Cielo (CIEL3): lucro líquido de R$ 241,3 milhões no primeiro trimestre, avanço de 44,7%

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A Cielo, controlada por Bradesco e Banco do Brasil, apresentou lucro líquido de R$ 241,3 milhões no primeiro trimestre deste ano, cifra 44,6% maior que o registrado no mesmo intervalo de 2020. Em relação aos três meses imediatamente anteriores, o resultado da líder das maquininhas encolheu 19,1%, quando a base de comparação é impactada pelo maior volume tradicional à época.

Já o lucro líquido recorrente de R$ 135,8 milhões no primeiro trimestre deste ano, resultado 18,6% menor do que o apurado no mesmo período de 2020 e 54,5% inferior ao do quarto trimestre. Esse valor exclui ganhos não recorrentes de R$ 105,5 milhões com a venda da Orizon, cessão e atualização monetária da plataforma Elo, além da reversão de provisões com novos projetos e reestruturações.

A expansão do resultado pode ser atribuída principalmente ao resultado da Cielo Brasil, 81,7% superior em relação ao 1T20, impulsionado pelo comportamento favorável das despesas operacionais foco da Companhia em segmentos mais rentáveis e aumento da penetração de produtos de prazo no varejo eventos específicos do trimestre, como a própria cessão da plataforma Elo.

O Ebitda – juros, impostos, depreciação e amortização – caiu 20,1% e somou R$ 613,6 milhões, na mesma base de comparação.

A receita operacional líquida foi de R$ 2,7 bilhões, recuo de 3,8% ante igual período do ano passado, enquanto a receita de aquisição de recebíveis líquida caiu 49,3% no trimestre e somou R$ 95,8 milhões.

Apesar do agravamento da pandemia no País, a Cielo conseguiu ampliar o volume financeiro transacionado em suas maquininhas. De janeiro a março, atingiu R$ 160 bilhões, alta de 0,2% em um ano. Em relação aos três meses anteriores, quando a base de comparação pesa por conta do fim do ano, houve queda de 16%.

Considerando clientes que realizaram pelo menos uma transação com a Cielo nos últimos 90 dias, a base ativa encerrou o primeiro trimestre deste ano, 7,7% inferior a igual período de 2020 e 3,4% menor em comparação ao quarto trimestre. A principal razão, segundo a empresa, é a mudança na política de concessão de subsídios para terminais de captura na modalidade de venda, que impacta principalmente as afiliações no segmento de empreendedores.

A líder do setor de maquininhas no Brasil capturou 1,533 bilhão de transações no primeiro trimestre, um decréscimo de 12,4% e 7% ante o quarto e o primeiro trimestre do ano passado, respectivamente.

Em contrapartida, no segmento de pequenas e médias empresas (varejo), principal foco da Cielo, a base de clientes manteve trajetória de expansão, registrando crescimento de 8,8% sobre o um ano antes e de 1,0% sobre o trimestre anterior. “Cabe destacar que essa expansão observada em relação ao quarto trimestre ocorreu mesmo em um cenário em que a companhia remodelava seu modelo de servir e implementava a expansão comercial. E houve uma nova intensificação de medidas de distanciamento e isolamento social para enfrentamento à pandemia”, afirmou em nota.

Na comparação com o mesmo período de 2020, a expansão do resultado pode ser atribuída principalmente ao resultado da Cielo Brasil, 81,7% superior em relação ao primeiro trimestre de 2020, impulsionado pelo comportamento favorável das despesas operacionais; pelo maior foco da companhia em segmentos mais rentáveis e aumento da penetração de produtos de prazo no varejo; e o impacto positivo de eventos específicos do trimestre, como a cessão da plataforma Elo.

Por outro lado, o crescimento dos resultados da Cielo Brasil foi parcialmente compensado pela queda de 32,1% no resultado da controlada Cateno, impactado por um mix de transações menos favorável (maior participação de transações com cartões de débito, que apresentam receitas de interchange mais baixas) e aumento das despesas operacionais.

