da companhia, esse é um momento histórico.

  1. Informação: Cade aprova aquisição da Linx pela Stone 

E o Kiko? Kiko tenho a ver com isso?

A empresa mais chateada com esse fato é a TOTVS, uma “papa-concorrentes” que já há um tempo estava de olho na Linx para ganhar em sinergia, uma vez que a companhia também atua com softwares de gestão. Mas ela não só esteve de olho como houve uma guerra com a Stone por essa disputa. A aquisição acabou se tornando quase como um leilão, vendo quem dava mais para levar a Linx para casa.

Até aí tudo bem, mas “não sou acionista da TOTVS, Kiko tenho a ver com isso?” – você pode pensar. Em se tratando de fusões, aquisições, joint-ventures (parcerias que dão origem a uma nova empresa), vale sempre fazer um 360° pelo mercado, porque algo aqui pode respingar lá. TOTVS pode não estar na sua carteira, mas quem sabe uma Cielo?

Enquanto o Cade avaliava a compra da Linx pela Stone, a Cielo estava lá como o diabinho no ombro do órgão antitruste, argumentando contra a união das empresas. Isso porque a Stone é uma grande empresa nos meios de pagamento (e concorrente direta da Cielo) e a Linx é líder no segmento de softwares para gestão no varejo (com mais de 45% de participação nesse mercado), incluindo também soluções de pagamento. Ou seja, a união dá uma força imensa para a Stone abocanhar os varejistas do país, mas também inibir os concorrentes e criar um mercado no qual não se pode brigar por preço.

Falando em preço, vamos ver mais um caso interessante.

  1. Informação: General Joaquim Silva e Luna é indicado como presidente da Petrobras 

E o Kiko? Kiko tenho a ver com isso?

Diversas empresas mudam sua diretoria, e muitas vezes isso é bom – como no caso da IRB Brasil, que precisou se renovar após as fraudes. Porém, estamos falando de uma das companhias mais importantes do Brasil e da qual praticamente todos os investidores têm uma lasquinha. Mas vale refletir sobre o que está por trás dessa mudança.

O atual presidente Jair Bolsonaro resolveu tomar atitudes devido aos constantes aumentos nos preços de combustíveis e, principalmente, após uma fala do então presidente da Petrobras, Roberto Castello, de que ele não tinha “nada a ver com caminhoneiro”. Como sabemos, grupos de caminhoneiros foram aliados na campanha do atual presidente, portanto a pressão deles por greves em virtude dos aumentos de combustíveis fez Bolsonaro intervir na empresa estatal, colocando à frente dela alguém de sua confiança, o General Silva e Luna.

Entretanto, quando interferências políticas acontecem em uma empresa assim, outras estatais também se desequilibram. O Banco do Brasil chegou a perder R$ 10,8 bilhões em valor de mercado só no dia do anúncio do novo presidente da Petrobras. Eletrobras perdeu R$ 272 milhões. Privatizações geram impacto nas ações das empresas, preços ao consumidor final são motivo de intervenções, atitudes a contragosto do governo sofrem retaliações… Ainda acha que o Kiko deve se meter nesses assuntos?

  1. Informação: Alta da Selic, sobe e desce do dólar e até PIB da China

Agora que você já entendeu a importância de (desculpe a redundância) dar importância às informações diárias, sabe que assuntos aparentemente triviais podem ter impactos de curto, médio e longo prazo dentro das empresas e dos setores. Portanto, o fato de a Selic ter subido pela primeira vez desde 2015, após ter se mantido em 2% durante todo esse tempo, é algo a se considerar nos investimentos. As oscilações do dólar também vão impactar aquelas empresas que têm dívida sobretudo nessa moeda. E até o PIB lá da China vai se refletir no desempenho financeiro de companhias que dependem desse país para sobreviver, já que algumas só existem porque mais da metade do que produzem vai para o país asiático (como é o caso da Suzano).

Então, em vez de chamar o Kiko sempre que uma nova informação surgir, chame a ADVFN, afinal, muito além de mostrar os fatos, também apresentamos contextos e impactos, com visão de mercado (ou seja, opinião de analistas) sobre dados referentes às empresas, matérias especiais para deixar ainda mais claro algum assunto específico, vídeos no nosso canal do YouTube para você aprender tudo de um jeito mais descontraído, Podcasts semanais com retrospectivas dos maiores acontecimentos e comentários sobre as empresas do momento e muito mais.

Conta pra gente, para o que mais as pessoas chamam o Kiko, quando deveriam chamar atenção para uma leitura atenta do fato? Comenta aqui embaixo sua resposta e não se esqueça de compartilhar este conteúdo com seus amigos, afinal ninguém gosta de perder dinheiro, então vale muito aprender essas dicas. Aproveitem e ótimo$$ investimento$$!

Deixe um comentário