O total dos gastos (custos e despesas) consolidados somou R$ 2,397 bilhões, redução de 6% no trimestre e de 6,9% em um ano.

Ainda segundo nota da empresa, a partir do primeiro trimestre deste ano, tanto a Cielo quanto Cateno passaram a reconhecer maiores despesas com Impostos sobre Serviços (ISS), em razão dos impactos previstos com o início de vigência da lei 175 de 2020. As despesas com ISS da Cielo foram majoradas em R$ 29,7 milhões no período e, na Cateno, o aumento de despesas foi de R$ 22,8 milhões.

No primeiro trimestre, o impacto no resultado líquido, após IR/CSLL, e deduzido da participação dos acionistas não controladores, foi de R$ 30,1 milhões. Essas despesas influenciaram na variação do resultado, tanto em relação ao primeiro trimestre de 2020 quanto em relação ao quarto trimestre do ano passado.

Os resultados da Cielo (BOV:CIEL3) referente a suas operações do primeiro trimestre de 2021, foram divulgados no dia 27/04/2021. Veja o Press Release!

A Cielo comunicou ainda que o conselho de administração aprovou a distribuição de Juros sobre Capital Próprio (JCP) no valor de R$ 85,151 milhões referente ao primeiro trimestre de 2021. O valor final por ação do JCP é de R$ 0,0315.

Os JCP serão pagos aos acionistas no dia 13 de maio de 2021, com base na posição acionária de 30 de abril de 2021, sendo as ações da companhia negociadas ex juros sobre capital próprio a partir de 03 de maio de 2021.

Teleconferência

O presidente da Cielo, Paulo Rogério Caffarelli, afirmou que a piora no cenário da covid-19 atrapalhou e afetou o trimestre inteiro, mas que a companhia está no “caminho certo”. “A gente apanhou duplamente do recrudescimento da pandemia”, disse a jornalistas.

Segundo ele, o impacto foi sentido mais duramente em março, com novas medidas de isolamento para conter a disseminação da doença, porém, já se notava uma piora no varejo desde em outubro, “Desde outubro, [volume capturado] só fez cair”, afirmou.

Caffarelli reiterou que a busca da empresa é para que a participação do varejo fique equilibrada com a de grandes contas. Com esse objetivo, foram contratados mais 500 funcionários para a força comercial. O varejo e o segmento de empreendedores representaram 35,4% do volume capturado no primeiro trimestre (ante 35,1% no quarto trimestre).

Nesta semana, a Caixa anunciou acordo com a americana Fiserv para que esta opere com exclusividade as operações de adquirência no balcão do banco pelos próximos 20 anos. A ampliação da equipe tende a diminuir também a dependência das vendas feitas por meio dos bancos controladores (Bradesco e Banco do Brasil) ou parceiros.

O vice-presidente financeiro da Cielo, Gustavo Souza, destacou que não haverá uma migração automática desses lojistas para a Fiserv, e eles continuarão sendo atendidos pela Cielo. Minimizou o impacto da parceria, lembrando que credenciadora representa mais de 50% do volume de adquirência de clientes com domicílio bancário na Caixa.

Caffarelli afirmou que a pandemia, por outro lado, acelerou fortemente as soluções de digitais, como links de pagamentos, QR Code e NFC (transações por aproximação), que agora já representam 20% do volume. Há um ano, essas tecnologias tinham participação de 15%.

O executivo também disse esperar para “breve” o lançamento do serviço de pagamentos entre pessoas via WhatsApp, que será processado pela Cielo.

VISÃO DO MERCADO

Bradesco BBI 

O Bradesco BBI, por sua vez, apontou que o resultado ficou 33% abaixo de sua expectativa, e 20% abaixo do consenso do mercado. O banco avalia que os resultados da Cateno, joint venture da Cielo com o Banco do Brasil, foram pressionados por gastos operacionais elevados, e que a Me-S continua a divulgar perdas fortes.

O banco diz que, dependendo das tendência macroeconômicas de curto prazo, a Cielo pode se beneficiar de uma estrutura mais enxuta e gastos mais normalizados da Cateno. Uma valorização maior depende de certos eventos corporativos.

Bradesco BBI mantém recomendação neutra para a Cielo, com preço-alvo de R$ 5,00…

Credit Suisse

O Credit Suisse classificou os resultados divulgados pela Cielo como negativos, devido ao desempenho abaixo do esperado nas divisões Cielo Brasil e Cateno. Assim, o banco mantém uma visão cautelosa sobre as ações da Cielo.

Credit Suisse tem recomendação neutra com preço-alvo de R$ 4,80…

Morgan Stanley 

O Morgan Stanley destaca que o lucro líquido recorrente da Cielo ficou 33% abaixo de sua estimativa e 28% abaixo do consenso.  O banco diz que os volumes de transações abaixo do consenso, aliado à notícia de que CEF e Fiserv estão se articulando por uma oferta pela compra da empresa, devem colocar as ações sob pressão.

Morgan Stanley tem recomendação equal-weight com preço-alvo de R$ 4,50…

Pensando em investir na Cielo?

Cielo, antiga Visanet Brasil,  é a maior operadora de cartão de crédito e débito no Brasil com valor de mercado de R$ 10,4 bilhões. A Cielo também é a maior empresa de sistema de pagamentos da América Latina em receita e valor de mercado. Confira a Análise completa da empresa com informações exclusivas.

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Governança Corporativa

A Cielo aderiu ao Novo Mercado da BM&F Bovespa em 29 de junho de 2009, estando vinculada  à Câmara de Arbitragem do Mercado, conforme cláusula compromissória prevista em seu Estatuto Social. Importante destacar que a listagem nesse segmento implica a adoção de um conjunto de regras societárias que ampliam os direitos dos acionistas, além de uma política de divulgação de informações mais transparente e abrangente.

Desde 2011, a Companhia possui American Depositary Receipts (ADRs), Nível 1, no mercado de balcão OTCQX Internacional, segmento premium do mercado norte-americano, que distingue as principais empresas internacionais de outros valores mobiliários negociados no mercado de balcão OTC dos Estados Unidos pela qualidade de seus negócios operacionais, excelência na divulgação de informações e listagem em qualificadas bolsas de valores estrangeiras.

Composição Acionária (22/02/2021)

COMPOSIÇÃO ACIONÁRIA AÇÕES ORDINÁRIAS %
Acionistas Controladores 1.594.957.131 58,7
   Banco Bradesco 816.637.079 30,1
          Columbus Holdings S.A. 778.319.884 28,6
          Tempo Serviços LTDA* 38.317.195 1,4
   Banco do Brasil 778.320.052 28,6
Tesouraria 9.660.268 0,4
Em circulação 1.112.197.662 40,9
Total 2.716.815.061 100,00

Desempenho da empresa na B3

No último ano, as ações da Cielo oscilaram entre a mínima de R$ 3,15 e a máxima de R$ 5,93. No último pregão antes da divulgação do resultado do 1T21, a empresa fechou em queda de 3,44%, negociada a R$ 3,65.

Confira o histórico da CIEL3

Período Abe Máx. Mín. Preço Méd. Vol Méd. Var %
1 Semana 3,68 3,89 3,60 3,78 28.059.500 -0,03 -0,82%
1 Mês 3,54 3,95 3,53 3,74 27.294.728 0,11 3,11%
3 Meses 4,21 4,33 3,15 3,69 34.934.504 -0,56 -13,3%
6 Meses 3,91 4,33 3,15 3,74 38.999.483 -0,26 -6,65%
1 Ano 4,14 5,93 3,15 4,27 44.700.422 -0,49 -11,84%
3 Anos 19,58 19,62 3,15 6,05 24.557.572 -15,93 -81,36%
5 Anos 27,6039 31,4783 3,15 8,55 17.108.690 -23,95 -86,78%
* Com informações da ADVFN, RI das empresas, Valor, Infomoney, Estadão, Reuters

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